Dial P for Popcorn: Anos 40
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

EASTER PARADE (1948)



Nos anos 40 e 50, os musicais eram um dos géneros cinematográficos mais populares e mais requisitados juntos dos grandes estúdios. Muitas grandes estrelas desse tempo entraram ou fizeram carreira em musicais e foram estes que imortalizaram estrelas de cinema tão grandes como Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire ou Ginger Rogers. Infelizmente, quantidade não equivale a qualidade e por cada dez musicais produzidos nessa época, um ou dois tinham sucesso, invariavelmente aqueles que tinham uma boa história ou, melhor que isso, onde entravam as maiores estrelas de cinema musical de então. Como este "EASTER PARADE", um musical muito divertido e alegre, com números musicais agradáveis e luminosos engrandecidos pela presença da parelha Garland e Astaire que infelizmente não almejam a mais que um bom filme graças à falta de originalidade e fraqueza da narrativa.


Hoje em dia, é engraçado pensar que este par esteve para não acontecer. Gene Kelly era o escolhido para protagonista masculino, mas devido a uma perna partida, teve que ser substituído. O próprio propôs Fred Astaire que, apesar de aparentemente reformado na altura, abraçou a oportunidade de trabalhar com Judy Garland. Ele não o sabia então, mas foi este filme que lhe reacendeu a carreira, dando-lhe mais dez anos de ouro com a MGM. Judy Garland foi sempre a única escolha para o papel feminino, mas ela vinha de uma experiência profissional complicada com o seu marido Vicente Minnelli (filmaram juntos "The Pirates" um ano antes) que o obrigou mesmo a passar a realização deste filme, que era para ser realizado por si também, para Charles Walters. Além disso, os problemas de Garland com a depressão, o excesso de trabalho, o alcoolismo e o abuso medicamentoso - que culminaram numa tentativa falhada de suicídio - estavam a tomar o melhor dela. Ela mal recuperou para filmar "Easter Parade", tendo que ser internada numa clínica de reabilitação logo depois. Desde essa altura que Garland nunca mais se recompôs e "Easter Parade" tornou-se não só o seu último filme com a MGM como também um dos seus últimos filmes de sempre. Também Ann Miller teve sorte, porque o seu papel era originalmente de Cyd Charisse. Entretanto, a actriz torceu um ligamento e foi obrigada a ser trocada. O casting de Miller provou ser um sucesso, uma vez que a actriz é o ponto alto da película.


"EASTER PARADE" narra a história de Don Hewes (Fred Astaire), um dançarino de excelência que, em conjunto com a formosa e talentosa Nadine Hale (Ann Miller), forma o duo "Hale & Hewes". Quando Hale o troca pela chance de ter o seu próprio espectáculo no Ziegfeld Follies, num misto de raiva e bebedeira, Hewes escolhe à sorte a sua próxima parceira de entre as dançarinas do bar que frequenta. A escolhida foi a cintilante Hannah Brown (Judy Garland), que se revela um óptimo complemento - e também um belo sarilho - para o 'comandante' Hewes. Embora a sua parceria no início deixe muito à imaginação, aos poucos e poucos os dois entendem-se e com o tempo ganham bastante sucesso. O que fica por contar é que ao mesmo tempo que a sua parceria profissional floresce, também os sentimentos que nutrem um pelo outro crescem, mas ambos recusam teimosamente dizer o que sentem.

 
É esta a simplista história de "Easter Parade", que pega nos habituais clichés de filmes como "A Star is Born" - rapariga simpática tornada estrela por homem mais experiente - e nos lugares comuns das comédias românticas - Hannah (a rapariga boa) gosta do Don; o Don gosta da Nadine (a rapariga má que o rejeita e o humilha); Nadine gosta de Jonathan; o Jonathan gosta da Hannah - e cria um twist final para fazer avançar a história, levando os dois parceiros a desvendar o que sentem um pelo outro.


Com uma banda sonora do Oscarizado Irving Berlin, que compôs novas canções para este filme e uma fotografia impressionante do veterano Harry Stradling, Jr. (o mesmo que filmou "A Streetcar Named Desire", "Funny Girl", "My Fair Lady", "Gypsy" e muitos outros títulos), "EASTER PARADE" é, mesmo com as suas falhas (e são muitas, especialmente no argumento horrendo de Hackett e Goodrich, reescrito por Sheldon), um dos musicais mais infecciosamente alegres e entretidos que já vi e qualquer cena com Garland e Astaire é incandescente e colorida. Os seus passos de dança são verdadeiramente espectaculares (como no número "Drum Crazy") e a voz cheia de alma e vida dela é, como sempre, fenomenal.



Ann Miller está óptima também, sendo a grande revelação do filme. Um dos problemas que tive com o filme foi mesmo o de não perceber como alguém trocaria - que Deus me perdoe, mas é verdade - Miller por Garland. À pessoa que faz 'aquilo' em "Shaking the Blues Away" eu dava tudo, mesmo que me tratasse mal e humilhasse, para vocês verem o quão extraordinária é Miller nas suas poucas cenas.



Apesar de ser uma pena, de facto, ter ficado a pensar que o filme poderia ter sido bem melhor, algo mesmo muito especial, não nos podemos queixar. Afinal, como pode alguém queixar-se quando passa duas horas na companhia inolvidável de Astaire, Miller e Garland? Não podemos, como é óbvio.



Nota:
B

Informação Adicional:
Realização: Charles Walters
Argumento: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller, Peter Lawford
Fotografia: Harry Stradling, Jr.
Música: Irving Berlin e Conrad Salinger
Ano: 1948



Hit Me With Your Best Shot: EASTER PARADE (1948)

Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. Não pudemos participar nas duas primeiras sessões da terceira temporada, mas para esta semana estamos a postos e o filme em discussão é... EASTER PARADE (Walters, 1948), o último musical de Judy Garland na sua imortal casa, a MGM.



During the 1940s and 1950s, the musical genre was one of the most popular and on-demand kind of pictures that Hollywood could produce. Many great stars of that era got a start or an upwards push from appearing in one of these musicals and those were the movies that immortalized outstanding actors and actresses such as Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire or Ginger Rogers. Unfortunately, given the immense quantity of musicals produced each year, back in the day, only a few of them found moderate success. Usually, the ones with these big stars would thrive. Such is the case of "EASTER PARADE", a musical with a slim and cliché'd narrative, with very little story to tell but one that is compensated by swoony and joyful song-and-dance numbers that survive because of the excellent pairing of Judy Garland and Fred Astaire.

It's fun to look back and remember that this pairing almost didn't happen. Gene Kelly was the actor first cast in the male lead role. However, a broken leg pave way to Fred Astaire, nominally retired at the time. He didn't know it then, but this musical would reignite his career at MGM. Judy Garland was the first and only choice to star in the movie, but her struggle with overwork, depression, alcoholism and addiction to prescription drugs - which led to an unsuccessful suicide attempt the year before - were destroying her. She barely recovered to film "Easter Parade", which would end up being her last film with MGM and one of the last movies of her career. Even Ann Miller got lucky, because her part was to be played by Cyd Charisse. Nevertheless, the actress tore a ligament on the rehearsals and had to be replaced. Miller's casting proved to be tremendously spot-on, as she is the true highlight of the movie.


"EASTER PARADE" tells the story of Don Hewes (Fred Astaire), a theatre performer known for his extraordinary song-and-dance numbers alongside Nadine Hale (Ann Miller), who form the famous duo "Hale & Hewes". When Hale leaves to star in her own show in the Ziegfeld Follies, Hewes, in a spur of anger and drunkness, picks one of the dancers performing at a bar to be his next partner. The girl turns out to be the fantastic Hannah Brown (Judy Garland) and although their partnership in the beginning leaves much to be desired, after a while they start to become a huge hit. Moreover, despite loving each other, Hannah and Hewes try to maintain their relationship strictly professional. This is the simplistic plot behind "Easter Parade". It's a very straightforward story - Hannah loves Don; Don loves Nadine; Nadine loves Jonathan (Peter Lawford); Jonathan loves Hannah - until the story twists and the two big movie stars finally discover their true feelings for one another.

With old and new songs by Oscar winner Irving Berlin, "EASTER PARADE" is, even with all its flaws (its screenplay by Hackett and Goodrich, rewritten by Sheldon, is horrendous), one of the most entertaining, cheerful musicals I've seen and every scene with Garland and Astaire is bright and colourful. His dance moves are really spectacular (as exemplified in the "Drum Crazy" number) and her vibrato, soulful voice is always amazing ("Better Luck Next Time", y'all! Love it). Ann Miller was, for me, the true revelation from the movie. One of the issues I had with the movie was how someone could turn down this person who sings and dances beautifully (besides looking pretty as hell) in "Shaking the Blues Away" and prefer Judy Garland (and I love Judy Garland), so I have to ask: am I crazy to think this, especially given how badly Nadine treated Don? Probably. But Miller was nothing short of brilliant in her few scenes. 


 
A Diva is a Diva, even in 1912.

It's sad that the movie is not more original; however, how can one complain when he's being entertained by Garland, Miller and Astaire's singing and dancing moves? One cannot, obviously. 


As for Best Shot... 

I had a hard time picking one single moment as it's not a very memorable movie. But seriously, how can you deny Judy Garland for this SINGLE MOMENT OF AWESOMENESS?


Also, there's this:


And this:


You're such a genius, woman!


domingo, 14 de agosto de 2011

THE MALTESE FALCON (1941)



Humphrey Bogart era um daqueles para quem a tela de cinema era demasiado pequena para tanta qualidade. Era daqueles que, sozinho, fazia o filme. Era daqueles que enchia o ecrã. Tudo porque era fantástico e porque a sua qualidade está à vista em praticamente todos os filmes em que entrou. Casablanca deve-lhe uma fatia do seu sucesso. E Maltese Falcon deve-lho todo. Sem Bogart, este seria mais um filme interessante do início da década de 40, com algumas ideias originais e momentos agradáveis. Bogart deu-lhe o toque de arte que só está ao nível de uma meia dúzia de predestinados, que nasceram para ser lendários.


Samuel Spade (Humphrey Bogart) reparte com Miles Archer uma sociedade de detectives com sucesso em alguns dos mais mediáticos casos de San Francisco. Quando contratados por Brigid O'Shaughnessy (Mary Astor), Archer é assassinado e Floyd Thursby, o homem que este investigava, aparece morto. De imediato, Spade é acusado da morte do seu colega devido aos rumores de um suposto envolvimento com Iva Archer. Na tentativa de refutar todas acusações, Spade procura Brigid e aos poucos começa a montar o puzzle da morte do seu companheiro.


Esta explica-lhe que estava em San Francisco com o seu companheiro, Floyd Thursby, e que ambos procuravam um dos mais desejados tesouros da antiguidade: O lendário falcão maltês feito de jóias valiosíssimas e ouro, oferecido pelos Cruzados ao Imperador Romano, como retribuição pela sua generosa oferta das terras de Malta. É aí que Spade é contactado por Joel Cairo, um misterioso homem que o persegue e ameaça com a necessidade de encontrar o tão desejado Falcão, a grande obcessão do seu poderoso chefe, Kasper Gutman, que há muitos anos procura a valiosa estatueta.


Numa luta contra o tempo, contra a polícia e contra o poderoso submundo do contrabando de mercadorias, Spade faz uso do seu charme e da sua capacidade de argumentação, para ludibriar aqueles que o confrontam. E é tão bom no que faz, que consegue escapar a tentativas de homicídio e ameaças de prisão, acabando por resolver um caso que à partida parecida perdido. E toda esta engenhosa personagem é embelezada, engrandecida e imortalizada por uma habilidade natural única na arte de representar. Humphrey Bogart é muito grande em The Maltese Falcon.


Nota Final:
B+


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: John Huston
Argumento:
John Huston
Ano:
1941
Duração:
100 minutos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Especial Animação: A ternura de DUMBO (70º Aniversário)

Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. 

A terminar, o brilhante Gonçalo Trindade (colaborador de vários espaços mas mais conhecido, em termos de cinema, pela sua colaboração no Ante-Cinema) ficou de falar de um clássico que encantou várias gerações: DUMBO - que celebra 70 anos de vida a 23 de Outubro deste ano. Eis o Gonçalo:


Sendo um dos mais simples, adoráveis e inocentes filmes da Disney, Dumbo é frequentemente considerado uma das maiores obras-primas do estúdio e, quer ascenda ou não a esse patamar (não ascende, a meu ver) é totalmente inegável que este é, simplesmente, um filme absolutamente lindíssimo.
É difícil não gostar de um filme assim, que vive à base de uma personagem tão mágica e inocente como Dumbo, aquele elefante bebé de orelhas grandes que não fala (uma inspiração para Wall-E, talvez), e que não compreende o porquê de todo o mal que lhe acontece, seja esse mal os que com ele gozam, ou o aprisionar da sua mãe que tem como consequência aquela que é, muito provavelmente, uma das mais tocantes cenas alguma vez feitas pelo estúdio de animação: aquela em que a mãe de Dumbo o embala com a tromba de dentro da carruagem onde está presa, enquanto ao mesmo tempo lhe canta uma canção. Todo o filme é, aliás, profundamente tocante na forma como retrata a relação mãe-filho, raramente abordade tão acertadamente num filme de animação. A cena, logo perto do início, em que a senhora elefante recebe da cegonha o jovem Dumbo é, por si só, um verdadeiro prodígio, que ainda hoje coloca facilmente um sorriso na face de cada um.
Se é verdade que este é o filme com a personagem mais adorável de todos os filmes da Disney (desculpa, Bambi, mas o Dumbo ganha), e que todos os amigos que vão surgindo na vida do pequeno elefante são encantadores (com destaque dado, claro, a Timothy, o rato), é também verdade que não é só aí que reside o triunfo do filme: o seu grande valor existe antes na forma como, através de um filme tão simples, que nem aos 80 minutos chega, e que tem uma personagem principal que nem sequer emite uma palavra, se conseguem mostrar alguns dos maiores males do mundo e ensinar algumas das mais belas lições da Humanidade. A forma como o grupo de elefantes diz mal da mãe de Dumbo após esta ter sido presa, por exemplo, ou a forma como os rapazes puxam as orelhas do jovem elefante enquanto gozam com ele, são momentos de cinema em que está ali exposto mais do que ao início pode parecer. Dumbo é, em grande parte, um filme sobre o preconceito e a forma como este afecta aqueles que, simplesmente, não o compreendem nem o merecem. Daí que tenha sido um golpe de génio em criar Dumbo como uma criança que nem falar sabe: é um paralelismo directo a um mundo onde muitos jovens nascem marcados desde o início, seja pela raça ou o que for, sem compreenderem o porquê dessas marcas. Marcas essas que podem ser trasnformadas em dons; afinal de contas, aquilo que mais dor causa a Dumbo, acaba por ser exactamente aquilo que o faz voar.

É uma lição de vida poderosa e importante, abordada de forma perfeita naquele que foi o quarto filme do estúdio, feito para recuperar as perdas geradas pelo incrível Fantasia. Foi o filme mais barato do estúdio até àquela altura, e acabou por ser um verdadeiro milagre monetário para Disney. É, no geral, sem dúvida um dos seus filmes mais simples, sem grande inovação a nível visual (os cenários não são muito elaborados, e não há cenas que sejam realmente espectaculares nesse aspecto, exceptuando talvez a cena em que o jovem elefante fica bêbado e… vê elefantes cor-de-rosa), sendo possível ver esse orçamento mais pequeno com que foi feito, mas é ainda assim uma pequena pérola visual nem que seja, claro, pelo próprio Dumbo, que encanta e parte corações com os mais belos olhos azuis que o cinema de animação alguma vez viu. Talvez seja essa mesma a palavra que melhor descreve o filme: é uma pérola. Pequeno, simples, mas de uma enorme beleza e uma complexidade moral que pode ser comparada à audacidade de ter, diga-se, uma personagem principal que nem abre a boca e que tem de criar uma ligação com o espectador apenas pelo seu aspecto e pelos seus movimentos (é necessário relembrar que este foi o quarto filme do estúdio: fazer algo assim tão cedo é, no mínimo, arriscado). E as canções, ainda que muito, muito longe do melhor que o estúdio já fez (excepção dada a "Baby Mine", a música da cena já mencionada em que a mãe embala o filho), são completamente encantadoras.


Uma história de amor entre mãe e filho, uma história de preconceito, e uma história de inocência, este "Dumbo" é, de longe, um dos mais encantadores filmes da Disney. Sim, não tem a complexidade visual de um "Branca-de-Neve", nem a trama bem-pensada de um "Rei Leão" ou um "Bela e o Monstro", mas tem uma alma do tamanho do mundo, uma inocência presente do primeiro ao último segundo, e uma personagem principal que tornaria qualquer filme mau num bom. Lindíssimo e tocante, é uma obra intemporal que deverá, se houver justiça e sabedoria no mundo, fazer parte da infância de muitas mais gerações ao longo de longos, longos anos. Afinal de contas, não é só o facto de ser adorável: Dumbo é, também, uma lição de vida ensinada de uma forma que consegue chegar a todos. Se isso não é sinal do triunfo de um filme (seja ele de animação ou não), então não sei o que o será.



Obrigado, Gonçalo, por teres aceite o convite! Belo texto!
E a vocês, também comove assim ver a história de Dumbo?

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

LADRI DI BICICLETTE (1948)


Um filme profundamente triste e estrondosamente comovente. Uma história simples, eternamente actual e sem precisar de grandes recursos. O argumento do filme é excelente.


Ladri di Biciclette é um filme que nos fala dos tempos de crise numa Itália ainda a recompor-se dos efeitos da Segunda Guerra Mundial, em que Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), um jovem chefe de família, encontra finalmente trabalho como (e agora a minha ignorância remete-me para este termo rudimentar) "afixador de posters", que o obriga a vender o enxoval da sua mulher para comprar uma bicicleta. Maravilhado com a compra e perspectivando um futuro melhor para si e para os seus, parte para o seu primeiro dia de trabalho com o seu filho, uma amorosa criança de seis anos que para ajudar às despesas da casa, engraxa sapatos nas ruas de Roma.


Antonio está decidido a vingar na sua nova profissão e durante o primeiro dia concentra-se na sua tarefa de colocar os posters como lhe foi ensinado. No entanto, a distracção e a imprudência de quem é novato e ingénuo, leva a que a sua bicicleta seja roubada. Assim que se apercebe, Antonio corre até as suas forças lhe faltarem, entrando inclusivamente num taxi, onde conta com a "ajuda" de um parceiro do assaltante, que o desvia para uma trajetória diferente da do assaltante. Desesperado, procura por toda a cidade a sua bicicleta, até que ao cair da noite regressa a casa, infeliz e derrotado.


E é aí que decide que não irá virar a cara à derrota. Juntamente com o seu filho, iniciam uma busca incansável pela bicicleta, calcorreando todas as feiras e oficinas de Roma, investigando todos os becos e ruelas. Se terão sucesso na sua investida, é algo que o leitor terá que descobrir por si próprio. Seria criminoso da minha parte divulgar-vos os melhores e mais intensos momentos de um filme que é todo ele uma lição de vida. Ladri de Biciclette é um filme que merece a reflexão do espectador e um lugar de destaque na prateleira dos seus filmes.


Nota Final: A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Vittorio De Sica
Argumento
: Adaptação de Cesare Zavattini do livro de Luigi Bartolini
Ano
: 1948
Duração
: 93 minutos

terça-feira, 30 de novembro de 2010

IMDB Top250

Acho que não existe nenhum amante de cinema que não tenha o desejo de completar a famosa lista dos 250 melhores filmes do site IMDb.com. Como todas as listas, é discutível e nunca será consensual.

No entanto, e no meu entender, é uma lista com vários filmes muito bons e que é uma óptima porta de entrada para o mundo do cinema. No meu caso pessoal, que  fui conhecendo o cinema praticamente sozinho, esta lista foi um fantástico cartão de visita, que me ajudou a separar o trigo do joio e a perceber porque existe tanta paixão e admiração em relação a alguns filmes.

O que me proponho a fazer é algo simples, que certamente já foi feito por outros blogues. Faço-o porque quero-o no nosso blogue e porque espero que, com esta separação e breve introdução, consiga ajudar outros que, tal como eu, precisam de um pequeno empurrão para começar esta fantástica viagem pela sétima arte.

Ainda não consegui ver todos os 250 filmes e como tal não vou poder opinar sobre todos. No entanto, em todas as décadas tentarei salientar o filme que, para mim, é mais interessante e sobressai entre os restantes.

SÉCULO XX

Década de 20:


A única década onde ainda não vi qualquer filme. Sempre ouvi referências ao Metropolis como sendo um grande filme. Depois desta divisão, fico com os filmes organizados e já sei por onde começar. Vi o The Kid quando era pequeno e recordo-me dele com saudade. É difícil um filme de Charles Chaplin ser mau, embora The Kid não seja para mim o seu melhor filme.

Metropolis (1927)
The General (1926)
Aurora (1927)
The Gold Rush (1925)
The Kid (1921)
La passion de Jeanne d'Arc (1928)


Década de 30:


Grandes e memoráveis filmes. Vi City Lights e Modern Times há algum tempo, quando a nostalgia da infância me atingiu e senti vontade de rever os clássicos de Charles Chaplin. Qualquer um deles é genial e qualquer um deles é um marco na história do cinema. No entanto, temos também aqui o famoso M, que com pena nunca vi! O grande problema destas primeiras três décadas de cinema do Top250 está na dificuldade que existe em encontrar os filmes em versões de qualidade. Mais uma década a ter em atenção e que espero em breve conseguir actualizar por completo.

M (1930)
City Lights (1931)
Modern Times (1936)
Mr. Smith Goes to Washington (1939)
The Wizard of Oz (1939)
It Happened One Night (1934)
Gone with the Wind (1939)
All Quiet on the Western Front (1930)
Duck Soup (1933)
King Kong (1933)


Década de 40:


Uma década com grandes clássicos! Casablanca, It’s a Wonderful Life, Citizen Kane, The Third Man… É dificil escolher um favorito. Adoro o Casablanca, mas é inevitável não colocar no topo o Citizen Kane. É um dos filmes que mais me marcou até hoje, de que gosto intensamente. Ladri di Biciclette é um filme que vou ver muito em breve, sobre o qual tenho tido óptimas referências e cuja presença neste Top me despertou a atenção. Em breve estará no nosso blogue.

Casablanca (1942)
It's a Wonderful Life (1946)
Citizen Kane (1941)
Double Indemnity (1944)
The Third Man (1949)
The Treasure of the Sierra Madre (1948)
The Great Dictator (1940)
Ladri di biciclette (1948)
The Maltese Falcon (1941)
Rebecca (1940)
Notorious (1946)
The Big Sleep (1946)
The Grapes of Wrath (1940)
The Best Years of Our Lives (1946)
Kind Hearts and Coronets (1949)
His Girl Friday (1940)
Arsenic and Old Lace (1944)
The Philadelphia Story (1940)
Rope (1948)
Shadow of a Doubt (1943)


Década de 50:


E à medida que avançamos nas décadas, os filmes vão aumentando em quantidade e qualidade. Numa década com bastantes filmes de Hitchcock, fico dividido entre 12 Angry Men e Rear Window para a escolha de filme de destaque. Temos All About Eve (o filme da vida do Jorge), Ikiru, Rashomon e um filme que adoro perdidamente, Les quatre cents coups... Quero deixar bem claro que não vi todos os filmes e portanto a escolha que faço hoje pode muito bem não ser a mais justa e pode, perfeitamente, ser alterada quando vir todos os filmes desta década. Mas opto por Rear Window, para mim o melhor filme de Hitchcock e o ponto mais alto da sua carreira. É um filme com um argumento fantástico, que não tem falhas e que é construído com uma imaginação de levar ao céu. Mas que grande década esta de 50!

12 Angry Men (1957)
Seven Samurai (1954)
Rear Window (1954)
Sunset Blvd. (1950)
North by Northwest (1959)
Vertigo (1958)
Paths of Glory (1957)
Singin' in the Rain (1952)
The Bridge on the River Kwai (1957)
Some Like It Hot (1959)
Rashômon (1950)
All About Eve (1950)
On the Waterfront (1954)
Det sjunde inseglet (1957)
Touch of Evil (1958)
Strangers on a Train (1951)
Witness for the Prosecution (1957)
Smultronstället (1957)
High Noon (1952)
Ben-Hur (1959)
Le salaire de la peur (1953)
Les diaboliques (1955)
Ikiru (1952)
The Night of the Hunter (1955)
The Killing (1956)
A Streetcar Named Desire (1951)
Les quatre cents coups (1959)
La strada (1954)
Stalag 17 (1953)
Dial M for Murder (1954)
Le notti di Cabiria (1957)
Harvey (1950)
Roman Holiday (1953)

Década de 60:


Embora constituída por grandes filmes, a escolha é, para mim, óbvia! The Good, The Bad and The Ugly, o meu filme favorito, merece totalmente o destaque que aqui lhe faço. Com grandes filmes como 8 ½, Dr. Strangelove, 2001: A Space Odyssey ou C’era una volta il West, a década de 60 é também ela uma década muito rica.

Il buono, il brutto, il cattivo. (1966)
Psycho (1960)
Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964)
C'era una volta il West (1968)
Lawrence of Arabia (1962)
To Kill a Mockingbird (1962)
2001: A Space Odyssey (1968)
The Apartment (1960)
The Great Escape (1963)
Per qualche dollaro in più (1965)
Yôjinbô (1961)
Cool Hand Luke (1967)
Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969)
The Manchurian Candidate (1962)
The Graduate (1967)
8½ (1963)
Judgment at Nuremberg (1961)
The Hustler (1961)
The Wild Bunch (1969)
Persona (1966)
La battaglia di Algeri (1966)
Who's Afraid of Virginia Woolf? (1966)
Rosemary's Baby (1968)
The Man Who Shot Liberty Valance (1962)


Década de 70:


A Clockwork Orange. Assim que olhei para esta lista, o nome de imediato me veio à atenção. Adorei este filme de Kubrick e dou-lhe o destaque da década. É também uma década que marca o aparecimento de grandes lendas vivas do cinema, como Copolla, Scorcese, James Cameron ou George Lucas. Aqueles que são, para muitos, os inventores da comédia moderna, Monty Python, têm também aqui o seu reconhecimento e acho que Life of Brian é a melhor crítica que alguma vez vi à religião cristã.

The Godfather (1972)
The Godfather II (1974)
One Flew Over the Cuckoo's Nest (1975)
Star Wars (1977)
Apocalypse Now (1979)
Taxi Driver (1976)
Alien (1979)
A Clockwork Orange (1971)
Chinatown (1974)
Monty Python and the Holy Grail (1975)
The Sting (1973)
Jaws (1975)
Annie Hall (1977)
The Deer Hunter (1978)
Life of Brian (1979)
Dog Day Afternoon (1975)
The Exorcist (1973)
Network (1976)
Rocky (1976)
Manhattan (1979)
Barry Lyndon (1975)
Patton (1970)
Sleuth (1972)


Década de 80:


E o destaque vai para Scarface. Embora na ordem do Top não esteja nos primeiros lugares, o papel que Al Pacino faz (para mim, o actor com mais qualidade do famoso trio Pacino, De Niro e Nicholson, embora este último seja o meu favorito) marcou-me tanto que o filme se tornou para mim inesquecível. Uma década onde me sinto bastante ignorante (talvez porque muitos dos títulos não me chamem à atenção), recordo com saudade o dia em que vi Nuovo Cinema Paradiso, uma história linda e singular de amizade.

Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980)
Raiders of the Lost Ark (1981)
Shining (1980)
Aliens II (1986)
Das Boot (1981)
Back to the Future (1985)
Raging Bull (1980)
Nuovo Cinema Paradiso (1988)
Amadeus (1984)
Once Upon a Time in America (1984)
Full Metal Jacket (1987)
The Elephant Man (1980)
Indiana Jones and the Last Crusade (1989)
Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi (1983)
Die Hard (1988)
Blade Runner (1982)
Ran (1985)
Hotaru no haka (1988)
Platoon (1986)
Scarface (1983)
The Terminator (1984)
Stand by Me (1986)
The Thing (1982)
Gandhi (1982)
The Princess Bride (1987)
Tonari no Totoro (1988)
Fanny and Alexander (1982)
A Christmas Story (1983)


Década de 90:


É tão dificil escolher um. São tantos e tão bons. A década de 90 fica para a história como a década em que um rapaz de vinte e poucos anos, desconhecido e sem grandes recursos, atirou para os cinemas um filme feito numa garagem. Reservoir Dogs marca o início da carreira de um dos melhores realizadores de sempre, que já deu (e certamente continuará a dar) muitíssimo ao cinema. Escolho Pulp Fiction para o destaque desta década porque é o seu ponto alto e é impossível falar desta década sem falar de Quentin Tarantino. Recomendo também todos os outros títulos (dos quais apenas não vi dois ou três) e em que quase todos merecem o reconhecimento deste top.

The Shawshank Redemption (1994)
Pulp Fiction (1994)
Schindler's List (1993)
Goodfellas (1990)
Fight Club (1999)
The Usual Suspects (1995)
Matrix (1999)
Se7en (1995)
Forrest Gump (1994)
The Silence of the Lambs (1991)
Léon (1994)
American Beauty (1999)
American History X (1998)
Terminator 2: Judgment Day (1991)
Saving Private Ryan (1998)
L.A. Confidential (1997)
Reservoir Dogs (1992)
La vita è bella (1997)
The Green Mile (1999)
Braveheart (1995)
Unforgiven (1992)
Mononoke-hime (1997)
Fargo (1996)
Heat (1995)
The Sixth Sense (1999)
The Big Lebowski (1998)
The Lion King (1994)
Toy Story (1995)
Trainspotting (1996)
Groundhog Day (1993)
Lock, Stock and Two Smoking Barrels (1998)
Casino (1995)
Twelve Monkeys (1995)
Good Will Hunting (1997)
Ed Wood (1994)
Magnolia (1999)
Festen (1998)
The Truman Show (1998)
Trois couleurs: Rouge (1994)
Toy Story 2 (1999)
The Nightmare Before Christmas (1993)


SÉCULO XXI

Década de 00:


Uma escolha fácil. There Will Be Blood é o melhor filme desta década. Ponto. É um dos melhores filmes da história do cinema, com uma das melhores actuações da história do cinema, protagonizado por um dos melhores actores da história do cinema – Daniel Day-Lewis. Uma década muito rica, que peca pela ausência de grandes títulos, principalmente do cinema europeu e asiático, que acabam por não estar presentes devido à constante e inevitável americanização que o cinema sofre actualmente. Embora seja uma lista muito boa, há alguns filmes que podem deixar uma certa mágoa em quem os vê. Esta é a década em que aparece um grande e muito promissor realizador: Christopher Nolan. Dele aconselho-vos o seu melhor filme, Memento. Um quebra-cabeças criado com perfeição e inteligência. Tal como com Tarantino, também Nolan teve um início de carreira brilhante e é actualmente, um dos poucos realizadores que nunca falha e que nunca está mal. Não me vou perder em recomendações, porque acabaria por repetir quase toda a lista.

O novo milénio trouxe-nos muito cinema bom, e recordo com particular saudade o grande ano de 2007, onde Paul Thomas Anderson e os irmãos Coen tiveram uma luta de cavalheiros como há muito não se via!

The Dark Knight (2008)
The Lord of the Rings: The Return of the King (2003)
Cidade de Deus (2002)
The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2001)
Memento (2000)
The Lord of the Rings: The Two Towers (2002)
Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (2001)
WALL·E (2008)
Sen to Chihiro no kamikakushi (2001)
The Pianist (2002)
Das Leben der Anderen (2006)
The Departed (2006)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Requiem for a Dream (2000)
El laberinto del fauno (2006)
The Prestige (2006)
Inglourious Basterds (2009)
Der Untergang (2004)
Up (2009)
Gran Torino (2008)
Gladiador (2000)
Sin City (2005)
Oldboy (2003)
Batman Begins (2005)
Slumdog Millionaire (2008)
Hotel Ruanda (2004)
No Country for Old Men (2007)
District 9 (2009)
Avatar (2009)
Donnie Darko (2001)
Snatch (2000)
Kill Bill: Vol. 1 (2003)
There Will Be Blood (2007)
Into the Wild (2007)
Million Dollar Baby (2004)
The Wrestler (2008)
The Bourne Ultimatum (2007)
Finding Nemo (2003)
Amores perros (2000)
V for Vendetta (2006)
Ratatouille (2007)
El secreto de sus ojos (2009)
Star Trek (2009)
The Incredibles (2004)
In Bruges (2008)
Le scaphandre et le papillon (2007)
Children of Men (2006)
Låt den rätte komma in (2008)
Big Fish (2003)
Mystic River (2003)
Kill Bill: Vol. 2 (2004)
Letters from Iwo Jima (2006)
Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl (2003)
Mou gaan dou (2002)
Mary and Max (2009)
Fa yeung nin wa (2000)
Hauru no ugoku shiro (2004)
Monsters, Inc. (2001)
Mulholland Dr. (2001)

Década de 10:


Um início promissor com belos filmes. Inception será naturalmente a minha escolha, numa década que espero, sinceramente, nos traga muito e bom cinema. Que a quantidade seja tão boa como a qualidade. Daqui a dez anos aqui estarei, para vos falar dela.

Inception (2010)
Toy Story 3 (2010)
The Social Network (2010)
How to Train Your Dragon (2010)
Kick-Ass (2010)



Concluída esta retrospectiva, fico feliz por saber que ainda me faltam ver alguns filmes desta lista. Espero que esta divisão vos ajude tanto como me vai ajudar a mim. Que vos sirva de apoio para se iniciarem na descoberta do cinema ou que vos ajude, tal como a mim, a completarem os filmes que vos faltam.

Como desafio final, peço-vos a vossa opinião. Qual a melhor década do cinema? E mais importante que isso, que valor atribuem vocês a este tipo de listas?

Depois desta análise, e embora me faltem alguns filmes, a minha opinião fica dividida entre a década de 50 e a década de 90. Ambas são ricas em quantidade e em qualidade. Mas vou jogar pelo seguro, e atribuir o meu voto à década de 90.

 

 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Grandes Posters: the Hitchcock edition


Há muito tempo que não pegava na nossa rubrica de Posters e fazia uma edição baseada nas principais obras de um realizador. Depois de analisar Malick e Cameron, exemplos claros de realizadores com filmes brilhantes que conseguem sucesso mesmo com fraco merchandising, vamos pegar num expoente claro do contrário: excelentes peças de arte que atiçam ainda mais a nossa atenção para os filmes em questão.

Dos muitos filmes da vasta filmografia de Alfred Hitchcock, resolvi ressalvar estes. Alguns antiquados, é certo, mas há que perceber que para os anos 40 e 50 estes posters estavam já muito à frente do que se fazia na época. Há por aqui um ou outro poster que é na verdade de uma edição comemorativa, portanto bem mais recente, mas na maioria o que dá para perceber é que as imagens que Hitchcock usava nos posters dele são todas muito inventivas, muito curiosas, apelando à nossa atenção, normalmente focando-se em expressões faciais ou gestuais das personagens. Senão vejamos:


The Lady Vanishes (1938) / Rebecca (1940)

  
Shadow of a Doubt (1943) / Notorious (1946)


Rope (1948) / Strangers on a Train (1953) 


Dial M For Murder (1954) / Rear Window (1954)


To Catch a Thief (1955) / The Man Who Knew Too Much (1956)


Vertigo (1958) / North By Northwest (1959)


Psycho (1960) / The Birds (1963) 



Além de vários posters que aprecio, outra coisa fica-me bem clara. Haverá outro realizador com uma filmografia tão rica? E vocês, que pensam?