Dial P for Popcorn: Novembro 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Morte da 7ª Arte (Versão Nolan)

"O Dial P For Popcorn tem o prazer de vos apresentar o nosso mais recente colaborador! Axel Ferreira, nosso colega e amigo, aceitou o convite para a elaboração de uma crónica quinzenal. Com uma visão peculiar e distinta da realidade cinematográfica, A Morte da 7.ª Arte deixa apenas uma promessa: Ninguém a poderá evitar."


O Som e a Fúria


Debaixo dos meus dedos acumulo as palavras dos longos segredos de um mundo que os grita e ninguém ouve. Seria de esperar algo mais que o martírio continuo de ver o brilho de uma parede ser tanto ou mais interessante do que ver algo com luz e imagem mas sem forma ou eco. Não ver seria ainda melhor. Se um dia alguém se inspirou na expectativa de fazer alguma coisa, não disse nem mais uma palavra, e apenas fez, foi considerado lunático e de certeza arrogante. Quando chegamos à conclusão que nada é valorizável para além da morte, pensamos que nada interessa. Se nada interessa não se vive. Mas, qual montanha que vem atrás de um velho lunático que andou às voltas num deserto e que falava com árvores em chamas, aparece a felicidade e pensamos fazer de nós um riso alegre. A vontade deixou de existir, o estímulo é constante, o tempo para pensar é nenhum, a definição já está dada, não fosse sempre o normal a maioria. Se fosse feliz como um macaco não me aperceberia que ser um homem que pensa que ser feliz como um macaco é bom é tão espectacular como o próprio macaco. Ao pé disto, o facto de a única tipa que aparece no filme do Tintim ser uma representação um pouco abjecta de uma cantora de ópera que só serve para partir cristal nem sequer interessa.

Para que falar mais se o discurso já se esgotou? Para criar um novo, dizer algo mais. Faulkner já disse algo parecido ao seguinte, fomos criados num mundo de adultos demasiado velhos para perceberem que são lunáticos. Se querem construir algo por cima disto não venham a pensar que o que existe neste momento é normal ou que sequer faz algum sentido. Não faz sentido eu não conseguir ir ao cinema porque não há lá um único filme que não tenha sido pago a peso de ouro para defecar diamantes. Não faz sentido o Faulkner ficar sentado na prateleira e o Paulo Coelho e outros inomináveis venderem como as camisolas da lacoste dos ciganos em dia de feira. Faria mais sentido que os próprios ciganos os vendessem como sendo uma óbvia imitação rasca de má qualidade, em vez de serem mais baratos tinham o dom de ser culturalmente inócuos e legíveis sem existirem dificuldades de interpretação ou aparecimento de dores de cabeça do viajante literário. Continua sem fazer sentido que as pessoas menos talentosas e que menos sabem de música sejam as que mais vendem, sem nunca terem composto um único compasso. Na feira também vendem screeners das próximas estreias esperadas, e pouco será dizer que se um filme estiver a ser vendido ao monte, a dois euros a peça ao lado das meias (ligeiramente mais caras), não haverá maneira nenhuma de poder ser bom. Explicar mais que isto era inútil. Mas o exercício verdadeiro vem a seguir, pensem no melhor filme que já viram a ser vendido por este método. Agora comparem este a todos os outros aos quais se pode equiparar ou que até consigam comparar sem parecer um insulto completo. Peguem nisto tudo e vão conseguir uma óptima lista de toda a inutilidade e lixo, concentremo-nos agora no que está acima disso.

Desde o início, os primórdios do cinema, havia uma obsessão constante de tornar o que se via realidade. Por isso nasceu o filme falado, o cinema a cores, os efeitos especiais, o que chama CG ou seja lá o que for. Agora há um movimento inverso, a percepção de que a realidade cinematográfica também é um factor limitante. Não estou a falar sobre a ficção científica ou desse tipo de não realidade, mas na ideia de sermos convencidos que aquele cenário é uma realidade para os personagens (ao contrário de uma obra de teatro, em que o cenário não é credível nem o pretende ser). Isso é algo que levou o cinema para o pior caminho possível, e será esta, sem sombra de dúvida, a raiz de todos os problemas. Dizermos que o cinema nos tem que levar para outro mundo completamente credível. Forma-se aqui a exigência fundamental deste tipo de projecto, é preciso uma enorme montanha de dinheiro para fazer com que tal seja possível. O raciocínio seguinte é muito simples, como não há poços sem fundo, o que pagamos para o fazer tem que ser retribuído de alguma maneira. A ambição constante de querer mais e melhor cinema, de querer fazer imagem e som como se faz a imagem e o som quando vemos e ouvimos levou a que se conseguisse o completo contrário, o comprometimento da ideia, para fazer algo que fosse mais agradável e que cativasse o maior número de pessoas, para poderem pagar tal coisa. Quando se abdica do essencial para agradar ao mundo, perde-se a identidade, perde-se a ideia, perde-se por completo a relevância. Porque nada feito para agradar poderá ser bom, pela simples razão de que a única maneira de fazer algo que agrade a toda a gente é fazer algo tão inócuo que não contrarie ninguém, algo tão pouco surpreendente que não possa chocar ninguém, algo tão simples que não confunda ninguém (porque ainda há os que fingem que confundem), algo tão animado que não adormeça ninguém, ou seja, algo tão igual ao que as pessoas estão habituadas que nem vale a pena existir. A existência de uma identidade sem uma ideia basal que seja nova pode ser avaliada como o que agora os críticos gostam muito de dizer “é um grande filme dentro do seu género”. Primeiro, a ideia de que um filme pode ser bom, mesmo que seja uma repetição quase integral daquilo que já foi feito, é uma ideia estranhíssima para mim. Ainda mais que isso, a incapacidade de o filme ter algo de novo e a incapacidade de o crítico o dizer são ambos crimes contra a cultura, um por desperdiçar dinheiro, outro por recomendar um desperdício de vida. Seguidamente e em segundo lugar, foi esta ideia de que a repetição de uma fórmula de sucesso consegue ser muito rentável que levou o cinema à desgraça de se fazerem filmes com o único objectivo de serem vendidos, sem importar a arte ou a originalidade que supostamente a rentabilidade ia sustentando. A demolição da última barreira surgiu agora, depois de já ter aparecido o bendito Spielberg e o remake constante chamado Blockbuster, depois de já terem feito tudo o que era possível com o mesmo diálogo, as mesmas piadas e os mesmos clichés mil vezes, apareceu um homem que até começou com um filme razoável, mas que agora se tornou o salva-vidas de toda a gente que gosta de filmes que fazem muito dinheiro mas acha que até tem um gosto cinematográfico requintado e gosta de intelectualizar a ideia do bom cinema. Este homem é Nolan, e resume-se numa frase: “é muito bom naquilo que faz, mas o que ele faz são filmes completamente banais”. E carregando já o crucifixo às costas, a verdade é que por muito prazer que vos dê ver filmes deste homem, ele não tem o dom de ser relevante, não faz coisas que sejam novas ou que já não tenham sido feitas mil vezes melhor antes. Seja um Thriller ou uma história sobre super heróis, a maior parte do que está lá são sequências de acção mil vezes repetidas, argumentos e diálogos canonicamente guiados, e alguma pseudo-actividade ligeiramente intelectual, que nalguns momentos parece transparecer, mas até o Matrix enganou melhor com essa léria toda da pseudo-filosofia humana (não me interessa se o rapaz é travesti ou não, só por transcender a sua existência de homem não se transforma em metafísica). O meu único pedido é que se sabem o que é bom façam ganhar dinheiro a quem faça coisas boas. Se um homem faz coisas más deixa de as fazer a partir do momento que deixa de ganhar dinheiro por elas. Se um homem ganhar o prémio Nobel comprem um livro dele e leiam, se virem um bom filme comprem o DVD, deixem o hedonismo da idiotice para depois de morrerem.


Axel Ferreira

domingo, 27 de novembro de 2011

Personagens do Cinema - Travis Bickle


"Thank God for the rain to wash the trash off the sidewalk."

A isto chama-se jogar pelo seguro. Este mês tive algumas dificuldades em encontrar uma Personagem do Cinema, confesso. Por falta de tempo e de paciência, adiei a crónica até aos últimos dias. Mas finalmente consegui encontrar uma personagem incontestável. Travis Bickle é uma das personagens mais replicadas da história do cinema. A sua inesquecível cena com a sua pistola, em frente do espelho será, penso eu, um dos treinos de representação mais clássicos nos workshops de representação (e se não é, devia ser).


Taxi Driver foi o filme que catapultou para a fama, em 1976, Martin Scorsese, Robert De Niro e (uma então inocente) Jodie Foster. Pleno de irreverência, com um argumento duro, trabalhado no risco, sem problemas em tocar nas feridas de uma sociedade em transformação pela chegada de um Novo Mundo, marcado pela modernidade, pela emancipação das mulheres, pela deterioração do papel do homem na sociedade, fragilizado pela Guerra do Vietname, que deixa escapar de forma natural o seu estatuto na família e o seu poder sobre o sexo feminino.


É nesta sociedade em remodelação, em crescimento, em descoberta, que Travis Bickle é lançado, depois de uma traumatizante experiência no Vietname. Arrisca um emprego como taxista e cedo percebe que a noite é um ambiente hostil. É na sequência destes acontecimentos, da necessidade de se proteger (para sobreviver), que aparece a épica cena em que Travis enfrenta a sua imagem no espelho e treina a sua pose para intimidar os criminosos. É uma personagem dúbia, uma personagem intrigante, que se vai revelando ao espectador, como se o mesmo estivesse junto de De Niro e ganhasse a oportunidade de o conhecer melhor. É a grande obra-prima de Scorcese e o início de uma carreira de sonho. Com um Robert De Niro de nível olímpico. Travis Bickle é uma meritória Personagem do Cinema.

sábado, 26 de novembro de 2011

TEMPORADA 2011/2012 - Dezembro


Depois da primeira crónica ter sido um verdadeiro sucesso (gerou não só uma boa recepção por parte de alguns, como valentes críticas por parte de outros), achei que devia continuar as minhas modestas previsões (se assim se podem chamar) daquilo que serão as próximas semanas nos cinemas portugueses. A minha selecção será unicamente sobre o mês de Dezembro, já que em altura de Óscares, a oferta é tão grande e tão vasta, que de pouco adiantaria fazer uma crónica gigante que rapidamente desmotivaria o interesse do leitor.




Começamos então pela próxima semana. Na próxima Quinta-feira, dia 1 de Dezembro, o leitor pode encontrar em estreia nas salas de cinema, Melancholia, a controversa obra apocalíptica do igualmente controverso Lars Von Trier, um realizador que cultiva amores e ódios por onde passa e cuja polémica atingiu o seu auge na última edição do Festival de Cannes (onde apresentou ao Mundo Cinematográfico este filme) e de onde foi expulso com o rótulo de Persona Non Grata. O trailer do filme deixa-nos a clara ideia de estarmos perante mais um filme à Lars Von Trier, que certamente deixará satisfeitos os seus mais acérrimos fans. Para quem não gosta ou desconheça (e esteja sem paciência para o descobrir) Lars von Trier, talvez Buried, Puss in Boots ou The Debt, sejam boas opções para a próxima semana!




Para a semana de dia 8 de Dezembro, fica reservada uma das grandes estreia do ano em Portugal! Drive, o filme que surpreendeu na edição deste ano do Festival de Cannes com a vitória de Nicolas Winding Refn na categoria de Melhor Realizador e a presença privilegiada numa lista de grandes nomes para a corrida à famosa Palme d'Or, que foi um dos sucessos do ano nos Estados Unido e que terá garantidamente uma gigante interpretação de um dos actores do momento: Ryan Gosling, é uma visita obrigatória às salas de cinema durante o próximo mês! O trailer deixa-nos com água na boca, a banda-sonora (que já tive oportunidade de ouvir) agita-nos e abre ainda mais o apetite daqueles que será, seguramente, um dos melhores filmes de 2011. Para descobrir, dia 8!




Dia 15 de Dezembro o leitor poderá optar por dois filmes distintos. Missão Impossivel: Operação Fantasma marca o regresso de Tom Cruise à pele de Ethan Hunt que, penso poder afirmá-lo, já conseguiu imortalizar na memória dos mais novos, que cresceram com as suas aventuras. É inevitável a minha ida aos cinemas para o ver, embora admita que, para essa semana, esteja marcada para Portugal uma das estreias que mais espero para este ano: Jodaeiye Nader az Simin, com a tradução portuguesa de Uma Separação, é um filme iraniano que causou grande sucesso lá fora, sobre o qual pouco ou nada se ouviu falar em Portugal, mas que eu acredito, seja uma das melhores escolhas cinematográficas da Época Natalícia!




Para véspera de Natal, a 22 de Dezembro, estreará em Portugal Tinker Tailor Soldier Spy, que marcará o regresso aos cinemas de Tomas Alfredson, o realizador que explodiu em 2008 com Låt den rätte komma in. Numa história envolvida em crime e mistério, com um elenco de luxo (Gary Oldman, Colin Firth, John Hurt, Benedict Cumberbatch), Tomas Alfredson tem a oportunidade de provar que o mega sucesso de 2008 não foi um caso pontual e que o enorme culto gerado à sua volta, com a criação de fervorosos grupos de fãs do seu trabalho, não caiu do céu, não foi um mero acaso e que é, actualmente, um dos grandes (senão o maior) nomes do cinema europeu!



Carnage, a mais recente película de Roman Polanski, estreia nos cinemas portugueses no último fim-de-semana do ano. Um final de ano em grande, com um filme repleto de estrelas (Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly), que será certamente um dos sucessos de 2011, e que nos conta a história de uma reunião entre dois casais após o desentendimento entre os respectivos filhos numa briga da escola. Conhecendo o trabalho de Polanski e a sua cada vez mais deliciosa capacidade de nos contar histórias repletas de um humor mordaz e subtil, Carnage vai certamente deliciar quem for até à sala de cinema e fazer justiça ao preço do bilhete que subirá mais de 1€ a partir de 2012.



Por último, e antes de terminar a crónica, gostaria apenas de esclarecer que não pretendo, com estas crónicas, falar-vos exaustivamente sobre os filmes que selecciono. Isso fica para os profissionais do negócio que têm oportunidade de ver ante-estreias e frequentar festivais nacionais e internacionais. Faço esta selecção porque a qualidade das salas de cinema, em altura de Óscares, se transforma por completo (3/4 do ano são passados a encher chouriços, para depois se gastarem todos os cartuchos de uma só vez), com grandes obras que surgem semana após semana, e que acabam, inevitavelmente, por confundir o espectador mais desatento. As Temporadas do Dial P for Popcorn são, tanto para mim como (espero) para o leitor, um prático manual, que se limita a esquematizar e seleccionar o que de melhor e realmente valioso vai passar pelas salas de cinema nos próximos tempos. Porque em alturas de crise (e, no futuro, de subida escandalosa do preço dos bilhetes de cinema), vale a pena saber aquilo em que se vai gastar (e investir) dinheiro. E se o leitor optar por algum destes filmes, certamente não sairá defraudado da sala de cinema.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

LA PIEL QUE HABITO (2011)


"The things the love of a mad man can do"

Há, para mim, poucos prazeres na vida e no cinema, que se equiparem ao prazer de ver um filme de Almodóvar. Mesmo aqueles de que não gostei (porque a história me pareceu mal preparada e às vezes incoerente), se tornam diferentes dos demais, pela marca pessoal a partir da qual Almodóvar define as suas longas-metragens, e que o tornaram um realizador, para muitos, de culto.


E La Piel Que Habito é seguramente o seu melhor filme desde os tempos áureos de Hablé con ella e Todo sobre mi madre, com um dos argumentos mais arriscados, delicados e controversos da sua carreira. Os elogios à pelicula são naturais e compreensíveis, e tornam-se ainda mais claros quando temos a oportunidade de ver o filme.



Robert Ledgard (Antonio Banderas) é um bem sucedido cirurgião plástico, especializado em cirurgias de redesignação sexual, que vive uma vida solitária, soturna e melancólica, ensombrado por um passado doloroso, marcado pela perda da sua esposa e da sua filha. Na sua gigantesca mansão, onde gasta grande parte das suas horas em pesquisas laboratoriais e onde, inclusivamente, se dá ao luxo de poder realizar operações plásticas, Robert controla com especial interesse a evolução de Vera Cruz (Elena Anaya), uma paciente que passa os dias entregue à solidão, à leitura e ao yoga. Sem contacto directo com nenhum dos empregados da casa (de onde se destaca, Marilia (Marisa Paredes), a mordoma com quem apenas fala por intercomunicador e que lhe satisfaz todos os caprichos), Vera é uma personagem misteriosa e o grande quebra-cabeças de todo o filme.


A história, que nos vai sendo contada de uma forma gradual, com visitas ao passado e regressos ao presente, é como um novelo que se desenrola lentamente e nos permite perceber o porquê da solidão, mágoa e dor que se vive na casa e na vida de Robert. É um filme brilhante, com uma banda sonora envolvente, uma fotografia que se destaca, não pela beleza das fotografias, mas pelo envolvimento natural e coerente com a atmosfera do filme. Tudo em La Piel Que Habito foi pensado, amadurecido, melhorado e aperfeiçoado. É Pedro Almodóvar no seu melhor.

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Pedro Almodóvar
Argumento: Obra de Thierry Jonquet, adaptada por Pedro Almodóvar
Ano: 2011
Duração: 117 minutos

domingo, 20 de novembro de 2011

OFFICE SPACE (1999)



Há certos filmes que conseguem chegar ao espectador pelo seu lado simples, natural e despretensioso. Se fosse fácil, todos o fariam e o cinema seria uma terrível e abominável seca. Há diferentes formas de chegar ao espectador, de mexer com quem vê o filme, mas raramente se pega pelo lado mais simples da questão. Quase sempre se usam metáforas estúpidas e desnecessárias, quase sempre se utilizam efeitos super-especiais para tapar os buracos de qualidade do filme e algumas (raras) vezes se tenta chegar lá pelo caminho mais difícil (igualmente trabalhoso e, quase sempre, igualmente brilhante).


Office Space foi e é um sucesso porque é simples. E eu achei isso fantástico! Fala de algo tão óbvio e natural como a asfixia do trabalho, das responsabilidades, das exigências sem fim - Um cancro social nos dias de hoje. Fala-nos da vida sem sentido, virada única e exclusivamente para o trabalho (algum dele sem qualquer fim produtivo), onde a rotina se torna desesperante e o colapso se torna eminente. Peter Gibbons (Ron Livingston) é a estrela. Numa crise amorosa com a sua namorada, em completa rotura com o seu patrão e com o cubículo desumano que ocupa na sua empresa, não consegue encontrar a coragem de que precisa para colocar tudo atrás das costas e encontrar um rumo para a sua vida cinzenta e monótona.


Ao aceitar uma terapia de casais com a sua namorada, Peter é hipnotizado e o mundo de tranquilidade, paz e despreocupação que tanto ambicionava, torna-se real devido à patética e inesperada morte do seu terapeuta, com um súbito ataque cardíaco a meio da sessão. Peter descobre em si um homem novo. Um homem inconsciente perante as consequências dos seus actos. Que pouco se rala com o trabalho, com o estatuto dos diversos superiores que ocupam o seu tempo a ditar tarefas desnecessárias e sem qualquer fim prático.


Office Space é um filme mesmo bem conseguido. Tem tudo o que é preciso para convencer o espectador, divertir e entreter, transmitindo uma mensagem com algum conteúdo interessante e prático. Foi uma das surpresas de 1999. E continua a sê-lo nos dias de hoje.


Nota Final:
B



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Mike Judge
Argumento: Mike Judge
Ano: 1999
Duração: 89 minutos

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

BRITISH TV - FAWLTY TOWERS



Esta é uma das mais hilariantes séries de sempre da televisão britânica. Pouco divulgada e vagamente conhecida na actualidade (principalmente em Portugal), este é um dos pontos mais altos da carreira de John Cleese (num período de ressaca do mega sucesso de "Flying Circus" dos Monty Python, do qual fez parte) e que revela a sua enorme qualidade como criador de humor.


Com apenas duas temporadas, Fawlty Towers é, como qualquer projecto que aqui vos apresento no BritishTV, viciante. Vê-se num abrir e fechar de olhos e é a prova viva daquilo que é uma britcom. Um hotel, gerido pelo incompetente Basil Fawlty (John Cleese), que não só se sente ininputável perante todos os problemas que causa aos clientes e ao próprio hotel, como também descarrega toda a sua fúria em Manuel, uma personagem (quase piedosa) de um emigrante espanhol sem conhecimentos de inglês, que nunca percebe as ordens que lhe são dadas e que é obrigado a aceitar todas as punições que lhe são instituídas, sem que disso se aperceba.


A série vive muito da diversidade de personagens (e problemas concomitantes) de cada episódio, muito distintas entre si e que retiram à série o peso da sequência dramática: a obrigatoriedade de seguir e acompanhar a fundo e com paciência a história, o enredo e a origem das personagens. Leve, simples, divertida e singular. Fawlty Towers é a prova de que as capacidades de John Cleese não se esgotam nos Monty Phyton.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

TCN Blog Awards 2011: Nomeações


Chegamos a Novembro e, como é habitual, são anunciadas as nomeações para os TCN Blog Awards, iniciativa do Cinema Notebook que visa premiar o que melhor se faz em cinema e televisão. Este ano, ao contrário da edição anterior, foram os próprios bloggers a eleger os seus nomeados e não o júri, o que faz com que as menções do nosso espaço entre os nomeados tenham ainda mais valor.


Depois de na edição de 2010 o Dial P For Popcorn ter arrecadado o prémio de Melhor Novo Blogue, não esperávamos tanta generosidade nesta segunda edição. A realidade é que a blogosfera parece ter gostado do DPFP e do nosso trabalho e este ano nomeou-nos para a categoria sénior, Melhor Blogue Colectivo e a esta nomeação juntámos mais duas, Melhor Crítica ("Beginners") e Melhor Iniciativa, uma nomeação que embora tenha sido atribuída ao nosso blogue devia de ser de facto partilhada pelos blogues participantes (Ante-Cinema, Split Screen, Cineroad, Keyser Soze's Place, A Gente Não Vê) e pela brilhante equipa de bloggers que comigo entrou nessa aventura de comentar as incidências da corrida aos Óscares de Novembro a Fevereiro. Desde logo o nosso obrigado a todos os nossos colegas e amigos bloggers que votaram, o que prova que o nosso trabalho tem sido seguido e apreciado com atenção e por isso só nos resta agradecer esta manifestação de carinho para com um blogue que nem ano e meio de vida tem e que este ano foi lançado para o meio da luta entre os grandes da blogosfera.

Como há um ano, se acreditarem que merecemos o vosso voto nas categorias acima mencionadas, pedimos que se dirijam ao Cinema Notebook AQUI e na barra lateral que votem em "10 for the Oscars, Oscars for 10" para Melhor Iniciativa, em "Assim é o Amor - Jorge Rodrigues" para Melhor Crítica e em "Dial P For Popcorn" para Melhor Blogue Colectivo. Agradecemos desde já a todos os que em nós votarem.

As votações encerram a 31 de Dezembro, por isso há tempo mais que suficiente para conhecerem os nomeados e votarem nos vossos favoritos. Deixamos abaixo a ilustre lista de nomeados. Parabéns a todos e à blogosfera em particular, que continua bem activa ano após ano.

Melhor Blogue Colectivo:


Melhor Blogue Individual:


Melhor Novo Blogue:


Melhor Crítica:

“A Árvore da Vida”
Gonçalo Trindade,  AnteCinema
 
“Meia-Noite em Paris”
Pedro Ponte, AnteCinema
 
“Tron: Legacy”
Nuno Reis, Antestreia
 
“Videodrome”
João Palhares, Cine Resort
 
“Gigante”
Roberto Simões,  CineRoad
 
“Assim é o Amor”
Jorge Rodrigues,  Dial P for Popcorn

“José e Pilar”
Tiago Ramos, Split Screen

“Game of Thrones: 1×01 – Winter is Coming” 


Melhor Artigo:

“Entrevista a John Carpenter – «Sou só mais um realizador, nada mais!»”
Gonçalo Trindade,  AnteCinema
 
“Para onde vão os espectadores do Cinema português?”
O Projeccionista,  A Última Sessão
 
“Sequelas que repetem a fórmula”
Edgar Ascensão,  Brain-Mixer
 
“Petição Cinema na RTP2: balanço final”
Luís Mendonça,  CINEdrio
 
“A Complexa Arte de Sugerir um Filme”
Pedro, Cinema Xunga
 
“A opinião e a crítica” 
João Lameira, Numa Paragem do 28
 
“Fuller, cineasta maldito e incompreendido”
Álvaro Martins, Preto e Branco
 
“Mundo Mágico vs Caixinha Mágica”
Vítor Rodrigues, TVDependente

Melhor Iniciativa:

A Garagem de Kubrick / Cineblog
AnteCinema Magazine / AnteCinema
Brain-Collection / Brain-Mixer
10 for the Oscars – Oscars for 10 / Dial P for Popcorn
Grupo de Bloggers Cinéfilos no Facebook / Keyzer Soze’s Place
José e Pilar aos Óscares / Split Screen
Tertúlia Cinematográfica / Alternative Prison
Podcast TVDependente / TVDependente

Blogger do Ano:

Gabriel Martins / Alternative Prison
Pedro Ponte / AnteCinema
Nuno Reis / Antestreia
David Martins / Cine31
Roberto Simões / CineRoad
Andreia Mandim / Cinema’s Challenge
Samuel Andrade / Keyzer Soze’s Place
Francisco Rocha / My One Thousand Movies
Tiago Ramos / Split Screen
Pedro Andrade (ZB) / TVDependente

Melhor Revista:


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

THE IDES OF MARCH (2011)



"Get out, now. Or otherwise you end up being a jaded, cynical asshole, just like me."

Mesmo falhando na sua análise crítica às maquinações e jogadas de bastidores por detrás de uma campanha política, deixando tudo muito no ar, numa área cinzenta que não compromete nem provoca grande fricção, "THE IDES OF MARCH" é, ainda assim, um thriller político de inequívoca qualidade, sabendo ser inteligente e sagaz na forma como intersecta a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional e a vida política deste grupo de indivíduos sem complicar muito, como procura momentos de tensão e aparente ameaça sem sair forçado e conseguindo capturar o interesse do espectador e a sua atenção para as respostas que tenta encontrar, metaforicamente, para o panorama político-social ficcional - e o actual, real.


Baseado na peça "Farragut North" de Beau Willimon (por sua vez livremente inspirada na campanha falhada de Howard Dean em 2004), que a estreou off-Broadway em 2008 em altura de grande esperança para o povo americano, com a vitória de Obama fresca na memória, "THE IDES OF MARCH" surge agora três anos depois, quando a desilusão e o desapontamento com a governação de Obama cresce dia após dia e numa altura em que a crise económica ameaça ser notícia por mais algum tempo, parecendo aparecer na altura ideal para explorar assuntos tão coloridos como políticas de bastidores, tácticas de corrupção, manipulação e jogo sujo que mancham a campanha até do mais nobre e leal dos candidatos. Com um olhar cínico e desaprovador, Clooney e o seu fiel colaborador Heslov juntam-se para adaptar o texto original de Willimon, conferindo-lhe uma voz mais específica, mais contemporânea, mais pró-activa e moralista. O resultado não é fabuloso e tão pouco subtil, mas funciona. Apesar de algumas situações em que Clooney parece projectar o seu idealismo e activismo político na fachada do seu protagonista, transformando a cena em algo mais ou menos aplausível, ingénuo e irrealista, o argumento é especialmente incandescente nas cenas de maior tensão, absorvente e criminalmente divertido quando os políticos entram em confronto.


A história abre com um pequeno monólogo de Stephen Meyers (Ryan Gosling), que afirma: “I’m not a Christian. I’m not an atheist. I’m not a Muslim. I’m not Jewish. I believe in the American constitution.” Uma pequena hesitação da sua parte parece-nos querer levar a alguma revelação ou segredo escondido, mas nada. Momentos depois apercebemo-nos que Stephen está apenas a testar o som da sala onde o governador Mike Morris (George Clooney), seu patrão e candidato à presidência dos Estados Unidos da América, irá discursar mais tarde e assim este pequeno exercício de retórica acaba de fazer todo o sentido. Estamos nas primárias no estado de Ohio, onde Mike Morris procura vencer e ultrapassar o seu competidor directo, o senador Pullman (Michael Mantell), cuja campanha está a ser organizada por Tom Duffy (Paul Giamatti), rival pessoal do organizador de campanha de Morris, Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), na corrida pelo voto democrático. Para Mike Morris trabalha também a interna Molly Stearns (Evan Rachel Wood) que procura dar os seus primeiros passos no mundo obscuro da política.

O elenco do filme acaba mesmo por ser o seu ponto forte, com um soberbo Ryan Gosling a aguentar-se no frente-a-frente com George Clooney, Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. Gosling, que está a ter um ano enorme (com "Crazy, Stupid, Love" e "Drive"), tem aqui a sua interpretação mais rigorosa, mais clara e definida. O argumento não ajuda, no entanto, a pintar um retrato fiel e completo de Stephen, nunca permitindo penetrar fundo na sua personalidade e na sua psique, deixando-nos com um retrato superficial e desonesto de um personagem a quem é pedido para ser simultaneamente cínico e honrado, justo, convicto. A pessoa que merece ressalva do restante elenco é, sem dúvida, Evan Rachel Wood, a igualar o nível de brilho que nos mostrou recentemente em "Mildred Pierce" e no longínquo "thirteen" (que lhe devia ter garantido a sua primeira nomeação para os Óscares). Desde cedo a personagem mais promissora da trama, Wood não nos desilude, aproximando-se do espectador com o seu jeito despreocupado mas afectuoso, dando humanidade e vida a esta personagem emocionalmente ressonante mas que é ridiculamente descartada por Clooney e Cª por capricho da narrativa. Um último elogio para Seymour Hoffman, que habitualmente me faz ranger os dentes à custa da forma muito emotiva e aberta (à falta de melhor palavra) como aborda as suas personagens, conferindo-lhes uma personalidade impulsiva e intempestiva que nem sempre é o que é necessário. Está muito bem e cumpre a sua função. Se há alguém que é nomeado deste filme, é ele. Tirando o elenco, o filme está muito bem servido de banda sonora (uma vez mais, não há como errar com o sublime Alexandre Desplat) e de realização. Se com "Good Night and Good Luck" me surpreendeu, aqui George Clooney deixou-me boquiaberto. Uma realização de luxo, a revelar que o actor realmente tem inúmeros talentos e recursos ao seu dispor.


Um filme que resolve terminar como começou, sem nos dar grandes respostas nem revelações e à espera que  as peças tenham todas encaixado, acaba por nos deixar um grande amargo de boca em vez de nos procurar questionar e fazer reflectir. Eloquente mas inconsequente, ambicioso mas vaidoso, "THE IDES OF MARCH" compõe uma intriga curiosa e atraente que não resiste, infelizmente, à sua mania de superioridade e dono da razão (a ponto de para o fim o cínico quase parecer irónico) e opta por não se comprometer, ao alcançar uma conclusão amoral de que todos temos que nos adaptar e sobreviver para podermos subir na vida, precisamente o tipo de mensagem cliché e limitada que o próprio filme tanto procura desconstruir. É uma pena que o filme acabe por ser uma espécie de embuste, por tanto prometer expor e por tão pouco se conseguir retirar de pertinente. 


Nota Final:
B/B+

Informação Adicional:

Realização: George Clooney
Argumento: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Paul Giamatti
Fotografia: Phedon Papamichael
Banda Sonora: Alexandre Desplat
Ano: 2011 

Trailer:

domingo, 13 de novembro de 2011

REALIZADORES: THE SEVENTH SEAL (1957)

O Dial P for Popcorn inicia hoje mais uma crónica mensal! Uma crónica diferente e especial, que terá duas edições mensais, uma escrita por mim e outra escrita pelo Jorge e onde nos dedicaremos a analisar os melhores filmes daqueles que foram e são os grandes realizadores da história do cinema. A nossa vontade é explorar com alguma profundidade as carreiras marcantes do grandes mestres que deixaram a sua marca na sétima arte, analisar os seus momentos mais altos e divulgá-los aqui no blogue. Realizadores, a nova crónica do Dial P for Popcorn junta-se assim às já habituais crónicas do British TV, A Morte da 7.ª Arte e Personagens do Cinema.




"Faith is a torment. It is like loving someone who is out there in the darkness but never appears, no matter how loudly you call."


Começamos por Ingmar Bergman. Confesso-vos que esperei alguns anos para ver um filme seu. Sentia que ainda não estava preparado. Sentia que devia amadurecer, conhecer mais cinema, conhecer mais ideias para depois enfrentar este monstro que se chama Bergman e que fez algumas das obras mais singulares e marcantes da sétima arte. Ontem atrevi-me. Atrevi-me e fiquei arrebatado. Era fácil chegar aqui e dizer-vos que Bergman é genial, brilhante, ímpar e completamente distinto. Era fácil dizer-vos que o filme é fantástico, incrivelmente cativante e emotivo e que este é um dos filmes que vou juntar aos melhores da minha vida.


Fácil era dizer-vos isto, complicado é explicar-vos o que se passa em The Seventh Seal que me deixou fixado ao ecrã durante hora e meia. Começo pelo princípio. Antonius Block (Max von Sydow) é um cavaleiro que, em pleno século XIV, regressa à sua terra natal. Encontra uma Suécia totalmente distinta daquela que deixou dez anos antes quando decidiu partir, juntamente com o seu escudeiro, para as cruzadas do sul da Europa. A Suécia do século XIV é um país consumido pela peste negra, entregue de uma forma fervorosa à religião e ao perdão de Deus, em que cidadãos excomungam e ostracizam os doentes e os pagãos são barbaramente condenados pelo exército e pela Igreja.


É quando ainda digere o choque desta realidade, que Antonius conhece a Morte (Bengt Ekerot personifica um assassino frio, calculista, que retira um imenso prazer da dor e da destruição que provoca - É cinema!), que lhe comunica que chegou a sua hora de partir. Surpreendido, Antonius convida a Morte para uma partida de xadrez, onde ambos jogarão a sua vida. Esta é uma partida longa, que se faz a espaços durante todo o filme, onde o espectador percebe como esta situação cruel e asfixiante é altamente prazerosa para uma Morte que é negra, sádica e fria.


Um filme forte, duro e pesado, onde Bergman explora de uma forma brilhante o ambiente medieval de uma Suécia em luta pela sobrevivência, onde o som e as imagens de uma civilização magoada nos petrificam. Bergman era um génio e este filme explica-nos o porquê. A forma como discute Deus, a Morte, o significado da existência humana, prova-o. São raríssimos aqueles que têm a capacidade de pensar desta forma. E destes, são ainda mais raros aqueles que conseguem fazer Cinema. Bergman é o nosso primeiro Realizador.


Nota Final:A+


Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Ingmar Bergman
Argumento:
Ingmar Bergman
Ano
: 1957
Duração: 96 minutos

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Uma lista de 11 para o dia 11/11/11

Como saberão, esta sexta-feira é dia de palíndromo (um palíndromo imperfeito, mas ainda assim). Às 11:11 horas deste dia 11/11/11, assistimos a um fenómeno que só ocorrerá novamente daqui a cem anos. Uns dizem que esse momento leva a grandes decisões e mudanças na vida, dado o misticismo em volta da dada e superstições populares, para outros é apenas mais um minuto do seu dia.  Posso dizer que a essa hora estava bem ferrado no sono.

De qualquer forma, referi isto por que razão, perguntam-me vocês. Pois bem, em resposta ao curioso desafio do Nathaniel Rogers no seu The Film Experience, aqui estão as minhas onze coisas favoritas de hoje. Ou, já que é de cinema que se fala nesse site e neste, os meus onze actores (e actrizes) favoritos de hoje em dia. Claro que se excluem aqui as grandes glórias como Meryl Streep, Al Pacino, Jack Nicholson, Dustin Hoffman, Julianne Moore, Michael Caine, Robert DeNiro, Daniel Day-Lewis, Brad Pitt, George Clooney, Judi Dench, Emma Thompson, Anjelica Huston, Sissy Spacek, entre outros. Estamos a falar de actores e actrizes que não são (ainda) lista-A em Hollywood apesar da grande maioria deles estar bem lá perto (e Kate Winslet, quer se queira quer não, não gosta de ser considerada como lista-A).


Cate Blanchett | Christian Bale | Ewan McGregor


 James McAvoy | Kate Winslet| Marion Cotillard


 Michael Fassbender | Michelle Williams | Nicole Kidman


Ryan Gosling | Tilda Swinton


Quais são os vossos? (Ou, se preferirem, vão ao The Film Experience deixar outra lista; há lá várias listas curiosíssimas).

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

50/50 (2011)


"A Tumor? Me? That doesn't make any sense though. I mean... I don't smoke, I don't drink... I recycle..."


Acabado de sair da sala de cinema, posso-vos dizer que gostei muito, diverti-me imenso e fiquei surpreendido com a qualidade cinematográfica de 50/50. Vamos por partes então.

Joseph Gordon-Levitt, no papel de Adam, interpreta o jovem querido e adorável que derrete o coração das espectadoras do sexo feminino. É impossível não apreciar a qualidade deste jovem actor, a consolidar a sua carreira já com uma mão cheia de papéis cativantes e muito bem recebidos pelo público. Adam, um jovem de vinte e sete anos que trabalha como jornalista numa rádio de Seattle, descobre que sofre de um raro cancro das células de Schwann, maligno e muito invasivo, que coloca a sua vida em risco. Decidido a curar-se, começa os tratamentos de quimioterapia, primeiro passo para a sua reabilitação.


Apoia-se no seu grande amigo Kyle, papel interpretado por Seth Rogen, do qual é impossível perceber o limite onde acaba a personagem e começa o actor. Ele nasceu para fazer o papel do tipo relaxado, consumidor de drogas leves e admirador do sexo feminino. Porque isso foi a imagem que Seth Rogen tão bem criou e cultivou em Hollywood. E neste papel, ele é garantidamente o melhor do mercado americano. Juntos, com a ajuda da terapeuta Katherine (Anna Kendrick), formam um elenco extremamente simpático e empático, do qual se gosta naturalmente.


50/50 é um filme feito para o grande público (ok, concordo que exista um certo limite para a sensibilidade e a capacidade de encaixe das piadas mais mórbidas e negras do filme, o que pode criar uma certa tensão numa sala onde os risos de uns se confundem com a indignação de outros), é um filme que vale mesmo a pena ver, que diverte e alegra o espectador, que transmite uma mensagem forte de uma forma tão natural quanto inteligente, com uma banda-sonora muito bem escolhida e um ambiente feliz. 50/50 é daqueles que se pode ver vezes sem conta. E que a televisão vai explorar até ao último cêntimo.

Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Jonathan Levine
Argumento: Will Reiser
Ano: 2011
Duração: 100 minutos

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SECRETS AND LIES (1996)



"Life isn't fair then is it. Somebody always draws the short straw. "


São poucas, pouquíssimas, as pessoas que no cinema se podem gabar de saber contar uma história de forma tão realista, despretensiosa, (direi até) humanista, quanto Mike Leigh. Ele é um mestre quando nos fala sobre nós, sobre a nossa/sua sociedade, sobre as relações humanas, sobre as filosofias da vida. E é delicioso, fantástico e absolutamente comovente ver um filme com uma carga emocional como a de Secrets and Lies (tal como aconteceu com um dos melhores filmes de 2010, o super aclamado Another Year).


Porque o dinheiro empobrece o espírito das pessoas, corrói relações de carinho e amor, embrutece e estupidifica os mais vulneráveis, Mike Leigh resolveu falar-nos sobre ele. E sobre os efeitos catastróficos que a ganância e a inveja podem ter num ambiente familiar, já de si, pouco saudável. Falo-vos de Cynthia (Brenda Blethyn - Fantástica actriz, numa Fantástica Interpretação), mãe solteira de Roxanne, uma caprichosa, insurrecta e desconcertante jovem de dezoito anos, em completa ruptura com a sua mãe, cuja vida se limita aos cigarros que engole enquanto, sentada na poltrona da sala, espera a chegada do seu namorado. Cynthia tem uma vida triste, cinzenta, desoladora.


Até que a sua vida ganha uma nova e inesperada alegria. Hortense Cumberbatch (Marianne Jean-Baptiste) contacta-a e informa-a de que é sua filha. Cynthia, reprimindo o choque inicial (e recordando os dias em que se viu obrigada a entregar Marianne para adopção), aproxima-se da sua filha e, aos poucos, entrega-se a um carinho, a um amor e a uma alegria que nunca antes conheceu. Não posso terminar, sem vos falar de Maurice (Timothy Spall), irmão de Cynthia, que vive um casamento feliz com Monica (Phyllis Logan) e interpreta a única personagem mental e emocionalmente saudável deste filme. Maurice é um homem forte (em todos os sentidos) e é dele que partem as desesperadas tentativas de criar uma harmonia entre todos, é ele que tenta compreender os problemas da família, é ele quem coloca os outros à frente de si mesmo, e a sua alegria consegue contagiar, com facilidade, a empatia do espectador.


Tudo isto nos é contado como se se passasse na porta ao lado da nossa casa. Não há super-heróis. Não há mulheres bombásticas. Não há felizes acasos. Há vidas, tão reais, tão humanas, que não as conseguimos separar do mundo que nos rodeia.


Nota Final:
A-


Trailer:

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Informação Adicional:
Realização: Mike Leigh
Argumento: Mike Leigh
Ano: 1996
Duração: 142 minutos