Dial P for Popcorn: 2011
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domingo, 25 de março de 2012

CARNAGE (2011)




Adaptado de uma peça de sucesso da Broadway, Carnage foi uma arriscada investida de Roman Polanski. Aquilo que vemos no ecrã é uma tentativa arrojada. Não é fácil pegar numa peça de teatro, ainda por cima tão redutora e simplista em cenários, e reproduzir um filme atraente para o espectador. O segredo? Claro, as interpretações. E são interpretações de um bom nível, em especial a das mulheres e em especial a de Kate Winslet que fazem a diferença, transformando Carnage num filme interessante, diferente e agradável.



Tudo começa com uma briga de crianças. O filho do casal Cowan agride o filho mais velho do casal Longstreet, e ambos os casais se reúnem para esclarecer o sucedido. Michael Longstreet (John C. Reilly) é um descontraído chefe de família num casamento feliz com a histérica Penelope Longstreet (Jodie Foster). Recebem na sua residência um casal em desarmonia, onde Alan (Christoph Waltz) se distancia, desde o princípio, da briga dos miúdos e se foca unicamente no seu telemóvel e nos seus problemas profissionais. Abandonada e carente, Nancy (Kate Winslet) vai-se descompondo, derrotada por todas as acusações e discussões do encontro.


Um filme que tem algumas dificuldades em ultrapassar as limitações de uma peça de teatro, acaba por levar a alguma impaciência por parte dos espectadores que sejam adeptos de filmes mais directos. Enrola um pouco e vive de uma história que, tal como um novelo, se vai desenrolando, lentamente, com pormenores e atitudes que são um requinte de representação, uma demonstração de qualidade e competência de um grupo de actores de elite, que se juntam para celebrar o currículo e a qualidade da carreira de Roman Polanski. Algo de novo, algo de diferente. Agradável.

Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Yasmina Reza
Ano: 2011
Duração: 80 minutos

quinta-feira, 15 de março de 2012

YOUNG ADULT (2011)


Era um dos filmes que mais queria ver na Temporada de 2011. E, infelizmente, transformou-se numa ligeira desilusão. É um filme agradável, no qual Reitman e Cody comprovam que são dois atentos observadores daquilo que são os problemas dos actuais young adults, mas que não aquece nem arrefece. O espectador não é estimulado, não se sente cativado. Somos meros espectadores de uma história que, com noventa e quatro minutos, consegue ser longa demais. A interpretação de Charlize Theron é, embora um pouco histérica, uma óptima prestação. Sem dúvida, o ponto mais positivo de todo o filme.


Charlize é Mavis Gary, uma solitária escritora de argumentos e pequenos livros juvenis que, a viver sozinha em Minneapolis, decide regressar à sua vila natal e recuperar o grande amor da sua adolescência: Buddy Slade (Patrick Wilson), um homem bem casado com a amorosa Beth (Elizabeth Reaser) e que resiste com alguma indiferença aos sucessivos ataques de Mavis, uma mulher decrepita, perdida, desnorteada, que tenta a todo o custo reviver os momentos felizes de uma vida e de um passado que há muito a abandonou.


Foi o muito aguardado regresso da dupla Jason Reitman/Diablo Cody depois do explosivo sucesso de Juno em 2007. Mas infelizmente só serviu para reforçar a dúvida que já existia: será esta dupla, capaz de voltar ao nível que os catapultou para um patamar de sucesso e admiração? Seremos, num futuro próximo, novamente atropelados pela qualidade de um argumento pungente, verdadeiro, real e emocionante? A dúvida fica, e a carreira dos dois tem que seguir em frente. Reitman sobrevive bem sem Cody. Mas não sinto que Cody seja capaz de viver sem Reitman.


Nota Final:
B-



Trailer:




Informações Adicionais:
Realização: Jason Reitman
Argumento: Diablo Cody
Ano: 2011
Duração: 94 minutos

domingo, 11 de março de 2012

O MELHOR DE 2011 - OS FILMES

Em 2011, o cinema foi insípido. Passei todo o ano à espera do filme que me arrebatasse (tal como, em 2010, me aconteceu com o Biutiful e o I Saw the Devil) e acabei por ficar desiludido. Houve bons filmes, como sempre, mas nenhum recebeu a minha pontuação máxima. Daí que, este ano, tenha optado por fazer uma selecção mais simples com apenas 10 filmes (ao contrário do ano passado, onde facilmente consegui um grande grupo de 20 filmes). Encerro o Ano de 2011 com a certeza de que 2012 será melhor. Enquanto os novos filmes não chegam, aqui vos deixo as minhas escolhas para Melhores Filmes de 2011:



1.º Beginners





2.º Tinker Tailor Soldier Spy




3.º Shame


4.º Take Shelter

5.º Tyrannosaur

6.º A Separation

7.º Melancholia

8.º Drive

9.º The Muppets

10.º The Artist

sexta-feira, 9 de março de 2012

SHAME (2011)



Honra lhe seja feita. Shame não é um filme para meninos. Estamos numa Nova Iorque contemporânea. Onde o rebuliço dos dias arrasta milhões, de um lado para o outro, numa azáfama e numa rotina diabólica, que destrói relações e promove a solidão e a desintegração social. Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é um homem perdido. Vive na ilusão das suas inúmeras companheiras sexuais, da pornografia cibernética, das fugazes relações de uma noite. Mas a adrenalina e o calor de mais um encontro sempre desaparecem com o nascer do sol, e mais um infeliz, cinzento e solitário dia aparece.


A viver sozinho no seu apartamento nova-iorquino, Brandon recebe a inesperada visita da sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma aspirante e promissora cantora, que se revela uma personagem completamente distinta e paradoxal daquilo que é Bradon: carente, dependente, a viver intensamente cada momento e cada relação. Enquanto, sabiamente, o magistral Steve McQueen cria uma cápsula que envolve, protege e esconde o íntimo de Brandon , a encantadora Sissy é uma personagem inocente, que se abre perante o espectador e nos dá a conhecer aquilo que é, sem sombras, sem máscaras, sem fantasias.


Mas o maior elogio de todo o filme vai directamente para Steve McQueen. O seu trabalho é sublime. E se Shame não funcionaria sem o carisma e a intensidade com que Fassebender se entrega à personagem, seria também um enorme fracasso na mão de 99% dos realizadores em actividade. É preciso ser-se um mestre, é preciso ser-se muito muito bom, para se criar um ambiente, uma envolvência, um clima que, por si só, catapultam uma personagem. A banda-sonora é irrepreensível e (igualmente) surpreendente. É uma das melhores deste ano. Tal como filme. Shame não desiludiu. Mas, repito, não é um filme para meninos. E é um filme que merece (e necessita) da compreensão do espectador. Tudo o que acontece, sem pudor, faz parte de uma história maior. De um revelação pura, dolorosa e real.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Steve McQueen
Argumento: Abi Morgan e Steve McQueen
Ano: 2011
Duração: 101 minutos

terça-feira, 6 de março de 2012

THE GUARD (2011)




"I'm Irish. Racism is part of my culture. "

Estamos a falar de um dos filmes mais sarcásticos de 2011. E de uma verdadeira lufada de ar fresco dentro daquilo que foi um pobre ano cinematográfico. Não é um filme apropriado para espectadores que se sintam mais sensíveis em temas controversos, como o racismo, o xenofobismo ou a morte. The Guard dispara em todas as direcções, sem pudores.


Gerry Boyle (Brendan Gleeson) é um solteirão na meia idade que encara a vida de polícia de uma forma muito característica. É o seu emprego, sim senhor, mas não precisa de o viver de forma intensa e desregulada para ser eficaz e competente. Aproveita ainda o facto de ser o único polícia de uma pacata vila (leia-se, experimentar certos e determinados estupefacientes, seleccionar muito bem os crimes e as situações em que se envolve), de modo a evitar chatices e confusões. E assim vive uma vida feliz. Mas tudo muda depois de um misterioso assassinato, num cenário macabro e incompreensível. A isto junta-se a chegada do jovem Aidan McBride, o seu novo companheiro, proveniente de Dublin e que está a dar os seus primeiros passos como polícia.


Não querendo revelar-vos aqui todo o filme, The Guard conta com a participação de alguns nomes que o leitor não espera ver neste género de filme, tão independente e tão british. Conta-nos uma história básica sobre suborno, polícias corruptos e tráfico de drogas, mas que é apimentada com momento deliciosos de humor negro e sarcasmo, que o embelezam e o tornam singular. Que o transformam num filme bastante agradável e que fazem qualquer um sentir que viu algo de diferente e que saiu a ganhar com esta película. E são poucos, em 2011, os filmes que nos permitem tamanha reflexão. Uma óptima escolha!

Nota Final:
B+



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: John Michael McDonagh
Argumento: John Michael McDonagh
Ano: 2011
Duração: 96 minutos

segunda-feira, 5 de março de 2012

TYRANNOSAUR (2011)


Um dos meus filmes favoritos do ano de 2011, conta-nos uma história dura e violenta. Um filme totalmente british, para os adeptos dos Dramas sem mágoas e sem complexos. Um filme pequeno (como eu gosto), que nos faz sorver cada minuto de duas personagens trágicas, que se juntam por um aparente (e infeliz) acaso, construindo uma cumplicidade e uma entre-ajuda que cimenta uma amizade que se alimenta da tragédia, da dor e do sofrimento.



Joseph (Peter Mullan) é um cinquentão viúvo, tempestuoso, agressivo e impulsivo. Começa o filme numa cena de ira efervescente, que culmina com a morte do seu cão, em quem descarrega a adrenalina de um negócio falhado e cuja ausência se fará sentir durante todo o filme. Solitário, depressivo, arrasta-se pelos bares da sua localidade. Após mais uma zaragata, refugia-se na loja de Hannah (Olivia Colman), uma mulher madura que vive os seus dias envolvida na religião e na sua fé inabalável. Esconde, no entanto, um difícil e chocante segredo. Casada, sem filhos, é uma mulher angustiada, convivendo e aceitando as taras e a violência animal de um marido completamente primata, que a obriga a participar em sessões violentas e perigosas de sadomasoquismo.


Duas almas que partilham a dor e o silêncio da solidão, duas personagens moldadas pelo sofrimento, que se juntam numa loja de conveniência para não mais se conseguirem separar. Não é uma mera história de amor. Não é uma simples historieta condenada a terminar num romance eterno e feliz. Tyrannosaur conta com a única interpretação feminina que, este ano, consegue ombrear com a brilhante Meryl Streep (Olivia Colman é FANTÁSTICA!). Tyrannosaur conta com uma fotografia intensa e trabalhada, que nos transporta para uma ambiente frio, cinzento, tenebroso. E ainda se arrisca numa inesperada banda-sonora, que acrescenta alguma cor e alguma harmonia a uma história que em tudo é deprimente. Para mim, Tyrannosaur foi um momento delicioso.


Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Paddy Considine
Argumento: Paddy Considine
Ano: 2011
Duração: 92 minutos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

THE IRON LADY (2011)


"It used to be about trying to do something. Now it's about trying to be someone."

Duvido que em 2011 exista alguma interpretação deste nível. Meryl Streep é, sem dúvidas, para muitos dos amantes do cinema, uma das mais carismáticas e completas actrizes da história do cinema. É difícil sair-se mal e é frequente vê-la a ser brilhante. Num mundo justo, esta seria a interpretação vencedora da estatueta dourada para Melhor Actriz. É arrebatador o seu trabalho.



Quanto ao filme, a história é outra. Saiu mal. A intenção foi a melhor (percebe-se isso, pela forma cuidada como se envolve a atmosfera à volta da personagem de Meryl Streep) mas não era assim que o filme deveria ter sido reproduzido. Está tudo errado infelizmente. Pegou-se numa Margaret Thatcher decadente, decrepita, senil e completamente acabada e, a espaços, foi-se reconstruíndo o seu passado, sem lógica e praticamente sem qualquer critério. Para os mais desatentos, The Iron Lady, um filme que tinha tudo para nos contar uma história apaixonante, inspiradora e emotiva, transforma-se num filme cansativo, pachorrento e maçador. Não existe o enorme sentimento de glória, confiança e carisma que se viu na mulher que liderou uma nação. Não é transmitida a sua verdadeira história, não é transmitido o carisma e a força desta mulher de ferro.



Foi pena terem entregue este projecto a Phyllida Lloyd. Margaret Thatcher, a Grã-Bertanha, a interpretação de Meryl Streep mereciam algo melhor. Algo muito melhor. Mereciam, pelo menos, um filme que acompanhasse a qualidade da interpretação da maior diva viva do cinema. Em The Iron Lady, há muita Meryl Streep para tão pouco cinema.


Nota Final:
D+



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Phyllida Lloyd
Argumento: Abi Morgan
Ano: 2011
Duração: 105 minutos.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

WARRIOR (2011)




Warrior. Título, Poster e Descrição: Foleiros. Mas desenganem-se os mais cépticos. Aqui há filme! E uma das mais agradáveis surpresas deste ano. E há também uma interpretação estupenda: Nick Nolte, enche o ecrã e o filme e deixa-nos a prova de que é possível fazer uma grande interpretação com um pequeno papel.


Warrior é um filme destinado, principalmente, aos fans dos filmes de acção. Mas chama por todos nós. A história trágica da família Colon, onde um pai alcoólico e irresponsável (Nick Nolte) leva à separação precoce de dois irmãos. Brendan (Joel Edgerton), o mais velho, fica com o pai. Tommy (Tom Hardy) acompanha a debilitada mãe, que acaba por morrer anos depois da separação, vítima da angústia e dos maus tratos que sofreu durante o casamento. Separados durante largos anos, Tommy decide um dia voltar a Pittsburgh, a casa do pai, não para o perdoar, mas para lhe pedir que o treine e o prepare para o mais lendário dos torneios MMA de sempre: uma luta mundial, que envolverá os dezasseis melhores lutadores do mundo e cujo prémio final serão uns aliciantes cinco milhões de dólares.


Desconhecendo por completo tudo isto, e de relações cortadas com o seu pai, Brendan vive uma tranquilamente como professor de física. É casado, tem duas filhas que ama e uma vida feliz. Até que a renda da sua casa aumenta bruscamente e Brendan se vê obrigado a regressar aos combates de luta livre e a um passado de lutador profissional que jurou nunca mais abraçar. Contra a resistência da sua esposa (Jennifer Morrison), Brendan volta ao ginásio e arrisca a sua sorte no lendário torneio de MMA. O reencontro é inevitável.



Warrior é surpreendente. Em tudo. Na intensidade e realismo das suas cenas. No profissionalismo dos seus actores. Na interpretação fantástica de Nick Nolte. Na edição e enquadramento de cada momento e de cada cena. Warrior não é só mais um filme. Warrior é um dos melhores filmes de 2011.

Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Gavin O'Connor
Argumento: Gavin O'Connor, Cliff Dorfman e Anthony Tambakis
Duração: 140 minutos
Ano: 2011

sábado, 21 de janeiro de 2012

THE GIRL WITH THE DRAGON TATTOO (2011)




Antes de começar, quero deixar aqui bem claro que o filme de David Fincher não é nenhum re-make do filme de Niels Arden Oplev, sobre o qual vos falei aqui no ano passado. É sim, uma nova adaptação, independente, do grande sucesso literário Millenium 1 de Stieg Larsson e quem vê os dois filmes percebe que há claras diferenças entre ambos.


A começar pela banda-sonora de Trent Reznor. Provavelmente, a melhor deste ano. O clima com que carrega todo o filme, com que suporta toda a tensão que se vai criando e auto-alimentando, é soberba e tem, como ponto alto, a sequência inicial que deixei há dias aqui no blogue. Muitos dizem ser o melhor momento do filme. Eu não acho. The Girl with the Dragon Tattoo vale pelo seu todo. É uma história construída com consistência. É trabalhada com minúcia e elegância. E David Fincher, fruto da sua enorme experiência, fez um trabalho estupendo onde era proibido falhar: Lisbeth Salander (Rooney Mara) é, também neste filme, a pedra basilar. É a grande revelação que certamente dará que falar nos próximos anos.


A história, um thriller marcado pela imprevisibilidade e pelo mistério de um conjunto de assassinatos misteriosos há mais de quarenta anos, levam Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um prestigiado jornalista sueco, a deslocar-se até à ilha onde a família Vanger se instalou, há mais de um século. Aos poucos, começa a descobrir a dimensão de um trabalho que começa com a descoberta de um simples desaparecimento. Com a ajuda da hacker Lisbeth Salander, Mikael acaba por se envolver numa história para a qual não estava preparado e que nunca esperou poder descobrir.


Se o leitor não viu a versão Sueca do filme, ver a versão de Fincher é uma óptima opção. Não fica atrás da qualidade do filme de Oplev, e percebe facilmente (depois de ver as duas versões), porque é que Fincher é um realizador com nome, prestígio e reconhecimento firmados. O seu dedo e a sua arte notam-se vivamente na sua versão. E das duas, esta é claramente a minha favorita.


Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adiconal:
Realização:
David Fincher

Argumento: Steven Zaillian e Stieg Larsson
Duração: 158 minutos
Ano: 2011

domingo, 8 de janeiro de 2012

TINKER TAILOR SOLDIER SPY (2011)


"She told me she had a secret, the mother of all secrets..."

Comecei por ficar entusiasmado com a chegada deste filme às nossas salas de cinema. Depois, comecei a ler, aqui e ali, algumas críticas à monotonia e ao argumento e fiquei de pé atrás. Depois o Jorge Rodrigues deu-me a opinião dele, mais positiva e mais interessante, e retomei o meu entusiasmo. E finalmente tive oportunidade de o ver no cinema. E fiquei convencido. Tomas Alfredson é realmente um realizador estupendo. Comecemos pela fotografia, a edição e a banda-sonora do filme? Irrepreensível. Do melhor que vi este ano no cinema. Alfredson dá ao espectador uma perspectiva ímpar. O espectador faz parte de todo o ambiente de espionagem e mistério que constrói e alicerça o filme. E isso torna-o um filme especial, digno de registo, digno de ser recordado e digno de ser visto. Com todos os sentidos apurados e com a máxima das atenções.


Tudo começa com a viagem de Jim Prideaux até Budapeste, na busca da Toupeira que se encontrava nos serviços secretos britânicos a mando do governo russo. A sua morte, misteriosa, marca o início de todo o drama e despoleta uma sequência ininterrupta de cenas intrigantes e, muitas vezes contraditórias, numa busca incessante e incansável por parte de George Smiley (Gary Oldman), antiga coqueluche dos serviços secretos, que procura respostas para a sua forçada demissão e para o ambiente corrosivo e desleal que contamina o seu antigo local de trabalho.


Tinker Tailor Soldier Spy é um filme complexo, trabalho e meticuloso. Carregado de informação, de personagens e de momentos que se interligam e enovelam de uma forma densa e intrigante. Se o espectador gostar de ser testado, gostar de ser estimulado, gostar de um filme com um clímax fortíssimo no seu final, carregado de mistério e de especulação, este é o filme certo e o preço do bilhete vale todo o seu preço. Com um grande elenco, muito bem equipado e trabalho.

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Tomas Alfredson
Argumento: John le Carré, Bridget O'Connor e Peter Straughan.
Ano: 2011
Duração: 127 minutos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MISSION: IMPOSSIBLE - GHOST PROTOCOL



Ethan Hunt (Tom Cruise) regressou ao grande ecrã, cinco anos depois da desilusão com o terceiro filme da saga, para demonstrar que está vivo e de muito boa saúde. Começo por vos informar que Missão Impossível é um filme, no meu entender, muito direccionado para o público-alvo, para o adepto do género, do conceito e da personagem. Não recomendaria este filme a uma pessoa que não tenha gostado de nenhum dos filmes anteriores porque, se há coisa que sabe bem em Ghost Protocol, é repararmos que, ao fim de tantos anos, Ethan Hunt e a sua equipa regressam às origens e satisfazem a nossa nostalgia pela acção impossível, pelas cenas impossíveis e pela história impossível.


Tudo no filme é irreal e até o mais acérrimo dos fans consegue aceitar e perceber isso. Mas, se nos deslocamos à sala para ver uma Missão Impossível, sabemos para o que vamos e sabemos aquilo que esperamos. E é partindo desta ideia basilar, que fomenta o filme e as personagens, que nascem algumas incongruências e algumas debilidades que fragilizam o filme e que levam um apreciador de cinema a ficar de pé atrás, relutante em aceitá-lo como um filme bem conseguido. Se partir do princípio que Ghost Protocol é um filme do vale tudo, então aceito que a cabeçada monumental que Ethan Hunt dá contra a estrutura do edifício Burj Khalifa (numa das cenas mais intensas e bem conseguidas de todo o filme) não lhe cause um único arranhão. Se quiser analisá-lo de um ponto de vista racional, lógico e puramente cinematográfico (algo que penso ser desadequado), então temos aqui um filme bem conseguido que acaba, as espaços, por ser manchado por alguns erros clamorosos no que toca a segurança e razoabilidade das situações.


Quanto à história, se o leitor tiver visto algum dos filmes anteriores facilmente percebe que, sendo Ghost Protocol (e nisso, honra lhe seja feita) um filme que satisfaz por completo os fans do conceito inicial e regressa às origens do grande sucesso dos primeiros dois filmes, Tom Cruise e a sua equipa (Simon Pegg, William Brandt e Jane Carter) participam num filme carregado de cenas de acção, que se baseia nas sempre intrigantes teorias da conspiração, que motivam não só os personagens, como o espectador, a viver com intensidade as cenas que se desenrolam até ao clímax de toda a novela.

Nota Final:
C+


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Brad Bird.
Argumento: Josh Appelbaum e André Nemec.
Ano: 2011.
Duração: 133 minutos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

HABEMUS PAPAM (2011)



Foi um verdadeiro prazer ver o mais recente filme do Mestre Moretti. Mestre sim, porque é um indivíduo cheio de particularidades, manias e adereços, que o tornam uma figura empática para com o grande público, com filmes distintos e cativantes. Mas afirmações controversas à parte, Habemus Papam é uma divertida comédia negra, que aconselho sinceramente ao leitor preparado para se surpreender com a ousadia da escrita de Moretti, com a atmosfera circense que se instala num Vaticano sem Rei nem Rock.


Temos então o final de um ciclo. A morte do Papa João Paulo II obriga que os cardeais se reúnam no seu sigiloso conclave, afastados do mundo, afastados da tensão exterior, do público que ansiosamente espera pela aclamação do novo líder da Igreja Católica. Nesta misteriosa reunião, o espectador é convidado. E aqui começa tudo. Um novo ciclo, um novo papa. A eleição de Michel Piccoli como novo sumo pontífice, marca o início de uma história que contagia sem complexos o leitor. O novo papa, aterrorizado com a dimensão da sua tarefa, ainda em choque com a sua inesperada escolha, claudica no momento de se apresentar aos seus súbditos.


Sem hipóteses de resignar ao seu cargo, mais por embaraço do que por falta de vontade, o novo Papa isola-se e o seu staff trata de encontrar o melhor psicólogo da cidade para o poder tranquilizar, para o poder compreender, para o conduzir ao caminho certo, da aceitação e da compreensão desta nova etapa. E aí entra um relaxado Nanni Moretti, sempre com uma resposta pronta, que tenta de tudo para entender a posição do seu paciente. Não consegue, desiste e confia-o prontamente à sua ex-mulher, segundo o próprio, a melhor psicopatologista do país depois de si. Decide então entreter-se com o resto da malta (leia-se Cardeais), que por força da indecisão do seu antigo colega, se viram obrigados a continuar em clausura.


Enquanto no Vaticano se joga às cartas, se fazem apostas ou se disputam mini-campeonatos mundiais de voleibol, o secretário pessoal do novo Papa tenta de tudo para tranquilizar o seu novo patrão, levando-o a passear, tentando que este respire novos ares, compreenda e se habitue à sua nova realidade. E é nestas saída, altamente sigilosas, que Michel Piccoli se escapa da sua rigorosíssima segurança e calcorreia Roma, conhecendo novas pessoas, novas realidades, novos ambientes. E é isso que lhe traz, devagar, um sorriso ao rosto e o alivia da tensão demolidora que o acorrentava desde o dia do conclave. Habemus Papam (que tem tudo para ser mal recebido pelos fanáticos) é uma história pertinente. É um abanão nos pilares do Vaticano e um filme corajoso. Nanni Moretti arriscou e arriscou bem. E é por isso que é diferente do que existe em Itália, e do que existe na Europa.


Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Nanni Moretti
Argumento: Federica Pontremoli, Francesco Piccolo e Nanni Moretti.
Ano: 2011
Duração: 102 minutos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MELANCHOLIA (2011)



Há crónicas que preferia não ter que escrever. A responsabilidade de comentar um filme de Lars Von Trier é demasiado pesada. Porque a ambiguidade dos seus projectos, os sentimentos contraditórios e distintos que cada um consegue sentir ao ver os seus filmes (uns veneram, outros repugnam), transformaram-no no mais controverso realizador do momento (as suas declarações ajudaram à festa) e podem muito bem fazer desta crítica um completo tiro ao lado, tanto sobre a qualidade do filme, como sobre a opinião geral do mesmo. Mas vamos a isso.


Melancholia é o Apocalipse contado de uma forma inteligente e, digamos, nobre. Depois de tantos fracassos a recriar o final do mundo (com Roland Emmerich a liderar o pelotão dos falhados), finalmente alguém arregaçou as mangas e tratou de descobrir a direcção certa. Melancholia uma história contada por um tipo desgraçadamente inteligente. E esta é mais uma obra a juntar a um currículo vasto e riquíssimo. Este será bem capaz de ser o filme de Lars Von Trier que mais vezes vou ter prazer em repetir. A melancolia das cenas, a melancolia das personagens, a melancolia da história constroem um atmosfera pesada, um ambiente tenso e um poder quase sobrenatural sobre todo o filme.


Tudo se desenrola, paradoxalmente à fatalidade da história, de uma forma tranquila, demorada. Cada momento é saboreado, tanto pelas personagens, como pelo espectador. Começamos com uma cena inicial "à Lars Von Trier", com imagens fantásticas, um ambiente sonoro (que em cinema resulta de uma forma estupenda) intenso e que culmina com o início da história de Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg), naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida da irmã mais nova de Claire. Justine casa com Michael, o homem que a ama incondicionalmente, numa festa cheia de pompa e glamour na elegante propriedade de John (Kiefer Sutherland). Com avançar da noite, Justine transforma-se numa noiva infeliz, nostálgica, que procura a solidão do quarto ou a tranquilidade do exterior envolto numa noite estrelada.


Após um final de noite dramático, com Michael a abandonar a casa de Claire e o casamento com Justine, somos lançados para o interior da vida destas duas irmãs, com uma relação tensa, marcada por um amor incondicional que se esbate em acções irreflectidas de ambas, que as afasta sem nunca as separar. Claire (a grande interpretação deste filme!), convida Justine a repousar junto da sua família, na tranquilidade do seu lar, de forma a recuperar dos incidentes de um conturbado copo de água, à medida que se preparam, em conjunto, para a passagem do Planeta Melancholia, que segundo as garantias de John, apenas fará uma trajectória limite, sem afectar o Planeta Terra e os seus habitantes. E é quando toda esta ideia apocalítica, de desgraça e de FIM se começa a apoderar de Claire, que todo o filme entra numa espiral de momentos e acontecimentos que o fazem crescer, crescer lenta e vagarosamente, para o seu final, épico, fantástico e portentoso.


Um final coerente com a qualidade de Melancholia, um dos melhores filmes de 2011, um dos grandes filmes da carreira de Lars Von Trier, com a emoção e o poder que este consegue impingir nos seus melhores filmes, com a sua marca pessoal, com o seu dedo de criador a sentir-se em cada cena, em cada imagem, em cada sequência. Por fim, uma nota pessoal, para reafirmar que adorei a forma como Melancholia foi filmado. O movimento da câmara nas cenas mais atribuladas, nas cenas mais vividas, transformam o ecrã nos nossos olhos e o movimento faz-nos sentir dentro das divisões da casa ou da tranquilidade das fantásticas paisagem que Lars Von Trier nos mostra.


Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Ano: 2011
Duração: 136 minutos

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ATTACK THE BLOCK (2011)




É o sucesso inglês do ano. O grande candidato aos BAFTA de 2011 mas que, curiosamente, não teve praticamente repercussão internacional. E, depois de ver o filme, é fácil perceber o porquê. Attack the Block é um filme mediano. E quando um filme é mediano, não aquece nem arrefece. Achei-o um pouco monótono, um pouco mortiço, um pouco sonolento. É uma ideia engraçada, não o nego. O oportunismo com que apareceu associado aos tumultos de Londres, fê-lo entrar num comboio de sucesso para o qual, à partida, não estaria preparado.


Tudo se passa num bairro social, onde um grupo de jovens utiliza os assaltos violentos para garantir a sua subsistência. Quando a jovem Sam regressa a casa e é atacada pelo gang liderado por Moses, um objecto estranho aparece do nada e cai em cima de um carro. O estrondo da queda permite a fuga de Sam e capta a atenção dos jovens que, ao perceberem que se trata de um alien, decidem mostrar a sua força e exercer a sua autoridade. A morte deste estranho animal traz consigo a desgraça do bairro social. O gang começa a ser perseguido por animais monstruosos e demolidores e vê-se a braços com uma guerra entre dois mundos, utilizando todos os artifícios à sua disposição para se defenderem.



Até podem achar o argumento interessante, mas eu considerei o filme bastante entediante e, até, medíocre. Não é o melhor do ano em Inglaterra. Nem estará certamente entre os cinco melhores.

Nota Final:

C+


Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Joe Cornish
Argumento: Joe Cornish
Ano: 2011
Duração: 88 minutos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

THE ADVENTURES OF TINTIN (2011)



Tenho que ser sincero. Tintin é um filme realmente engraçado, divertido, empolgante e cativante. Um "Two Thumbs Up!". Um sucesso. Não esperava admiti-lo, principalmente depois de saber que era Spielberg quem o iria realizar e depois de um trailer tão pouco convincente.


Mas, paradoxalmente, sempre desconfiei que Tintin me poderia surpreender. Em primeiro lugar, o trio de argumentistas que adaptaram a história de Hergé é bastante bom. Steven Moffat? Criador de Coupling, Sherlock e Doctor Who. Edgar Wright? Criador de Spaced, Shaun of Dead, Hot Fuzz e Scott Pilgrim. Joe Cornish? Criador do grande sucesso inglês do ano, Attack the Block. Em segundo lugar, porque as histórias de Hergé são, por si só, dotadas de um enorme potencial que, embora precisem de ser exploradas com alguma inteligência e sagacidade, podem facilmente garantir o sucesso de um filme. E por último porque foi depositada em Peter Jackson a tarefa de "criar" Tintin. E, algo que quero salientar, é a qualidade das imagens (em 2D) do filme. Graças às potencialidades da equipa de Jackson, o espectador tem a oportunidade de entrar dentro do desenho animado, de ver uma banda desenhada, no seu verdadeiro signficado, projectada numa película de cinema.


Por fim, a história, emocionante, consegue cativar o espectador sem grandes dificuldades. A cumplicidade de Tintin (Jamie Bell) e Milu é muito bem explorada, a personagem do Capitão Haddock (Andy Serkis) completamente hilariante e só fiquei com uma pontinha de desilusão devido às parcas aparições dos sempre divertidos irmãos Dupond e Dupont. Tudo gira à volta da miniatura de um barco que Tintin adquire numa feira de antiquidades por mera curiosidade. O assalto à sua casa, onde o pequeno barco é roubado, e a insistência de um estranho coleccionador em o adquirir, são o ponto de partida para mais uma aventura perigosa e atribulada desta personagem e do seu eterno companheiro.




Se quiser, Spielberg tem aqui uma mina de ouro para se encher de dinheiro para si e para as suas próximas quatro ou cinco gerações. Representar Tintin no cinema, com esta qualidade de imagem e efeitos especiais, é um sucesso garantido.

Nota Final:
A-/B+



Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Steven Spielberg
Argumento: Joe Cornish, Edgar Wright, Steven Moffat
Elenco: Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Nick Frost, Simon Pegg
Fotografia: Janusz Kaminski
Banda Sonora: John Williams
Ano:
2011
Duração:
107 minutos