Dial P for Popcorn: Séries
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

[Couch]: Broadchurch

Regresso, após um interregno demasiado longo, forçado pelo trabalho e pela falta de tempo, a um local onde encontrei o enorme prazer de escrever sobre o que me entusiasma tanto dentro como fora do grande ecrã.

Afastei-me dos cinemas. Acima de tudo afastei-me das estreias, do barulho irritante das palhinhas a sugar o que resta nos gigantescos potes de açúcar liquido que vão alimentando e sustentando os cinemas comerciais. O preço do bilhete de cinema é abusivo, indigno e ridículo. E ouvindo há uns meses atrás o João Botelho, numa das entrevistas promocionais ao seu mais recente filme, Os Maias, quando este se queixava da degradação da sala de cinema (como espaço onde se produz e difunde arte), disse qualquer coisa como "hoje em dia, os grandes escritores americanos perceberam que os adultos que gostam de cinema, abandonaram as salas. Não se identificam com aquilo que se produz e o modo como o produto é exibido. E então começaram a produzir para televisão,  a produzir séries que são cinema puro". E a verdade, a dura e triste realidade, não andará longe disto. Hoje em dia todos os grandes actores de Hollywood procuram o seu espaço na televisão. A sua série. O seu Don Draper, o seu Tony Soprano, o seu Lorne Malvo, a sua Carrie Mathison. Procuram deixar a sua marca também no pequeno ecrã. E a qualidade sobe a cada ano, a oferta televisiva é cada vez maior e melhor.

Por isso inicio aqui, hoje, um conjunto de breves crónicas rotuladas de [COUCH], onde vos apresento algumas das séries que descobri ao longo do último ano e meio. E que me convenceram, me prenderam ao televisor e me deliciaram. Séries que fariam mais pela educação do nosso povo do que a televisão portuguesa fez nos últimos 30 anos. Séries que não merecem passar ao vosso lado.



Começo por vos apresentar Broadchurch, um drama duro, magnetizante e sufocante. Uma série que viu começar há poucos dias a sua segunda temporada, e que surpreendeu a televisão britânica com uma primeira temporada humilde e despretensiosa, dividida em oito episódios, passados na cidade costeira de Dorset, o local onde dois detectives, Alec Hardy (David Tennant, ex-Doctor Who) e Ellie Miller (Olivia Colman) vão procurar o homicida de Danny Latimer, uma criança de 11 anos que aparece morta na praia da pequena vila inglesa. Acontecimentos sucedem-se e a narrativa, construída de modo inteligente, vai-nos descascando lentamente novos factos, misturando teorias e ludibriando as personagens e os espectadores. Com uma maravilhosa banda-sonora da autoria de Olafur Arnalds, um piano com uma batida eletrizante vai alimentando a série, vai-lhe dando alma e prepara-nos a cada episódio para o derradeiro final.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dez anos passados...




E basta esta música para me trazer de volta aos meus tempos de adolescente. Por algum tempo, "The O.C." era uma série que eu diria, a qualquer pessoa, de peito aberto, ser a minha série favorita. A ingenuidade de um jovem. Não tardou muito até os olhos me saírem da órbita com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under" mas não escondo que guardo ainda muito carinho pelos Cohen, pela Marissa e pela Julie Cooper, pela Summer Roberts, pelo Captain Oats, pelo Chrismukkah. Por Newport e por Harbor.



Pode ter pouco valor agora, mas a verdade é que "The O.C." foi uma das melhores estreias da década passada da FOX, de um enorme valor cultural e de zeitgeist, que me apresentou a variadas músicas e bandas de alta qualidade e praticamente abriu a porta à próxima geração de dramas teen que lhe seguiram, de "Gossip Girl" (do mesmo criador) a "The Vampire Diaries".

Um marco da televisão norte-americana e um marco da minha adolescência. "The O.C." tem dez anos. Fogo, nem acredito.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Dos Emmys não esperava menos!


Como todos os anos, as nomeações aos Emmy Awards são um misto de bom e mau, com a tendência a pender para este último, com várias decisões em diversas categorias a roçar o medíocre. É esta a Academia televisiva que temos e, tal como a AMPAS, que atribui os Óscares, é com esta que temos que contar. Irá sempre dar primazia às estrelas cinematográficas, oferece nomeações à toa a séries que já passaram do seu prazo de validade porque está habituada desde sempre a nomeá-las, namoros de longa data que nunca acabam (Hargitay, Cryer, Falco, Sedgwick são exemplos recentes) e quando chegam à altura de abraçar um novo nomeado como o mais popular, fazem-no de braços abertos, dando azo a algumas decisões a roçar o ridículo (como aquelas vitórias de "Modern Family" em realização ou as quatro nomeações habituais de "Mad Men" e "30 Rock" nas categorias de argumento). Resumindo: é uma confusão. A lista completa de nomeados pode ser vista AQUI.

Falemos então dos pontos principais que preciso de focar:

A Alicia não está contente. A Julianna também não deve estar.
  • Na categoria de melhor actriz em drama, decidiu-se ver-se livre de Julianna Margulies ("The Good Wife") num dos maiores choques do dia, o que até consigo perceber dada a competição feroz da categoria. A entrada de Kerry Washington ("Scandal") faz sentido - pena que não haja mais reconhecimento à série noutras categorias, mas acredito que mesmo esta nomeação só vem do peso e celebridade que Washington tem - e pela mesma razão também percebo a introdução de Vera Farmiga ("Bates Motel") e Robin Wright ("House of Cards") (já Connie Britton só se percebe por ser penitência da Academia por não ter premiado a actriz por "Friday Night Lights"), mas quando a Academia não reconhece valor na melhor interpretação feminina do ano - Tatiana Maslany ("Orphan Black") ou quando repetidamente ignora trabalho excepcional de Emmy Rossum ("Shameless"), Katey Sagal ("Sons of Anarchy") ou Keri Russell ("The Americans") é caso para ficar chocado. Bem, ao menos festeje-se por não continuarem a nomear Mariska Hargitay.
  • Já que falamos de "Shameless": já que vêem a série, se formos a ver pela nomeação de Joan Cusack (actriz convidada em drama), não encontram lá mais nenhuma interpretação de valor? O mesmo se diz de "Sons of Anarchy", "Southland" (a Regina King e o Michael Cudlitz devem existir num buraco negro algures; a TNT passava "The Closer" que vocês viam, pelas inúmeras nomeações da Kyra Sedgwick, não conhecem mais nenhuma série de lá?), "Justified", "Parenthood" (já sabia que a Monica Potter não ia ser nomeada - quando se ignora aquele trabalhão de Katherine Heigl na sua última temporada completa em "Grey's Anatomy" há alguns anos atrás...), "The Americans" (ao menos vá lá que já conhecemos a Margo Martindale) e outras. "Top of the Lake" foi um sucesso no Sundance Channel; mas nesse canal também estreou a excelente "Rectify" que nem apareceu no mapa. Viva a variedade!
De que vale fazer melhor que quase todos os actores na categoria se depois não é nomeado?
  • Na categoria de actor em drama, o poderio dos candidatos habituais determinou que Michael C. Hall ("Dexter") se mantivesse de fora, mas ninguém me irá conseguir dar uma explicação plausível para a repetida nomeação de Hugh Bonneville ("Downton Abbey"), que só ali está a ocupar espaço. Não havia lugar para  Aden Young ("Rectify"), Kelsey Grammer (aposto que se esqueceram que "Boss" teve segunda temporada...), Matthew Rhys ("The Americans") e, apesar de eu não acompanhar mais a série, será que Steve Buscemi esteve assim tão mal em "Boardwalk  Empire" este ano? Até me fez ter pena de rogar pragas à série por limpar todos os anos em nomeações... Palmas para a nomeação de Jeff Daniels ("The Newsroom"), a melhor parte da sua série, um excelente actor - infelizmente esta nomeação deve-se 90% ao nome do actor. O mesmo digo de Kevin Spacey ("House of Cards").
  • Nas categorias secundárias em drama, as desgraças são tantas que até custa enumerar. Corey Stoll não tem a popularidade dos seus restantes colegas de "House of Cards" e por isso acabou fora (o mesmo aconteceu a Kate Mara, felizmente). De Cudlitz ("Southland"), em tantos anos de excelente trabalho, nem uma nomeação, já nem se fala. É bom que se nomeie Dinklage ("Game of Thrones"), mas ninguém viu que a melhor personagem da série este ano esteve nas mãos de Nikolaj Coster-Waldau? John Slattery cometeu algum pecado cardinal para ser arrumado dos nomeados - e já agora, que mal vos fez Vincent Kartheiser, mesmo nos anos em que "Mad Men" tinha um pecúlio invejável de nomeações? Dito isto, é uma excelente lista de nomeados. Sim, mesmo Jim Carter ("Downton Abbey") e Jonathan Banks ("Breaking Bad", bem merecido). 
Revirar os olhos e falar uma, duas vezes por episódio: já se ganharam Emmys por tão pouco?
  • Nas meninas, a minha irritação vai na contínua vassalagem que se presta a Maggie Smith ("Downton Abbey") na categoria. Que aborrecido. Ela não vai aparecer. Ela não liga ao prémio. Ela basicamente só aparece na série para mandar a sua tirada. Já roubou um troféu a Christina Hendricks e outro a Anna Gunn. Pelos vistos vai continuar. Era previsível que "The Good Wife" encurtasse em nomeados e esta era uma categoria óbvia: previa que uma ou até ambas fossem removidas. Acabou por ser cortada a mais provável, Archie Panjabi, que teve pouco que fazer este ano. A nomeação de Emilia Clarke ("Game of Thrones") é outra que pouco se entende. Não viram "The Rains of Castamere", votantes? Michelle Fairley? Conhecem o nome?
  • O choque que foi para mim ver "Mad Men" fora dos nomeados para melhor escrita em drama. A sério. Não há desculpa. Nem um episódio? Ao menos "Breaking Bad" tem duas nomeações. E "The Rains of Castamere" acabou nomeado. E os dois episódios de "Homeland" são muito bons - os únicos episódios positivos da segunda temporada, mas sim são bons. Mas não haver lugar para "Mad Men" e haver para dois episódios de "Homeland" e um de "Downton Abbey"? Escandaloso, ainda por cima porque aposto que era o piloto de "House of Cards" que estava na sétima posição dos nomeados. Escandaloso indeed.
  • Quanto às séries, seria sempre um massacre. Prevaleceram as mais populares e portanto não há muito a fazer. "The Good Wife" e "Boardwalk Empire" estiveram provavelmente próximas mas este grupo de seis era imbatível. Não é como se houvesse um "The Wire" para me pôr à vontade para me queixar. Essa sim foi uma omissão ridícula. Por anos e anos. Se não nomeassem "The Sopranos" até compreendia, não viam HBO...
A New Girl já não é nova. Por isso: de fora.
  • No campo da comédia, as coisas mudam de figura. Das séries nomeadas, há duas nomeações que aplaudo ("Veep" e "Louie", consistentemente melhores com o tempo), duas que percebo ("Girls" dado o fanatismo, "Modern Family" dado o contínuo romance da Academia com a série - tem de acabar eventualmente, gente!) e uma que é merecida (estava com medo que cortassem "30 Rock" no seu último ano - fizeram-no a "The Office" afinal, outro dos seus antigos favoritos - mas agradeço que dêem à série a chance de competir, pois será um forte favorito a vencer). "The Big Bang Theory" é a aberração da categoria e só se explica por ser a comédia (a série, aliás) mais vista nos Estados Unidos. A exclusão de "Arrested Development" das principais categorias é nota de destaque (não tem os valores de produção de "House of Cards" nem o pedigree de actores...), mas o 'esquecimento' de "Parks and Recreation" (em parte explicado pela sua menos boa temporada) continua a ser um crime. "Nurse Jackie" também saltou fora da corrida, naquela que foi a sua temporada mais cómica (a melhor foi, realmente, a temporada passada), caso para perguntar o que a Academia quer desta dramédia da Showtime. Infortunadamente, "New Girl", melhor nesta segunda temporada, acabou ignorado a todos os níveis. 
  • Nos actores em comédia, dar graças pela exclusão de Jon Cryer ("Two and a  Half Men") e, dado o estado precário da categoria, não há muito a dizer. São os nomeados possíveis - contudo não teriam Jake Johnson ("New Girl") e Garrett Dillahunt ("Raising Hope") lugar nos nomeados se se chamassem, por exemplo, Don Cheadle ("House of Lies") ou Jason Bateman ("Arrested Development")? Bem me parece. A omissão de Adam Scott ("Parks and Recreation") ultrapassa o risível.
A Amy Jellicoe estaria orgulhosa.
  • Nas actrizes em comédia temos o grupo de nomeadas mais sólido dos últimos anos (arriscaria dizer dos últimos cinco, dez anos). Incrivelmente feliz a nomeação de Laura Dern ("Enlightened" - pena não haver lugar para Mike White como actor e argumentista, para qualquer um dos realizadores e para a série), agridoce a nomeação a Edie Falco ("Nurse Jackie") que apesar de gostar preferia que tivesse ido para Zooey Deschanel ("New Girl") ou Martha Plimpton ("Raising Hope").
  • Falando das categorias secundárias em comédia: ainda se está por perceber que mal fizeram os actores secundários de "Parks and Recreation", especialmente Nick Offerman. Will Arnett ("Arrested Development"), que conhecem tão bem de "30 Rock" (múltiplas nomeações), é outro a pagar pelo esquecimento da série. Detesto sobretudo a soberania de "Modern Family" nesta categoria, sobretudo porque eu teria dado o prémio a Vergara no primeiro ano, Bowen o ano passado e este ano as duas já teriam saído da lista por completo. Dos homens, só encontro mérito em Stonestreet (duplo vencedor, 2010 e 2012) e Burrell (vencedor em 2011, três nomeações consecutivas). Mas a Academia insiste em ter os homens todos nomeados - ou quase todos, que cortou este ano Stonestreet, de forma algo ridícula, dos seus nomeados (como no primeiro ano cortou O'Neill, nomeando todos os outros). Esta série precisava de uma sangria à séria nos Emmys... Bem, esperemos pelo próximo ano. Parabéns a Tony Hale ("Veep") e Adam Driver ("Girls"), dois papéis complicados executados de forma exemplar pelos dois. Uma pena pela omissão de Max Greenfield ("New Girl", nomeado o ano passado) e do Simon Helberg e da Kaley Cuoco (a melhor parte da sua série, "The Big Bang Theory", há pelo menos dois anos). Já nem falo do elenco de "Happy Endings", "Cougar Town", e "Community" (continuamente ignorados), que esses nunca tiveram uma hipótese. Mas Jane Lynch ("Glee")? Onde foram inventar (ressuscitar) essa, Academia? Não tinham mais alternativas? E tiveram mesmo que alargar a categoria para sete nomeadas? Enfim. Ao menos deixaram a enorme e brilhante Jane Krakowski ("30 Rock") ficar. Bom trabalho. É para a vitória (como se fosse possível; quando Vanessa Williams perde... não há diva que resista). O mesmo digo de Merritt Wever ("Nurse Jackie"). Vá lá que finalmente a descobriram... quatro anos tarde demais.
Jenna Maroney finalmente sobe ao palco?
  • Nas minisséries, os números de "The Bible" converteram-se numa nomeação para melhor minissérie, "American Horror Story: Asylum", série virada minissérie para ganhar nomeações e prémios (bela embrulhada em que te meteste, Academia) é o titã com mais nomeações, sendo acompanhada na categoria por "Political Animals" que conseguiu mais quatro nomeações, duas delas para duas estrelas de Hollywood, Sigourney Weaver e Ellen Burstyn (que quase não faz nada). Já Carla Gugino, infinitamente melhor, fica de fora. Não digam que é por acaso...
  • Ou veja-se que a paixão por estrelas de cinema está bem patente noutras nomeações, de Jane Fonda ("The Newsroom") a Melissa Leo ("Louie" - merecida, mas quando Parker Posey acaba ignorada pela mesma série... Tem que haver explicação), a Michael J. Fox, a Nathan Lane, a Joan Cusack e a outros mencionados acima, como Cheadle, Bateman, Smith... E também o seu incurável amor pelos pesos pesados da televisão continua, com nomeações atiradas não só à supramencionada Edie Falco mas também a Bob Newhart, Bobby Cannavale em duas categorias, Robert Morse (dormir nas reuniões em dois, três episódios dá nomeação instantânea? Não sabia e a Academia, como já vimos, não vê mais séries além das seis nomeadas para melhor drama, aparentemente; vá lá que ainda se lembra que "The Good Wife" tem bons actores convidados; só "Justified" enchia a categoria com melhores nomeados), Diana Rigg, entre outros. Por esclarecer: ignorar Holly Hunter ("Top of the Lake"). Não posso.
  • Nos programas de reality TV, o habitual manteve-se. As nomeações de Jimmy Kimmel e Jimmy Fallon depois de apresentarem a cerimónia em anos transactos mantiveram-se, bem como os pereniais The Daily Show, The Colbert Report, Saturday Night Live e Real Time with Bill Maher. American Idol continua a sua trajectória descendente com mais uma omissão nas nomeações, depois do ano passado (Seacrest continua a aguentar-se), com o outro programa da Fox, So You Think You Can Dance (e respectiva apresentadora) a manter-se nomeado. Project Runway volta à corrida em grande, com Klum novamente nomeada depois de afastados dois anos seguidos, juntando-se aos já comuns Top Chef, The Amazing Race e Dancing with the Stars (inexplicável popularidade) e The Voice (que ocupa o lugar de Idol desde o ano passado). De notar a exclusão de Phil Keoghan dos nomeados a apresentador, pela primeira vez.

E quais foram para vocês as grandes surpresas das nomeações?

sábado, 29 de junho de 2013

As cinco melhores estreias de 2012-2013


Este artigo faz parte dos:


Uma versão abreviada dos meus habituais (será que se pode dizer habituais a prémios que, apesar de dar todos os anos, só por um ano foram cá abordados por extenso no blogue?) prémios de fim de ano (dados sempre por altura da Primavera, quando tudo de interesse já estreou por cá), também chamados DAFA ou Dial A For Awards.

Vamos agora às categorias de TELEVISÃO.


É imperdoável se falharem alguma destas séries. Sim, elas são assim tão boas. Olhem que eu mando o Mads Mikkelsen e o Aden Young à vossa caça e nem que fossem a Tatiana Maslany se safavam, olhem que nem a Olivia Colman e o David Tennant vos encontravam... Vá, sejam espertos e preparem-se para excelentes horas de televisão à vossa frente. Boa sorte - e eu sei, escusam de me agradecer.

"ORPHAN BLACK"



"BROADCHURCH"



"RECTIFY"



"CALL THE MIDWIFE"




"HANNIBAL"




E vou acrescentar um sexto, porque me esqueci dele - apesar de já o ter mencionado aqui:

"THE AMERICANS"



sábado, 30 de março de 2013

THE WIRE é especial


THE WIRE, 
 ou como o conceito de televisão é obtuso demais para certas séries


THE WIRE, considerado justamente como um dos melhores dramas de sempre, é muito mais que um simples drama televisivo com a chancela da HBO (desde logo, óbvio selo de excelência). Foi esta série que redefiniu, para mim, o que quer dizer o termo “melhor série de todos os tempos”. “Realista” é um termo demasiado lato para definir a excelência desta série – mais vezes parecida com um produto documental que uma série televisiva, THE WIRE segue de forma fiel e crua os intervenientes do tráfico de droga e da brigada policial de combate às drogas, contando as suas histórias e mostrando a sua vida e o seu dia-a-dia e, através disso, tece um comentário genuíno, sincero e crítico sobre a tempestuosa relação entre os diferentes círculos sociais de Baltimore, em especial a complicada convivência entre negros e brancos, não se coibindo de opinar sobre a política citadina ou a influência dos media na sociedade contemporânea. 


Uma série, portanto, que ultrapassa largamente o confinado conceito de televisão que ainda hoje preenche as grelhas de todos os canais generalistas americanos – e mesmo os de cabo, capaz de provocar além de entreter, de nos levar a pensar sem nos dar a resposta logo de seguida. Em termos de “melhores de sempre”, só encontra os seus pares em “Mad Men”, “The Sopranos”, “Six Feet Under” e “Breaking Bad”. E mesmo estes, em minha opinião, não chegam perto das aspirações que “The Wire” se propõe atingir.

 

McNulty. Stringer Bell. Omar Little. Bunk. Avon. Com personagens genuínas e honestas e complexas, independentemente do seu género, raça ou classe social, e uma facilidade brilhante em humanizar e apagar a linha ténue que existe entre o bem e o mal, fazendo-nos muitas vezes sentir e emocionar-nos com personagens capazes de actos imensamente cruéis, THE WIRE nunca nos pede para julgar, ajudando-nos a compreender que no fundo ambos os lados têm mais em comum do que pensam e que todos têm os seus motivos e ambições e todos procuram viver a sua vida, nas suas próprias circunstâncias, o melhor que conseguem.


McNulty é o perfeito exemplo de uma personagem que teoricamente seria um dos bons que, contudo, é na prática muito mais complicado de entender. Um homem problemático, com uma personalidade difícil, destrutiva e por vezes irracional, que se entrega à bebida e ao prazer instantâneo com múltiplas mulheres. Nenhum outro programa tentou retratar, de forma tão imparcial, autêntica e detalhada o ambiente político-social de uma pacata cidade americana com a grandiosidade, inteligência, reflexão e visão que o diálogo e as personagens de David Simon e Cª o fizeram.

   

THE WIRE nunca teve, ao longo do seu curso, as audiências que a série merecia (é um milagre que tenha sobrevivido cinco temporadas) mas foi ganhando fama de série de culto imediatamente após o seu término. E assim continuará a suceder. Todos os dias, em algum lado, alguém vai pegar em THE WIRE. E irá ficar desde logo encantado pelos fabulosos e intoxicantes créditos de abertura. E vai perceber o nível de genialidade e criatividade de David Simon e o quão profundo e importante é que temas desta dimensão sejam discutidos desta forma na televisão. E acima de tudo vai entender o quão precioso é cada episódio – e só há 60. E certamente que sessenta míseras horas de uma das maiores produções televisivas de sempre é muito pouco, não?

sexta-feira, 8 de março de 2013

A melhor diplomata americana está de volta...



Pena que só a 14 de Abril. Julia Louis-Dreyfus e Armando Ianucci. Como superar aquela primeira temporada?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

LOUIE - A versão (mais) negra do humor americano





"Quit being a faggot and suck that dick!"

3 minutos do seu tempo para perceber quem é Louis C.K. Uma série obrigatória.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

As melhores novas séries da temporada chegaram


Volto a este assunto porque, infelizmente, a temporada não tem sido famosa. Das novas estreias, várias já acabaram canceladas - incluindo uma das minhas estreias favoritas, "Last Resort". "Go On" tem vindo a cair a pique nas audiências, o que me assusta, porque embora continue a gostar da série, essa queda associada a um decréscimo da qualidade em alguns episódios coloca-a em perigo de renovação. "Nashville" transformou-se completamente numa telenovela, country-style. "Elementary" já entrou em modo procedural da CBS e com isso o meu interesse tem sido reduzido (junta-se a "Person of Interest" nesse pormenor). Desisti de "The Mindy Project" porque a moça, quantos mais episódios passa, mais irritante fica. E não é irritante de forma positiva, tipo a Lena Dunham em "Girls", é mesmo absolutamente insuportável. E como se previa, uma das melhores estreias, "Ben and Kate", já acabou cancelada.

Resumindo e concluindo... Não estou a acompanhar mais nenhuma das novas séries tirando "Go On". É por isso que saúdo com grande alegria estas três novas ofertas que passaram de muito promissoras a cumpridoras. De um nível excelente as três. 


"UTOPIA" foi a primeira das três a estrear. Série britânica do Channel 4 (o mesmo canal de "Misfits", sim), é impossivelmente bizarra e esquizofrénica, seguramente um dos dramas mais provocantes e inteligentes do novo ano. Aborda um mundo fantástico em que um grupo de pessoas é perseguido por uma organização misteriosa intitulada The Network (A Rede) que pretende reaver uma lendária banda desenhada - The Utopia Experiment - de que se diz ter capacidade de prever eventos futuros. Não é para toda a gente e promete ser bastante violenta (o que poderá afastar alguns espectadores), mas para os apreciadores da televisão britânica é um must-see.


"THE AMERICANS" é mais uma oferta dramática da FX, que se tem tornado aos poucos num dos meus canais favoritos, com programação alternativa mas sempre de qualidade e, mesmo que nem sempre aprecie todos os seus programas em pleno, são sempre fonte de algo interessante para apreciar. "The Americans" parece-me, para já, que se irá juntar aos dramas de topo da estação de cabo, como "The Shield", "Justified" ou "Sons of Anarchy". Contudo, se acabar como "Damages", "Rescue Me" ou mesmo "American Horror Story", também não está mal. Queriam muitos produzir um drama dessa craveira. "The Americans" (criada por Joe Weisberg e Graham Yost, criador de "Justified") narra a história de Philip e Elizabeth Jennings (Jeri Russell e Matthew Rhys, fantásticos protagonistas), dois espiões da KGB que vivem infiltrados em Washington D.C., em plena Guerra Fria. Embora o panorama político não tenha sido ainda bem explorado no piloto, a série parece prometer, sobretudo quando se foca na relação entre Philip e Elizabeth e como tem sido a sua convivência juntos ao longo dos anos. Se esta chegará ao nível de "Homeland" ainda não sabemos; mas o que sei sem dúvida é que estamos perante a melhor estreia da temporada, para mim.

Bónus: os melhores créditos da temporada:


A terceira série estreou ontem - e foi possível acompanhar em estreia mundial no TVSéries (uma boa aposta do canal). "HOUSE OF CARDS" tem mão de David Fincher - que realiza os dois primeiros episódios e fica como produtor executivo - e Beau Willimon (que redigiu "The Ides of March" para George Clooney, que versava sobre temas semelhantes) e é protagonizado por Kevin Spacey e Robin Wright, com Corey Stoll, Kate Mara e Michael Kelly a completar o elenco principal. Armadilhas políticas, sabotagem e jogadas de bastidores são prato forte da série que se foca em Francis Underwood, um político brilhante que julga ter conseguido finalmente a oportunidade que há muito merecia, a nomeação para Secretário de Estado. Negado pelo Presidente, Underwood vai tentar minar o caminho, por dentro, a todos os que ajudou a eleger. Uma interpretação impressionante de Spacey, que adapta o seu sorriso trocista e maldoso na perfeição a Francis, complementado pela gélida e frívola performance de Robin Wright no papel da sua mulher. Mal posso esperar para ver onde a série vai parar.


Uma última sugestão, se me permitem. Depois do sucesso além-fronteiras de "Downton Abbey", as séries de época britânicas voltaram em força este ano, com a estreia de "Mr. Selfridge" com Jeremy Piven no papel principal, "Paradise", "A Young Doctor's Notebook" (com Daniel Radcliffe e Jon Hamm) e "The Parade's End" (com Benedict Cumberbatch e Rebecca Hall, estreada no Reino Unido no Verão do ano passado mas que só agora chega aos Estados Unidos, via HBO). Mas a que mais sucesso tem tido de todas é "CALL THE MIDWIFE", série que relata a vida de uma parteira nos anos 50, que está de volta para uma segunda temporada agora (já foram transmitidos dois episódios). Não percam, se possível. Merece visualização. Mais não seja porque nos mata as saudades de Miranda Hart. O que relembra que a terceira temporada de "Miranda" também já estreou no Reino Unido. Também se aconselha, já agora.



I will never forget you, 30 Rock



Esta quinta-feira, o público americano despediu-se de vez de uma das melhores comédias de todos os tempos, uma que demorou o seu tempo até encontrar a sua voz, que nunca foi acarinhada pelo público geral - o que só a tornou ainda mais especial para os que semana após semana sintonizavam para ver o que Tina Fey e Cª aprontariam - e que sai em alta, juntando-se no céu eterno das grandes comédias a clássicos como "Seinfeld", "The Mary Tyler Moore Show", "I Love Lucy", "Friends" ou "M.A.S.H.".


"30 Rock" não teve um parto fácil. Arrasada pelas perdas das pérolas da sua Must-See TV que acabavam o seu curso na entrada do novo século, a NBC de 2006 era uma estação de muita ambição e altos riscos, que apostava em voltar à glória com séries altamente patrocinadas como "Studio 60 on the Sunset Trip" de Aaron Sorkin sem ter bem noção do que se passaria se falhasse. "30 Rock" resultou de um pedido especial de Lorne Michaels ("Saturday Night Live") a Kevin Reilly de proporcionar a Tina Fey um veículo próprio na estação que sempre conheceu. Assim surgiu "30 Rock", na segunda-linha de programação da NBC, destinada a falhar redondamente. A juntar à pouca confiança da estação, Alec Baldwin esteve até à véspera da estreia do piloto sem contrato assinado, a filmagem do piloto foi bastante tortuosa, com Fey a ter de substituir a sua amiga Rachel Dratch, para quem tinha escrito Jenna Maroney, por Jane Krakowski e a série estreou com críticas medíocres, uma audiência pouco convencida e um piloto absolutamente ensosso e banal. A situação não era promissora.


"30 Rock", contudo, perseverou. Os primeiros episódios foram a pouco subindo de qualidade - embora a grande maioria das piadas viesse do único personagem completo e concretizado da série, Jack Donaghy de Alec Baldwin; ao sexto episódio a melhoria era notória e eis que ao sétimo surge aquele que para muitos marca o ponto de viragem da série, "Tracy Does Conan". Ainda hoje considerado dos melhores episódios de sempre da série, "Tracy Does Conan" é um clássico da comédia moderna, um modelo para toda e qualquer série que tenta ser meta e auto-consciente e misturá-lo com q.b. de idiotice. É também neste episódio que surge o incontornável "The Rural Juror", filme de Jenna Maroney cujo nome ninguém sabia pronunciar. As audiências acabaram por nunca chegar e a saga do cancelado/não cancelado pairou sobre a série. A renovação da série e, posteriormente, em Setembro de 2007, as múltiplas premiações nos Emmys garantiram: "30 Rock" veio para ficar. 


Foi esta a série que se atreveu a ser diferente, a ser arrojado e irreverente - numa estação pública, não menos (!) e num mundo onde as sitcoms antiquadas e enferrujadas da CBS é que proliferam e ganham audiências. Pode-se dizer com toda a justiça que foi "30 Rock" - e em menor grau, "Arrested Development" e "The Office" - que abriu as portas para séries como "Community" e "Parks & Recreation" existirem no mundo actual, num mundo em que mesmo a NBC já não quer apostar em séries assim (algo que mesmo nos seus últimos momentos a série não se coibiu de ironizar - com a lista de "TV No-No Words" de Kenneth). Uma série que sempre soube aproveitar e até reinventar os seus convidados (Jon Hamm, Edie Falco, Salma Hayek, James Marsden, Matt Damon, Michael Sheen, Elizabeth Banks com genuína piada? Alan Alda e Nathan Lane como pai e irmão de Jack? Perfeito. Will Arnett como nemesis gay de Jack? Chris Parnell como Dr. Leo Spaceman? Inolvidável.), com uma edição perfeita e uma equipa de argumentistas de sonho (de Robert Carlock a Donald Glover - sim, o Troy de "Community").


A série foi perdendo brilho e consistência pela quarta temporada, é verdade, teve uma quinta temporada horrível (dois, três bons episódios no meio de vinte medíocres) - que quase levou Baldwin a rescindir contrato, como o próprio admitiu - mas quando menos se esperava voltou em grande para estas duas temporadas. E é também nisto que "30 Rock" é diferente. Quando muitas séries de comédia vão definhando nos seus últimos dias, "30 Rock" sai em grande, sete temporadas de audiências terríveis depois, contrabalanceadas por constantes nomeações e vitórias nas diversas cerimónias de prémios).

O "programa pequeno e imperfeito" (como Fey lhe chamou na sua autobiografia, "Bossypants" - uma leitura absolutamente recomendada aos fãs do programa, especialmente se conseguirem pôr as mãos no audiobook narrado pela própria) de Tina Fey chega assim à sua última jornada. Não foi o melhor episódio da série nem por sombras, todavia doseia bem a emoção e a comédia que esperamos sempre de "30 Rock" e especialmente os últimos quinze minutos são reveladores do quanto as personagens estão tão mudadas em relação àquele primeiro episódio. Veio-me a lágrima ao olho na despedida de Tracy e Jenna, não porque sejam as minhas personagens preferidas (Jenna sim, Tracy nem tanto; e o meu favorito será sempre Jack Donaghy, claro) mas porque foram sempre as duas personagens mais desprovidas de emoção da série, sempre mais lunáticas que realistas. Foi complicado vê-los sentimentais e chorões e finalmente aperceber-me que o meu mundo - e a minha semana - não vai ser o mesmo sem Jenna Maroney e Tracy Jordan, sem Liz Lemon e Jack Donaghy. Aquela última cena no barco entre os dois? Pura genialidade.

E a série tinha que acabar com Jane Krakowski a cantar. A cereja no topo do bolo.


"I will never forget you, Rural Juror. I'm always glad I met you, Rural Juror. Those were the best days of our flerm." - Indeed, 30 Rock. Indeed. 


Vou sentir tanto a tua falta.




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SUITS - The hit series returns



Porque sabemos que existem, entre os nossos leitores, fervorosos adeptos desta série, não podíamos deixar de vos avisar que é já na próxima quinta-feira que SUITS regressa à televisão americana com o primeiro de seis novos episódios, para o muito aguardado final da 2.ª Temporada.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MERLIN - SEASON FINALE




Terminou, com o final da quinta temporada, a história de Merlin. A mais bem sucedida adaptação desta imortal lenda, sai do grande ecrã no momento certo, quando a série corria o risco de atingir um ingrato período de saturação, que não merecia e que nunca procurou. Com um episódio final que acabou por saber a pouco, Merlin teve contudo uma despedida digna e emocionante. Era o meu guilty pleasure televisivo. Veremos quem ocupará o seu lugar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ninho de Cucos (VI)


Não sei como funciona com as outras pessoas quando têm de escrever sobre cinema, mas comigo a coisa às vezes é feia. A questão recai sobre o facto de, como qualquer outra pessoa, eu escolher os filmes que vejo com base nas expectativas que tenho deles, optando por aqueles que me parecem mais adequados ao meu gosto e assim ficar limitado a ver apenas alguns que me não irão agradar. E isto torna tudo mais difícil, porque num filme de que se não gosta é muito mais fácil objectivar as características que tornam a experiência desagradável, enquanto que num filme que nos deixa boa impressão não raras vezes torna-se difícil de articular em palavras aquele plasma de pensamentos que é responsável por essa positiva impressão. Prova disto é a facilidade com que uma pessoa atinge a típica expressão do "estou sem palavras" quando a força da circunstância exige um agradecimento ou elogio, mas quando o acaso requer uma crítica ou um insulto a torrente de vocábulos originada inunda a consciência de tal forma que a razão geralmente se afoga.


Assim decidi evitar aqui uma lamentação madalénica e aproveitar esta oportunidade para espalhar alguns elogios sobre algo que realmente aprecio. Portanto tendo em consideração o facto de as séries terem recomeçado, achei por bem tecer uns poucos de louvores à melhor série animada de que há memória: South Park! Sim os Simpsons também são porreiros sim senhor, mas não há nada melhor do que chegar a casa depois de um dia cheio de trabalho, depois de ter de aturar três ou quatro suplementos da dose diária recomendada de idiotas e ter um episódio novo de South Park à espera no computador. Não estou a exagerar. Para quem quer que tenha a mania que sabe mais que os outros, como eu, South Park é um refúgio divino, um idioma secreto que nenhum estranho pode compreender. 

Munidos de uma capacidade incrível de satirizar qualquer tema que lhes apareça pela frente, Trey Parker e Matt Stone, os criadores, argumentistas e responsáveis por quase todas as vozes do programa, redefiniram esta forma de paródia social, atingindo temas universais, sob a camuflagem de um grupo de miúdos do 4º ano representados através das formas mais primitivas que os meios de animação actuais têm para oferecer; o que por si só acaba por ser uma sátira ao fascínio pelo o belo e o perfeito que tantos cineastas idealizam como nirvana pessoal.


Tudo começou em 1995 com um orçamento de 2000 dólares para fazer um pequeno clip que servisse como cartão natalício, para enviar aos amigos e familiares. O que ninguém estava à espera é que a incapacidade de Parker e Stone obliterarem o seu génio criativo tivesse tamanha magnitude num short film com tão pouca exposição mediática. O que sucedeu foi que essa pequena animação (feita à moda da escola primária com uma câmara de filme 8mm, cartolina e cola UHU) originou um pequeno milagre através da redistribuição do filme de amigo para amigo, até ir parar aos executivos da Comedy Central que oportunamente resolveram assinar contrato com ambos para a realização daquela que é uma das mais bem sucedidas e duradouras séries animadas da televisão. Isto numa altura em que os computadores eram mais gordos que o John Goodman, e em que um download de 5mb demorava mais do que as temporadas todas do Serviço de Urgência. A verdade é que valia a pena ficar à espera para sacar o vídeo. Apesar de visualmente infantil e parco em qualidade cenográfica, "The Spirit of Christmas" exibe toda a capacidade artística dos seus criadores, num conto onde as 4 personagens principais de South Park (Stan, Kyle, Cartman e Kenny) se deparam com o dilema de "quem apoiar?" quando uma batalha entre Cristo e o Pai Natal, pela supremacia no respectivo feriado, toma lugar. Tudo isto polvilhado com miúdos esborrachados e trocas de insultos infantis entre Cartman e os seus colegas, formam uma história surpreendentemente cativante para o propósito a que estava destinada. E não deixam de acabar com uma lição final de conciliação (que aliás é uma constante na série televisiva), onde um dos rapazes, geralmente Stan ou Kyle, começa com a expressão "I've learned something today..." em que surge sempre um corolário daquilo que os rapazes aprenderam com os eventos do episódio, se bem que em "The Spirit of Christmas" não seja bem esse o caso...


Mas o que separa South Park de qualquer outra série animada não infantil é o facto de se tratar de um trabalho humorístico de opinião. Fazer comédia sem fins argumentativos é infinitamente mais fácil do que fazê-lo com capacidade crítica, e neste departamento ninguém o faz tão bem como estes senhores. Contudo, a forma como lançam as suas contundentes opiniões ou quais os temas que escolhem para alvejar, são completamente alheios às consequências que delas possam surgir. Recordo-me por exemplo do episódio em que Stan e amigos vão ver o filme do "Indiana Jones e a Caveira de Cristal" e ficam tão incomodados que resolvem dirigir-se a um advogado para apresentar queixa contra o Spielberg e o George Lucas por terem violado o Indiana. E não satisfeito com esta dura crítica, o episódio concretiza-a com desagradáveis imagens dos dois cineastas a sodomizarem positivamente o pobre arqueólogo. E como este há imensos outros exemplos da ferocidade dos criadores de South Park, especialmente nos vários episódios dedicados a criticar o fanatismo religioso e as suas ramificações. Decerto que haverá muita gente capaz de censurar este tipo de trabalho, mas com certeza também haveria quem considerasse os Monty Python um bando de palhaços espalhafatosos, e que da mesma maneira que eles se tornaram numa referência mundial, também South Park obterá o seu reconhecimento, mesmo vivendo sob a sombra do poderoso fenómeno "The Simpsons". É minha opinião, porém, que um trabalho humorístico que consegue levar à gargalhada de forma tão fácil e que é ainda capaz de imprimir um traço crítico tão forte e carismático, é digno de um estatuto tão ou mais elevado que os seus rivais da Fox.


Ainda assim, apesar de não beneficiar do mesmo reconhecimento e visibilidade de que os bonecos amarelos usufruem, South Park já teve também direito à sua saga cinematográfica, curiosamente lançada numa fase bem matinal da sua existência, mais concretamente em 1999, com boa aceitação por parte da crítica. A fita faz juz ao seu epíteto "Bigger, Longer and Uncut" pois na verdade parece muito mais tratar-se de um episódio maior e mais comprido, com um esquema narrativo em tudo idêntico ao da série, do que de uma nova vertente do franchising. Mas ao contrário do filme dos Simpsons que não retrata bem a qualidade da série, o filme de South Park traz consigo toda a irreverência e profanidade que caracteriza o estilo humorístico dos seus mentores. A história baseia-se num filme canadiano com linguagem abusiva, ao qual os 4 rapazes assistem, e cuja linguagem adoptam no seu dia-a-dia, até que os seus pais ficam chocados quando reparam. Entretanto conseguem convencer o governo a entrar em guerra com o Canadá, e quando dão por ela aparece Satanás com o seu amigo Saddam Hussein para se juntarem ao reboliço. No fim tudo termina de forma fantástica, mas o que fica do filme é a sátira à censura da liberdade de expressão e à intolerância das autoridades que categorizam os filmes, toda ela impregnada numa comédia animalescamente rude. Um filme que vale a pena ver, especialmente para quem não conhece o universo South Park.


E pronto, aqui fica a minha dose de bajulanço a Trey Parker e Matt Stone, dois tipos que fizeram a carreira apenas com os conhecimentos que obtiveram da congénere americana da nossa disciplina de EVT, e fizeram o favor de dar ao resto do planeta a satisfação de poder contar com a rude genialidade que caracteriza esta parelha. Dois colossos do género. Ao pé deles, Groening e Macfarlane são dois gaiatos...

Gustavo Santos

sábado, 20 de outubro de 2012

Para um calendário de TV mais salutar (I)



Pessoal, pelo meio de tanto artigo de cinema, decidi falar um pouco de televisão. Esta era uma espécie de rubrica em três partes que já queria há muito fazer, porque acredito haver por aí muita gente como eu, que além de bastante cinema consome imensas séries de televisão e mesmo que não vejam muitas séries, padecem seguramente deste sentimento familiar que por vezes me assome chamado: quando abdicar de uma série. 

É um problema sério, este, ainda para mais para quem vê muitas séries como eu. É que se nunca desistirmos de uma série mesmo que ela perca toda a qualidade que lhe reconhecia ("Weeds"), mesmo que ela seja uma sombra do que outrora foi ("Dexter") ou mesmo que a esquizofrenia seja tanta que já não há forma de voltar aos eixos ("Grey's Anatomy", "How I Met Your Mother"), o nosso calendário semanal, com a adição de séries em estreia esta temporada e com séries que descobrimos só agora mas que já andam por aí há alguns anos, fica uma situação um pouco complicada de gerir. Para isso cá estou, meus caros, para vos dar a minha opinião e para vos mostrar as decisões difíceis que fiz este ano em prol de limpar o meu próprio calendário, por assim dizer.

Comecemos então pelo início (como convém): quais das novas estreias devemos aproveitar?

Um bom ponto de partida é este magnífico quadro montado pelos especialistas em televisão do TVDependente (confiem que é uma grande ajuda para quem não quer espreitar os 30-40 pilotos que aparecem a cada temporada, para separar o trigo do joio e dar-nos margem suficiente de escolha), que ainda por cima é actualizado praticamente todas as semanas.

Para ordenar as coisas de forma mais simples, colocaria as novas estreias debaixo destes quatro tópicos:

GARANTIA DE QUALIDADE
"Last Resort"
"Nashville"
"Go On"


As únicas três pelas quais eu ponho as mãos no fogo. "Nashville" e "Last Resort" já deu logo para ver pelo piloto que são excelentes, têm continuado com qualidade e têm assegurado o apoio da ABC com a encomenda de mais episódios para ambas. "Go On" está a ter as melhores audiências da NBC para uma comédia em não sei quanto tempo e não é por causa de Matthew Perry (que já afundou duas séries, lembrem-se, uma inclusive na ABC na meia-hora pós-"Modern Family"), parece um tema já muito visto por aí e que até serve de base a outras séries (nota-se uma vibe de "Community", por exemplo) mas penso que é bom termos uma série de comédia que lide com temas mais sérios, mais profundos. A ver se a audiência continua para além deste ano.

SEM RESERVAS
"The Mindy Project"
"Elementary"


O meu problema com "The Mindy Project" é que adoro a Mindy Kalling mas nota-se que se está a tentar esforçar a mais para ser uma coisa que não é. Dos episódios já lançados, nota-se que sucede mais nuns que outros. Ainda assim e pese uma queda abrupta nas audiências, pelo menos esta temporada há-de ter. "Elementary" está de parabéns, é mais um procedural de qualidade da CBS com uns toques extra de boa escrita e boa representação (não chega ao patamar de excelência de "The Good Wife" mas é um bom exemplo do que a CBS sabe fazer com qualidade) e claro, optou por logo de início fugir a toda e qualquer comparação com a britânica "Sherlock" de Steven Moffat. Pontos bónus por isso. Aliás, pontos bónus extra por me fazer finalmente gostar do Johnny Lee Miller nalguma coisa!

GUARDO ALGUMAS PRECAUÇÕES
"Partners"
"The New Normal"
"Arrow"


Na verdade, só guardo precauções acerca de "Arrow" porque é da CW, mais nada. Parece entretenimento de qualidade e isso muitas vezes basta (e é muito melhor do que as ofertas habituais que vêm daquele canal). "Partners" está a tentar tanto mas tanto esticar o humor de "Will & Grace" de novo, mas meninos embora Michael Urie não perca nada para Sean Hayes, David Krumholtz não é Eric McCormack e não há uma Megan Mullally que vos safe (nem quero pegar na comparação Sophia Bush/Debra Messing senão choro!). Kohan e Mutchnick têm-se portado melhor depois do piloto (também era difícil, aquele piloto é horrendo, ao nível do piloto de "30 Rock" ou "The Big Bang Theory" em falta de piada) mas têm que subir o nível. Finalmente, onde começar com "The New Normal"? Ryan Murphy parece ter aperfeiçoado o estereótipo Sue Sylvester: a avô/Ellen Barkin é de longe a melhor parte da série. O casal gay mais a miúda tiram-me do sério. E claro, a escrita de Murphy e companhia fazem-me subir paredes. A série é divertida graças aos actores, mas as personagens são todas do além, seguramente, não existem neste mundo e as lições morais que tenta passar todo o santo episódio... Ryan, queres dar sermões, vira padre.

A RESPONSABILIDADE É VOSSA
"666 Park Avenue"
"Revolution"
"Vegas"
"Chicago Fire"
"Neighbours"


Nesta categoria estão as séries em que não passei do piloto. Com boa razão, garanto-vos. "Vegas" prometia tanto e desiludiu-me imenso. Como não sou homem de desistir à primeira, vou-lhe dar nova hipótese... Desde que a CBS não a cancele. O que, neste momento, me parece muito provável. Estoirar quase 10 milhões de audiência vindos do combinado "NCIS/NCIS: L.A." está ao alcance de poucos naquela estação. Até "CSI" e "The Mentalist" fizeram melhor. "The Mentalist"! "Revolution" tem tido das melhores audiências do ano (de novo, tal como com "Go On", estamos a falar da NBC portanto é quase milagroso este acontecimento) mas de história aquilo tem zero. Não me convenceu e não estou disposto a voltar atrás. O mesmo digo de "Chicago Fire", achei que Dick Wolf tinha evoluído alguma coisa desde os saudosos tempos de "Law and Order". Infelizmente, isso não aconteceu. Para ver drama de bombeiros, pego em episódios antigos de "Rescue Me", thank you very much. E por fim: "666 Park Avenue". O melhor elogio que lhe posso fazer é ela não ser tão in your face como "American Horror Story". Quem me conhece sabe do meu ódio por essa série (mini-série, desculpem) da FX. Para infortúnio de "666", ainda odeio mais esta nova série da ABC. Que desperdício do talento de Terry O'Quinn e Vanessa Williams. A Rachael Taylor e o Dave Annable, contudo, merecem. Credo, nunca vi tanta falta de jeito para representar. Já me tinha esquecido dos ataques psicóticos que o Justin Walker me dava no "Brothers and Sisters". Ah, saudades. Ou não.

A CAMINHO DO CANCELAMENTO
"Ben and Kate"
"Emily Owens, M.D."
"The Mob Doctor"
"Guys with Kids"
"Beauty and the Beast"


Lamento profusamente incluir aqui "Ben and Kate" mas uma série em horário nobre de luxo que me saca 0.9 de rating na demográfica-alvo e 3 milhões de audiências no geral na FOX, depois de "Raising Hope" e antes de "New Girl", não vai ter bom fim. E tenho pena, porque gosto bastante da série. Contudo, se a única forma de "Ben and Kate" se salvar é a FOX cancelar a outra série com números miseráveis que tem no canal, portanto a escolha sendo entre esta e "Raising Hope", peço desculpa, mas que fique a família Chance. O mais certo é as duas desaparecerem no próximo Outono. O resto não tenho pena nenhuma se for cancelado. Ainda me há a Mamie Gummer de explicar que raio a filha de uma senhora chamada Meryl Streep está a fazer a protagonizar uma "Grey's Anatomy" light na CW. "Guys with Kids" é horrendo, a NBC estava drogada quando aprovou a série. "Beauty and the Beast"... Bem, é mesmo série da CW, não há hipótese. "The Mob Doctor"... A próxima a juntar-se aos projectos com enorme sucesso da FOX como "Alcatraz", "Terra Nova" ou "The Chicago Code".

ENTRETANTO JÁ CANCELADAS
"Made in Jersey"
"Animal Practice"


Palmas a quem na NBC aprovou "Animal Practice". Deviam ter andado a espreitar demasiados episódios de "Episodes" (quem segue a série, percebe a piada). "Made in Jersey" não tinha maus números, mas quem segue o trabalho da CBS e de Nina Tassler sabe a exemplaridade na hora de assegurar o melhor funcionamento do calendário do canal. Não estava a funcionar, a resposta era medíocre, toca a cancelar que temos outras opções. Simples e fácil. Fox, ABC, aprendam. NBC... Um dia. Um dia.


Pronto. Isto tudo dito... Fiquei então no meu calendário para esta temporada com "Nashville", "Last Resort", "The Mindy Project", "Go On" e "Elementary". Vou espreitar "Ben and Kate" à espera de notícias de cancelamento e possivelmente, se tiver tempo, vou seguir "Partners" e, porque sou masoquista, talvez "The New Normal".

Amanhã trago-vos a parte 2, em que falo das séries de que não prescindo do meu calendário.

E vocês, que escolhas fizeram no vosso calendário quanto a novas séries?

sábado, 6 de outubro de 2012

MERLIN - SEASON 5 PREMIERE


Regressa hoje, para uma renovada quinta temporada, uma das mais irreverentes séries da televisão britânica nos últimos anos. Continua a ser uma das minhas favoritas, sobre a qual já falei aqui por várias vezes. Uma quinta temporada no horário nobre da BBC One e um trailer tão empolgante falam por si. Vale a pena ver.

sábado, 29 de setembro de 2012

'Has the sun finally set in Philly?'

Provavelmente, a PIOR notícia da televisão americana dos últimos anos. It's Always Sunny in Philadelphia não voltará a ser a mesma série se tudo isto não passar de uma brincadeira. Alterar por completo um elenco de luxo, cheio de carisma e com uma fervorosa legião de fãs é entrar em rotura com a própria série. É um contra-senso,  é uma completa idiotice. É cavar a própria sepultura a uma série que tem  (tinha?) tanto de brilhante como de original. A partir de dia 11 de Outubro vamos descobrir se o Sol voltará a brilhar em Philadelphia. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"Homeland" - Temporada 2


É já no próximo domingo, dia 30 de Setembro, que regressa à televisão americana a série que arrecadou os principais prémios na categoria de Série de Drama da 64th Primetime Emmy Awards (Melhor Série de Drama, Melhor Actor Principal e Melhor Actriz Principal). Aqui fica o entusiasmante trailer da segunda temporada!

domingo, 23 de setembro de 2012

64TH PRIMETIME EMMY AWARDS


É hoje o dia da cerimónia que distingue os melhores da televisão americana. 



E ele está preparado para vencer. #BreakingBad