Dial P for Popcorn: Fevereiro 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Como que a comprovar o que disse num artigo anterior...



Por mais voltas que se dê, é ao cinema americano que o mundo recorre. Spielberg vai seguir as pisadas de Moretti como Presidente do Júri do Festival de Cannes.  Não há mais americano que isto.

Três títulos, um realizador, um tema



É a proposta da excelente iniciativa do Caminho Largo, que colocou a blogosfera toda a propor filmes que melhor expressem a noção de amizade - e além disso, o realizador que melhor pôs em tela o tema. Tarefa difícil. Passem pelo blogue para verem todas as participações da iniciativa - tem um pouco de tudo e acima de tudo recomendações para toda a gente - e, claro, espero bem que espreitem as minhas escolhas AQUI

GANGSTER SQUAD (2013)


Comecei a antevisão a este filme bem antes da sua chegada a Portugal. Era impossível ficar indiferente perante um elenco tão bem cotado. A juntar a isto, o facto de estarmos perante uma história verídica que ocorreu nos tempos loucos de uma Los Angeles em completa ebulição. Uma sociedade que se começou a descobrir nos primeiros anos após a Segunda Grande Guerra, deu espaço ao crescimento de novos e ambiciosos criminosos. 


Mickey Cohen (Sean Penn) é o rosto e a força motriz deste filme. Um criminoso sem escrúpulos, líder absoluto de um poderoso gang que, paulatinamente, vai conquistando a Costa Oeste, é idolatrado pelos seus súbditos e respeitado por alguns dos mais importantes homens da justiça de LA. Sem conseguir ficar indiferente perante a passividade e a cumplicidade de alguns dos seus colegas e temendo um futuro negro para a sua cidade, o detective John O'Mara (Josh Brolin) decide reunir um grupo de leais e corajosos polícias, nos quais se incluem Jerry Wooters (Ryan Gosling) e Conway Keeler (Giovanni Ribisi), que se dispõe a abdicar de tudo para destruir o império de Mickey Cohen e acabar com o submundo do crime e da corrupção.


É uma história/argumento ambicioso. E em alguns dos seus aspectos técnicos, Gangster Squad consegue atingir os objectivos a que se propôs. Vemos cenários trabalhos com cuidado, numa tentativa de representar de forma fiel e natural o principio dos Anos 50. Temos, também, personagens bem caracterizadas e perfeitamente enquadradas no espaço temporal do filme. Mas fica a faltar qualquer coisa. Há algumas falhas clamorosas na realização e na montagem do filme (em especial nas cenas de acção, feitas de forma um tanto ou quanto atabalhoada) e Ruben Fleischer poderia, claramente, ter aproveitado melhor a matéria prima que tinha em mãos. No entanto, é um filme divertido, que consegue entreter durante os seus 113 minutos. No final, valeu o dinheiro do bilhete.

Nota Final 
(6,5/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Ruben Fleischer
Argumento: Will Beall, Paul Lieberman
Ano: 2013
Duração: 113 minutos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma vitória perfeita? Para mim foi



E pensar que se Ben Affleck tivesse sido nomeado, ela nunca aconteceria...  Dos nomeados, só Zeitlin se poderá queixar. Spielberg? O. Russell? Não me parece...

LOUIE - A versão (mais) negra do humor americano





"Quit being a faggot and suck that dick!"

3 minutos do seu tempo para perceber quem é Louis C.K. Uma série obrigatória.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

[Comentário] Óscares 2013




Eu tentei não o fazer. Até porque estes prémios merecem cada vez menos o meu respeito. Mas o que aconteceu ontem foi demasiado chocante, demasiado óbvio, demasiado provocante. Não é por acaso que o Melhor Filme não recebe sequer a nomeação de Melhor Realizador. Não é por acaso que nos últimos anos passámos a ter 9-10 nomeados na categoria de Melhor Filme. E não é por acaso que os prémios foram equitativamente distribuídos pelos principais filmes. Por isso mesmo, na noite de ontem, os grandes vencedores foram...












Parabéns aos Vencedores! O trabalho de bastidores surtiu efeito e todos os filmes vão ter um prémio numa das principais categorias da Academia para poder destacar em grande plano na capa do DVD e do Blu-ray. Ganham uns. Perde o Cinema.


Vencedores dos Óscares



Terminou há momentos a 85ª cerimónia dos Óscares, apresentada por Seth MacFarlane. Numa noite bem mais musical que o costume mas também com os erros, faux pas e sobressaltos habituais, "Argo" foi coroado o Melhor Filme do ano. A lista completa dos vencedores, abaixo:

Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz, "Django Unchained"

Melhor Curta Animação
"Paperman"

Melhor Filme Animação
"Brave"

Melhor Fotografia
"Life of Pi"

Melhores Efeitos Visuais
"Life of Pi"

Melhor Maquilhagem e Cabelo
"Les Misérables"

Melhor Guarda Roupa
"Anna Karenina"

Melhor Curta, Live Action
"Curfew"

Melhor Curta, Documental
"Inocente"

Melhor Documentário
"Searching for Sugarman"

Melhor Filme Estrangeiro
"Amour" (Áustria)

Melhor Mistura de Som
"Les Misérables"

Melhores Efeitos Sonoros (ou Edição de Som)
(empate) "Zero Dark Thirty" e "Skyfall"

Melhor Actriz Secundária
Anne Hathaway, "Les Misérables"

Melhor Montagem (ou Edição)
"Argo"

Melhor Produção Artística
"Lincoln"

Melhor Banda Sonora Original
"Life of Pi"

Melhor Música Original
"Skyfall"

Melhor Argumento Adaptado
"Argo"

Melhor Argumento Original
"Django Unchained"

Melhor Realizador
Ang Lee, "Life of Pi"

Melhor Actriz
Jennifer Lawrence, "Silver Linings Playbook"

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis, "Lincoln"

Melhor Filme
"Argo"


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Previsões e indecisões, a poucas horas dos Óscares


Adivinha-se uma madrugada complicada para os gurus dos Óscares. Com mais de uma dezena de corridas ainda por solucionar, com poucos vencedores já verdadeiramente garantidos e sem se perceber muito bem se a Academia vai ser mais audaciosa ou mais conservadora do que o habitual, a noite dos Óscares deste ano promete. Já troquei as minhas previsões mais que uma dezena de vezes e mesmo assim continuo sem grande certeza. Deixo já ficar o aviso, para quem se quiser aventurar a fazer um brilharete: não me parece que vamos ter uma noite para percentagens de acerto em condições. Alguns vão-se sair muito bem, claro, como sempre. Mas a maioria vai ficar decerto triste com o resultado final. Eu tentei um meio-termo entre a segurança e o instinto e mesmo assim acho que não consigo nem 50% de acerto (só mesmo com alternativas). 

Cá vos deixo, então, os meus raciocínios e palpites:


Melhor Filme
"Argo" (alternativa: "Silver Linings Playbook")
Em teoria, o prémio é de "Argo". Depois de ter feito a limpeza geral dos troféus de Melhor Filme por todo o lado que passou, dos críticos aos Globos até aos prémios em terra de sua Majestade, o thriller de Ben Affleck parece em boa posição para reinar sobre o certame deste ano. A minha segunda hipótese, tendo em conta o potencial amor de alguns sectores da Academia e o factor Harvey Weinstein, é "Silver Linings Playbook". Sim, considero que será o segundo mais votado, acima de "Life of Pi" e "Lincoln". Tempos houve que achava que "Lincoln" ganharia as principais categorias à mesma; a corrida não me parece da mesma forma.

Melhor Realizador
Ang Lee, "Life of Pi" (alternativa: Steven Spielberg, "Lincoln")
Nem sei que pensar. Consigo excluir Behn Zeitlin e pouco mais. Haneke como surpresa da noite parece-me possível - embora ache que é bem mais provável surpreender Tarantino em Argumento Original - e Lee e Spielberg, teoricamente, serão os dois mais votados. Teoricamente. Na prática, não será que "Silver Linings Playbook", admirado em vários circuitos - especialmente o dos actores, que é o maior da Academia - não conseguirá mais votos e assim empurrar David O. Russell para a vitória? Com zero segurança, vou à luta com Lee e Spielberg mas temo uma vitória para O. Russell.

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis, "Lincoln" (alternativa: Bradley Cooper, "Silver Linings Playbook")
Negócio fechado, Daniel Day-Lewis leva o terceiro Óscar para casa. Por muito que eu gostasse de ver o enorme Joaquin Phoenix (que tem sempre azar nos anos em que é nomeado) ou um dos novatos da categoria premiado - Jackman ou Cooper - para variar, não há como fugir ao actor irlandês. Junta-se a Bergman, Streep, Brennan, Nicholson e Hepburn no clube dos 3+ Óscares.

Melhor Actriz
Jennifer Lawrence, "Silver Linings Playbook" (alternativa: Emmanuelle Riva, "Amour")
Era uma luta a dois, mas nós não sabíamos era que duas. A 'coça', passe a expressão, que Lawrence deu a Chastain acaba por explicar a minha escolha. Se tivesse havido disputa entre as duas e agora entrasse Riva em sobressalto, era capaz de apostar na francesa. Como Lawrence já vem dominando a categoria e o buzz desde que o filme saiu de Toronto, é-me difícil ver Riva a levar o prémio. Era das melhores surpresas que poderiam acontecer e terei certamente pena de não ter previsto Riva em vez de Lawrence, mas todas as indicações apontam para a vitória da americana - ausência de precursores para Riva e o facto de que interpretações estrangeiras premiadas só as de Cruz, Loren e Cotillard (todas jovens na altura) e todas em circunstâncias especiais (Cruz não teria vencido Winslet se esta tivesse sido nomeada como Actriz Secundária, Loren e Cotillard foram dois verdadeiros upsets então e Cotillard fez de Piaf - Oscar bait! - e Loren ganhou numa altura que filmes estrangeiros tinham mais amor dentro da Academia). O único precedente que chega perto é a vitória de Tandy sobre Pfeiffer em 1989, só que nesse caso estamos a falar de uma gigante do teatro americano num filme vencedor de Melhor Filme e rei da bilheteira contra uma actriz a subir em Hollywood (provavelmente achavam que teriam outra hipótese de premiá-la). Muita indecisão, mas fico-me pela Lawrence. Quem troca Streep por Bullock... Não me merece confiança.


Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz, "Django Unchained" (alternativa: Tommy Lee Jones, "Lincoln")
Qualquer um dos cinco pode ganhar. Arkin depende de quantos prémios "Argo" levar, DeNiro tem feito campanha como doido, Waltz e Hoffman são protagonistas nos seus filmes - vantagem enorme sobre os outros competidores - e Lee Jones era suposto ser o favorito e de facto venceu o SAG. Se houver repartição dos votos, Lee Jones ganhará, porque tem o voto dos actores, o contingente maior da Academia. O meu raciocínio para escolher Waltz é, contudo, bastante simples. Se Tarantino ganhar Argumento Original, Waltz também vence Actor Secundário. Como eu acho que Tarantino vai ganhar, por consequência aposto em Waltz também em primeiro. A Internet acha, no geral, que vai para DeNiro. Todavia: irá a Academia premiar DeNiro, outrora favorito mas que não era nomeado há 22 anos e andou mais de uma década em papéis imerecedores do seu talento?

Melhor Actriz Secundária
Anne Hathaway, "Les Misérables" (alternativa: Sally Field, "Lincoln")
Mais uma corrida para lá de resolvida. Anne Hathaway vai vencer o seu primeiro Óscar. Penso que não cansou demasiado a imprensa e a Academia com a irritante personalidade que exibiu durante toda a temporada de campanha. Se não for ela, será Field. Mas não contem com isso.

Melhor Argumento Original
"Django Unchained" (alternativa: "Amour")
De entre "Django Unchained" (vencedor do Globo e do BAFTA), "Zero Dark Thirty" (vencedor do Critics' Choice e do WGA) e "Amour", qual soa a mais favorito? Eu diria Tarantino, mas Boal ou Haneke têm boas hipóteses de surpreender. Em 2009, eu apostei em Boal à última hora, quando a maioria diria Tarantino. É que Boal tinha vencido o BAFTA e o WGA e era o argumento do mais que provável Melhor Filme do ano. Era difícil a Tarantino batê-lo. Este ano, contudo, Boal já venceu e "Zero Dark Thirty" viu o seu buzz cair a pique com a controvérsia da tortura e Haneke, que obviamente parecia favorito a vencer o BAFTA, perde-o para Tarantino. Será um sinal?

Melhor Argumento Adaptado
"Argo" (alternativa: "Silver Linings Playbook")
Ainda me recordo com saudade quando Kushner, há um mês, tinha este prémio na mão. Como um mês pode mudar uma corrida. Chris Terrio lá conseguiu aproveitar o furacão "Argo" e agora parece ter o prémio à mão de semear. Se não for "Argo", soa-me que "Silver Linings Playbook" e David O. Russell poderão ter aqui um prémio de consolação por não lhe poderem dar mais nada. Em terceiro lugar vem "Lincoln". Qualquer um dos três pode, contudo, ganhar. Nada garantido.

Melhor Filme Animação
"Brave" (alternativa: "Wreck-it Ralph")
Uma categoria curiosa, que acabou por se resumir a uma luta entre o moderno e inovador "Wreck-it Ralph" e o mais tradicional "Brave", da Pixar, quando muitos esperavam que Tim Burton, numa jogada digna do destino, conseguisse o seu primeiro Óscar onde começou a trabalhar no cinema, na animação. Parecia perfeito, mas não sucedeu. A Pixar ganhou 6 das suas 9 nomeações nesta categoria, mas o filme que mais parece da Pixar é "Ralph", não "Brave", que se assemelha mais aos filmes de princesa da casa mãe, o que aparentemente lhe poderá dar vantagem. O Annie foi para "Ralph", bem como o PGA, mas "Brave" foi a escolha (mais segura, parece-me) dos Globos e dos BAFTA. Que escolher, que escolher? Olhem, eu cá vou com "Brave", mais não seja porque a Academia por vezes arma-se em múmia e aposta mais no familiar (ver "Shrek", "Wallace & Gromit", "Happy Feet", "Up"). Esta é, apesar de tudo, uma aposta que aposto que não vai resultar e "Ralph" vai levar o Óscar.


Melhor Filme Estrangeiro
"Amour" (alternativa: "No")
Haneke já perdeu esta categoria antes, quando poucos o previam ("The White Ribbon", 2009). Não me parece que tal vai acontecer este ano. "Amour" foi nomeado a Melhor Filme, com mais três nomeações adicionais além desta de Melhor Filme Estrangeiro. "No", "Kon Tiki" e "War Witch" quase não foram vistos. Resta "A Royal Affair" e quem é que tem vontade de apostar neste filme para surpreender "Amour"? Pois.

Melhor Documentário
"Searching for Sugarman" (alternativa: "How To Survive a Plague")
Quando um só documentário ganha os prémios todos, ou é muito bom ou a categoria está muito má. Seja como seja, depois de vencer virtualmente tudo, como apostar contra "Sugarman"? Pelo assunto, parece-me que os opositores imediatos seriam "Plague" e "The Invisible War", mas é improvável que cheguem sequer perto do favorito.

Melhor Produção Artística
"Anna Karenina" (alternativa: "Life of Pi") "Lincoln"
Temo muito que a mestria do design de "Anna Karenina" vá passar ao lado do Óscar em detrimento do não menos meritório mas em última análise menos contributivo trabalho de "Life of Pi" ou "Les Misérables". "Karenina" não teria funcionado sem a sua inteligente produção. Dos outros, já não digo o mesmo.

Melhor Fotografia
"Life of Pi" (alternativa: "Skyfall")
Fotografia e Efeitos Visuais - dois prémios que dificilmente não vão acabar nas mãos da equipa de "Life of Pi", tal como em 2010 ("Inception") e 2011 ("Hugo"). O oponente a Fotografia será Roger Deakins, que com dez nomeações e uma carreira lendária ainda não venceu uma estatueta. Seria merecido pelo seu magnífico trabalho em "Skyfall", mas o que Claudio Miranda fez em "Life of Pi" é também igualmente fantástico. Qualquer um que ganhe, será merecido. 

Melhores Efeitos Visuais
"Life of Pi" (alternativa: "Prometheus")
E o adversário em Efeitos Visuais será ou "Prometheus" ou "The Hobbit", mas não me parece sequer que tenham hipótese. O trabalho em CGI no tigre Richard Parker merece, só por si, mil Óscares. 


Melhor Música Original
"Skyfall" (alternativa: não precisa de ter, mas "Suddenly")
A vitória mais segura da noite? Adele vai juntar aos Grammys ganhos um Óscar.

Melhor Banda Sonora Original
"Life of Pi" (alternativa: "Argo")
Voto em Mychael Danna porque foi, no fundo, a escolha mais consensual no circuito - foi nomeado a todos os prémios, ainda não venceu apesar de longa carreira, reúne a maioria de géneros musicais numa banda sonora e está num filme com onze nomeações. Se a "Life of Pi" se atirar um ou outro Óscar pelo seu contributo técnico, este será dos mais fáceis a dar. Cuidado com Desplat, que ainda (!) não venceu um Óscar e Williams, sempre perigoso descartar. Acredito que o voto britânico em Thomas Newman, como aconteceu nos BAFTA, não se irá repetir aqui.

Melhor Guarda-Roupa
"Anna Karenina" (alternativa: "Mirror, Mirror")
"Anna Karenina" é o natural favorito - e Jacqueline Durran, que já devia ter vencido em 2007, lá vai segurar, se tudo correr bem, um merecido Óscar. No entanto, a memória saudosista da iconoclástica Eiko Ishioka poderá prevalecer e a japonesa vencer, a título póstumo, o troféu.

Melhor Edição / Montagem
"Argo" (alternativa: "Zero Dark Thirty")
William Goldenberg vai vencer o Óscar. Isso de certeza. Por qual dos filmes é que não se sabe. "Argo",  por ser o candidato principal a Melhor Filme, é o mais provável, até por ter sido o vencedor da maioria dos prémios de Edição da campanha deste ano. "Zero Dark Thirty" é indiscutivelmente o melhor trabalho dos cinco nomeados e será o segundo mais votado. "Life of Pi" contentar-se-á com o terceiro lugar. E depois deles virão "Lincoln" e "Silver Linings Playbook", os dois filmes que não me parece que tenham hipótese de vencer este prémio.


Melhores Efeitos Sonoros (Edição Som)
"Life of Pi" (alternativa: "Zero Dark Thirty")
Difícil decisão entre "Life of Pi", "Skyfall" e "Zero Dark Thirty". No fundo, é uma questão de sorte acertar no vencedor. A razão diz-me que "Zero Dark Thirty" é o melhor de longe e por isso será fácil à Academia no seu todo ver isso. Contudo, se pensarmos que "Life of Pi" vai em teoria limpar as categorias técnicas, este não será um prémio fácil de conseguir? E "Skyfall", uma das histórias de sucesso do ano, só leva Canção Original para casa? Nenhuma categoria técnica para o filme de acção do ano - pelo menos para a Academia? 

Melhor Mistura Som
"Les Misérables" (alternativa: "Skyfall")
A campanha fortíssima feita pela equipa de "Les Misérables" acerca da música gravada ao vivo no set garantiu, penso eu, esta estatueta. Foi o que se ouviu o ano todo. O pobre Greg P. Russell vai voltar a ser a dama de honor e ver passar a noiva, por assim dizer (16 nomeações / 0 vitórias).

Melhor Maquilhagem e Cabelo
"Les Misérables" (alternativa: "The Hobbit")
Assumindo que "Hitchcock" teve como prenda esta miserável nomeação, a corrida é entre os outros dois. "The Hobbit" é a escolha sensata, mas será que esse filme entusiasma realmente alguém para lhe darem o prémio? Parece-me a mim que será mais uma vitória para a team Les Mis.

Melhor Curta, Animação
"Paperman" (alternativa: "Adam and Dog")
Muitas vezes, o favorito e mais conhecido não vence esta categoria. Neste caso, porém, parece-me que "Paperman" reúne o factor artístico e o factor popular necessários para triunfar. Se não for o caso, "Adam and Dog", o vencedor do Annie, sairá por cima.

Melhor Curta, Live Action
"Curfew" (alternativa: "Asad")
É sempre uma das categorias que não consigo acompanhar e por isso a previsão depende muito do tema e do que ouço falar pela Internet fora. "Curfew", "Asad" e "Buzashky Boys" são os mais falados. Dos três, a vitória para "Curfew" parece-me a mais provável.

Melhor Curta, Documentário
"Open Heart" (alternativa: "Inocente")
Um palpite, mais nada. "Mondays at Racine" também poderá ganhar.



Acerto: 21 em 24 sem alternativas (87,5%) | 23 em 24 com alternativas (95,8%)
Uma excelente noite, que nada fazia prever.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

OS MELHORES DE 2012, por João Samuel Neves

Numa lista um pouco condicionada por alguns filmes que ainda não tive oportunidade de ver porque apenas vão estrear em Portugal nas próximas semanas (casos de Mud, The Hunt e de No, que aguardo com enorme expectativa), aqui vai a lista completa dos meus filmes, realizador, argumento e actores favoritos em 2012!

 Os Melhores de 2012


Melhor Filme - Amour, de Michael Haneke

2.º - Django Unchained, de Quentin Tarantino

3.º - The Master, de Paul Thomas Anderson

4.º - Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

5.º - Argo, de Ben Affleck

6.º - Tabu, de Miguel Gomes

7.º - Searching for Sugarman, de Malik Bendjelloul

8.º - The Imposter, de Bart Layton

9.ºSilver Linings Playbook, de David O. Russell

10.º - Les Misérables, de Tom Hooper



Melhor Realizador - Wes Anderson por Moonrise Kingdom



Melhor Argumento - Quentin Tarantino por Django Unchained



Melhor Actor - Joaquin Phoenix, em The Master



Melhor ActrizEmmanuelle Riva, em Amour

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MELHOR ACTOR 2012

Começo hoje a divulgação daqueles que foram os meus favoritos desta Temporada que agora termina. A poucos dias dos Oscars, aqui ficarão, até ao próximo sábado, os Melhores de 2012.


E o prémio de Melhor Actor de 2012 não vai para Daniel Day-Lewis no papel de Lincoln. Aliás, é este o maior elogio que se pode fazer à monstruosa e intemporal interpretação de Joaquin Phoenix em The Master: É, a grande distância e sem contestação, o Melhor, num ano em que Day-Lewis foi novamente fenomenal. Interpretando o papel de um ex-soldado, Freddie Quell é um exemplo de livro sobre os efeitos traumáticos de uma Grande Guerra. Alcoólico, Psicótico, Paranóico e Ninfomaníaco. Um homem completamente perdido, a viver de forma intensa e irracional todos os momentos, que busca uma voz de comando. Uma assombrosa interpretação.

E, ao que tudo indica, o Oscar de Melhor Actor Principal cairá para Day-Lewis.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

SILVER LININGS PLAYBOOK (2012)


"I'm just the crazy slut, with a dead husband! Fuck you!"

David O. Russell é um realizador extremamente completo. É, graças ao seu trabalho nos últimos anos, um dos meus realizadores favoritos. A versatilidade dos seus projectos e a forma trabalhada e dedicada com que os apresenta, fazem dele um realizador habitualmente bem recebido (não só pelos espectadores, como também pela Academia). E Silver Linings Playbook é um projecto que, de tão improvável nas mãos de O. Russell, tinha tudo para ser bem conseguido. É uma história moderna (e isso é muito bom, num ano em que os melhores filmes nos falam de tempos idos e histórias passadas) e utiliza dois dos rostos mais simpáticos e unânimes de Hollywood: Bradley CooperJennifer Lawrence, secundados pelo lendário Robert De Niro, num dos mais descomprometidos papéis da sua carreira (que, curiosamente, lhe poderá valer mais um Oscar!)


Numa sociedade carregada de problemas, os psicotrópicos são os melhores amigos das almas mais frágeis. E porque quem cria os psicotrópicos não é parvo, este novo melhor amigo do homem tem, em alguns casos, a fantástica capacidade de juntar ao vício, a capacidade queimar os poucos fusíveis que ainda se encontram sãos. É o caso de Pat (Bradley Cooper), um trintão que descompensa por completo dos seus delírios paranóicos após encontrar a sua ex-mulher em flagrante traição com um colega de trabalho. Após meses internado, Pat recebe um voto de confiança dos seus médicos e regressa para a sua casa. Pleno de energias e decidido a reconquistar a sua ex-mulher, o caminho tortuoso para a dura realidade da rejeição coloca-o em rota de colisão com a depressiva Tiffany (Jennifer Lawrence), de costas voltadas para o mundo desde a dolorosa separação do seu ex-namorado.


Uma história suave, um filme leve, bem disposto e sempre positivo. A prova de que a felicidade está onde menos a esperamos encontrar e de que tudo na vida é uma simples questão de perspectivas  Uma dupla de sucesso que conseguiu rechear o filme de nomeações para as principais categorias dos Oscars (o primeiro a conseguir nomeações em todas as principais categorias! - Diz-se até que foi David O. Russell quem retirou a Ben Affleck a tão merecida nomeação por Argo), que é, tal como tudo aquilo que O. Russell faz, um sucesso. O futuro é tão risonho para o realizador Nova-iorquino.

Nota Final
B+ 
(8/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: David O. Russell
Argumento: Matthew Quick e David O. Russell
Ano: 2012
Duração: 122 minutos

sábado, 16 de fevereiro de 2013

SEARCHING FOR SUGAR MAN (2012)


A poucos dias de vencer o Oscar para Melhor Documentário, depois de ter coleccionado prémios, nomeações e um profundo reconhecimento em alguns dos principais festivais e prémios da Sétima Arte (Sundance, PGA e BAFTA, por exemplo), aparece aqui no Dial P for Popcorn como o meu documentário favorito de 2012. Não vi uma parte (considerável) dos restantes, é certo, mas a lendária história de Sixto Rodriguez é de uma brutalidade tal, que transforma um documentário numa história/romance surpreendente e intrigante. Com uma banda-sonora tão viciante e refrescante, é impossível não idolatrar esta voz.


Estamos na década de 70, quando o boom nas empresas discográficas e na difusão da música nos Estados Unidos, dá lugar ao aparecimento de estrelas que se tornaram imortais e que inspiraram/inspiram uma boa parte dos músicos e da sociedade moderna. Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan, apenas para citar alguns nomes. Se qualquer um deles é uma incógnita para o leitor, o seu caso é grave. No entanto, se o nome Sixto Rodriguez era, para o leitor, uma incógnita, Searching For Sugar Man vai apresentar-lhe uma das mais dramáticas e inesperadas estrelas da história da música.


Estamos perante um fenómeno que o tempo teimou em apagar. Uma lenda. O verdadeiro Bob Dylan. Sixto Rodriguez, um jovem cantor Folk, vê a sua carreia ser precocemente abortada pelas fracas vendas dos seus dois álbuns. Tudo o que ficou desse tempo, na então dura e cruel cidade de Detroit, foram as memórias e a mágoa pelo desaparecimento de uma das mais inspiradoras vozes que a América alguma vez tinha ouvido. No entanto, do outro lado do Atlântico, num país de costas voltadas para o mundo, onde a sociedade fervilhava e se preparava para explodir com o Apartheid, Rodriguez era uma das vozes que inspirava uma sociedade jovem, rebelde e plena de irreverência. Era a voz de comando, o ídolo, o mentor que reforçava as ideias de um país que lutava pela igualdade e pela liberdade. Searching For Sugar Man é o documentário que levanta o pano que encobria um dos mais enigmáticos songwriters da história. É o reencontro com um ícone que se julgava  há muito na companhia de Hendrix ou de Joplin. É o renascer de uma lenda.


Nota Final
B+ 
(8/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Malik Bendjelloul
Argumento: Malik Bendjelloul
Ano: 2012
Duração: 86 minutos

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

[Antevisão] THE HUNT de Vintenberg e MUD de Jeff Nichols

Aclamados na Edição de 2012 do Festival de Cannes, tardam a chegar a Portugal duas das maiores promessas de 2012. Infelizmente já não entrarão no conjunto de filmes elegíveis para os TOP 10 de 2012. The Hunt estará nos cinemas portugueses a partir do dia 7 de Março, Mud (o novo filme de Jeff Nichols, realizador de Take Shelter) ainda não tem data de estreia para Portugal.






























A Arte dos Créditos: um Bond a fazer jus a todos os outros


Goste-se ou não do filme ou da canção de Adele e Paul Epsworth, é indesmentível que complementa na perfeição o legado dos créditos de abertura da saga James Bond. Se é um fã (mesmo que comedido) do universo Bond, é imperdível este artigo do Art of the Title a celebrar os cinquenta anos do agente secreto mais famoso do mundo.

Não são os meus créditos favoritos (esses são os de "Casino Royale", que vos deixo no final do post) mas são mais um exemplo da fantástica equipa que trabalhou com Sam Mendes em "SKYFALL". Mais um que vai surgir em várias categorias nos DAFA (quando me sentar finalmente para escrevê-los).


Ainda cá deixo, como parte da celebração do Art of the Title, o espectacular vídeo tributo que reúne os créditos de todas as sequências. Que beleza. Ora vejam.




Créditos de "Casino Royale" (2006)


Whatever happened to class?


Já que o vídeo anda a circular (cortesia das fantásticas gerentes dos estaminés Close-Up e Hoje (vi)vi um filme, entre outros), também tecemos uma ou outra consideração.

David O. Russell pode ser um excelente realizador, mas enfim cenas destas são escusadas (é o que dá ser figura pública sem o querer):



Mas quem ache que isto é comportamento novo, think again:



Há gente que não tem classe. De resto, já o dizia a Zeta-Jones e a Queen Latifah.


DJANGO UNCHAINED (2012)



"I like the way you die, boy."

Não sou um fan irracional de Tarantino. Aceito que se encontra um pouco sobrevalorizado, quase histericamente valorizado, embora goste da grande maioria dos seus filmes. Depois de um Inglourious Basterds bastante inglório, o que vi em Django Unchained surpreendeu-me a TODOS os níveis. Não contava que, 20 anos depois de surpreender o mundo com Pulp Fiction, Tarantino ainda fosse capaz de criar uma obra tão irreverente quanto refrescante, não só na sua carreira mas também naquilo que têm sido os últimos anos do cinema americano. Entrando pela primeira vez no seu (que é também o meu) género de cinema favorito, o Western, percebe-se que Django Unchained não é apenas mais um filme de Tarantino. É uma  demonstração categórica do potencial monstruoso que existe dentro de Tarantino. É, de longe, o seu melhor filme desde Pulp Fiction (tão bom quanto a sua consagrada obra), perdendo apenas para o inigualável Reservoir Dogs (vamos voltar a ter um primeiro filme tão brutal para o cinema quanto este?).

Aproveitando um leque bem recheado com actores de uma tremenda qualidade (quem pode, pode...), numa mistura invulgar (quem imaginava, há meia dúzia de anos atrás que DiCaprio e Samuel L. Jackson, ou mesmo Jamie FoxxChristoph Waltz seriam compatíveis?) magistralmente aproveitada e enriquecida pela narrativa de Tarantino, embalada por uma moderna, cativante e empolgante banda-sonora, paradoxal num Faroeste Americano tipicamente cheio de espingardas, cavalos e homens de barba rija (Sergio Leone estará certamente feliz). É a Melhor Banda-Sonora do Ano. Que se ouve vezes sem conta, numa repetição frenética e viciante. Nas notas individuais, e começando por Christoph Waltz, a personagem de Dr. King Schultz, um letal e implacável caçador de bandidos, que viaja pelo país disfarçado de dentista, é uma desilusão pelo facto de se tratar de uma reciclagem da personagem que desempenhou em Inglourious Basterds. Começo mesmo a achar que Waltz é apenas brilhante no papel do personagem germânico às ordens de Tarantino. É obviamente uma boa interpretação. Mas não traz nada de novo àquela surpreendente interpretação de há 3 anos.


Por outro lado, a melhor personagem do filme veio de onde menos se podia esperar. Samuel L. Jackson. Esse mesmo. No papel de um mordomo racista, autoritário e implacável, de uma lealdade profunda ao detestável Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), proprietário de frondosas e intermináveis fazendas, numa exploração sem escrúpulos de negros, é uma interpretação de uma dificuldade técnica tremenda, deixando boquiabertos muitos dos que julgavam sentenciada a carreira do homem que proferiu o salmo mais famoso da história do cinema. Juntamente com um competente e empenhado Jamie Foxx (Ray não foi um engano), são dois dos segredos do sucesso na história de Django, um escravo que luta pela sua liberdade, ao longo de uma jornada longa, intensa e turbulenta, num filme que alguns consideraram demasiado longo. Já vi filmes com menos de 100 minutos demorarem bem mais a passar. E porque estamos perante uma obra-de-arte, o espectador merece desfrutar de uma lição de cinema de um dos mais brilhantes criadores da história da sétima arte. São 165 minutos do melhor Tarantino dos últimos 20 anos. E estão no cinema, para o leitor desfrutar deles.

Nota Final 
A- 
(9,5/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2012
Duração: 165 minutos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nomeados ao Prémio Anual do CCOP




Com oito nomeações cada, Moonrise Kingdom e Shame são os filmes mais nomeados aos Prémios Anuais do CCOP. Ambas as produções competem nas categorias principais de Melhor Filme e Melhor Realizador. Seguem-se Amour e Hugo, com seis nomeações cada, mas apenas o primeiro marca presença na categoria de Melhor Filme. A produção portuguesa Tabu recebeu três nomeações dos jurados, sendo mesmo o único filme nacional a ser nomeado nas categorias principais: Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Filme Português. 

Todos os nomeados podem ser consultados aqui. Após o apuramento dos vencedores tecerei aqui alguns comentários acerca da lista.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

THE IMPOSTER (2012)



Venceu ontem o BAFTA na categoria de Melhor Estreia de Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico. Venceu, há uns tempos, o prémio para Melhor Documentário nos British Independent Film Awards. Esteve nomeado para o Grande Prémio do Júri no Sundance de 2012. Não me podia passar ao lado. Pessoalmente, a categoria de Melhor Documentário tem-se transformado, nos últimos anos, num género tão excitante quanto surpreendente. Todos os anos há deliciosas surpresas. E 2012 não lhe foge à regra. Vamos iniciar o nosso ciclo de análises aos melhores documentários de 2012 com um dos mais macabros planos que vi na minha vida. O dom camaliónico de Frédéric Bourdin é assustador.


Comecemos pelo princípio com a esperança de não vos revelar demasiado sobre um dos grandes impostores do nosso tempo. Uma chamada de um turista, alerta as autoridades espanholas para a presença de uma criança apática e desorientada, abandonada dentro de uma cabine telefónica. Assim começa mais uma aventura de Bourdin. Com um engenhoso e arrojado plano, Bourdin decide apresentar-se como Nicholas Gibson, um jovem americano, de 14 anos, que desaparecera do Texas em 1994. Estamos no final de 1997, quando a alegre noticia devolve a esperança à família de Nicholas, que o julgava para sempre perdido.


Carey Gibson, a irmã mais velha de Nicholas, viaja propositadamente para Espanha para identificar Frédéric como o Nicholas que desaparecera num final de tarde em San Antonio e o devolver ao seu quarto e à sua família. Com uma capacidade única para se adaptar às adversidades e uma arte para representar digna de tirar o sono a Daniel Day-Lewis, Frédéric consegue modificar a sua aparência e adaptar-se à de Nicholas, convencendo e justificando algumas das gritantes diferenças para com o jovem desaparecido. Mas o outro lado do Atlântico reserva a Frédéric uma surpresa para a qual este não estava preparado. O Karma, sempre irónico, sempre mordaz, esperou Frédéric no aeroporto de San Antonio. Se acha que já viu de tudo, prepara-se para o que The Imposter lhe reserva.

Nota Final 
B+ 
(8/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Bart Layton
Argumento: Bart Layton e Dimitri Doganis
Ano: 2012
Duração: 99 minutos

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A relação amorosa de Affleck com os prémios continua nos BAFTA



Mais uma cerimónia de entrega de prémios, nova colecção de troféus para "Argo". Ben Affleck volta a receber o galardão de Melhor Filme, desta vez por parte da Academia Britânica, que entregou os BAFTA neste final de tarde / princípio de noite (a cerimónia pode ser acompanhada, em diferido, aqui).

Além do troféu de Melhor Filme, Affleck também recebeu o prémio de Melhor Realizador, criando uma deliciosa confusão para a noite dos Óscares, para a qual Affleck não se encontra nomeado nesta categoria. Lee, Haneke, Spielberg, Zeitlin ou O. Russell, algum deles vai ter de receber o prémio e nesta altura é impossível prever com exactidão qual. Excitante. 


"Argo" conquistou ainda o troféu para Melhor Edição, perfazendo um total de três galardões. Não foi, contudo, o vencedor com mais prémios da noite - essa honra coube a "Les Misérables", que venceu nas categorias de Melhor Maquilhagem e Cabelo, Melhor Produção Artística (incrível como "Anna Karenina" perde aqui), Melhores Efeitos Sonoros (com "Skyfall" na categoria, a sério que este foi o filme britânico que escolheram?) e Melhor Actriz Secundária, troféu que invariavelmente acaba nas mãos de Anne Hathaway


Curiosamente e mesmo perante tanta demonstração de afecto, foi "Skyfall" quem venceu Melhor Filme Britânico, ao qual juntou a estatueta para Melhor Música (50% dessa estatueta deve-se a Adele, claro) para Thomas Newman (uma das surpresas da noite). "Anna Karenina" teve que se contentar com o triunfo mais que previsível em Melhor Guarda-Roupa. Que esperará repetir nos Óscares. "Life of Pi" ganhou, uma vez mais, duas categorias técnicas: Melhor Fotografia para Claudio Miranda e Melhores Efeitos Especiais. Em ambos os casos, nos Óscares são também muito prováveis.

Tal como "Argo", "Searching for Sugarman" recebeu mais um prémio (que varridela tem sido!) para Melhor Documentário, contra a previsão dos especialistas que apostavam no britânico "The Imposter" para surpreender. Não obstante a derrota, "The Imposter" acabou por triunfar na categoria de Melhor Contributo de um Britânico em Filme.



"Silver Linings Playbook" recebeu o prémio de Melhor Argumento Adaptado (ou prémio de Maior Campanha, que equivale ao mesmo, aparentemente), enquanto na categoria de Melhor Argumento Original foi "Django Unchained" o contemplado (o que me faz perguntar: a Academia leu mesmo estes roteiros? Ou votou pelo nome? Enfim), que também garantiu mais um prémio de Melhor Actor Secundário a Christoph Waltz, que começa a parecer um grande candidato aos Óscares.

A grande história da cerimónia, contudo, ficou para o final. Antes de Daniel Day-Lewis ir receber o seu milésimo troféu de Melhor Actor por "Lincoln", foi a octagenária Emmanuelle Riva ("Amour") a subir a palco (metaforicamente, infelizmente; Riva está-se a guardar para os Césars e os Óscares, diz-se) para ser contemplada com o prémio de Melhor Actriz, batendo Jennifer Lawrence e Jessica Chastain e basicamente a criar mossa na corrida. Finalmente.

A lista completa dos vencedores pode ser consultada aqui.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Curtas animadas nomeadas ao Óscar: não era eu que queria ter de escolher...


Um ano excelente de curtas-metragens (na continuação de 2011, com "La Luna" da Pixar, nomeada o ano passado ao Óscar, a abrir "Brave"). Não gostava de ter que ser eu a escolher entre estas...

"Paperman"

A música composta pelo realizador John Kahrs dá-lhe um efeito especial que as outras não têm, a juntar à sua fantástica pequena história. O favorito a vencer.




"Head Over Heels"

Ainda por cima é apenas um trabalho final de licenciatura, que venceu o Annie de Melhor Trabalho Estudantil este ano.




"Fresh Guacamole"




"Adam and Dog"

Possivelmente a melhor delas (e isso é dizer alguma coisa), vencedora do Annie para Melhor Curta em 2012.




Fica a faltar a quinta nomeada, "Maggie Simpson: The Longest Daycare", a única que não tenho assim nenhuma particular recomendação a deixar. É gira, como um episódio bom dos "The Simpsons". Podem vê-la AQUI.




Para vocês, qual a melhor?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ZERO DARK THIRTY (2012)



"When you lie to me, I hurt you."


Saí da sala de cinema a meio de Hurt Locker (já o repeti aqui por várias vezes), depois de Kathryn Bigelow ter gozado comigo e me ter colocado perante uma das piores primeiras partes que já vi num filme (sobre a segunda parte, naturalmente, não posso tecer comentários). Hurt Locker ganhou o Oscar de Melhor Filme nesse ano e a Academia comprovou que o que importa é demonstrar a influência que o povo, a arte e o sonho americano têm neste mundo (Cinema não é com eles).


No entanto, com o argumento de Zero Dark Thirty, era impossível não ficar entusiasmado! A história da captura do homem mais procurado do mundo, a descoberta da agulha que nunca esteve no palheiro. Foi demasiado aliciante e conseguiu fazer-me esquecer o que se passou em 2009. Não era nada fácil fazer um filme sobre este tema. E a prova disso é a complexidade de figuras e acontecimentos que tiveram que se interligar com a personagem de Jessica Chastain (Maya), a mulher por detrás desta façanha.


No entanto, o principal problema de Zero Dark Thirty, está no leve trago a desilusão que vem com a monotonia com que se arrastam algumas das cenas. E, desculpem-me, mas todo o buzz à volta da interpretação de Jessica Chastain não faz muito sentido. Óbvio que estamos perante uma das grandes actrizes da actualidade, óbvio que a sua personagem tem uma importância fulcral em toda a história. Mas porque estamos perante uma obra que envolve diversas personagens, Maya vai-se apagando a espaços, vai aparecendo em solavancos, e vai-se perdendo constantemente a mensagem da personagem. Um processo cíclico que desgasta e desvaloriza a interpretação.


É um bom filme, é uma história (naturalmente) interessante, mas confesso que me deixou um pouco desiludido e confirmou a ideia que já tinha de Katrhyn Bigelow. É uma realizador que cultiva um estilo muito próprio de desenvolver uma história, que gosta de prolongar o timing das cenas e que privilegia o (seu) produto final ao potencial dos seus actores. Mas numa coisa Kathryn não desiludiu. A meia hora final do filme, que retrata com minúcia o momento do ataque ao forte onde se refugiava o inimigo número 1 dos Estados Unidos, é de uma intensidade impressionante, honrando a curiosidade dos muitos que foram assistir a este filme.

Nota Final 
(7/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Katrhyn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Ano: 2012
Duração: 157 minutos