Dial P for Popcorn: THE HUNGER GAMES (2012)

sábado, 14 de abril de 2012

THE HUNGER GAMES (2012)



Desde o início que olhei de lado, com desconfiança, para The Hunger Games. Li o primeiro livro da trilogia (fiquei sem qualquer curiosidade para ler os dois seguintes) e, assim que tive oportunidade, fui ao cinema ver o filme. Tudo isto porquê? Tudo porque The Hunger Games é baseado num dos meus filmes favoritos, num dos poucos filmes aos quais atribui, com orgulho, a nota máxima, um dos primeiros sobre os quais vos falei aqui no blogue: BATTLE ROYALE.


É óbvio que The Hunger Games, como gosto de o rotular, a versão americana de Battle Royale, é pior do que o filme asiático. Não conseguiria ser melhor. Mas, surpresa, o Filme consegue ser bastante mais consistente e interessante do que o Livro, que peca pelo excesso de pormenores, pelo arrastar de uma narrativa que se torna, na sua parte final, quase insuportável. O filme separa o trigo do joio, selecciona o que realmente interessa e aproveita, muito bem, o que de bom tem o livro. Reúne um conjunto de actores que atrai o público mais jovem, cria um ambiente bélico, onde a tensão se mistura com a paixão, e desenvolve gradualmente a trama que se alimenta de momentos de acção muito bem contextualizados, apresentados de forma cíclica e na dose certa para não agastar o espectador.


Como já leu, nas dezenas de crónicas que existem por aí, Hunger Games é um drama trágico, que junta jovens de cada um dos doze distritos do Capitólio, para um combate até à morte, em honra dos tempos difíceis do passado. É bem realizado, com uma boa fotografia e uma perspicaz edição. Mas, por mais elogios que lhe possa fazer, o desenlace final de toda a história é um tiro no pé. Já quando li o livro me tinha tirado do sério e, no cinema, voltou a fazer-me sentir desconsolado. No campo da acção e do drama trágico, são finais e desenlaces como o de The Hunger Games, que nos fazem perceber a diferença entre o Cinema Asiático e o Cinema Americano. Há algo em que os orientais são mestres. E trabalhar os sentimentos mais irracionais e primatas do ser humano é algo que não devia ser feito pela grande maioria dos Americanos. Porque não o sabem fazer e porque, quando o fazem, fazem-no mal. The Hunger Games foi uma tentativa fracassada. Não passou daí.


Nota Final:
B



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Gary Ross
Argumento: Suzanne Collins
Ano: 2012
Duração: 142 minutos

4 comentários:

O Narrador Subjectivo disse...

Não li o livro, mas essa descrição (excesso de pormenores e arrasto) se aplicam ao filme. Gosto do conceito, a realização é interessante e fico contente por saber que está a substituir o Twilight nas preferências dos jovens, mas não está muito bem explorado e perde-se a mostrar vestidos de fogo e entrevistas, às vezes.

Raquel disse...

O filme tem partes boas e partes menos boas. Toda a parte intermédia do filme, passada no Capitólio, está muito bem explorada e representada. As cenas no campo de batalha (parte final) e no ditrito 12 (parte incial) são uma desilusão, foram ridiculamente apressadas, perdem-se pormenores importantes da narrativa. Mas para mim, a pior parte do filme é mesmo o final, após a vitória no campo de batalha. Em 5 minutos (ou menos), tentou-se compilar aquela que é uma parte importante do livro, que cria todo um clímax e introdução para o que vem a seguir (2º livro e filme). Quem não leu o livro não compreende a dimensão do problema que se criou após a vitória dos 2, tão pouco a perspectiva da Katniss em relação ao "romance" em que se viu envolvida. O final foi apressado de uma forma absurda.
Para terminar, acho que a actriz principal deixa muito a desejar, e o filme perde piada por causa dela.

Agora é leres o livro 2 para poderes fazer um crítica fundamentada quando vier o filme 2. :p

João Samuel Neves disse...

Obrigado pelas vossas mensagens!

Raquel, como sabes eu fiquei bastante desiludido com o final do filme e com aquela reviravolta mal amanhada na alteração das regras do jogo. Eu não gostei muito do livro, mas gostei de algumas das adaptações que foram feitas, em especial no campo de batalha onde eu acho que o livro se perde. Mas vou precisar de muita vontade para ler os próximos livros, algo que não prometo fazer :P

Quanto ao elenco, eu acho pior a selecção masculina, que foi feita só para agradar ao publico feminino mais jovem ah ah ah

João.

Cora disse...

Inegável a semelhança entre BR e Jogos Vorazes, mas daí dizer que foi baseado e que é uma versão americana do outro não faz muito sentido, até pq histórias com essa temática borbulham. Vi apenas o filme, não tenho interesse nos livros e concordo com você, o final decaiu para um romancinho piegas. Contudo o que realmente me chamou a atenção foi à discussão sobre a política das celebridades, e como usam a desgraça das pessoas para vender falsos padrões, além é claro do debate sobre a elite que controla e massacra o povo, o que o faz até próximo de 1984 do Orwell e só por isso merece algum crédito, afinal são coisas que raramente se discute entre o “publico adolescente” hoje no cinema americano, para mim a proposta do filme não era apenas a violência dos jogos e as discussões morais em situações extremas, mas também e talvez principalmente, os meios que a elite usa quando quer obter o controle de uma população.