Dial P for Popcorn

quinta-feira, 5 de abril de 2012

The Hunger Links


Na senda de outros blogues e sítios, penso que vou começar a fazer uma recolha de notícias, artigos e especiais que ocorrem durante a semana e que, não tendo eu tempo para fazer um realce apropriado, vou cá juntar nesta rubrica semanal ocasional de links. 

Onze dicas de Billy Wilder, um dos maiores realizadores-argumentistas da história do cinema, para guionistas em aprendizagem. [Cinema Notebook]

O trailer do novo filme de Woody Allen, "To Rome with Love", soletra 'desastre' com todas as letras. Partes que aprovo: Judy Davis, Penelope Cruz, Alec Baldwin e Jesse Eisenberg como pai e filho. Partes que não aprovo: Roberto Benigni e sobretudo Ellen Page versão sexy (não sei onde Allen foi inventar isso). Enfim. Vou ver, mas o meu entusiasmo é reduzido.


Uma comparação muito interessante entre "The Hunger Games" e outro filme e não, não é  com "Battle Royale", é com "They Shoot Horses, Don't They?", um dos meus filmes favoritos de sempre, com uma Jane Fonda sensacional. [Acidemic]

Uma pergunta interessante posta ao pessoal pela Casa das Séries: que tipo de fã de séries somos nós? Relutantemente, eu admito que sou um fã incondicional, mas gostava de ser um fã racional. Enfim. [Casa das Séries]

Josh Hutcherson e Jennifer Lawrence são duas estrelas de cinema em crescimento, ouçam o que vos digo. 2020 vai ser dominado por eles.



Mais uma discussão muito frutífera via The Playlist: por que razão há falta de novos protagonistas masculinos de sucesso, os famosos "leading man", como Tom Cruise, Denzel Washington, Brad Pitt, George Clooney ou Johnny Depp? Precisam-se sugestões. [The Playlist]

"The Master", o novo filme de Paul Thomas Anderson, vai chegar aos cinemas em Outubro. Mal posso esperar. [The Playlist]

"Total Recall" vai ter um remake este ano, com o imensamente talentoso mas nem sempre respeitado Colin Farrell no papel que foi de Schwarzenegger. Não tenho visto grande entusiasmo pelos sítios de cinema onde circulo, mas o Keyzer Soze deixou-me algo intrigado. [Keyzer Soze's Place]

Já viram "The Intouchables", a comédia-drama francesa que estreou nos cinemas portugueses há um mês e tem feito sucesso pela Europa fora (a ponto de Omar Sy, o protagonista masculino, ter batido o vencedor do Óscar, Jean Dujardin, nos Césars - os 'Óscares franceses' - o ano passado?)


Entre os diversos comentários que Kate Winslet fez aquando da estreia a 3D de "Titanic" em Nova Iorque, o da música de Céline Dion lhe dar vómitos foi que mais ressoou na imprensa. Eu trago-vos outro, muito mais interessante a meu ver: Kate Winslet considera que a sua interpretação - nomeada para Óscar - foi absolutamente horrenda. Que poderia ser muito melhor. [Digital Spy]

Depois de vencer o Óscar com "El Secreto de Sus Ojos", Juan José Campanella dedica-se agora a "Foosball", um filme animado, que ganhou trailer esta semana. [The Playlist]

A Vulture oferece soluções para resolver a programação das estações generalistas norte-americanas, propondo inclusive soluções bastante polémicas como deitar abaixo o line-up de comédias de quinta-feira da NBC, um dos pontos pela qual a estação é conhecida desde o final dos anos 90. Gosto particularmente do que propõem à CBS para resolver o problema "The Good Wife". [Vulture]

Ryan Murphy e Brian Falchuk decidiram agora que a sua série "American Horror Story" ia mudar de cenários e personagens todas as temporadas. Não tardou para que a FX inventasse a mudança da série da categoria de Drama (onde competiu nos SAG e nos Globos de Ouro) para a categoria de Mini-Série. Podem dizer-me que a FX fez bem, dada a reestruturação da série. Eu só vejo nesta mudança uma coisa: querem caçar os prémios que "Downton Abbey" ganhou o ano passado. Ainda por cima porque este ano não há "Mildred Pierce", nem "Downton Abbey" (mudou para Drama), nem nenhum tubarão na categoria. [TV Line]

Foi anunciado também que Jimmy Kimmel, apresentador do "Late Show with Jimmy Kimmel" na ABC, que eu adoro (tem sketches brutais!), será o próximo apresentador dos Emmy Awards (que dão, obviamente, na ABC este ano) no dia 23 de Setembro. [TV Line]

O novo filme de Sarah Polley ("Away with Her"), "Take This Waltz", que conta com Michelle Williams e Seth Rogen nos principais papéis, ganhou um trailer recentemente. Cá está - e é tudo aquilo que poderíamos esperar de um filme de Polley com Williams a protagonista:


Também David Cronenberg decidiu presentear-nos com um teaser do seu próximo filme, "Cosmopolis", protagonizado por Robert Pattinson, que deverá competir em Cannes este Maio. Cá fica o teaser trailer:


Não consegui resistir a partilhar isto: Nicole Kidman fala de Ewan McGregor e da sua colaboração em "Moulin Rouge!", que é o filme do mês em discussão no sítio oficial da actriz [Nicole Kidman]

Das competições mais interessantes dos últimos tempos, esta da Vulture: "qual é o maior drama dos últimos 25 anos?" está a chegar ao fim e, claro está, tinham de ser estes dois os finalistas: "The Sopranos" vs "The Wire". [Vulture]

No The Film Experience, o Michael C. do Serious Film pede para pensarmos em quais são as citações cinematográficas dos últimos anos que se vão tornar citações clássicas, integradas na cultura popular das próximas gerações, tal como "Luke, I am your father" ou "I'll make them an offer they can't refure"? Uma sugestão com a qual concordo completamente é "Why so serious?". Também penso que "That's a bingo!" vai perdurar na memória. E também "Boo, you whore!". Quais seriam as vossas sugestões? [The Film Experience]

Kristin Wiig, Andy Samberg e Jason Sudeikis vão abandonar Saturday Night Live. FINALMENTE! Merecem bem melhor que aquele programa. [TV Line]

Para quem ainda está a começar a expandir a sua cinefilia, um bom local para começar é na lista de filmes que Martin Scorcese um dia recomendou a um estudante que lhe escreveu uma carta a perguntar quais os filmes que qualquer pessoa devia obrigatoriamente ver para ficar mais culto quanto ao que a sétima arte tem de melhor para oferecer. [Cinema's Challenge]

Alex Kurtzman e Roberto Orci ("Star Trek") escreveram (e Kurtzman realiza) o guião de "People Like Us", um dos guiões mais cobiçados da Black List dos últimos anos. O filme sai este ano, protagonizado por Elizabeth Banks, Michelle Pfeiffer e Chris Pine. Que vos parece o trailer? [The Film Experience]

A Vulture tenta explicar quais as razões para o fracasso de John Carter, que muito me custa, porque Andrew Stanton é dos meus realizadores favoritos em Hollywood e eu queria muito que ele tivesse sucesso na passagem da animação para live action. [Vulture]

Xavier Dolan ("Les Amours Imaginaires", "J'ai Tué Ma Mère") tem um novo filme, "Laurence Anyways", que ganhou um trailer recentemente. E cá está ele. Esperem sucesso semelhante aos seus dois antecessores, talvez também uma estreia em Cannes. [Ion Cinema]

Juntando-me à onda de insultos com que a blogosfera se insurgiu perante a nova 'proposta' de programa de cinema do canal Hollywood, acho inadmissível que jornalismo de tão pouca qualidade seja feito no nosso Portugal. É incrível como jornalistas ainda se sintam à vontade para dizer barbaridades como "Como não temos oportunidade para ver os filmes de que vamos falar, baseamos toda a nossa pesquisa nos trailers que já saíram e nas informações existentes na Internet". Enfim. Deixo-vos com comentários tecidos pelo Sound+Vision e pelo TVDependente, que expressam a raiva do pessoal bem melhor que eu. [Sound+Vision] e [TV Dependente]

 O pessoal tem que parar de tentar fazer Chloe Moretz acontecer. A última deste pessoal é o remake de "Carrie". A Chloe Moretz é totalmente errada para o papel. E além disso: para quê mexer na perfeição que é o filme de DePalma? Loucos. [Split Screen]

Adam Sandler limpa os Razzies: 10 vitórias em 10 nomeações. Lindo. [Split Screen]

quarta-feira, 4 de abril de 2012

EASTER PARADE (1948)



Nos anos 40 e 50, os musicais eram um dos géneros cinematográficos mais populares e mais requisitados juntos dos grandes estúdios. Muitas grandes estrelas desse tempo entraram ou fizeram carreira em musicais e foram estes que imortalizaram estrelas de cinema tão grandes como Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire ou Ginger Rogers. Infelizmente, quantidade não equivale a qualidade e por cada dez musicais produzidos nessa época, um ou dois tinham sucesso, invariavelmente aqueles que tinham uma boa história ou, melhor que isso, onde entravam as maiores estrelas de cinema musical de então. Como este "EASTER PARADE", um musical muito divertido e alegre, com números musicais agradáveis e luminosos engrandecidos pela presença da parelha Garland e Astaire que infelizmente não almejam a mais que um bom filme graças à falta de originalidade e fraqueza da narrativa.


Hoje em dia, é engraçado pensar que este par esteve para não acontecer. Gene Kelly era o escolhido para protagonista masculino, mas devido a uma perna partida, teve que ser substituído. O próprio propôs Fred Astaire que, apesar de aparentemente reformado na altura, abraçou a oportunidade de trabalhar com Judy Garland. Ele não o sabia então, mas foi este filme que lhe reacendeu a carreira, dando-lhe mais dez anos de ouro com a MGM. Judy Garland foi sempre a única escolha para o papel feminino, mas ela vinha de uma experiência profissional complicada com o seu marido Vicente Minnelli (filmaram juntos "The Pirates" um ano antes) que o obrigou mesmo a passar a realização deste filme, que era para ser realizado por si também, para Charles Walters. Além disso, os problemas de Garland com a depressão, o excesso de trabalho, o alcoolismo e o abuso medicamentoso - que culminaram numa tentativa falhada de suicídio - estavam a tomar o melhor dela. Ela mal recuperou para filmar "Easter Parade", tendo que ser internada numa clínica de reabilitação logo depois. Desde essa altura que Garland nunca mais se recompôs e "Easter Parade" tornou-se não só o seu último filme com a MGM como também um dos seus últimos filmes de sempre. Também Ann Miller teve sorte, porque o seu papel era originalmente de Cyd Charisse. Entretanto, a actriz torceu um ligamento e foi obrigada a ser trocada. O casting de Miller provou ser um sucesso, uma vez que a actriz é o ponto alto da película.


"EASTER PARADE" narra a história de Don Hewes (Fred Astaire), um dançarino de excelência que, em conjunto com a formosa e talentosa Nadine Hale (Ann Miller), forma o duo "Hale & Hewes". Quando Hale o troca pela chance de ter o seu próprio espectáculo no Ziegfeld Follies, num misto de raiva e bebedeira, Hewes escolhe à sorte a sua próxima parceira de entre as dançarinas do bar que frequenta. A escolhida foi a cintilante Hannah Brown (Judy Garland), que se revela um óptimo complemento - e também um belo sarilho - para o 'comandante' Hewes. Embora a sua parceria no início deixe muito à imaginação, aos poucos e poucos os dois entendem-se e com o tempo ganham bastante sucesso. O que fica por contar é que ao mesmo tempo que a sua parceria profissional floresce, também os sentimentos que nutrem um pelo outro crescem, mas ambos recusam teimosamente dizer o que sentem.

 
É esta a simplista história de "Easter Parade", que pega nos habituais clichés de filmes como "A Star is Born" - rapariga simpática tornada estrela por homem mais experiente - e nos lugares comuns das comédias românticas - Hannah (a rapariga boa) gosta do Don; o Don gosta da Nadine (a rapariga má que o rejeita e o humilha); Nadine gosta de Jonathan; o Jonathan gosta da Hannah - e cria um twist final para fazer avançar a história, levando os dois parceiros a desvendar o que sentem um pelo outro.


Com uma banda sonora do Oscarizado Irving Berlin, que compôs novas canções para este filme e uma fotografia impressionante do veterano Harry Stradling, Jr. (o mesmo que filmou "A Streetcar Named Desire", "Funny Girl", "My Fair Lady", "Gypsy" e muitos outros títulos), "EASTER PARADE" é, mesmo com as suas falhas (e são muitas, especialmente no argumento horrendo de Hackett e Goodrich, reescrito por Sheldon), um dos musicais mais infecciosamente alegres e entretidos que já vi e qualquer cena com Garland e Astaire é incandescente e colorida. Os seus passos de dança são verdadeiramente espectaculares (como no número "Drum Crazy") e a voz cheia de alma e vida dela é, como sempre, fenomenal.



Ann Miller está óptima também, sendo a grande revelação do filme. Um dos problemas que tive com o filme foi mesmo o de não perceber como alguém trocaria - que Deus me perdoe, mas é verdade - Miller por Garland. À pessoa que faz 'aquilo' em "Shaking the Blues Away" eu dava tudo, mesmo que me tratasse mal e humilhasse, para vocês verem o quão extraordinária é Miller nas suas poucas cenas.



Apesar de ser uma pena, de facto, ter ficado a pensar que o filme poderia ter sido bem melhor, algo mesmo muito especial, não nos podemos queixar. Afinal, como pode alguém queixar-se quando passa duas horas na companhia inolvidável de Astaire, Miller e Garland? Não podemos, como é óbvio.



Nota:
B

Informação Adicional:
Realização: Charles Walters
Argumento: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller, Peter Lawford
Fotografia: Harry Stradling, Jr.
Música: Irving Berlin e Conrad Salinger
Ano: 1948



Hit Me With Your Best Shot: EASTER PARADE (1948)

Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. Não pudemos participar nas duas primeiras sessões da terceira temporada, mas para esta semana estamos a postos e o filme em discussão é... EASTER PARADE (Walters, 1948), o último musical de Judy Garland na sua imortal casa, a MGM.



During the 1940s and 1950s, the musical genre was one of the most popular and on-demand kind of pictures that Hollywood could produce. Many great stars of that era got a start or an upwards push from appearing in one of these musicals and those were the movies that immortalized outstanding actors and actresses such as Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire or Ginger Rogers. Unfortunately, given the immense quantity of musicals produced each year, back in the day, only a few of them found moderate success. Usually, the ones with these big stars would thrive. Such is the case of "EASTER PARADE", a musical with a slim and cliché'd narrative, with very little story to tell but one that is compensated by swoony and joyful song-and-dance numbers that survive because of the excellent pairing of Judy Garland and Fred Astaire.

It's fun to look back and remember that this pairing almost didn't happen. Gene Kelly was the actor first cast in the male lead role. However, a broken leg pave way to Fred Astaire, nominally retired at the time. He didn't know it then, but this musical would reignite his career at MGM. Judy Garland was the first and only choice to star in the movie, but her struggle with overwork, depression, alcoholism and addiction to prescription drugs - which led to an unsuccessful suicide attempt the year before - were destroying her. She barely recovered to film "Easter Parade", which would end up being her last film with MGM and one of the last movies of her career. Even Ann Miller got lucky, because her part was to be played by Cyd Charisse. Nevertheless, the actress tore a ligament on the rehearsals and had to be replaced. Miller's casting proved to be tremendously spot-on, as she is the true highlight of the movie.


"EASTER PARADE" tells the story of Don Hewes (Fred Astaire), a theatre performer known for his extraordinary song-and-dance numbers alongside Nadine Hale (Ann Miller), who form the famous duo "Hale & Hewes". When Hale leaves to star in her own show in the Ziegfeld Follies, Hewes, in a spur of anger and drunkness, picks one of the dancers performing at a bar to be his next partner. The girl turns out to be the fantastic Hannah Brown (Judy Garland) and although their partnership in the beginning leaves much to be desired, after a while they start to become a huge hit. Moreover, despite loving each other, Hannah and Hewes try to maintain their relationship strictly professional. This is the simplistic plot behind "Easter Parade". It's a very straightforward story - Hannah loves Don; Don loves Nadine; Nadine loves Jonathan (Peter Lawford); Jonathan loves Hannah - until the story twists and the two big movie stars finally discover their true feelings for one another.

With old and new songs by Oscar winner Irving Berlin, "EASTER PARADE" is, even with all its flaws (its screenplay by Hackett and Goodrich, rewritten by Sheldon, is horrendous), one of the most entertaining, cheerful musicals I've seen and every scene with Garland and Astaire is bright and colourful. His dance moves are really spectacular (as exemplified in the "Drum Crazy" number) and her vibrato, soulful voice is always amazing ("Better Luck Next Time", y'all! Love it). Ann Miller was, for me, the true revelation from the movie. One of the issues I had with the movie was how someone could turn down this person who sings and dances beautifully (besides looking pretty as hell) in "Shaking the Blues Away" and prefer Judy Garland (and I love Judy Garland), so I have to ask: am I crazy to think this, especially given how badly Nadine treated Don? Probably. But Miller was nothing short of brilliant in her few scenes. 


 
A Diva is a Diva, even in 1912.

It's sad that the movie is not more original; however, how can one complain when he's being entertained by Garland, Miller and Astaire's singing and dancing moves? One cannot, obviously. 


As for Best Shot... 

I had a hard time picking one single moment as it's not a very memorable movie. But seriously, how can you deny Judy Garland for this SINGLE MOMENT OF AWESOMENESS?


Also, there's this:


And this:


You're such a genius, woman!


segunda-feira, 2 de abril de 2012

[DESTAQUE] "THE NEWSROOM", Aaron Sorkin de volta à televisão


Aaron Sorkin ("Moneyball", "A Few Good Men", "The Social Network"), criador das séries televisivas "The West Wing", "Sports Night" e "Studio 60 on the Sunset Strip", de volta ao pequeno ecrã - à HBO - com "THE NEWSROOM", que conta no seu elenco com Jeff Daniels, Emily Mortimer, Alison Pill, Dev Patel, John Gallagher, Jr., Olivia Munn, Chris Messina, Thomas Sadoski, Sam Waterston e Jane Fonda. Estreia no Verão de 2012. Que mais precisam de saber? Marquem já no calendário. Imperdível.

DAFA TV 2011: Melhor Série - Comédia

Terminamos hoje as categorias de Comédia hoje com MELHOR SÉRIE - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA




ARCHER  #2
COUGAR TOWN
LOUIE
PARKS & RECREATION   #1
SHAMELESS  #3
THE BIG BANG THEORY


FINALISTAS: "Modern Family" perdeu consistência; por outro lado, procurou que soubéssemos mais sobre as suas personagens, portanto é natural que a série não atinja nunca mais o brilhantismo da primeira temporada (mas quando funciona, a série resulta em grande). "Raising Hope" esteve perto da nomeação mas na falta de momentos memoráveis pecou, uma vez que esta é uma série para se seguir atentamente, pois vai premiando espectadores atentos com pequenos pormenores e chamadas de atenção para episódios anteriores. E é uma série mais sentimental que cómica. "The Big C" não é bem uma comédia e só por isso não está nomeada (isto porque também não é um drama e é definitivamente mais cómico que trágico). O que faz, contudo, faz bem. "Community" alternou entre o muito bom, o bom, o razoável e, mais vezes do que devia, desceu à normalidade o que, para uma comédia que pauta pela diferença, não auspicia a coisa boa. Felizmente, melhorou muito já este ano de 2011-2012.

NOMEADOS: Não houve série tão consistente e substancialmente hilariante como "Parks & Recreation" o ano passado por isso o vencedor desta categoria decidiu-se facilmente. "Shameless" é completamente louco e alucinante, mas também muito viciante e imperdível. Tão disfuncional e aventureira (algumas vezes roça o ridículo) quanto a família que a série acompanha. "Archer" vem da mente genial de Adam Reed, que faz comédia de chorar a rir com as situações mais sérias e impensáveis possíveis. Funciona em pleno porque os actores que emprestam as vozes às personagens, além de encaixarem que nem uma luva, são brilhantes, todos eles. "The Big Bang Theory" manteve-se engraçado mas subiu o jogo, utilizando o versátil elenco ao dispor - adicionando Mayim Blahik - para elevar o nível da comédia, que continuou tão inteligente quanto antes mas adquiriu uma acutilância ímpar esta temporada (praticamente todas as piadas resultavam). "Cougar Town" é inexplicável para quem não vê - tem um coração gigante, é de uma alegria e felicidade contagiantes e tem genuína piada para quem acompanha, porque usa e abusa de piadas internas, de exploração das personagens e funciona porque todos os momentos encaixam uns nos outros com precisão. Só quem vê semanalmente percebe o quão especial a série é. "Louie" é inspirada, refrescante, entusiasmante e, quando encontrou o seu ritmo a meio da primeira temporada, começou a produzir do melhor humor visto em televisão, fugindo de uma vez por todas ao rótulo de "nova Seinfeld".

EXTRA: Se hipoteticamente incluísse as novas séries como possíveis candidatos a nomeação (que não o faço), mudaria alguma coisa? Provavelmente "Cougar Town" sairia para dar lugar a "Enlightened", que talvez venceria também Melhor Actriz (Laura Dern) - e provavelmente vencerá, daqui a um ano.


Quais as vossas nomeadas para melhor comédia?


DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor - Comédia

Mais duas categorias: MELHOR ACTOR e MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:


MELHOR ACTOR - COMÉDIA


H. Jon Benjamin / ARCHER  #3
Thomas Jane / HUNG
William H. Macy / SHAMELESS  #1
Stephen Mangan / EPISODES
Jim Parsons / THE BIG BANG THEORY   #2
Jason Schwartzmann / BORED TO DEATH


Se eu tivesse atribuído estes prémios no Verão do ano passado como era suposto, o vencedor era Matthew Perry por "Mr. Sunshine", que infelizmente não teve pernas para andar e acabou cancelada pela ABC. Assim... o prémio fica também bem entregue a Macy, que se transcende no papel de Frank Gallagher, abraçando o lado negro da sua personagem e entregando-se de corpo e alma ao pobre - e muito bêbedo - pai de família que nem tenta - nem quer - fazer o melhor pelos filhos. Macy consegue o impossível: levar-nos a gostar de Frank, a apreciar o quão horrível ele é com os filhos e a aplaudir todos os incríveis esforços que ele emprega para arranjar mais álcool e droga. Jim Parsons era um óbvio segundo, uma vez que apesar de ele já não carregar "The Big Bang Theory" tanto às costas (a série finalmente aprendeu a usar o seu excelente elenco), é (quase) sempre dele que surgem as melhores tiradas, as ideias mais mirabolantes e o estilo de comédia que nos faz voltar à série, semana após semana. O seu emparelhamento com Mayim Blahik foi de génio. Thomas Jane nem sempre é valorizado como devia pela forma como soube despir-se do preconceito que é interpretar um homem normal, professor de educação física que leva uma vida secreta como prostituto com material avantajado e divertir-se com ele, nunca se esquecendo que não é preciso um comediante comprometer-se com cenas mais ousadas e que a piada está nas situações que enfrenta, não na sua identidade. O que H. Jon Benjamin faz tem de ser premiado algures. E como eu não tenho uma categoria de melhor voice-over, é como actor que eu o tenho de julgar. Sterling Archer é das maiores criações da comédia norte-americana dos últimos tempos, seja animada ou real. Archer devia ser odiado por quem vê a série, uma vez que é capaz de ser o homem mais cabeçudo à face desta Terra. Era suposto isto ser assim. Mas porque Archer ganha vida através da charmosa e confiante voz de Benjamin, vemo-nos obrigados a rir com os insultos que profere e a aceitar que é impossível não gostar do homem. Schartzmann é o rei no que toca a exibir entusiasmo pelas coisas mais ridiculamente mundanas e aborrecidas possíveis. Uma grande parte do sucesso de "Bored to Death" deve-se a ele, porque ele torna-o uma série muito melhor. Falta-me falar de Mangan, a verdadeira estrela de "Episodes". Não houve uma tirada dele que não me tenha feito rir. LeBlanc pode ter impressionado muitos com a forma como goza consigo próprio e Greig é de facto excelente também, mas Mangan, entre o desespero de aturar as zangas de LeBlanc e da mulher e das confusões em que ambos o enfiaram, o entusiasmo perante os excessos que a estação norte americana lhes põe à disposição e pelo ar excitadíssimo com que aceitou a sua nova vida em Hollywood, foi de facto a grande revelação cómica do ano.


MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA



Courteney Cox / COUGAR TOWN  #3
Patricia Heaton / THE MIDDLE
Laura Linney / THE BIG C
Martha Plimpton / RAISING HOPE  #2
Amy Poehler / PARKS & RECREATION  #1
Emmy Rossum / SHAMELESS

O dia em que eu parar de apregoar que Courteney Cox é uma das sete melhores comediantes femininas em televisão na actualidade (as outras sendo Poehler, Fey, Rudolph, Wiig, Kudrow e Plimpton) é melhor que me dêem com uma marreta pois não devo estar muito bem. Cox era excelente em "Friends", continuou impecável em "Dirt" e agora em "Cougar Town" volta a exceder-se, com uma personagem madura e mais complexa mas que partilha com a "sua" Monica Geller a instabilidade emocional e a necessidade patológica de servir os outros. Estou para ver o que mais é preciso para ela ganhar um Emmy. Já outra que tinha um Emmy pré-fabricado à sua espera o ano passado era Laura Linney, depois do enorme desempenho em "The Big C" o ano passado, onde alternou entre tristeza e alegria, esperança e desilusão com uma facilidade estonteante. O destino, contudo, foi cruel e Melissa McCarthy, da mesma forma que 'sacou' uma nomeação para os Óscares, 'sacou' a nomeação e depois a vitória nos Emmy (roubadinha, diga-se, a Linney e à próxima nomeada). Este ano Linney manteve a qualidade a que nos habituou mas juntou mais versatilidade cómica, algo que lhe tinha faltado, a meu ver, em 2010-2011. Não podemos, todavia, falar de premiar alguém nesta categoria sem lembrar Amy Poehler. Que esta mulher tenha visto passar três corridas aos Emmy e não tenha vencido nenhuma é imperdoável. Leslie Knope partilha com todos nós uma obsessiva - e única - paixão pelo governo, surgindo em cada cena luminosa, infecciosamente alegre e explorando inteligentemente os vários lados da sua personagem, que nem sempre são positivos. Rossum revelou-se uma comediante bastante dotada em "Shameless", algo que nunca havia antecipado. Destemida e com uma inestimável alma, a sua Fiona é o furacão que domina tudo e todos para manter a casa Gallagher em funcionamento - mesmo que ela não se sinta, muitas vezes, capaz de o fazer. Nem toda a gente aprecia Heaton. Eu detestava "Everybody Loves Raymond", por exemplo, e que ela tenha vencido dois Emmy pela série quando outros (Cox, Kaczmarek) não têm nenhum dói imenso, ainda hoje. Ainda assim, "The Middle" dá-nos uma dose saudável da comédia de Heaton e lá, tenho de admitir, gosto imenso dela. A sua exasperada matriarca Frankie partilha, aliás, muitas semelhanças com a Lois de Kaczmarek ("Malcolm in the Middle"): ambas são firmes, histéricas e complicadas, mas pela sua família fazem tudo, inclusive as coisas mais estapafúrdias possíveis. "Raising Hope", como disse quando falei de Dillahunt, é uma série especial. A família Chance é genial e acima de todos a nível cómico está Plimpton (um casting pelo qual tenho de congratular Greg Garcia). O espírito positivo e a atitude descomplicada de Plimpton ao abordar Virginia coloca-nos mais próximos dela e, deste modo, faz-nos apreciar ainda mais cada nuance da sua interpretação, que já é, só de si, espectacular. As ordinarices que esta mulher cospe da boca deviam correr tumblrs por esse mundo fora, como por exemplo: "I'm sure somewhere out there there is a woman that wants to be lured into your apartment to find you naked. Maybe you should try Greg's List!" ou " Jimmy, if you don't make a move soon, you're gonna get stuck in the Friend Zone. And that is a real thing, I saw it on Friends. Ross and Rachel were stuck in it; it made for some good episodes, but poor Ross was in hell.".


E para vocês, quem são os melhores comediantes a protagonizar séries na televisão?

sábado, 31 de março de 2012

O vento está a mudar...




Tenho estado com Julie Andrews e "Mary Poppins" na mente nos últimos dias. Será que cheiro algum artigo relacionado com "The Sound of Music" a caminho?

sexta-feira, 30 de março de 2012

DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Drama

Depois de termos abordado as minhas escolhas para Melhores Novas Séries e os meus nomeados (e vencedores) para Melhor Actor e Actriz Secundários em Comédia, venho hoje com mais duas categorias, homónimas das do último artigo mas na categoria de drama: MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA  e MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA


Alan Cumming / THE GOOD WIFE   #1
Peter Dinklage / GAME OF THRONES
Walton Goggins / JUSTIFIED   #3
Shawn Hatosy / SOUTHLAND
John Noble / FRINGE   
Aaron Paul / BREAKING BAD  #2



Seis escolhas fáceis de explicar: Dinklage foi presenteado com a melhor personagem de "Game of Thrones", mas isso não o impediu de transformar Tyrion Lannister em algo muito seu, rico em profundidade, carisma e presença. A sua cena na corte da Casa Arryn? Inesquecível. Cumming foi justamente nomeado para um segundo Emmy o ano passado (e sê-lo-á muito seguramente para um terceiro este ano) pelo seu Eli Gold. Não há personagem nem tão mordaz nem tão excêntrica quanto esta. Eli Gold poderia ter ido parar a muitos actores capazes que fariam um bom trabalho com a personagem. Contudo, esta foi cair nas mãos de Alan Cumming, que é um dos seres humanos mais absolutamente fascinantes que há. O resultado: Eli Gold torna qualquer cena em que aparece melhor pela sua mera aparição.  A vontade dos fãs de verem premiado John Noble ressoa muito em mim. Porque o homem, caramba, merece. Não há ninguém na televisão que tão facilmente consegue desdobrar a sua personagem e mutá-la numa coisa completamente diferente, ao mesmo tempo que com tanta leveza habita a sua personagem. Pena que a ficção científica não seja muito respeitada. Vamos agora pausar para falar de "Justified", sim? Uma série que transpira classe por todos os poros. Que Timothy Olyphant é excelente e Margo Martindale transcendente, todos sabemos. Não vejo é muita gente elogiar o restante elenco, de Natalie Zea a Jeremy Davies e, sim, Walton Goggins. Que maravilha foi vê-lo nomeado o ano passado para o Emmy.  Boyd é a arma secreta da série. É o cabrão mais complicado de entender que há em Harlan, imprevisível como um raio, um criminoso do mais rasca que existe mas que exibe traços de humanidade quando encostado à parede. Finalmente, Hatosy. "Southland" é das séries mais menosprezadas da televisão americana e, infelizmente, é uma das mais sensacionais séries policiais da última década. O ano passado, Bryant teve que lidar com o fim do seu casamento, um bebé que possivelmente não era seu e ver o seu parceiro ser morto. Hatosy fugiu ao melodrama e optou por nos deixar penetrar no seu íntimo, na sua alma, tornando as suas cenas simultaneamente difíceis de ver mas impossíveis de não experienciar. Desde "Peekaboo" que tenho Aaron Paul em muito boa conta. Como "Breaking Bad", o actor foi evoluindo e a sua interpretação melhora cada vez mais, mais detalhada, mais profunda, mais impregnada de magnetismo, de carisma, de presença. Um homem autêntico e real, que paga bem caro os erros (infantis, próprios da idade) que comete. Pinkman é extraordinário, mas o actor que o interpreta não o é menos.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA


Khandi Alexander / TREME   #3
Emilia Clarke / GAME OF THRONES
Regina King / SOUTHLAND
Margo Martindale / JUSTIFIED   #1
Archie Panjabi / THE GOOD WIFE  #2
Mae Whitman / PARENTHOOD

Esta categoria é Margo Martindale e depois todas as restantes. Martindale chega a "Justified" como um vulcão em erupção, enganando toda a gente com a sua doçura e o seu ar pacato de avó simpática nunca mostrando que por detrás dessa gentileza está um dos piores e mais temíveis vilões da televisão dos últimos anos. Brilhante. Panjabi continuou intrigante, misteriosa e poderosa, enquanto a vimos ser repetidamente atacada pelo novo investigador da firma e pelo segredo que ele desvenda que coloca a sua relação com Alicia na corda bamba (ver Kalinda a chorar foi das cenas mais intensas e emocionais que vi na televisão o ano passado). Levaria facilmente o prémio em qualquer ano não fosse este o ano de Martindale (e que me leva a arrepender ter fugido a premiá-la o ano passado). Khandi Alexander é impecável em "Treme" e se mais gente visse a série ia perceber que a actriz está aqui a anos-luz do seu estereótipo de personagem em "CSI". Whitman faz a sua Amber pulsar de adrenalina adolescente, vivendo todas as emoções à superfície. Um dos maiores trunfos de um actor é saber dizer com a expressão facial tudo aquilo que sente lá dentro. Whitman fá-lo com uma facilidade tremenda e torna a sua química com Lauren Graham, sua mãe na série e também ela uma profissional a dizer as coisas com o olhar, fantástica de analisar e observar. Duas grandes mulheres. Regina King é das mais sólidas actrizes de elenco que anda pelo pequeno ecrã e eu já penso isto há anos. Em "Southland", foi-lhe permitido florescer uma personagem de superfícies duras, aguçadas, com muito para contar mas com pouca vontade de mostrar. Nestas últimas duas temporadas, a sua detective Lydia, que costuma ser muito composta, calma, confiante e segura de si própria tem sido atirada aos leões, por assim dizer, com casos marcantes, um novo parceiro, traições, romance e tiroteio que permitem a King mostrar de que fibra é feito o seu gene da representação. De "Game of Thrones" tive que ponderar escolher entre Maisie Williams e Emilia Clarke. Depois vi que não podia conscientemente colocar cá Williams sem ter também Kiernan Shipka (a Sally de "Mad Men" esconde um enorme potencial enquanto actriz; espero que aproveite) e ficou Clarke então com o lugar. Não que ela não o mereça, claro, porque só alguém tão impressionante e talentosa como Clarke podia fazer de Daenerys a personagem tão frágil quanto imperiosa que é (não é qualquer mulher que domina Khal Drogo de forma tão majestosa). Além de Williams e Shipka, perto dos nomeados ficaram também a sempre espectacular Christina Hendricks ("Mad Men"), a consistente Natalie Zea ("Justified"), a incandescente Kelly MacDonald ("Boardwalk Empire") e a fogosa Christine Baranski ("The Good Wife").


E para vocês, quem foram os melhores personagens secundários em dramas neste último ano (e meio)?

domingo, 25 de março de 2012

CARNAGE (2011)




Adaptado de uma peça de sucesso da Broadway, Carnage foi uma arriscada investida de Roman Polanski. Aquilo que vemos no ecrã é uma tentativa arrojada. Não é fácil pegar numa peça de teatro, ainda por cima tão redutora e simplista em cenários, e reproduzir um filme atraente para o espectador. O segredo? Claro, as interpretações. E são interpretações de um bom nível, em especial a das mulheres e em especial a de Kate Winslet que fazem a diferença, transformando Carnage num filme interessante, diferente e agradável.



Tudo começa com uma briga de crianças. O filho do casal Cowan agride o filho mais velho do casal Longstreet, e ambos os casais se reúnem para esclarecer o sucedido. Michael Longstreet (John C. Reilly) é um descontraído chefe de família num casamento feliz com a histérica Penelope Longstreet (Jodie Foster). Recebem na sua residência um casal em desarmonia, onde Alan (Christoph Waltz) se distancia, desde o princípio, da briga dos miúdos e se foca unicamente no seu telemóvel e nos seus problemas profissionais. Abandonada e carente, Nancy (Kate Winslet) vai-se descompondo, derrotada por todas as acusações e discussões do encontro.


Um filme que tem algumas dificuldades em ultrapassar as limitações de uma peça de teatro, acaba por levar a alguma impaciência por parte dos espectadores que sejam adeptos de filmes mais directos. Enrola um pouco e vive de uma história que, tal como um novelo, se vai desenrolando, lentamente, com pormenores e atitudes que são um requinte de representação, uma demonstração de qualidade e competência de um grupo de actores de elite, que se juntam para celebrar o currículo e a qualidade da carreira de Roman Polanski. Algo de novo, algo de diferente. Agradável.

Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Yasmina Reza
Ano: 2011
Duração: 80 minutos

quarta-feira, 21 de março de 2012

DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Comédia

Tentarei que até ao final de Março os meus prémios de televisão deste ano estejam anunciados e entregues. No primeiro artigo dedicado a estes prémios, falei dos meus escolhidos para Melhor Nova Série. Hoje, trago-vos outras duas categorias: MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA e MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA

Ty Burrell / MODERN FAMILY   #3
Garrett Dillahunt / RAISING HOPE
Peter Facinelli / NURSE JACKIE   #2
John Benjamin Hickey / THE BIG C
Nick Offerman / PARKS & RECREATION  #1
Danny Pudi / COMMUNITY

Mesmo que tivesse dado estes prémios há ano e meio atrás, os nomeados não teriam mudado. Por exemplo, ainda hoje me lembro vividamente o quanto Peter Facinelli me fez rir na terceira temporada de "Nurse Jackie", que apesar de ter sido de longe a pior temporada que a série da Showtime, teve na Zoey e no Dr. Cooper dois pontos fortíssimos. E John Benjamin Hickey só cresceu na minha admiração com a segunda temporada de "The Big C": mais carisma, mais nuance, mais personalidade e mais profundidade. Ron Swanson (Nick Offerman) é Ron Swanson e não precisa de ser dito mais nada; é a melhor personagem de comédia que a TV norte-americana nos ofereceu nos últimos cinco anos. Danny Pudi podia optar por deixar o seu Abed ser um estereótipo e um bastante bizarro como tal. O processo de humanização que a personagem sofreu esta temporada tem tanto da escrita como do actor e só um actor de elevadíssimo calibre conseguia pegar em Abed e cometer o maior feito que um actor - que interpreta um homem bem acima dos vinte anos que é viciado em banda-desenhada, que filma documentários sobre si mesmo, que é seguidor ávido de "Cougar Town" e "Inspector Spacetime", que acha que as pessoas são 'blorgons', que se comporta, com o seu melhor amigo, como se fosse uma criança pequena e que racionaliza a mais pura das emoções - poderia fazer: ser normal. E fazê-lo parecer tão fácil. Finalmente, Garrett Dillahunt. "Raising Hope" é uma série com tanta piada como inteligência, com tanto humor como coração. O Burt de Dillahunt é assim mesmo: um tonto meio parvo, mas genuíno, honesto e com muita, muita piada. Não dá para resistir ao homem.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA

Mayim Blahik / THE BIG BANG THEORY   #2
Julie Bowen / MODERN FAMILY
Rebecca Creskoff / HUNG
Judy Greer / ARCHER  #3
Christa Miller / COUGAR TOWN   #1
Merritt Wever / NURSE JACKIE

Começamos pela nomeada mais "polémica": Judy Greer. Alguns puristas vão-me dizer logo que interpretações são interpretações, usar a voz para criar uma personagem não é uma interpretação. Desculpem-me mas o que Ellen DeGeneres fez em "Finding Nemo" ou Eddie Murphy em "Shrek" é melhor do que muitos actores de comédia a sério fazem na vida real. Assim sendo, para mim, conta tudo. E Judy Greer - aliás, todo o elenco de "Archer" mas Judy Greer e H. Jon Benjamin (falaremos sobre ele mais à frente nos prémios) em particular - são soberbos. Não há uma palavra fora do sítio ou mal pronunciada, sempre com o tique e a entoação certa. E depois, de vez em quando, lá vem aquela doçura inapropriada de Greer quando menos esperamos. E Cheryl - ou Crystal - só tem vida porque Greer cria ali, com apenas a sua voz, uma personagem fascinante. Continuando. Merritt Wever. Se este prémio fosse dado pela segunda temporada de "Nurse Jackie", esta enfermeira adorável e fofinha ganhava-o. Zoey é desajeitada e atabalhoada, contudo só o é porque Wever pretende que ela o seja. Outro actor podia fugir de ser o trapalhão e tentar ler só as suas falas com jeito e humor, mas Wever, destemida e confiante, eleva o seu jogo. Temerária é também Rebecca Creskoff. "Hung" não lhe dá muito para fazer, mas nunca vi uma actriz que aproveite tão bem o pouco tempo de ecrã que tem para roubar a cena aos protagonistas. A mulher é, à falta de melhor palavra, incandescente. Falemos agora de Julie Bowen, a "arma secreta" de "Modern Family". Isto quando a série a deixa brilhar o que, convenhamos, não acontece muito frequentemente. Excelente no humor físico, impecável na forma como aproveita a química com Ty Burrell e Jesse Tyler Ferguson (o seu marido e o seu irmão, respectivamente, na série) para conferir mais nuance e personalidade à sua personagem e exímia na entrega das suas falas. Uma verdadeira profissional. Vamos agora falar do estranho caso de Mayim Bialik. "The Big Bang Theory" não precisava dela. Ou melhor, precisava, só que não o sabia (ainda). Bialik conseguiu o improvável feito de melhorar todas as personagens à sua volta, desde Sheldon a Penny. Sim, Sheldon continua a ser incrivelmente sociopata. Todavia, a sua interacção com Amy revela facetas do seu carácter até agora desconhecidas. Também Penny tem finalmente hipótese de ter histórias que não envolvam os rapazes e de mostrar que é mais do que uma menina bonita que nunca deixa um homem sem resposta. A somar a tudo isto: Bialik é hilariante. Ficamos todos a ganhar com esta adição. Finalmente, a minha vencedora: Christa Miller. Porque eu amo "Cougar Town". Porque a principal razão para eu amar "Cougar Town" é Miller. Porque de cada vez que ela responde mal a alguém, insulta Courteney Cox ou Busy Philips, chama idiota a um e atrasado a outro e comporta-se depois pior que qualquer um deles eu dou um pulo no meu assento e quase aplaudo de alegria. Ver a Ellie ser a Ellie faz-me feliz. Pronto. Eu disse.
 
Estes são os meus nomeados para melhores. Quais são as vossas escolhas?