Dial P for Popcorn: Darren Aronofsky
Mostrar mensagens com a etiqueta Darren Aronofsky. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Darren Aronofsky. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Este tipo de promoção não se compra




Estamos a falar de um dos melhores realizadores da actualidade (Darren Aronofsky) a elogiar o novo filme de outro, um dos meus favoritos, "Her" de Spike Jonze. Literalmente mal posso esperar.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

PI (1998)


"There will be no order, only chaos."

E o melhor ficou reservado para o fim. Ou no caso da carreira de Aronofsky, para o princípio. Depois de ver Pi conclui que a carreira do (cada vez menos) brilhante Darren Aronofsky está em declínio. Não sei se foi Hollywood. Não sei se foi dinheiro a mais para ideias a menos. Não sei. Mas que o Aronofsky de agora não é o mesmo génio do final da década de 90, não é. Não que agora seja mau. Agora é bastante bom, igualmente consistente e perfeccionista. Mas a pessoa que escreveu e realizou Pi foi um Aronofsky brilhante, ímpar em criatividade, juntando a imprevisibilidade de um argumento arrojado, sensível e extremamente complexo a uma encenação diabólica, a fazer lembrar alguns dos ex-libris do cinema paranóico e psicótico.


Maximillian Cohen (Sean Gullette) é um matemático obcecado em perceber, explicar e racionalizar tudo o que o rodeia. Desde o início da criação até à evolução de Wall Street. Para ele, tudo é dedutível. Tudo se cria a partir de algo preconcebido, como uma espiral de acontecimentos de se sequenciam numa ordem lógica e natural. No entanto, uma obra tão magnânime traz consigo uma dura e penosa transformação nos hábitos de Cohen. Anti-social, deprimido, obcecado, apodera-se do trabalho e vive para a matemática. Astress que constantemente é abalado pelos fracassos da sua investigação junta um (cada vez mais) grave complexo psicótico, que se torna gradualmente incontrolável e indisfarçável.


Para os amantes da matemática, Pi é um delicioso pedaço de arte. É uma personificação de muitos dos sonhos e ambições que se constroem em inúmeras faculdades um pouco por todo o mundo. É um retrato cruel de uma realidade para a qual é atirado todo aquele que busca o impossível.

Para terminar, deixo apenas uma pergunta: O que é feito de Sean Gullette, o melhor do filme e responsável por uma estrondosa actuação?

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Darren Aronofsky
Argumento: Darren Aronofsky,
Ano: 1998
Duração: 84 minutos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BLACK SWAN (2010)






"He picked me, Mommy!"


Depois de em The Wrestler o realizador Darren Aronofsky nos ter mostrado o dano físico e psicossocial que a devoção à arte podem causar a uma pessoa, eis que ele volta a terreno conhecido em Black Swan, arrancando uma interpretação memorável de Natalie Portman, daquelas feita para ganhar montanhas de prémios, na qual se vê todo o esforço que a actriz teve que exercer para conseguir interpretar convincentemente uma bailarina de uma companhia de dança com alta reputação e, em simultâneo, actuar ao longo do filme, mostrando  como tanto o desequilíbrio emocional como a obsessão inocente de Nina (em conjunto com outros factores), a nossa protagonista, contribuíram para agravar o complicado estado mental da personagem.


Um visionário inexcedível, Darren Aronofsky sucede em fugir a um argumento com uma história bastante óbvia, transformando o que poderia resumir-se à perda de lucidez de uma bailarina num estudo complexo e intenso sobre a fragilidade da psique de um bailarino, o artista que desempenha o papel principal naquela que é considerada, por muitos, a "arte maior" da dança, a que mais dada é a grandiosas e elaboradas coreografias, a que explora a musicalidade própria das composições clássicas e a usa para grande efeito. Nina Sayers é uma metáfora interessante para o que é ser uma bailarina: uma psique frágil, vulnerável, destruída pelas inúmeras rejeições, pelo esforço mental que requer, pela concentração e atenção ao detalhe e ao pormenor de uma performance imaculada, sem falhas, escondida por detrás de um corpo altamente muscular, que sofre dano ao mesmo tempo que a mente, dano este que pelo contrário é bastante visível. O perfeccionismo paga-se caro.


O filme reside em linhas narrativas muito simples: Nina Sayers (Natalie Portman) é uma das bailarinas mais antigas de uma renomada companhia de ballet norte-americana que vê a sua grande oportunidade chegar quando Thomas (Vincent Cassel), o excêntrico mas enormemente talentoso director da companhia, decide reformar a sua antiga prima ballerina, Beth (Wynona Ryder), e preparar o seu glorioso retorno à proeminência com o seu moderno remake do bailado mais famoso de Tchaikovsky, o Lago dos Cisnes. Nina, atormentada já por si só pelas expectativas ridiculamente elevadas que a sua mãe, Erica (Barbara Hershey), que outrora também fora bailarina, coloca nela, vê o seu estado mental deteriorar-se enquanto se perde numa competição, que até ao fim não sabemos bem se se passa verdadeiramente ou se é só apenas fruto da sua mente, com Lily (Mila Kunis), a nova bailarina da companhia.


Lily é tudo aquilo que Nina sonhava ser e não é; Nina é operática, perfeccionista e trabalhadora, com movimentos delicados e suaves, perfeitos para desempenhar o papel do Cisne Branco, que requer uma inocência e vulnerabilidade que Nina exuma naturalmente. Já o Cisne Negro, que se quer sensual, livre de movimento e mais descontraído, torna-se um desafio titânico para Nina superar. Na sua busca pela perfeição e ideal no que é, invariavelmente, o papel que definirá para sempre a sua carreira como bailarina, Nina perde-se na fina linha entre a realidade e o imaginário, conduzindo-nos com ela pelo mundo competitivo do ballet e pelas exigências físicas e psicológicas que este papel lhe vão impôr.

 
O elenco funciona de forma maravilhosa, com Wynona Ryder em pleno modo neurótico a proporcionar-nos pequenos momentos de prazer, ao vê-la assumidamente representar aquilo que é, hoje em dia, um espelho da sua vida enquanto actriz e Barbara Hershey a elevar o nível de cada cena que protagoniza. Vincent Cassel e Mila Kunis não têm muito mais que explorar fora das linhas de principais propulsores do desabrochar social e sexual de Nina. Sedutores e enigmáticos, contudo pouco mais que isso.

Weisblum e Libatique continuam a colaboração frutífera com Aronofsky, que tão bons resultados vem dando e que atinge um novo máximo em Black Swan, com ambos a realizar um excelente trabalho dando asas à criatividade do mestre e trabalhando em seu prol, com uma fotografia impecável e um trabalho de edição notável a serem os grandes destaques, em termos técnicos, desta película (uma nota de parabéns também à produção artística - o jogo de espelhos, as salas a meia-luz, a casa de Erica e Nina - cheia de pormenores deliciosos, com ar de cela mas também convidativo à intimidade e à relação estranhíssima que as duas possuem). Clint Mansell, o compositor de serviço de Aronofsky, também brilha aqui, com uma adaptação irreverente e irresistível da obra-prima de Tchaikovsky, explorando os mais finos detalhes e transformando-a quase num pesadelo que nos persegue muito depois de abandonarmos o cinema, convertendo o Lago dos Cisnes numa experiência selvagem, pesada, emocionante. E, no fim de contas, há que dar o braço a torcer a Aronofsky. Ninguém consegue revirar tanto o jogo como ele. Mantendo-nos sempre na beira do assento, excita-nos e maravilha-nos a cada minuto que passa, subindo-nos o nível de adrenalina até culminar naquele orgásmico final.

 
Neste pas de deux entre a dança e a vida, entre a realidade e o sonho,  entre a técnica e o talento, Nina (a pessoa) procura libertar-se do enjaulamento e repressão social que a sua mãe lhe impõe, enquanto Nina (a artista) procura libertar-se da perfeição técnica que tantos anos de rigoroso treino lhe impuseram para alcançar o próximo nível: a perfeição artística, capaz de nos ludibriar e encantar ao mesmo tempo. Conseguirá Nina lá chegar? E que preço terá de pagar? É o que Aronofsky nos tenta contar.



Nota Final:

 A-/B+


Informação Adicional:
Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Mark Heyman, Andrew Heinz, John McLaughlin
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Barbara Hershey, Wynona Ryder, Vincent Cassel
Fotografia: Matthew Libatique
Banda Sonora: Clint Mansell
Ano: 2010


Trailer: