Dial P for Popcorn: Dezembro 2011

sábado, 31 de dezembro de 2011

Último Artigo de 2011


Pois bem, o que se esperava ser uma época apertada de estudo para exames acabou mesmo por ser ainda pior do que imaginávamos. E assim ficamos pela dezena de artigos publicados em Dezembro. Pedimos desculpa a quem segue o blogue pela infrequência da publicação de novos artigos, com a promessa que em 2012 vamos fazer melhor. 

Queremos aproveitar para agradecer a todos quantos contactaram, de uma forma ou outra, com este blogue durante 2011 e nos ajudaram a crescer. E queremos sobretudo desejar bom ano novo e boas festas para todos os leitores, colaboradores e amigos do Dial P For Popcorn!

Que 2012 nos traga muito e bom cinema e televisão!

Em Janeiro, o que esperar cá pelo blogue: mais críticas (de "A Dangerous Method" a "Carnage"), revisão do ano de 2011, os melhores na televisão em 2010-2011, os melhores no cinema para mim e para o João, talvez uma pequena reunião do "10 for the Oscars - Oscars for 10", nova cerimónia dos TCN Blog Awards, novas rubricas e muito mais.

Esperamos que voltem connosco depois da passagem de ano para um ano que esperamos que seja ainda melhor que 2011!

domingo, 18 de dezembro de 2011

DRIVE (2011)



AVISO: Se não viram o filme ainda... Parem de ler aqui e vão vê-lo. Todos os outros: prossigam.




"I give you a five-minute window, anything happens in that five minutes and I'm yours no matter what. [...] I don't carry a gun... I drive."

Um homem no meio da escuridão atende um telefone no seu quarto de hotel. Ele está sozinho e sozinho ele ficará, apesar das muitas pessoas que vão entrar e sair da sua vida ao longo do filme. É conhecido como o Driver, porque é isso que ele faz. De dia, é um duplo para cenas de acção (as habituais stunts) e mecânico. De noite, é o condutor de um veículo de fuga que ajuda vários tipos de actividades ilegais. Ele não é um criminal - ele só conduz. É assim, ao som de "Nightcall" de Kavinsky, uma das poucas canções que consta na brilhante banda sonora retro, sintética de Cliff Martinez, que o Driver liga o carro, carrega no acelerador e avança, nunca mais olhando para trás.  "DRIVE" começa em cima e nunca desacelera, presenteando-nos com uma hipnótica, íntima, épica homenagem aos filmes de acção e violência metropolitanos de Michael Mann e William Friedkin (entre outros) dos anos 80 e à vida nocturna da cidade de Los Angeles. Carregado de adrenalina e testosterona "Drive" é uma verdadeira prenda para cinéfilos que há muito tempo aprenderam a amar os thrillers noir de Hollywood tal como Refn deve ter amado um dia.



Outro detalhe que me deleitou imenso foi a caracterização do nosso protagonista. Nunca sabemos o nome dele, nem dados sobre a sua família ou a sua história - só sabemos que é conhecido por Driver. E isso basta. Tudo aquilo que é preciso saber sobre a personagem está na sua obsessão por palitos, na sua escolha arrojada de vestuário de trabalho (um casaco branco com um escorpião dourado no seu dorso) e sobretudo nos olhos do actor que o interpreta. Ryan Gosling tem uma característica distintiva que instantaneamente nos atrai nele e que faz dele uma das estrelas mais excitantes da sua geração - é a plenitude, o mistério nos seus olhos. Em Gosling, Nicolas Winding Refn encontrou o parceiro perfeito para complementar o seu estilo: ninguém poderia interpretar este personagem tão cool, de expressão facial vazia, impenetrável, que poucas palavras diz, como Gosling o faz. É difícil dizer o que vai nos seus olhos azuis - o que o faz simultaneamente intrigante e intimidante. Nas poucas vezes que o Driver deixa transparecer a sua humanidade, quando Irene e Benicio (o filho de Irene) se encontram em perigo, é desconcertante vê-lo, periclitante, baixar a guarda e a arriscar-se por eles. Uma maravilhosa interpretação, a sua melhor este ano.


Para contrastar com o enigmático Driver, temos um grupo riquíssimo de actores secundários que dão ressonância emocional a um filme já de si poderoso à custa do seu estilo e da sua confiança, fazendo-nos preocupar com as pessoas que entram e saem da vida dele. Isto deve-se em absoluto ao calibre e talento do grupo de actores envolvidos, capazes de dar voz, sensibilidade e criar, de parcos momentos no ecrã, uma personagem completa, com uma história de vida sobre a qual adoraríamos saber mais se houvesse tempo. Carey Mulligan interpreta eficientemente a sua vizinha Irene, mulher casada e mãe de Benicio e empregada de mesa que vira o alvo improvável dos afectos do nosso protagonista, que se vê envolvido num negócio complicado com o marido de Irene, "Standard" (fantástico Oscar Isaac), acabado de sair da prisão. A outra ligação de Driver com o mundo do crime é Shannon (um esplêndido Bryan Cranston, que possui uma química brutal com Gosling), o seu chefe e agente, que o apresenta a duas figuras poderosas: o barulhento e rude dono de uma pizzaria, Nino (Ron Perlman) e o seu irmão Benny Rose (Albert Brooks), um homem pequeno mas ameaçador que esconde um talento para a violência brutal por detrás da sua cara feliz e satisfeita. É estranhamente excitante - mas nada divertido - vê-lo em acção. Christina Hendricks (que interpreta uma colaboradora de Nino, Blanche), finalmente, é particularmente divertida de observar na sua pequena cena.






Trabalhando a partir de uma história muito simplista baseada no romance de James Sallis de 2005 com o mesmo nome e adaptado para o grande ecrã pelo argumentista Hossein Amini (nomeado para Óscar por "The Wings of the Dove"), Nicolas Winding Refn aproveita a oportunidade para impressionar com o seu luxuoso, selvagem, arriscado sentido visual, a sua construção a passo rápido e os seus incríveis instintos, mais controlado e disciplinado aqui do que em "Valhalla Rising", o seu último filme, mas também infinitamente mais inspirado e electrizante aqui. O trabalho de Newton Thomas Sigel atrás da câmara também deve ser valorizado, oferecendo ao filme uma fotografia densa, rica, estilizada e cuidada que fica impregnada na mente muito depois do filme terminar. A cena do elevador é um excelente exemplo do quão exímio foi o trabalho de ambos. Fotografia icónica ao serviço da narrativa, mostrando a colisão entre os dois mundos em que Driver está envolvido e os riscos a subir em flecha. Crédito deve ser dado também a Cliff Martinez e às equipas de som, por extraordinariamente mostrar-nos as situações em torno do Driver como se lá estivéssemos.


Viciante, intenso, belo, genial e acima de tudo satisfatório, "Drive" é uma experiência verdadeiramente única, que satisfaz a sede do espectador por adrenalina e sangue e emoção e nos deixa no fim a mente - e o pulso - a mil por minuto. E tudo o que eu conseguia pensar era em ver o filme de novo. Depois de obviamente o ter feito, uma consideração ficou clara na minha consciência: acho que encontrámos a obsessão cinematográfica desta geração. E acredito que "Pulp Fiction" e Quentin Tarantino (para mim, o último revolucionário moderno a criar tanto impacto na cultura pop do seu tempo) não podiam estar mais satisfeitos com o seu sucessor.



Nota Final:
A-

Informação Adicional:
Realização: Nicolas Winding Refn
Argumento: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Albert Brooks, Carey Mulligan, Ron Perlman, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Oscar Isaac
Música: Cliff Martinez
Fotografia: Newton Thomas Sigel


domingo, 11 de dezembro de 2011

HABEMUS PAPAM (2011)



Foi um verdadeiro prazer ver o mais recente filme do Mestre Moretti. Mestre sim, porque é um indivíduo cheio de particularidades, manias e adereços, que o tornam uma figura empática para com o grande público, com filmes distintos e cativantes. Mas afirmações controversas à parte, Habemus Papam é uma divertida comédia negra, que aconselho sinceramente ao leitor preparado para se surpreender com a ousadia da escrita de Moretti, com a atmosfera circense que se instala num Vaticano sem Rei nem Rock.


Temos então o final de um ciclo. A morte do Papa João Paulo II obriga que os cardeais se reúnam no seu sigiloso conclave, afastados do mundo, afastados da tensão exterior, do público que ansiosamente espera pela aclamação do novo líder da Igreja Católica. Nesta misteriosa reunião, o espectador é convidado. E aqui começa tudo. Um novo ciclo, um novo papa. A eleição de Michel Piccoli como novo sumo pontífice, marca o início de uma história que contagia sem complexos o leitor. O novo papa, aterrorizado com a dimensão da sua tarefa, ainda em choque com a sua inesperada escolha, claudica no momento de se apresentar aos seus súbditos.


Sem hipóteses de resignar ao seu cargo, mais por embaraço do que por falta de vontade, o novo Papa isola-se e o seu staff trata de encontrar o melhor psicólogo da cidade para o poder tranquilizar, para o poder compreender, para o conduzir ao caminho certo, da aceitação e da compreensão desta nova etapa. E aí entra um relaxado Nanni Moretti, sempre com uma resposta pronta, que tenta de tudo para entender a posição do seu paciente. Não consegue, desiste e confia-o prontamente à sua ex-mulher, segundo o próprio, a melhor psicopatologista do país depois de si. Decide então entreter-se com o resto da malta (leia-se Cardeais), que por força da indecisão do seu antigo colega, se viram obrigados a continuar em clausura.


Enquanto no Vaticano se joga às cartas, se fazem apostas ou se disputam mini-campeonatos mundiais de voleibol, o secretário pessoal do novo Papa tenta de tudo para tranquilizar o seu novo patrão, levando-o a passear, tentando que este respire novos ares, compreenda e se habitue à sua nova realidade. E é nestas saída, altamente sigilosas, que Michel Piccoli se escapa da sua rigorosíssima segurança e calcorreia Roma, conhecendo novas pessoas, novas realidades, novos ambientes. E é isso que lhe traz, devagar, um sorriso ao rosto e o alivia da tensão demolidora que o acorrentava desde o dia do conclave. Habemus Papam (que tem tudo para ser mal recebido pelos fanáticos) é uma história pertinente. É um abanão nos pilares do Vaticano e um filme corajoso. Nanni Moretti arriscou e arriscou bem. E é por isso que é diferente do que existe em Itália, e do que existe na Europa.


Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Nanni Moretti
Argumento: Federica Pontremoli, Francesco Piccolo e Nanni Moretti.
Ano: 2011
Duração: 102 minutos

sábado, 10 de dezembro de 2011

BRITISH TV - AN IDIOT ABROAD


"He's like a real life Homer Simpson."

Karl Pilkington, em tempos o produtor da rádio XFM London, é a estrela da Edição de Dezembro do BRITISH TV. O seu carisma peculiar, a sua forma de ser (paradoxalmente) interessante, cativaram a atenção de Ricky Gervais (criador de "The Office", entre outros), que viu em Karl um diamante em bruto, com um grande potencial.


Com uma perspicácia que o distingue dos demais, Ricky idealizou uma série interessante, criativa, original e distinta: An Idiot Abroad é aquilo que faltava à televisão. Um individuo humilde e ingénuo, a ser manipulado de forma monstruosa e cobarde, por dois seres absolutamente maléficos - Ricky Gervais e Stephen Merchant. E é óbvio que só poderia resultar em grande!


Na primeira temporada da série, Karl é convidado a visitar as novas maravilhas do planeta e, em cada episódio (que corresponde a uma nova viagem), a produção consegue retirar o máximo rendimento do seu humor non-sense, que a mim me deixou de lágrima no olho de tanto me rir. A espontaneidade de Rick, um homem simples, comum, despretensioso, transformaram-no num ídolo. E fizeram de An Idiot Abroad numa das séries do momento do Reino Unido!

domingo, 4 de dezembro de 2011

E os Links o Vento Levou


Na senda de outros blogues e sítios, penso que vou começar a fazer uma recolha de notícias, artigos e especiais que ocorrem durante a semana e que, não tendo eu tempo para fazer um realce apropriado, vou cá juntar nesta rubrica semanal de links. Agradecia que me dessem as vossas próprias sugestões, que juntarei aqui se considerar apropriado.

  • "Mistérios de Lisboa" consegue três nomeações nos Golden Satellite Awards, para Melhor Guarda-Roupa, Melhor Direcção Artística e Melhor Filme Estrangeiro. Mesmo que se tenha que relembrar que os Satellites nomeiam quase toda a gente, é uma honra que tenham escolhido o filme português para nomeado. Outra nota de valor: Raul Ruiz ganha postumamente um prémio especial dos Críticos de Cinema de Nova Iorque (NYFCC). [SIC Notícias]
  • Uma lista com alguma idade já mas que vale sempre a pena realcar. No Narrador Subjectivo, podem encontrar a lista dos dez filmes preferidos do Roger Ebert, um dos maiores (quiçá o maior) crítico de cinema da actualidade. [Narrador Subjectivo]
  • Esta semana foram finalmente divulgados mais detalhes sobre a promissora banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross para "The Girl With the Dragon Tattoo" de David Fincher, incluindo a sua curiosa colaboração com Karen O na cover de "Immigrant Song" dos Led Zeppelin. Além do trailer aumentado (8 minutos!), podem aceder a uma 'amostra' de 35 minutos de várias músicas da banda sonora, que ao todo tem três horas. Abaixo vos deixo o meu trecho favorito. [The Film Stage]
 
  • Colin Firth recebeu o seu enésimo prémio por "The King's Speech" nos European Film Awards 2011, que consagrou "Melancholia" como Melhor Filme de 2011, sucedendo a "The Ghost Writer" mas que decidiu cometer a blasfémia de nomear Suzanne Bier o Melhor Realizador de 2011. Não é que a dinamarquesa seja boa - que é - mas na categoria estavam nomes como Kaurismaki, von Trier e Tarr, todos realizadores bem mais arrojados e merecedores de premiação. Tilda Swinton ("We Need to Talk About Kevin") venceu Melhor Actriz, os irmãos Dardenne ("Le Gamin au Vélo") Melhor Argumento e Ludovic Bource ("The Artist") para Melhor Banda Sonora. O que me choca, no fundo, é que alguém tenha achado que Tariq Anwar fez um bom trabalho na edição de "The King's Speech". Que horror. O que compensa: "Chico e Rita" ser Melhor Filme Animado. Muito bem. [Indiewire]
  • No The Parade, confira a lista dos 100 filmes que George Clooney considera seus favoritos. Penso que não ficarão surpreendidos pelo seu excelente gosto cinematográfico. O seu favorito de todos é "All The President's Men". [The Parade]
  • Dois excelentes artigos sobre Meryl Streep, que está na corrida pela sua 17ª nomeação aos Óscares. Um de Nathaniel Rogers, do The Film Experience, que aborda os papéis pelos quais Meryl Streep não foi nomeada aos Óscares; [The Film Experience]
  • E outro de Glenn Dunks, do Stale Popcorn, no rescaldo da vitória da actriz para o Círculo de Críticos de Nova Iorque (NYFCC), que pede a Meryl Streep que opte por ousar mais nas suas escolhas e prefira trabalhar com realizadores mais adequados ao seu enorme talento. [Stale Popcorn]
  • Ainda acerca de Meryl Streep, aqui ficam dois jogos online relacionados com a actriz. Conseguem resolvê-los? O primeiro sobre as nomeações da actriz aos Óscares (aqui) e o segundo (aqui) sobre as actrizes que a bateram. [Sporcle]
  • Já no TVDependente, é altura das "machadadas de Natal". Boas sugestões da equipa do TVDependente em relação a quais séries valem a pena ver e de quais séries mais valia abdicarem. Não concordo com todas e com a disposição de algumas nas categorias, mas na maioria eles têm razão. Depois de mais um ano a ver mais de quarenta séries, além de mais de cem filmes, decidi que metade tinha de ser 'cortada' da minha vida. Mas quando falarmos dos prémios em televisão abordo esse tema. Posso dizer-vos, de qualquer forma, que a série que mais anda na corda bamba para ser 'machadada' cá para estas bandas é "Dexter". A milhas do que já deu. [TV Dependente]
  • Falou-se muito das trocas de apresentador e de produtor para a cerimónia dos Óscares (saiu Brett Ratner e Eddie Murphy, entrou Billy Crystal e Brian Grazer), tem-se falado imenso da regra dos 5 a 10 nomeados para Melhor Filme, mas sobre o que ninguém tem reflectido é sobre a mudança ao anúncio das nomeações: este ano, os filmes nomeados não são anunciados alfabeticamente como é apanágio, com o objectivo de nos apanhar de surpresa. A Sasha Stone abordou o assunto há algum tempo. [Awards Daily]
  • Também via Awards Daily, recomendo que leiam as mesas-redondas dos Óscares. O parente rico do "10 for the Oscars, Oscars for 10", ao que parece. Mesas redondas estão na moda. [Awards Daily]
  • Com algumas semanas de existência nas redes sociais e na Internet mas ainda a tempo de cá vir figurar no blogue: 13 modas de posters que estão para ficar. Algumas merecem crítica; outras nem por isso.  [Oh No They Didn't!]
  • Outra história já com alguns meses: o documentário do making-of dos momentos finais de filmagem da saga Harry Potter. "When Harry Left Hogwarts". Vou querer ver, claro. [Close Up]
  • Finalmente, como é hábito no The Hollywood Reporter, voltamos a ter as entrevistas com actores, actrizes, realizadores e argumentistas. A de actores conta com Clooney, Nolte, Oldman, Plummer, Brooks e Waltz. Um excelente grupo de actores, que discute temas desde a morte, o desemprego e a fama. A de actrizes é composta por Williams, Theron, Spencer, Davis, Mulligan e Close e é de longe a mais interessante, colorida e divertida. Charlize Theron, em particular, está a começar a assumir lugar preponderante no meu coração. Genial. O grupo de realizadores é formado por Jason Reitman, Bennett Miller, Michel Hazanavicius, Alexander Payne, Steve McQueen e Mike Mills. O de argumentistas ainda não tem vídeo completo. Quando tiver, cá o colocarei. [The Hollywood Reporter]





    Frases Inesquecíveis do Cinema







    "Martini. Shaken, not stirred."

    Uma das frases mais famosas de sempre, imagem de marca de James Bond.
     

    sábado, 3 de dezembro de 2011

    O Cinema Numa Cena


    Parabéns pelo 51º aniversário, belíssima Daryl Hannah! Que mais gente encontre em ti o talento que Tarantino sabia teres escondido.



    E não é por nada mas esta Elle Driver é, para mim, das interpretações secundárias mais impressionantes da década. E onde estava a Academia? Pois, a premiar isto.

    sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

    MELANCHOLIA (2011)



    Há crónicas que preferia não ter que escrever. A responsabilidade de comentar um filme de Lars Von Trier é demasiado pesada. Porque a ambiguidade dos seus projectos, os sentimentos contraditórios e distintos que cada um consegue sentir ao ver os seus filmes (uns veneram, outros repugnam), transformaram-no no mais controverso realizador do momento (as suas declarações ajudaram à festa) e podem muito bem fazer desta crítica um completo tiro ao lado, tanto sobre a qualidade do filme, como sobre a opinião geral do mesmo. Mas vamos a isso.


    Melancholia é o Apocalipse contado de uma forma inteligente e, digamos, nobre. Depois de tantos fracassos a recriar o final do mundo (com Roland Emmerich a liderar o pelotão dos falhados), finalmente alguém arregaçou as mangas e tratou de descobrir a direcção certa. Melancholia uma história contada por um tipo desgraçadamente inteligente. E esta é mais uma obra a juntar a um currículo vasto e riquíssimo. Este será bem capaz de ser o filme de Lars Von Trier que mais vezes vou ter prazer em repetir. A melancolia das cenas, a melancolia das personagens, a melancolia da história constroem um atmosfera pesada, um ambiente tenso e um poder quase sobrenatural sobre todo o filme.


    Tudo se desenrola, paradoxalmente à fatalidade da história, de uma forma tranquila, demorada. Cada momento é saboreado, tanto pelas personagens, como pelo espectador. Começamos com uma cena inicial "à Lars Von Trier", com imagens fantásticas, um ambiente sonoro (que em cinema resulta de uma forma estupenda) intenso e que culmina com o início da história de Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg), naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida da irmã mais nova de Claire. Justine casa com Michael, o homem que a ama incondicionalmente, numa festa cheia de pompa e glamour na elegante propriedade de John (Kiefer Sutherland). Com avançar da noite, Justine transforma-se numa noiva infeliz, nostálgica, que procura a solidão do quarto ou a tranquilidade do exterior envolto numa noite estrelada.


    Após um final de noite dramático, com Michael a abandonar a casa de Claire e o casamento com Justine, somos lançados para o interior da vida destas duas irmãs, com uma relação tensa, marcada por um amor incondicional que se esbate em acções irreflectidas de ambas, que as afasta sem nunca as separar. Claire (a grande interpretação deste filme!), convida Justine a repousar junto da sua família, na tranquilidade do seu lar, de forma a recuperar dos incidentes de um conturbado copo de água, à medida que se preparam, em conjunto, para a passagem do Planeta Melancholia, que segundo as garantias de John, apenas fará uma trajectória limite, sem afectar o Planeta Terra e os seus habitantes. E é quando toda esta ideia apocalítica, de desgraça e de FIM se começa a apoderar de Claire, que todo o filme entra numa espiral de momentos e acontecimentos que o fazem crescer, crescer lenta e vagarosamente, para o seu final, épico, fantástico e portentoso.


    Um final coerente com a qualidade de Melancholia, um dos melhores filmes de 2011, um dos grandes filmes da carreira de Lars Von Trier, com a emoção e o poder que este consegue impingir nos seus melhores filmes, com a sua marca pessoal, com o seu dedo de criador a sentir-se em cada cena, em cada imagem, em cada sequência. Por fim, uma nota pessoal, para reafirmar que adorei a forma como Melancholia foi filmado. O movimento da câmara nas cenas mais atribuladas, nas cenas mais vividas, transformam o ecrã nos nossos olhos e o movimento faz-nos sentir dentro das divisões da casa ou da tranquilidade das fantásticas paisagem que Lars Von Trier nos mostra.


    Nota Final:
    A-


    Trailer:




    Informação Adicional:
    Realização: Lars von Trier
    Argumento: Lars von Trier
    Ano: 2011
    Duração: 136 minutos