Dial P for Popcorn: Setembro 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

'Has the sun finally set in Philly?'

Provavelmente, a PIOR notícia da televisão americana dos últimos anos. It's Always Sunny in Philadelphia não voltará a ser a mesma série se tudo isto não passar de uma brincadeira. Alterar por completo um elenco de luxo, cheio de carisma e com uma fervorosa legião de fãs é entrar em rotura com a própria série. É um contra-senso,  é uma completa idiotice. É cavar a própria sepultura a uma série que tem  (tinha?) tanto de brilhante como de original. A partir de dia 11 de Outubro vamos descobrir se o Sol voltará a brilhar em Philadelphia. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"Homeland" - Temporada 2


É já no próximo domingo, dia 30 de Setembro, que regressa à televisão americana a série que arrecadou os principais prémios na categoria de Série de Drama da 64th Primetime Emmy Awards (Melhor Série de Drama, Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Principal). Aqui fica o entusiasmante trailer da segunda temporada!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Estreia da Semana (27/9)

Estamos finalmente a chegar à melhor época cinematográfica do ano. Depois de um doloroso percurso no deserto (com filmes tão maus que nem mereceram a nossa análise aqui no blogue), voltamos novamente àquela época febril das grandes estreias em catadupa, onde o leitor merece ser informado sobre o que realmente não pode perder.

A nossa escolha para esta semana vai para Seeking a Friend for the End of the World, uma comédia com Steve Carell, Keira KnightleyAdam Brody. Aqui ficam a capa e o trailer:



domingo, 23 de setembro de 2012

Falando de Emmys...

Like a pro. Quem não gosta da Parker Posey é louco.



(via The Film Experience)


Não faço previsões


Mais logo decorre a entrega dos Emmys, os prémios major da televisão americana (como o João já fez questão de relembrar) e para variar, este ano, não faço previsões. Não as faço porque, pela primeira vez desde que comecei a acompanhar atentamente, não vou seguir a cerimónia. 


Ao invés de fazer apostas, vou deixar cá cinco desejos para logo (não interessa se se realizam ou não):


"Mad Men" vence de novo e vira recordista de Emmys para Melhor Drama: olhem, eu sou um confesso admirador de todos os nomeados da categoria (menos "Downton Abbey", que segunda temporada desastrosa!) e até considerava dar o prémio a todos. "Breaking Bad" e "Homeland" são ferozes competidores, de facto, mas o drama de época de Matthew Weiner continua a ser do mais alto quilate de produção televisiva. A quinta temporada é capaz de ser a minha favorita, em pé de igualdade com a enorme terceira temporada e assim sendo não hesito em dar-lhe, mais uma vez, o título de melhor série da televisão norte-americana. Uma achega: "The Good Wife" devia estar entre estes nomeados. Enfim.


Amy Poehler vença algum dos prémios para o qual está nomeada: é assim, eu não sou muito de defender que se apele a factores externos para justificar uma vitória neste tipo de cerimónias, mas se há alguém que merece que se tenha um bocado de pena do que se passa na vida pessoal e se aproveite e se premeie essa pessoa com um troféu, é Amy Poehler. Isto porque na categoria de Melhor Actriz, não há uma concorrente melhor que ela. Sim, também gosto da Julia Louis-Dreyfus no "Veep", mas o episódio que submeteu foi o único em que achei que a usaram no máximo das suas capacidades. A Melissa McCarthy e a Tina Fey estão nas nomeadas para fazer figura (se bem que Tina tem um episódio excepcionalmente bom este ano, fosse para o ano e era ela que vencia, por ser a última temporada de "30 Rock"), a Edie Falco foi nomeada para premiar a melhoria substancial da série dela este ano e a Zooey tem mais anos para ganhar (a isto junta-se o facto que meia Hollywood - aliás, meio mundo - a acha irritante). Portanto resta a Lena Dunham. Pessoal, eu gosto muito de "Girls", é muito bem escrita e realizada, mas a Lena Dunham, apesar de competente, não é das melhores actrizes de sempre. Já na outra categoria a que vai a votos, Poehler só perde para Chris McKenna ("Community"), mas tendo em conta aparentemente que tem vindo a crescer um  movimento anti-"Modern Family" (mais um ano ou dois e a coisa começa a estalar) e um Emmy para "Community" seria quase um sinal do apocalipse, vá lá, se roubarem o Emmy à Amy para Melhor Actriz, ao menos dêem-lhe para Melhor Escrita.


Eu adoro o Jim Parsons, mas por favor não lhe dêem outro Emmy: é assim, o Jim Parsons é bestial e um excelente actor, mas o Sheldon Cooper este ano parecia ter quase saído de um cartoon, de tão estereotipado que é. Salvo um ou outro episódio com alguma profundidade emocional, o Sheldon só apareceu este ano para inúmeras punchlines e ser motivo de risota pelos seus pânicos e medos habituais. Numa categoria que tem o Larry David mais acessível de sempre, um Louis C.K. de luxo e uma estrela de cinema como Don Cheadle numa interpretação bastante curiosa em "House of Lies" (nem peguemos em Jon Cryer e Alec Baldwin), é um insulto que se dê um terceiro Emmy a Parsons (ele que roubou um Emmy a Carell o ano passado) por brincar com um tambor. No. way.


Finalmente, um prémio grande da indústria para Julianne Moore: é um escândalo que esta mulher não tenha um Globo de Ouro, um Óscar, um BAFTA e um SAG com o seu nome gravado por "Far From Heaven". Nem preciso de escrever mais, a sua Sarah Palin vai para a história como uma das grandes interpretações televisivas não só do ano, mas da década. Se a Nicole Kidman lhe rouba o Emmy (ou a Connie Britton, também) por uma interpretação tão hórrida como a dela no telefilme "Hemingway and Gellhorn", lamento dizer que a sanidade da Academia está por um fio.


Proibir mais vitórias de "Modern Family" nas categorias secundárias: olhem, eu gosto de "Modern Family". Não sou o maior defensor da série, é um facto, acho que a terceira temporada foi na maior parte das vezes intragável mas quando a comédia funciona, é do melhor que há em televisão. Dito isto: estou farto que a Academia ache que todos os actores têm que ser nomeados. Não fizeram isso com "Friends", por exemplo. Não fizeram isso com "Sex & the City", "Will & Grace", "Seinfeld", "Cheers"... e a lista continua. O último exemplo recente que me lembro desta situação é o de "Everybody Loves Raymond" e o de "Frasier", que passavam a vida a entupir categorias onde actores muito melhores caberiam. Por favor, quem me disser que a Patricia Heaton mereceu os dois Emmys e as mil nomeações que teve acima da Courteney Cox, por exemplo, que se atire para dentro de um poço e lá fique. Voltando a "Modern Family"... Gente, eu acho que  o Ty Burrell, a Julie Bowen e o Eric Stonestreet merecem ser nomeados. E mereceram as três nomeações e a vitória que conseguiram. A sério que acho. Mas os outros? São típicas nomeações por arrasto. Estou para ver quando vai acabar e que consequências isso tem. Por exemplo, se isto continua mais um ano e "Parks & Recreation" for cancelado para o ano, vamos ter uma das personagens mais extraordinárias da televisão actual - Ron Swanson - completamente ignorado pela Academia, que preferiu abrir umas vagas para mais uns tristes de "Modern Family" não se sentirem excluídos? Santa paciência! Por tudo isto, eu peço à Academia que se lembre de dar o prémio ao Max Greenfield (era tão lindo!) e à Kristen Wiig. Os dois merecem. Muito. E são as melhores interpretações das suas categorias. Provavelmente ganharão de novo Ty e Julie, o que para mim também está muito bem.


E vocês: que cinco desejos esperam ver cumpridos na noite de hoje? Alguma surpresa que prevêem?




64TH PRIMETIME EMMY AWARDS


É hoje o dia da cerimónia que distingue os melhores da televisão americana. 



E ele está preparado para vencer. #BreakingBad

sábado, 15 de setembro de 2012

Ninho de Cucos (V)

A pluralidade de interpretações que o género cinematográfico é capaz de produzir faz parte das características que o tornam fascinante, muito embora não seja este aspecto suficiente para o demarcar de outras formas de arte. O que realmente o torna cativante é a possibilidade que proporciona de argumentação racional dessa ambiguidade de perspectiva, ao invés de outras em que a discussão assume critérios menos práticos. Aquilo que a tanto custo tento por em palavras é que enquanto na pintura, na música ou no bailado a discussão artística se fundamenta em argumentos baseados puramente na intuição pessoal, no cinema ou na literatura, pode-se discutir o impacto artístico sob a alçada de argumentos regidos menos pela sensação que pela razão. 
E é por causa de todo este fascínio que gosto de me perder a ler as críticas que os utilizadores fazem em sites como o IMDB, o Rottentomatoes, ou a fantástica blogosfera em que o Dial P for Popcorn se insere; e percebo que enquanto alguém acha grande piada à história, uma outra pessoa não gosta do filme por causa do trabalho de câmara ou da interpretação de certo actor. Assim, compreende-se de uma forma maior o cinema e as suas diferentes variáveis, e que leva, creio, a uma noção mais completa da experiência cinematográfica.


Tudo isto para dizer que no outro dia estive a ver o In Bruges e achei que se trata dos filmes mais bem estragados de que me recordo. De início foge bem ao típico filme de gangster, e dá a noção de ser um filme de qualidade ao introduzir subrepticiamente a situação que leva dois mobsters britânicos (interpretados de forma magnífica por Colin Farrel e Brendan Gleeson) a uma estadia, desejada de forma bem distinta por ambos, na cidade belga de Bruges. Os diálogos vão crescendo com o desenrolar do filme, com uma interessante intermitência entre o desconfortável e o engraçado, e chegam a atingir um nível em que o humor britânico se faz representar por brilhantes gracejos encobertos por um discurso mundano, em que são explorados estereótipos americanos, ou em que o conceito de purgatório é comparado ao Totenham. Não obstante tudo isto, o filme ainda coloca o espectador sob dilemas éticos incompreensíveis para qualquer indivíduo que nunca tenha enviado outro ser para o além, como espelha um dos momentos do filme em que o dever de matar e o direito à vida são reavaliadas pela personagem de Gleeson, quando a tentativa de suicídio do seu colega redefine os seus princípios. Na verdade, todo o filme transporta uma grande dose de expectativa até certo ponto, em que se torna numa desnecessária sucessão de idiotices técnicas que fazem de um grande filme, uma macacada ao género dos Looney Tunes.


- Tudo começa no momento em que, no comboio em que a personagem de Colin Farrel - Ray - viaja para abandonar Bruges, surge, vá-se lá saber como, um polícia que o detém, devido a uma agressão a um turista canadiano dias antes. Isto numa altura em que a carruagem atravessava uma vasta planície, sem sinais de urbanização próxima. De onde surgiu o polícia? E porque andaria ele especificamente naquela carruagem que nem Ray sabia para onde ia, só McDonagh saberá. Mas pronto toda a gente sabe que os omniscientes polícias belgas dominam a arte do teletransporte, por isso não façamos muito caso deste pequeno detalhe.

- Mais tarde o cúmplice de Ray - Ken - é confrontado pelo seu raivoso patrão - Harry (encarnado por Ralph Fiennes) - numa cena que decorre no interior de uma Torre com umas largas dezenas de metros de altura. Ora esta cena, carregada de grande dramatismo, resulta num combate do qual Ken, sai baleado por 2 vezes à queima-roupa, uma na perna, outra na região lateral do pescoço. E é aqui que esta história tão bem construída até então se transforma, de um momento para o outro, num conto do Buggs Bunny e amigos. Se bem que um tiro na perna, apesar de doloroso, possa não ser fatal ou até incapacitante, já o tiro que Ken leva no pescoço poderia levá-lo apenas para o Além ou para ou para os Jogos Paralímpicos. Contudo, no filme a personagem de Brendan Gleeson consegue estancar a hemorragia com a insuperável força dos pensamentos positivos, e atreve-se ainda a escalar alguns degraus até ao alto da torre, onde se decide a mergulhar violentamente para a calçada da cidade belga. E se pensam que nesta altura ele está definitivamente a caminho da outra vida, depois das duas balas e de ter distribuído as suas entranhas por toda a praça onde se esborrachou ao fim de 80m de queda livre, pois pensem outra vez porque estão enganados! Ken tem ainda tempo para um chit-chat com o seu colega Ray, que acorre a socorrê-lo infrutiferamente, já que depois de uns avisos, Ken anuncia que vai morrer. Mariquices se querem que vos diga... para um tipo que sobrevive aquilo tudo, custa-me a crer que não tivesse tempo para uma peladinha e uma jantarada antes de falecer, mas pronto, cada um tem as suas prioridades.


- Por último queria só destacar a conclusão do filme. A realização opta pelo clássico confronto entre o herói e o vilão num shootout à pistolada, em que a qualidade do discurso permanece avassaladora, mas que continua com momentos menos conseguidos, como a cena do barco, onde o perseguido Ray não tenta de modo algum evitar a bala que o acaba por atingir, e em que o condutor do barco não faz sequer caso da situação. Outro pormenor é o facto de depois de tanta eficácia na detenção de Ray, a polícia belga manter-se surpreendentemente alienada de todo o frenesim sanguinolento que agita as ruas de Bruges. Mas provavelmente estariam todos a treinar as suas capacidades de teletransporte em Hogwarts, ou coisa que o valha. O filme termina depois de forma não muito surpreendente mas bastante inteligente, com um forte tom de ironia que desafia derradeiramente os princípios deontológicos da conduta humana.

Terminada esta sangria de palavras contra o filme de Martin McDonagh, talvez seja importante esclarecer que não estou para aqui a exigir que um filme destes seja tão fidedigno como um documentário. O problema aqui é que a narrativa dispõe-se a contar uma história cuja relevância é veiculada unicamente pelos termos em que é contada, e no caso de algum desses termos estar em desacordo com o fio condutor, todo o trama desmorona qual castelo de cartas. A verdade é que um filme deste género, que tem por base uma realidade real, obriga-se a ser concordante em todos os momentos da sua rodagem. É que isto é chato. O filme é bom, muito bom mesmo, mas não é um filme sólido. É que para se por com estas coisas, mais valia introduzir uma realidade liberal, como naquelas comédias baratas tipo Ben Stiller ou Adam Sandler, em que se estabelece de início um acordo tácito, entre realização e audiência, e em que tudo é permitido. Ou até como fazem nos filmes de adolescente, onde qualquer tentativa de aproximação à realidade é sacrificada em prol do humor, ou mesmo em raridades como o Fear and Loathing in Las Vegas onde a temática da toxicodependência atropela qualquer lógica narrativa. Caramba há até quem o consiga fazer com classe e categoria, como atesta um dos mais recentes êxitos do sr. Woody Allen: Midnight in Paris.


Portanto não há desculpa! In Bruges podia ser um filmaço sem aquelas irritantes cenas, que podiam ter sido corrigidas, disfarçadas ou imersas numa realidade semi-imaginada, mas a verdade é que McDonagh consegue empregar com a mesma facilidade a sua brilhante capacidade, tanto para erigir uma inusitadamente interessante história, como para quase vulgarizar todo o esforço empregue nessa façanha. A verdade é que dá a ideia que quem dirigiu o filme não tinha bem noção de como as coisas se iam desenrolar. Não acho que isso seja dramático, porém. Eu próprio não faço ideia como vou acabar este parágrafo, mas parece-me razoável exigir ao tipo, que tem de orquestrar uma plêiade de recursos humanos, materiais e intelectuais, que tenha uma noção forte daquilo que está a fazer. Mas este é o sintoma exacto de que padece também o Mulholland Drive do David Lynch, que partilha ainda com o In Bruges o cariz autodestrutivo, se bem que devido a outros motivos. Não é boa arte iludir o auditório na expectativa da resolução de um enigma, resolvendo-o por meio de uma solução inventada. É a mesma coisa que marcar um golo com a mão, ou ir fazer o choradinho ao professor por causa da nota. Não é assim que é suposto as coisas funcionarem, e não é assim que se satisfaz um espectador. Não falta arrojo, não falta audácia, falta respeito pela narrativa.

E bem, já que estou farto de lançar achas para a fogueira, talvez seja, por fim, altura de endereçar os devidos elogios que Martin McDonagh merece. Para ser honesto, devo admitir que a razão para este rabugento cortejo de parágrafos se deve, em grande parte, a todo o potencial para o crime-comédia que o britânico mostra neste seu primeiro grande trabalho. Costuma-se dizer que no melhor pano cai a nódoa, e neste caso creio que a sapiência popular volta a bater a necessidade de eloquência do gastador de palavras. In Bruges, apesar de tudo o que foi dito, deixa água na boca e dá azo a grandes expectativas sobre se este senhor será capaz de trazer um daqueles filmes perfeitos que servem de culto a gerações. Ficamos à espera.

O Tarantino e o Ritchie que se cuidem!


Gustavo Santos

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

[PRIMEIRO TEASER] LINCOLN


Steven Spielberg. Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt, John Hawkes, James Spader. E o Oscar para Melhor Actor Principal vai para...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

THE CABIN IN THE WOODS (2011)


Não sou adeptos de filmes de terror. Já aqui o escrevi anteriormente. E é sempre assim que gosto de começar uma análise a um filme do género. Admito que encaro este tipo de filmes de um modo diferente, que precisam de muito mais para me convencer. Porque não vejo o medo como algo gratuito. O medo, o suspense, o frenesim de uma cena num filme de terror precisa de vir de dentro do próprio espectador. Precisa de ser algo incontrolável. Algo que nos faça perder a respiração, perder a noção do tempo e do espaço. Já aqui o disse, também, que David Lynch (para quando o seu regresso?!) é um mestre neste negócio. Como tal, filmes que se apresentem com moto-serras e catanas a cortar ao desbarato, com mangueiras de sangue por todo o lado, conseguem aborrecer-me de morte.


No caso deste filme, este caso não se coloca. As cenas mais sangrentas não se tornam fastidiosas. O problema é a sua previsibilidade e a forma como não me conseguiu cativar um único momento. Não me desiludiu, mas também não me surpreendeu. É uma história engraçada, copiada e remisturada algures por aí, que foi americanizada para o grande ecrã. Assim se resume o argumento de The Cabin in The Wood. Num breve resumo, conhecemos a história de cinco amigos que decidem passar o fim-de-semana numa cabana perdida no meio de uma floresta (tão clássico, não?) e que, com o passar do tempo, acabam por se aperceber que foram atraídos para algo monstruoso, do qual não vão conseguir escapar.


Uma das melhores qualidades do filme está no facto de ser curto, sucinto, directo. Seria penoso se o realizador optasse por explorar melhor cada personagem. É um filme que se desenrola numa cadência muito acelerada, sempre com acção, sempre com acontecimentos importantes, decisivos no desenvolvimento do argumento. São atributos que, no entanto, não me convenceram. Senti como perdido o tempo que gastei para ver este filme. Recomendo-o se for um adepto do género. Se não, há outros filmes bem melhores para ver.


Nota Final: 
C-


Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Drew Goddard
Argumento: Joss Whedon, Drew Goddard
Ano: 2011
Duração: 95 minutos

sábado, 1 de setembro de 2012

Sons da Minha Vida (II)


Nesta rubrica, tentamos enfatizar a importância de uma boa banda sonora na composição final de um filme. Para isso, deixamo-nos de muita conversa e damos espaço à música para mostrar o nosso ponto de vista.


O compositor em destaque nesta segunda edição da rubrica é o americano Philip Glass, estudante prodígio da Juliard, que viveu em Paris muitos anos e estudou sob a tutela de Nadia Boulanger, uma grande compositora e artista francesa que ensinou muitos dos grandes compositores da segunda metade do último século. Passou as décadas de 60 e 70 a aprimorar o seu estilo musical enquanto de dia era condutor de táxi para cobrir o seu económico estilo de vida e só em 1982 entrou no mundo da composição cinematográfica, compondo os emblemáticos trechos musicais (pelos quais ainda hoje ele é aplaudido) para o documentário Koyannisqatsi de Godfrey Reggio, com quem haveria de colaborar mais vezes. O também documentarista Errol Morris entrou na sua vida em 1988, quando para ele compôs em The Thin Blue Line

A partir daí as suas colaborações cinematográficas passaram a ser bastante frequentes e começa a compor bandas sonoras também para longas-metragens. Foi nomeado para três Óscares, por The Hours, Kundun e Notes on a Scandal, mas a sua banda sonora mais reconhecida - para The Truman Show - passou despercebida pela Academia (ganhou por ela, contudo, um Globo de Ouro). Como nem só de cinema vive o homem, Glass é ainda hoje um dos mais influentes compositores do mundo, compondo um pouco de tudo, desde óperas a sinfonias, concertos e solos. 


Criador de músicas envolventes, evocativas, românticas e distintivas, Glass eleva as suas composições com pequenos toques minimalistas, levando quem o ouve para lugares distantes, por explorar. Todas as suas composições dão uma vida especial aos seus filmes, trazendo emoções inesperadas ao espectador só pela simples força da melodia que escreveu.

Deixo-vos com cinco exemplos da magnífica obra de Philip Glass - penso que notarão em todas as peças ligeiras semelhanças musicais e acima de tudo notarão sons similares a outras bandas sonoras e outros compositores que Glass inspirou com a sua música, de Yann Tiersen a Thomas Newman:

"67 Cities" - "The Fog of War"



"The Hours" - "The Hours"


"Underground Storm" - "The Truman Show"


"Escape to India" - "Kundun"


"Prophecies" - "Koyanniqatsi"


SINGIN' IN THE RAIN (1952)



Nunca consigo explicar muito bem o que SINGIN' IN THE RAIN me faz sentir quando o vejo. Longe de ser um filme perfeito, a obra-prima de Donen e Kelly é, mesmo nos dias de hoje, tão infecciosamente alegre e excitante como era há sessenta anos atrás. É uma experiência única e poderosa e uma que, mesmo depois de várias visualizações, nunca perde magia - o puro sentimento de felicidade está sempre lá. Não há dúvidas sobre a razão pela qual este filme é largamente considerado o maior musical de sempre e está na grande maioria das listas de filmes mais amados do cinema. É assim tão bom.


SINGIN' IN THE RAIN é um dos meus filmes favoritos para me recuperar depois de um dia exaustivo ou num dia em que esteja mais melancólico ou aborrecido. Nunca me deixa de espantar o quão simplista, divertido, feliz e refrescante é este filme e sempre que o vejo acabo por cantar e trautear as suas canções por horas a fio, desde a clássica "Singin' in the Rain" à mais animada "Good Morning" ou a ridícula "Moses Supposes" (não esquecer o incrível número de comédia física e improviso que O'Connor protagoniza - "Make'em Laugh" - numa classe própria de excelência).


Apesar de leve e confortável, SINGIN' IN THE RAIN é um produto muito original, colorido, enérgico e brilhante. A maioria da minha confessa admiração vai para os três protagonistas - o estonteante Gene Kelly,  o irreal Donald O'Connor e a formidável Debbie Reynolds, na altura com apenas de 19 anos mas a aguentar-se com classe frente a dois gigantes da indústria (a miúda canta, dança e representa como poucos).  Eles cantam e dançam e dão um espectáculo extraordinário - algumas daquelas coreografias são demasiado fantásticas, ainda para mais em 1952 e sem duplos - e fazem-no parecer tão fácil e simples. Jean Hagen completa o sensacional elenco da película com a sua Lina Lamont (nomeada ao Óscar) e apesar desta personagem ser um pouco unidimensional (ela não consegue dançar, não consegue cantar, não consegue representar e ainda por cima é uma daquelas estrelas arrogantes e insuportáveis e idiotas), Hagen envolve-a em muito mais numa performance bastante inspirada. O resto parte de uma história incrivelmente modesta mas muito inteligente sobre pessoas que fazem filmes e o seu imenso amor e orgulho em fazê-lo, mesmo que isso signifique abdicar de velha glória e adaptar-se para pertencer a uma nova era numa indústria sempre em evolução e que vinha-se apercebendo do potencial do som no cinema. É no fundo uma celebração bem humorada e jubilante deste famoso período de transição em Hollywood - que acaba por usar música para provar o seu ponto de vista que a arte - e as pessoas que a produzem - precisam de evoluir. 







Nota:
A

Informação Adicional:
Realização: Stanley Donen, Gene Kelly
Argumento: Adolph Green, Betty Comden
Elenco: Gene Kelly, Donald O'Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen, Millard Mitchell
Música: Lennie Hayton
Fotografia: Harold Rosson
Ano: 1952

A Arte dos Créditos (II)




Grandes Melodias do Ecrã (II)




"My Husband Makes Movies" - NINE (2009) - Marion Cotillard

De longe a melhor parte de "Nine", tanto nesta música como no seu outro grande número (aqui). Marion Cotillard canta que se farta, é uma actriz enorme e ainda com um potencial tremendo, é belíssima e sensual mas ao mesmo tempo delicada e vulnerável e enche o ecrã e é emotiva como poucas em Hollywood. Vê-se logo que é francesa. Ó Guido, como é que tu me trocas isto pela Nicole Kidman, pá?