Dial P for Popcorn: ZERO DARK THIRTY (2012)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ZERO DARK THIRTY (2012)



"When you lie to me, I hurt you."


Saí da sala de cinema a meio de Hurt Locker (já o repeti aqui por várias vezes), depois de Kathryn Bigelow ter gozado comigo e me ter colocado perante uma das piores primeiras partes que já vi num filme (sobre a segunda parte, naturalmente, não posso tecer comentários). Hurt Locker ganhou o Oscar de Melhor Filme nesse ano e a Academia comprovou que o que importa é demonstrar a influência que o povo, a arte e o sonho americano têm neste mundo (Cinema não é com eles).


No entanto, com o argumento de Zero Dark Thirty, era impossível não ficar entusiasmado! A história da captura do homem mais procurado do mundo, a descoberta da agulha que nunca esteve no palheiro. Foi demasiado aliciante e conseguiu fazer-me esquecer o que se passou em 2009. Não era nada fácil fazer um filme sobre este tema. E a prova disso é a complexidade de figuras e acontecimentos que tiveram que se interligar com a personagem de Jessica Chastain (Maya), a mulher por detrás desta façanha.


No entanto, o principal problema de Zero Dark Thirty, está no leve trago a desilusão que vem com a monotonia com que se arrastam algumas das cenas. E, desculpem-me, mas todo o buzz à volta da interpretação de Jessica Chastain não faz muito sentido. Óbvio que estamos perante uma das grandes actrizes da actualidade, óbvio que a sua personagem tem uma importância fulcral em toda a história. Mas porque estamos perante uma obra que envolve diversas personagens, Maya vai-se apagando a espaços, vai aparecendo em solavancos, e vai-se perdendo constantemente a mensagem da personagem. Um processo cíclico que desgasta e desvaloriza a interpretação.


É um bom filme, é uma história (naturalmente) interessante, mas confesso que me deixou um pouco desiludido e confirmou a ideia que já tinha de Katrhyn Bigelow. É uma realizador que cultiva um estilo muito próprio de desenvolver uma história, que gosta de prolongar o timing das cenas e que privilegia o (seu) produto final ao potencial dos seus actores. Mas numa coisa Kathryn não desiludiu. A meia hora final do filme, que retrata com minúcia o momento do ataque ao forte onde se refugiava o inimigo número 1 dos Estados Unidos, é de uma intensidade impressionante, honrando a curiosidade dos muitos que foram assistir a este filme.

Nota Final 
(7/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Katrhyn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Ano: 2012
Duração: 157 minutos

6 comentários:

Rafael Santos disse...

Atribuí a mesma classificação. Concordo na tua opinião acerca da meia-hora final. E finalmente alguém que não sobrevaloriza a interpretação da Chastain. É uma boa actriz, disso não há dúvida, mas neste filme não é mais do que competente. Tenho para mim que a intepretação dela e da Jennifer Lawrence no Linings Playbook são fortemente sobrevalorizadas.

Cumprimentos,
Rafael Santos
Memento Mori

João Gomes disse...

Excelente crítica.
Concordo na totalidade com a referência que fizeste ao buzz à volta da actuação da Sra. Chastain. Confesso-me fã do trabalho dela, mas achei tanto elogio desmedido. A mesma actuação, inserida noutro filme qualquer com um tema menos emocionalmente significativo para o povo americano, dificilmente seria galardoada com tantos prémios e nomeações, a meu ver.
Quanto ao filme, o melhor que posso dizer é que está um passo de gigante à frente do horrendo Hurt Locker e que é bom, mas não mais.

Um abraço amigo,
João Gomes

Jorge Rodrigues disse...


Acerca da Jessica e da Jennifer: um ano péssimo para actrizes, em que as interpretações mesmo boas apareceram em filmes de pouca envergadura.

Agora também relembro: hão-de me dizer que actriz arranjavam que cumprisse melhor este papel. O elogio não é propriamente à interpretação que é boa, mas sim ao que a actriz consegue fazer com um papel vazio.

O mesmo de Lawrence. Eu não gostei de Silver Linings Playbook mas consigo de caras admitir que o que ela faz com um papel unidimensional, estereotipado e horrível na página é obra.

Abraço!

Joana disse...

Este ano é o ano da sobrevalorização das actuações femininas. Sinceramente, de todas as nomeadas para os Oscars, só mesmo Emmanuelle Riva merece a nomeação e o prémio.

Joana disse...

Em relação ao filme, achei aborrecido e pura propaganda política, tal como o seu filme anterior. Esta realizadora está definitivamente cortada da minha lista! :p

João Samuel Neves disse...

Obrigado pelos vossos comentários! Foi muito bom ler a vossa opinião sobre o filme ;)

Um abraço,

João