Dial P for Popcorn: Kristen Wiig
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domingo, 18 de setembro de 2011

EMMY 2011: Actriz Secundária - Comédia e Drama



Melhor Actriz Secundária - Drama:




Christine Baranski, "The Good Wife"
Michelle Forbes, "The Killing"
Christina Hendricks, "Mad Men"
Kelly MacDonald, "Boardwalk Empire"
Margo Martindale, "Justified"
Archie Panjabi, "The Good Wife"




Quem ficou de fora: Só por não se terem esquecido de Margo Martindale nem merecem que eu me queixe. Penso também que não houve nenhuma exclusão gritante, se bem que adeptos de "Treme" poderão queixar-se por Khandi Alexander, adeptos de "Southland" por Regina King, adeptos de "Parenthood" por Mae Whitman e Monica Potter e os fãs de "Game of Thrones" por Emilia Clarke e Maisie Williams. Sinceramente, a omissão que mais me incomoda é a de Kiernan Shipka ("Mad Men") porque apesar de eu amar Christina Hendricks de coração foi Shipka que mais adicionou à série esta temporada. Que prodígio esta actriz infantil.

Quem devia ganhar: Não há grande discussão a haver aqui, pois Margo Martindale e Archie Panjabi estão bem acima das restantes nomeadas. E mesmo entre as duas, a interpretação de Martindale é colossal demais para estar em competição com alguém. Foi a melhor performance do ano em qualquer categoria, masculina ou feminina.

Quem vai ganhar: Para mim, é uma clara luta a três. Penso que Hendricks (escolheu "The Summer Man"), mesmo tendo vencido o Critics' Choice este ano, vai ter que esperar mais algum tempo para triunfar nesta categoria. O mesmo terá que ser dito de Baranski (optou por "Silver Bullet") que a juntar ao pouco tempo de ecrã não tem muito a fazer quando a câmara se foca nela. Depois temos Forbes, finalmente nomeada ao fim de tantos anos de trabalho de qualidade em televisão, que escolheu o piloto de "The Killing". Numa categoria mais fraca - sem Martindale, portanto - seria uma ameaça a temer. Assim sendo... O rótulo de novidade vai inteirinho para Margo Martindale (seleccionou "Brother's Keeper") que consegue, com a sua interpretação da sinistra e mafiosa Mags Bennett, ser temerosa e temerária, vulnerável e implacável, tudo em simultâneo. Brilhante. Se Martindale não vencer, será Panjabi, em princípio, que coleccionará novo Emmy. Ninguém apostava nela o ano passado e ela venceu. Este ano, o caso é bem diferente, pois é ela a favorita e a sua escolha de episódio ("Getting Off") comprova-o. E depois temos o curioso caso de Kelly MacDonald que quando a sua série terminou em Novembro era a favorita a vencer. Até chegar Martindale. Ainda pode ganhar, até porque o seu episódio é excelente e beneficia-a imenso ("Family Limitation") e ela até é anterior vencedora mas eu diria que Martindale roubou o buzz que tinha.

Assim, Margo Martindale é a minha previsão, com Archie Panjabi bem perto como outsider para vencer.


Melhor Actriz Secundária - Comédia:


Julie Bowen, "Modern Family"
Jane Krakowski, "30 Rock"
Jane Lynch, "Glee"
Sofia Vergara, "Modern Family"
Betty White, "Hot in Cleveland"
Kristen Wiig, "Saturday Night Live"

Quem ficou de fora: Bem sei que era impossível excluir Betty White da lista e consigo encontrar razões para Krakowski (que eu adoro) e Wiig lá estarem também, mas alguém sinceramente acha que elas são das melhores actrizes secundárias de comédia em televisão? Ninguém vê "Cougar Town", "Parks & Recreation" e "Community"? E "The Big Bang Theory"? Tem mais de doze milhões de espectadores por episódio! Já nem falo de "Hung" ou até "Happy Endings" ou "Raising Hope". Ou até mesmo "Glee". Há gente de valor em "Glee", mais até que Chris Colfer! Enfim. Tão simples que era: Busy Philips, Aubrey Plaza, Alison Brie. E tudo mudava para melhor.

Quem devia ganhar: Uma coisa complicada de definir. Se me perguntam quem tem mais qualidade, eu diria Wiig ou Krakowski. Se me perguntam em termos de temporada, Sofia Vergara. Mas se formos pelo episódio, Julie Bowen. Que também teve uma óptima temporada. E por isso devia ganhar.

Quem vai ganhar: Tragicamente, teremos a interpretação menos cómica da categoria a levar o troféu. De novo. Por um episódio bem fraco. Falo, claro, de Jane Lynch. Se em "Funeral" lhe é permitido mostrar a sua qualidade como actriz dramática, Kristen Wiig decidiu dar uma ajuda e, ao submeter o episódio de "SNL" apresentado por Lynch, apresenta uma perspectiva totalmente diferente da actriz de "Glee", verdadeiramente divertida e enérgica. Além do mais, ela apresenta os Emmys este ano. Fácil de fazer cálculos, não é? Se ela não ganhar, Betty White - que era, até ao dia de hoje, a minha prevista vencedora - é quem vai coleccionar mais um troféu. White - de longe a melhor coisa que saiu de "Hot in Cleveland" - submeteu "Free Elka", onde ela envergonha a também anterior vencedora - e célebre actriz - Mary Tyler Moore. O 'cavalo negro' da categoria é Julie Bowen. Seria Sofia Vergara - se esta soubesse escolher episódios (voltou a optar, tal como fez em 2010, por um episódio em que a sua personagem não só é insuportável, mas também pouco cómica). Este ano, teve ainda a particularidade de com  o seu episódio ("Slow Down Your Neighbours") ajudar a colega Bowen a fazer boa figura, ela que já tinha impecavelmente escolhido "Strangers on a Treadmill" para avaliação pela Academia. De resto, não me parece que os quase cinco minutos de tempo de ecrã de Jane Krakowski em "Queen of Jordan" e a qualidade habitual de Wiig - que, indiscutivelmente, tem demasiado talento para esse medíocre programa - sejam ameaça à favorita, Jane Lynch.

domingo, 14 de agosto de 2011

BRIDESMAIDS (2011)




Uma das grande surpresas deste Verão, "BRIDESMAIDS", publicitada alegadamente como uma versão feminina, mais leve de "The Hangover", o grande êxito de bilheteira do Verão de 2009 é, felizmente, isso e muito mais. Partilha com o seu predecessor o facto de juntar um grupo divertidíssimo de mulheres e as colocar à prova em diversas situações e aventuras inacreditáveis, sendo no entanto muito mais perspicaz, incisivo, inteligente e reflexivo. Um triunfo comédico que, dada a qualidade do elenco, com anos de provas dadas em comédia televisiva, não deveria ser surpresa para ninguém.


"Bridesmaids" foca-se então na vida de Annie Walker (Kristen Wiig), uma mulher na casa dos trinta que se vê presa numa relação sem rumo com Ted (Jon Hamm), um narcisista egocêntrico, que se vê obrigada a aceitar um trabalho mísero - que despreza - numa joalharia depois da sua confeitaria abrir falência e a partilhar casa com dois irmãos estranhos e aterrorizadores, Brynn and Gil (Matt Lucas e Rebel Wilson), cuja renda nem sequer consegue pagar. Como se a sua vida não pudesse piorar mais, a sua melhor amiga Lillian (Maya Rudolph) anuncia que ficou noiva, despoletando uma ainda maior espiral descendente de desespero, destruição e confusão na vida de Annie que a leva a repensar todas as escolhas que fez na vida, enquanto se vê aflita para preparar a melhor despedida de solteira de sempre à amiga.


O mote do filme é dado quando Lillian apresenta a Annie o seu grupo de damas de honor, que incluem a devassa Rita (Wendy McLendon-Covey), a descarada Megan (Melissa McCarthy), a pomposa e irritante Helen (Rose Byrne) e a flor delicada Becca (Ellie Kemper), seis personagens ridiculamente hilariantes, algo idiotas e meio malucas, mas que todos queríamos ter por perto, fruto do trabalho de um elenco extraordinário, seguramente um dos melhores do ano, cada uma a aproveitar o seu tempo para brilhar e cada uma a apoiar os pontos comédicos fortes de cada uma das actrizes com quem contracena. Um filme deste tipo não podia sobreviver, como se poderia supor, se as duas protagonistas não tivessem a química adequada. Felizmente, os anos juntas em "Saturday Night Live" mostram que Wiig e Rudolph encaixam na perfeição nas personagens, como se a história que estivessem a contar fosse mesmo real. Em conjunto com Melissa McCarthy, que além de esplêndida e com um timing comédico exemplar ainda consegue arrancar gargalhadas das situações mais absurdamente triviais e entregar-nos uma interpretação cheia de humor mas também de coração e de profundidade, e com a surpreendentemente comédica e enérgica Rose Byrne, que até mim me conseguiu enervar (o triângulo que se cria com Annie, Helen e Lillian origina as peripécias mais surreais e proporciona as gargalhadas mais histéricas e sonoras), mostraram que de facto há muito talento na comédia feminina moderna para além de Amy Poehler e de Tina Fey.
 


O maior problema que o argumento de Annie Mumolo e Kristen Wiig poderia ter era o de não conseguir atingir o nível das comediantes em jogo. Ainda bem para nós e para o filme que isso nunca acontece. Sim, o argumento tem falhas e recorre a algumas situações algo disparatadas para fazer avançar a narrativa e a alguns fios narrativos sem qualquer sentido (por exemplo, ainda hoje não entendo o propósito da discussão de cariz sexual entre Becca e Rita além de funcionar como trampolim para o grande plano de Wiig e dar falas a ambas as actrizes), mas o argumento soube muito bem aproveitar o dom para a comédia física de Wiig, a qualidade superior de entrega de falas de Rudolph e de McCarthy e até como pegar em Rose Byrne e fazê-la destacar-se sempre que agia ou falava. Além disso, a forma como constrói o romance - porque tem sempre que existir um neste tipo de filmes, para gáudio da audiência - entre o polícia Nathan (Chris O'Dowd) e Annie denota um grau elevado de astúcia, não sucumbindo ao fácil e obrigando-nos a investir na relação, de tão genuína e saborosa que é. Mumolo e Wiig entendem bem a mente feminina, sabem o que é expectável de uma comédia deste género mas jogam muito bem tanto com os momentos peculiares de insanidade mental por que passam as noivas e a sua entourage na época que antecede o casório como com os momentos mais enternecedores.


E agora, para finalizar, há que deixar umas palavras sobre a performance da nossa protagonista, Kristen Wiig. Nem toda a gente se safa com comédia física tão evidente e, por vezes, excessiva. Wiig consegue isso e muito mais. A sua Annie é uma personagem excêntrica, algo tonta e com propensão para perder a cabeça, mas Wiig nunca perde a noção do quão honesta, bondosa, genuína e amiga é Annie. É uma interpretação (a dela e a de McCarthy) para sempre guardar, apreciar e recordar e vou lamentar imenso se na altura da Academia decidir os seus nomeados esta interpretação for ignorada por outra que não lhe chegue aos calcanhares em termos de qualidade, versatilidade, nuance, profundidade e personalidade.


Nota:
B+

Ficha Técnica:
Realização: Paul Feig
Argumento: Annie Mumolo, Kristen Wiig
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Melissa McCarthy, Ellie Kemper, Wendy McLendon-Covey, Jon Hamm, Chris O'Dowd
Ano: 2011