Dial P for Popcorn: A Morte da 7ª Arte (Versão Nolan)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Morte da 7ª Arte (Versão Nolan)

"O Dial P For Popcorn tem o prazer de vos apresentar o nosso mais recente colaborador! Axel Ferreira, nosso colega e amigo, aceitou o convite para a elaboração de uma crónica quinzenal. Com uma visão peculiar e distinta da realidade cinematográfica, A Morte da 7.ª Arte deixa apenas uma promessa: Ninguém a poderá evitar."


O Som e a Fúria


Debaixo dos meus dedos acumulo as palavras dos longos segredos de um mundo que os grita e ninguém ouve. Seria de esperar algo mais que o martírio continuo de ver o brilho de uma parede ser tanto ou mais interessante do que ver algo com luz e imagem mas sem forma ou eco. Não ver seria ainda melhor. Se um dia alguém se inspirou na expectativa de fazer alguma coisa, não disse nem mais uma palavra, e apenas fez, foi considerado lunático e de certeza arrogante. Quando chegamos à conclusão que nada é valorizável para além da morte, pensamos que nada interessa. Se nada interessa não se vive. Mas, qual montanha que vem atrás de um velho lunático que andou às voltas num deserto e que falava com árvores em chamas, aparece a felicidade e pensamos fazer de nós um riso alegre. A vontade deixou de existir, o estímulo é constante, o tempo para pensar é nenhum, a definição já está dada, não fosse sempre o normal a maioria. Se fosse feliz como um macaco não me aperceberia que ser um homem que pensa que ser feliz como um macaco é bom é tão espectacular como o próprio macaco. Ao pé disto, o facto de a única tipa que aparece no filme do Tintim ser uma representação um pouco abjecta de uma cantora de ópera que só serve para partir cristal nem sequer interessa.

Para que falar mais se o discurso já se esgotou? Para criar um novo, dizer algo mais. Faulkner já disse algo parecido ao seguinte, fomos criados num mundo de adultos demasiado velhos para perceberem que são lunáticos. Se querem construir algo por cima disto não venham a pensar que o que existe neste momento é normal ou que sequer faz algum sentido. Não faz sentido eu não conseguir ir ao cinema porque não há lá um único filme que não tenha sido pago a peso de ouro para defecar diamantes. Não faz sentido o Faulkner ficar sentado na prateleira e o Paulo Coelho e outros inomináveis venderem como as camisolas da lacoste dos ciganos em dia de feira. Faria mais sentido que os próprios ciganos os vendessem como sendo uma óbvia imitação rasca de má qualidade, em vez de serem mais baratos tinham o dom de ser culturalmente inócuos e legíveis sem existirem dificuldades de interpretação ou aparecimento de dores de cabeça do viajante literário. Continua sem fazer sentido que as pessoas menos talentosas e que menos sabem de música sejam as que mais vendem, sem nunca terem composto um único compasso. Na feira também vendem screeners das próximas estreias esperadas, e pouco será dizer que se um filme estiver a ser vendido ao monte, a dois euros a peça ao lado das meias (ligeiramente mais caras), não haverá maneira nenhuma de poder ser bom. Explicar mais que isto era inútil. Mas o exercício verdadeiro vem a seguir, pensem no melhor filme que já viram a ser vendido por este método. Agora comparem este a todos os outros aos quais se pode equiparar ou que até consigam comparar sem parecer um insulto completo. Peguem nisto tudo e vão conseguir uma óptima lista de toda a inutilidade e lixo, concentremo-nos agora no que está acima disso.

Desde o início, os primórdios do cinema, havia uma obsessão constante de tornar o que se via realidade. Por isso nasceu o filme falado, o cinema a cores, os efeitos especiais, o que chama CG ou seja lá o que for. Agora há um movimento inverso, a percepção de que a realidade cinematográfica também é um factor limitante. Não estou a falar sobre a ficção científica ou desse tipo de não realidade, mas na ideia de sermos convencidos que aquele cenário é uma realidade para os personagens (ao contrário de uma obra de teatro, em que o cenário não é credível nem o pretende ser). Isso é algo que levou o cinema para o pior caminho possível, e será esta, sem sombra de dúvida, a raiz de todos os problemas. Dizermos que o cinema nos tem que levar para outro mundo completamente credível. Forma-se aqui a exigência fundamental deste tipo de projecto, é preciso uma enorme montanha de dinheiro para fazer com que tal seja possível. O raciocínio seguinte é muito simples, como não há poços sem fundo, o que pagamos para o fazer tem que ser retribuído de alguma maneira. A ambição constante de querer mais e melhor cinema, de querer fazer imagem e som como se faz a imagem e o som quando vemos e ouvimos levou a que se conseguisse o completo contrário, o comprometimento da ideia, para fazer algo que fosse mais agradável e que cativasse o maior número de pessoas, para poderem pagar tal coisa. Quando se abdica do essencial para agradar ao mundo, perde-se a identidade, perde-se a ideia, perde-se por completo a relevância. Porque nada feito para agradar poderá ser bom, pela simples razão de que a única maneira de fazer algo que agrade a toda a gente é fazer algo tão inócuo que não contrarie ninguém, algo tão pouco surpreendente que não possa chocar ninguém, algo tão simples que não confunda ninguém (porque ainda há os que fingem que confundem), algo tão animado que não adormeça ninguém, ou seja, algo tão igual ao que as pessoas estão habituadas que nem vale a pena existir. A existência de uma identidade sem uma ideia basal que seja nova pode ser avaliada como o que agora os críticos gostam muito de dizer “é um grande filme dentro do seu género”. Primeiro, a ideia de que um filme pode ser bom, mesmo que seja uma repetição quase integral daquilo que já foi feito, é uma ideia estranhíssima para mim. Ainda mais que isso, a incapacidade de o filme ter algo de novo e a incapacidade de o crítico o dizer são ambos crimes contra a cultura, um por desperdiçar dinheiro, outro por recomendar um desperdício de vida. Seguidamente e em segundo lugar, foi esta ideia de que a repetição de uma fórmula de sucesso consegue ser muito rentável que levou o cinema à desgraça de se fazerem filmes com o único objectivo de serem vendidos, sem importar a arte ou a originalidade que supostamente a rentabilidade ia sustentando. A demolição da última barreira surgiu agora, depois de já ter aparecido o bendito Spielberg e o remake constante chamado Blockbuster, depois de já terem feito tudo o que era possível com o mesmo diálogo, as mesmas piadas e os mesmos clichés mil vezes, apareceu um homem que até começou com um filme razoável, mas que agora se tornou o salva-vidas de toda a gente que gosta de filmes que fazem muito dinheiro mas acha que até tem um gosto cinematográfico requintado e gosta de intelectualizar a ideia do bom cinema. Este homem é Nolan, e resume-se numa frase: “é muito bom naquilo que faz, mas o que ele faz são filmes completamente banais”. E carregando já o crucifixo às costas, a verdade é que por muito prazer que vos dê ver filmes deste homem, ele não tem o dom de ser relevante, não faz coisas que sejam novas ou que já não tenham sido feitas mil vezes melhor antes. Seja um Thriller ou uma história sobre super heróis, a maior parte do que está lá são sequências de acção mil vezes repetidas, argumentos e diálogos canonicamente guiados, e alguma pseudo-actividade ligeiramente intelectual, que nalguns momentos parece transparecer, mas até o Matrix enganou melhor com essa léria toda da pseudo-filosofia humana (não me interessa se o rapaz é travesti ou não, só por transcender a sua existência de homem não se transforma em metafísica). O meu único pedido é que se sabem o que é bom façam ganhar dinheiro a quem faça coisas boas. Se um homem faz coisas más deixa de as fazer a partir do momento que deixa de ganhar dinheiro por elas. Se um homem ganhar o prémio Nobel comprem um livro dele e leiam, se virem um bom filme comprem o DVD, deixem o hedonismo da idiotice para depois de morrerem.


Axel Ferreira

7 comentários:

Aníbal Santiago disse...

Muito sinceramente não poderia estar em maior desacordo com o texto, não só por considerar Christopher Nolan um cineasta a ter em atenção, mas também por ter alguma dificuldade que se utilize alguns conceitos e que não se contextualizem os mesmos ou pelo menos que se desvirtuem os mesmos tendo em vista uma elaboração de ensaio polémico.

Mas o que me faz mais confusão ainda é mesmo a falácia desta afirmação "Ainda mais que isso, a incapacidade de o filme ter algo de novo e a incapacidade de o crítico o dizer são ambos crimes contra a cultura (...)". No cinema, tal como na literatura, na pintura, ou seja na cultura, tudo se recicla, tudo se reutiliza, já pouco é novo. No caso do cinema, pioneiros foram homens como os Lumière, George Melies, Eisenstein, entre outros. Daí para a frente o que se tem visto é aquilo a que podemos chamar "evolução na continuidade". Existem cineastas com maior ou melhor talento e que sobressaem e outros nem por isso, mas acima de tudo um cineasta só é relevante se o espectador conseguir rever-se nas suas obras. Agora é óbvio que existem cineastas como Martin Scorsese, Spielberg (sim indubitavelmente tem um lugar na história com filmes como Indiana Jones, E.T., Clouse Encounters of the Third Kind, Jurassic Park, etc), Clint Eastwood, etc. Por sua vez temos outros que claramente deviam ter-se dedicado à plantação de batatas como Uwe Boll.

E já que estamos numa de citações, aproveito ainda para recomendar a leitura de alguns textos de André Bazin sobre o conceito de "crítica apreciativa".

Cumprimentos,
Aníbal Santiago (bogiecinema.blogspot.com)

P.S. - Como é óbvio acho inadmissível virem para aqui com comentários anónimos a arrasar o artigo.

João Samuel Neves disse...

Bem, antes que isto comece a descambar (e porque eu não quero estar a apagar comentários que tão bem reflectem a estupidez alheia) com pessoas a decidirem utilizar um texto (que de polémica pouco ou nada tem e se trata única e exclusivamente de uma opinião como tantas outras na blogosfera) para descarregarem os seus problemas pessoais e para denegrirem a qualidade do nosso trabalho e a reputação do blogue, gostaria apenas de pedir para que, antes de tudo mais, os responsáveis por tamanhas imbecilidades se identifiquem.


A partir deste meu comentário, e tal como acontecerá nos comentários que se encontrem sem qualquer conteúdo, todos os comentários anónimos serão apagados. Se quiserem estragar espaços pessoais, fazem-no em vossa casa, com a vossa mulher, com os vossos filhos, com quem bem vos apetecer. Eu abstive-me durante a última crónica (compreendi que almas mais sensíveis pudessem ter ficado mais importunadas com a crónica do Axel) mas, neste caso, penso que não existe qualquer motivo para comentários tão pobres. Se quiserem insultar, atacar ou contra-argumentar (coisa que, infelizmente, poucas vezes vejo aqui fazer), façam-no antes demais como Homens dignos desse nome. Não vos basta uma porcaria de um ecrã que ainda se borram todos ao ponto de terem que fazer comentários em anónimo e esconderem-se atrás de meia dúzia de impropérios baratos. Triste e infeliz esta blogosfera, que não respeita, aceita ou compreende opiniões contrárias, que se sente ofendida à mínima dentada e que se julga com o rei na barriga.

Eu perdi a paciência para vos aturar.


João Samuel Neves.

Anónimo disse...

“eu tinha vergonha de publicar um texto assim”. Porque? Agora temos de ter vergonha daquilo que pensamos? Não sei se o Sr. Anónimo 1 reparou que isto é uma crónica, para um grande cinéfilo não deveria ser preciso dizer a definição da palavra crónica, texto no qual o autor dá a sua opinião… Além disso, não sei o que é para si um cinéfilo, alguém que tem a mesma opinião que o senhor?
Para o Sr. Anónimo 2, também não deve ter notado que o Axel é convidado para escrever uma crónica na qual expõe a sua opinião, a qual não tem de ser necessariamente a mesma que os autores do blog. Alias, se assim fosse, a crónica não tinha razão de ser…
Depois de ler o texto e ver os comentários surgiu-me uma dúvida… Será que leram realmente o texto ou só se deram ao trabalho de ler as frases a negrito? Ou talvez tenham lido o texto na diagonal partindo do princípio que o Axel é um crítico muito arrogante e snob. Na minha opinião este texto não tem nada de arrogante, trata-se apenas duma opinião, se todos pensassem o mesmo e se todos gostassem dos mesmos filmes, este tipo de blog tornava-se inútil e os filmes em si perdiam o devido valor.

Sra Anónima (Marina Santos)

DiogoF. disse...

Eu tinha feito um texto grande, que por ser demasiado grande, foi todo à vida, parece-me. Não o vou reescrever.

Quero apenas dizer que não concordo com a Marina Santos e que até acho este texto francamente arrogante porque se augura de estupidifcar, de forma generalista, a população com base em argumentos que ou considero arrogantes e elitistas (muito típicos de ver em cineastas portugueses ou certos professores, por exemplo), tais como: a) o cinema de arte é bom e o comercial é mau; o complexo é bom (talvez a desconstrução Godardiana seja genial e devesse ser dada na escola), o que é simples é mau; há os que fazem para agradar e os que fazem o contrário (lamento mas todos os grandes génios faziam as coisas para agradar, para que as pessoas fossem ver e todos tinham e têm em mente o seu público alvo); entre outros.

E não gostar do Nolan é uma coisa, agora acusa-lo de ser repetitivo e de ter coisas como diálogo canónico é, no mínimo, redutor. Inception. Já foi feito 1000 vezes ? É o quê, por ser um heist ? Eu vejo ali uma enorme genialidade em aliar um plot muito complexo aos paradigmas dos mega-blockbusters de verão, criando um puzzle capaz de satisfazer e criar grande desafio intelectual e emocional para a audiência. Alguma vez pensaste porque é que há um layer na cidade, à chuva, outro no hotel e outro na neve ? Não é por acaso, só para mandar tiros por ali. Diálogo canónico ? Maneja a exposição de um universo novo, desconhecido e difícil de forma incrível, cheia de subtexto. Aconselho o pedaço em que deixa a audiência perceber como é que (não) se morre nos sonhos. Mas pronto, se fosse o John Ford, como já cria um distanciamento entre o cidadão comum, se calhar já dava.

E sobre The Matrix. Só quero acrescentar que deu origem a uma quantidade de escritos e reflexões entre cinema, religião e filosofia como há muitos anos não se via.

Jorge Rodrigues disse...

Agradeço ao Diogo, ao Aníbal e à Marina pelos comentários, visto que expressaram a vossa opinião não julgando ninguém nem criticando.

Como é claro, a propriedade intelectual de cada um não é da responsabilidade do blogue. O nosso blogue funciona como veículo de várias opiniões, com as quais se pode concordar ou não.

Termino respondendo à Marina, ao Aníbal e ao Diogo que me revejo nas coisas que dizem, se bem que também percebo o ponto de vista do Axel (ou melhor, ao que o Axel quer chegar).

Relembro TODOS os que procuraram comentar devidamente o artigo que este blogue comenta sim blockbusters e cinema mais comercial, com muito gosto até e relembro ainda que deu boa nota a todos os filmes do sr. Christopher Nolan, incluindo uma excelente nota a "Inception" e "Memento" e teceu rasgados elogios em várias ocasiões ao próprio realizador.

Assim sendo, continue-se a discussão, desde que feita de forma saudável e não por pura hipocrisia de um grupo grande de pessoais que decidiu criticar porque sim e em anónimo, porque a coragem lhes falta para assinar os comentários. A esses: bem hajam. Ao menos servem para aumentar o contador de visitas do blogue.


Cumprimentos (e obrigado a quem comentou),

Jorge Rodrigues

Sam disse...

Tal como é aqui opinado acerca dos filmes de Christopher Nolan, também a "mediocridade criativa" apontada ao realizador está longe de ser original. Argumentos deste género são facilmente encontrados num interminável número de fontes, em papel ou online, e por ter lido um respeitável quinhão de opiniões semelhantes, já me sinto quase "imune" às mesmas.

Consequência disso, torna-se lógico concluir que Nolan (assim como Michael Bay ou os responsáveis pela saga Twilight) tornaram-se alvos fáceis de "crítica à popularidade" no cinema e, portanto, chegou-se a uma fase em que o "deita abaixismo" dos seus filmes resulta num exercício de redundância. Por outras palavras e frisando o meu parágrafo anterior: Axel, também não encontro nada de novo no teu texto.

No entanto, e numa tentativa de contra-argumentação ao que escreves, confesso o meu respeito pelo papel do blockbuster para a sobrevivência do Cinema. Não por ser o género de produção cinematográfica que mais admiro, mas sim pela importância financeira que representa para a preservação do objecto fílmico — uma ideia que, anteriormente, desenvolvi no meu espaço: http://sozekeyser.blogspot.com/2011/07/serao-os-blockbusters-o-futuro-do.html. Espero que leias e estás à vontade para refutar.

Cumps cinéfilos.

Axel Ferreira disse...

Ao Aníbal Santiago digo apenas que sendo a criação sempre um acto de integração de tudo o que já experimentamos e fizemos é sempre diferente do acto de não criação que passa por anexar uma peça nova a um carro usado, usando como metáfora o conceito de patente duvido que encontre algum filme do Nolan que não tivesse de pagar multa. Pelo simples facto de ser algo que para além de entreter a audiência durante uns minutos não consegue ser culturalmente relevante como é um filme do Inãrritu e do Trier. Como disse ele faz o que faz muito bem, mas é inócuo. Em adenda o Spielberg é também um homem que faz filmes apenas para entreter, são vazios de ideias com sequências milionárias de acção que fazem regredir as ideias nobres da humanidade a cada minuto de desenvolvimento.

Ao Diogo, se quiser dizer que os meus argumentos são arrogantes e com um certo que de pedantismo seja, ao que pensas sobre mim quando lês os meus textos não me interessa o mais mínimo. Mas como se diz na filosofia, categorizar os argumentos como insignificantes por causas similares a esta constitui uma falácia. Mas essa dos génios fazerem as coisas para agradar é verdade como uma estaca de madeira no meio de cimento. Só de pensar na quantidade de pessoas que queriam empalar o Salman Rushdie depois de ele escrever os Versículos Satânicos, na receção fantástica que se fazia aos filmes do Kubrik, ou quando envenenaram o Sócrates com cicuta. Bem e sabe-se o quanto gostavam do Saramago cá em Portugal.

Já agora a ideia do Inception de um sonho dentro de um sonho, ou da diferença entre sonho e realidade, não é original em lado nenhum do mundo. Kurosawa foi um dos seus exploradores principais. Também vista de maneira futirística no Ghost in The Shell 2. Também vista no Vanilla Sky,Existenz e tantos outros. E não nos esqueçamos que já foi explorada com a maior mestria possível por David Lynch.Já agora, Edgar Allan Poe tem também um poema chamado A Dream Within a Dream. Tudo o que o Inception fez foi pegar num conceito já muito explorado e transforma-lo numa máquina de dar dinheiro sem juntar nada de novo ao conceito (esta será a parte mais importante). Já agora o Matrix tem uma grande questão filosófica que é a Caverna do Platão, que já existe à umas largas centenas de anos, tudo o resto são pontapés e tiros.

A simples separação entre filmes maus e bons não tem a haver com complexidade mas com a relevância cultural. Um exercício simples é pensar numa criança e no que lhe prefeririamos mostrar. Que filmes indicariamos como bons e quais seriam aqueles que só os fariam pensar que o mundo é um sítio cheio de frases feitas, estupidez e preconceito. Isso distingue o bom do mau e aquilo que é relevante e merece existir.

Não se confundam, Nolan executa com mestria os seus filmes. Só têm o defeito de não terem nada de novo (serem banais).