E pensar que se Ben Affleck tivesse sido nomeado, ela nunca aconteceria... Dos nomeados, só Zeitlin se poderá queixar. Spielberg? O. Russell? Não me parece...
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
terça-feira, 1 de maio de 2012
REALIZADORES: OTAC NA SLUZBENOM PUTU (1985)
Publicada por
João Fonseca Neves
Recentemente tive que tomar a difícil decisão de terminar com a periodicidade nas minhas crónicas. Algo que me custa, de facto, mas que se tornou impossível de conciliar com todo o trabalho da faculdade. Nenhuma das minhas três crónicas pessoais desaparecerá. Apenas deixarão de ter um espaço pré-definido para aqui aparecerem. Para a nova crónica da rubrica REALIZADORES, optei por falar-vos de um dos mais peculiares artistas europeus dos últimos anos: Emir Kusturica. Vencedor de duas Palmas de Ouro em Cannes, com prémios, nomeações e reconhecimento mundiais, é um dos mais importantes nomes do cinema actual, produzindo arte em quantidade e em qualidade muito próprias.
Escolhi a sua primeira Palma de Ouro para o representar. Com o título português de "O meu pai foi em viagem de negócios", este é um dramático relato da Jugoslávia no pós-Segunda Guerra Mundial, sob o domínio opressor do Comunismo soviético, onde o desafio à ordem se pagava de forma dura e cruel. Um ambiente cinzento, frio, quase medieval. Malik é a personagem central de um filme que envolve diversas personagens, vidas e problemas. Relata-nos paulatinamente uma história que se desenrola com vagar, onde tudo começa com a forçada, inesperada e inexplicável (aos olhos inocentes e infantis de uma criança) ausência do seu pai, um homem que trabalha arduamente para o seu partido, e que, sem problemas, vive uma vida dupla com as suas amantes. A sua mãe, uma mulher habituada a batalhar os problemas sozinha, aguentando as dificuldades da família e reservando respeito, carinho e admiração pelo seu marido, é a personagem mais tocante de todo o filme. A sua perseverança é admirável e encorajadora.
Esta ausência, a força motriz de todo o filme, é narrada ao espectador entre uma descolorada Sarajevo e uma inóspita vila para onde Malik e a família são obrigados a deslocar-se enquanto aguardam a libertação do seu pai, preso pela cobarde denúncia de uma das suas amantes. As emoções e as reflexões de uma criança são o condimento para uma história que nos recorda os tempos difíceis de um povo que demorou a encontrar a paz e a tranquilidade. O dedo subtil de Kusturica, nos diálogos, no humor súbtil, nas histórias, nas personagens, é indissociável de todo o filme. É o marcar de uma posição, distanciando-se dos demais e definindo um rumo próprio. Aclamado pela crítica, OTAC NA SLUZBENOM PUTU é o primeiro ponto alto de uma carreira que continua a rechear-se com sucessos, prémios e estatuetas. Quando ouvimos o nome de Kusturica, sabemos que, com ele, vem sempre agarrada a irreverência, a qualidade e a novidade. O que nos traz, tem sempre que ser recebido de braços abertos.
domingo, 18 de março de 2012
REALIZADORES/PERSONAGENS DO CINEMA: STEVE MCQUEEN E BOBBY SANDS
Publicada por
João Fonseca Neves
Pela primeira vez junto duas das minhas crónicas favoritas numa só. É uma crónica de comemoração, onde presto homenagem a duas das figuras mais brilhantes do cinema em 2011. Sim, a crónica dos Realizadores (em especial essa) serve para homenagear os grandes nomes da realização, é verdade. Nomes com história, com currículo, com filmes suficientes para garantir um lugar entre os melhores e mais marcantes de sempre. Steve McQueen pode não ser ainda tão grande como foram Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman ou Fritz Lang. Mas, verdade seja dita, está numa posição muito privilegiada para fazer parte deste clube de elite.

Quanto a Michael Fassbender, pouco mais há a dizer. Bobby Sands é a mais importante personagem da sua carreira até ao momento (e certamente uma das mais marcantes de todo o seu currículo). Estamos a falar de um actor que conseguiu, em X-Men: First Class, transformar Magneto numa grande personagem. E quando pensamos nisto e olhamos para Bobby Sands, um revolucionário da Irlanda do Norte enclausurado numa prisão sem regras, disposto a morrer pelos seus direitos como prisioneiro político, percebemos a dimensão daquilo que lhe foi posto em mãos.

Estamos a falar de um filme que, a nível técnico, não é tão bem conseguido quanto o foi Shame. Aí, Steve McQueen está melhor. Aprendeu com alguns erros cometidos em Hunger e mostrou uma evolução consistente e admirável. Mas Fassbender mostra porque é que faz as delicias dos amantes do cinema. É uma máquina de representação. A intensidade, a entrega, a concentração, o profissionalismo, actualmente não têm igual. É o melhor actor em actividade. Não sabe fazer mal. Em Hunger, um filme que nos transporta para o inicio da década de 80, altura dos violentos conflitos entre a Irlanda do Norte e a tirana Margaret Thatcher, vivemos o ambiente duro e cruel de uma prisão onde eram calados os presos políticos, os homens que mobilizavam as massas e que, com coragem, desafiavam o sistema e as regras.

É um filme duro. Não se vê com o pacote de pipocas à frente, nem num ambiente festivo. Baseado em factos reais, é uma mensagem sobre a bravura e a coragem de homens que lutaram pelos seus ideais e pelo seu orgulho. Arrojado em todos os aspectos técnicos, com um fantástico take de quase vinte minutos onde Fassbender mostra a sua classe, Hunger foi o primeiro passo de um imberbe Steve McQueen. Com um estilo muito próprio, McQueen é um dos mais promissores realizadores dos nosso dias. E Twelve Years a Slave, esperado para 2013, é já um dos filmes mais aguardados do próximo ano.
Quanto a Michael Fassbender, pouco mais há a dizer. Bobby Sands é a mais importante personagem da sua carreira até ao momento (e certamente uma das mais marcantes de todo o seu currículo). Estamos a falar de um actor que conseguiu, em X-Men: First Class, transformar Magneto numa grande personagem. E quando pensamos nisto e olhamos para Bobby Sands, um revolucionário da Irlanda do Norte enclausurado numa prisão sem regras, disposto a morrer pelos seus direitos como prisioneiro político, percebemos a dimensão daquilo que lhe foi posto em mãos.
Estamos a falar de um filme que, a nível técnico, não é tão bem conseguido quanto o foi Shame. Aí, Steve McQueen está melhor. Aprendeu com alguns erros cometidos em Hunger e mostrou uma evolução consistente e admirável. Mas Fassbender mostra porque é que faz as delicias dos amantes do cinema. É uma máquina de representação. A intensidade, a entrega, a concentração, o profissionalismo, actualmente não têm igual. É o melhor actor em actividade. Não sabe fazer mal. Em Hunger, um filme que nos transporta para o inicio da década de 80, altura dos violentos conflitos entre a Irlanda do Norte e a tirana Margaret Thatcher, vivemos o ambiente duro e cruel de uma prisão onde eram calados os presos políticos, os homens que mobilizavam as massas e que, com coragem, desafiavam o sistema e as regras.
É um filme duro. Não se vê com o pacote de pipocas à frente, nem num ambiente festivo. Baseado em factos reais, é uma mensagem sobre a bravura e a coragem de homens que lutaram pelos seus ideais e pelo seu orgulho. Arrojado em todos os aspectos técnicos, com um fantástico take de quase vinte minutos onde Fassbender mostra a sua classe, Hunger foi o primeiro passo de um imberbe Steve McQueen. Com um estilo muito próprio, McQueen é um dos mais promissores realizadores dos nosso dias. E Twelve Years a Slave, esperado para 2013, é já um dos filmes mais aguardados do próximo ano.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
REALIZADORES: METROPOLIS (1927)
Publicada por
João Fonseca Neves
Regressa este mês a minha recente aposta de crónicas mensais. Esteve ausente nos últimos dois meses, por diversos motivos que atrasaram também a actualização do blogue, mas a partir de agora espero conseguir realizar a crónica com a pontualidade com que actualizo as restantes crónicas mensais. Pensei em repetir o realizador da crónica anterior, mas preferi variar o leque de estrelas que por aqui vão passar ao longo dos próximos meses. Depois de me apaixonar pelo M, resolvi que Fritz Lang deveria estar entre nós o mais rapidamente possível. Escolhi então um dos seus mais conceituados filmes, Metropolis. A obra de um visionário, de um homem que viveu à frente do seu tempo e que percebeu, com uma astúcia fabulosa, aqueles que seriam um verdadeiros problemas da sociedade moderna, da civilização do Século XXI.

Metropolis é uma cidade futurista. Aquilo que Fritz Lang e Thea von Harbou idealizaram como o futuro. E neste futuro, o povo trabalha, escravizado, para sustentar o ócio e os caprichos de uma minoria escolhida por sangue e linhagem. Sem direito a verem a luz do dia, trabalhando arduamente nas profundezas da terra, o povo cumpre ordens e vive uma existência triste, cinzenta e desgraçada. Tudo muda quando Freder (Gustav Fröhlich), filho de Joh Fredersen, o abastado dono da Metropolis, conhece a realidade que durante toda a sua vida lhe foi escondida e ludibriada pelo pai: os homens, mulheres e crianças, as vidas que, no submundo, trabalham até à exaustão, para que o mundo soberano possa estar feliz, possa gozar os bons prazeres da vida e aproveitar as regalias do seu estatuto.

Decidido a mudar o curso da história, a quebrar as barreiras que separam os privilegiados dos condenados, Metropolis faz-nos uma viagem à essência do ser humano. Aos limites da ganância e da luta pelo poder. E faz-nos reflectir, tal como M fez, nas enormes potencialidades de Fritz Lang. Faz-nos recordar que em 1927, quando ainda não existia som no cinema, quando o mundo vivia a ressaca de uma Grande Guerra, um homem conseguiu não só pensar como projectar e criar um mundo futurista, que serviu de base para inúmeros filmes que o sucederam. Um realizador capaz de pensar no Homem como um ser imutável, que sempre será tentado pelo pecado e pela ganância, que faz sofrer sem piedade e que cobra sem perdão. Ver Metropolis não é ver a década de 20. É ver a história do Homem e da Humanidade.
Metropolis é uma cidade futurista. Aquilo que Fritz Lang e Thea von Harbou idealizaram como o futuro. E neste futuro, o povo trabalha, escravizado, para sustentar o ócio e os caprichos de uma minoria escolhida por sangue e linhagem. Sem direito a verem a luz do dia, trabalhando arduamente nas profundezas da terra, o povo cumpre ordens e vive uma existência triste, cinzenta e desgraçada. Tudo muda quando Freder (Gustav Fröhlich), filho de Joh Fredersen, o abastado dono da Metropolis, conhece a realidade que durante toda a sua vida lhe foi escondida e ludibriada pelo pai: os homens, mulheres e crianças, as vidas que, no submundo, trabalham até à exaustão, para que o mundo soberano possa estar feliz, possa gozar os bons prazeres da vida e aproveitar as regalias do seu estatuto.

Decidido a mudar o curso da história, a quebrar as barreiras que separam os privilegiados dos condenados, Metropolis faz-nos uma viagem à essência do ser humano. Aos limites da ganância e da luta pelo poder. E faz-nos reflectir, tal como M fez, nas enormes potencialidades de Fritz Lang. Faz-nos recordar que em 1927, quando ainda não existia som no cinema, quando o mundo vivia a ressaca de uma Grande Guerra, um homem conseguiu não só pensar como projectar e criar um mundo futurista, que serviu de base para inúmeros filmes que o sucederam. Um realizador capaz de pensar no Homem como um ser imutável, que sempre será tentado pelo pecado e pela ganância, que faz sofrer sem piedade e que cobra sem perdão. Ver Metropolis não é ver a década de 20. É ver a história do Homem e da Humanidade.
Nota Final:
A
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou
Ano: 1927
Duração: 153 minutos
A
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou
Ano: 1927
Duração: 153 minutos
domingo, 13 de novembro de 2011
REALIZADORES: THE SEVENTH SEAL (1957)
Publicada por
João Fonseca Neves
O Dial P for Popcorn inicia hoje mais uma crónica mensal! Uma crónica diferente e especial, que terá duas edições mensais, uma escrita por mim e outra escrita pelo Jorge e onde nos dedicaremos a analisar os melhores filmes daqueles que foram e são os grandes realizadores da história do cinema. A nossa vontade é explorar com alguma profundidade as carreiras marcantes do grandes mestres que deixaram a sua marca na sétima arte, analisar os seus momentos mais altos e divulgá-los aqui no blogue. Realizadores, a nova crónica do Dial P for Popcorn junta-se assim às já habituais crónicas do British TV, A Morte da 7.ª Arte e Personagens do Cinema.

"Faith is a torment. It is like loving someone who is out there in the darkness but never appears, no matter how loudly you call."
Começamos por Ingmar Bergman. Confesso-vos que esperei alguns anos para ver um filme seu. Sentia que ainda não estava preparado. Sentia que devia amadurecer, conhecer mais cinema, conhecer mais ideias para depois enfrentar este monstro que se chama Bergman e que fez algumas das obras mais singulares e marcantes da sétima arte. Ontem atrevi-me. Atrevi-me e fiquei arrebatado. Era fácil chegar aqui e dizer-vos que Bergman é genial, brilhante, ímpar e completamente distinto. Era fácil dizer-vos que o filme é fantástico, incrivelmente cativante e emotivo e que este é um dos filmes que vou juntar aos melhores da minha vida.

Fácil era dizer-vos isto, complicado é explicar-vos o que se passa em The Seventh Seal que me deixou fixado ao ecrã durante hora e meia. Começo pelo princípio. Antonius Block (Max von Sydow) é um cavaleiro que, em pleno século XIV, regressa à sua terra natal. Encontra uma Suécia totalmente distinta daquela que deixou dez anos antes quando decidiu partir, juntamente com o seu escudeiro, para as cruzadas do sul da Europa. A Suécia do século XIV é um país consumido pela peste negra, entregue de uma forma fervorosa à religião e ao perdão de Deus, em que cidadãos excomungam e ostracizam os doentes e os pagãos são barbaramente condenados pelo exército e pela Igreja.

É quando ainda digere o choque desta realidade, que Antonius conhece a Morte (Bengt Ekerot personifica um assassino frio, calculista, que retira um imenso prazer da dor e da destruição que provoca - É cinema!), que lhe comunica que chegou a sua hora de partir. Surpreendido, Antonius convida a Morte para uma partida de xadrez, onde ambos jogarão a sua vida. Esta é uma partida longa, que se faz a espaços durante todo o filme, onde o espectador percebe como esta situação cruel e asfixiante é altamente prazerosa para uma Morte que é negra, sádica e fria.

Um filme forte, duro e pesado, onde Bergman explora de uma forma brilhante o ambiente medieval de uma Suécia em luta pela sobrevivência, onde o som e as imagens de uma civilização magoada nos petrificam. Bergman era um génio e este filme explica-nos o porquê. A forma como discute Deus, a Morte, o significado da existência humana, prova-o. São raríssimos aqueles que têm a capacidade de pensar desta forma. E destes, são ainda mais raros aqueles que conseguem fazer Cinema. Bergman é o nosso primeiro Realizador.
Nota Final:A+
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Ingmar Bergman
Argumento: Ingmar Bergman
Ano: 1957
Duração: 96 minutos
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Ingmar Bergman
Argumento: Ingmar Bergman
Ano: 1957
Duração: 96 minutos
domingo, 26 de setembro de 2010
Takeshi Kitano - KIKUJIRO (1999)
Publicada por
João Fonseca Neves
Mais uma obra-de-arte. Cada vez mais me convenço que um filme de Takeshi Kitano é sempre um filme marcante, único e incomparável.
Em Kikujiro somos confrontados com uma realidade distinta das relatadas nos dois filmes anteriores sobre os quais vos falei. Takeshi Kitano volta a realizar, escrever e protagonizar mais uma grande história, real e habitual, que aos olhos de muito certamente passará completamente despercebida.

Como já antes referi, Takeshi Kitano é um realizador sem preconceitos, sem falinhas mansas, sem floreados ou rodeios. Não nos conta histórias da carochinha e leva muito a sério o seu espectador. É um realizador que não gosta de perder nem de fazer perder tempo. E em Kikujiro temos mais uma boa prova disso.
O filme conta-nos a história de Masao, um rapaz que vive em Tokyo com a avó. Abandonado pela mãe (que acredita te-lo abandonado para lhe dar uma vida melhor) e órfão do seu pai, vê todos os seus colegas partirem em família para as tão aguardadas férias de verão. É na monotonia dos seus primeiros dias de férias, que decide aproveitar para visitar a sua mãe (que nunca viu a não ser apenas em fotos) em Toyohashi.
Ainda na cidade de Tokyo, e enquanto está a ser assaltado por um grupo de adolescentes, é ajudado por Kikujiro (Takeshi Kitano) e pela sua Mulher (um casal muito amigo da sua avó), que lhe devolvem o dinheiro que lhe iria ser roubado. Ao sabere dos planos do menino, a Sra. Kikujiro obriga o seu marido a acompanhar o rapaz nesta enorme e difícil jornada. Com cinquenta mil yenes partem para uma viagem que tem tudo para não correr como o esperado.
Kikujiro é uma criança em ponto grande, um homem que facilmente se deixa levar pela tentação dos seus vícios. Rapidamente perde todos os yenes que lhe haviam sido entregues pela mulher para os custos da viagem, em ridículas apostas de corridas de ciclistas. Alheio a todo este tipo de contrariedades, Masao segue sempre alegre, não deixando de sonhar com o dia em que verá a sua mãe. Numa espécie de Road-Trip de quem sabe fazer filmes, Takeshi Kitano vai-nos confrontando com algumas surpresas, principalmente no que toca à controversa personagem que desempenha neste filme.

Mais uma vez com uma banda-sonora constituída praticamente por uma única música, que vos aconselho vivamente a ouvir, somos embalados pelo som dos violinos que marcam os momentos mais intensos deste filme. Acho que a escolha é acertada e que é a forma ideal de ter o espectador sempre atento e em sintonía com o filme. Com Takeshi Kitano percebi que, uma banda sonora de uma única melodia, resulta, na grande maioria das vezes, muito melhor do que um conjunto de músicas quase sem relação com a história do filme. Quanto à banda-sonora, volto a atribuir A.
Nota Final: B+
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1999
Duração: 121 minutos
Em Kikujiro somos confrontados com uma realidade distinta das relatadas nos dois filmes anteriores sobre os quais vos falei. Takeshi Kitano volta a realizar, escrever e protagonizar mais uma grande história, real e habitual, que aos olhos de muito certamente passará completamente despercebida.

Como já antes referi, Takeshi Kitano é um realizador sem preconceitos, sem falinhas mansas, sem floreados ou rodeios. Não nos conta histórias da carochinha e leva muito a sério o seu espectador. É um realizador que não gosta de perder nem de fazer perder tempo. E em Kikujiro temos mais uma boa prova disso.
O filme conta-nos a história de Masao, um rapaz que vive em Tokyo com a avó. Abandonado pela mãe (que acredita te-lo abandonado para lhe dar uma vida melhor) e órfão do seu pai, vê todos os seus colegas partirem em família para as tão aguardadas férias de verão. É na monotonia dos seus primeiros dias de férias, que decide aproveitar para visitar a sua mãe (que nunca viu a não ser apenas em fotos) em Toyohashi.
Ainda na cidade de Tokyo, e enquanto está a ser assaltado por um grupo de adolescentes, é ajudado por Kikujiro (Takeshi Kitano) e pela sua Mulher (um casal muito amigo da sua avó), que lhe devolvem o dinheiro que lhe iria ser roubado. Ao sabere dos planos do menino, a Sra. Kikujiro obriga o seu marido a acompanhar o rapaz nesta enorme e difícil jornada. Com cinquenta mil yenes partem para uma viagem que tem tudo para não correr como o esperado.
Kikujiro é uma criança em ponto grande, um homem que facilmente se deixa levar pela tentação dos seus vícios. Rapidamente perde todos os yenes que lhe haviam sido entregues pela mulher para os custos da viagem, em ridículas apostas de corridas de ciclistas. Alheio a todo este tipo de contrariedades, Masao segue sempre alegre, não deixando de sonhar com o dia em que verá a sua mãe. Numa espécie de Road-Trip de quem sabe fazer filmes, Takeshi Kitano vai-nos confrontando com algumas surpresas, principalmente no que toca à controversa personagem que desempenha neste filme.

Mais uma vez com uma banda-sonora constituída praticamente por uma única música, que vos aconselho vivamente a ouvir, somos embalados pelo som dos violinos que marcam os momentos mais intensos deste filme. Acho que a escolha é acertada e que é a forma ideal de ter o espectador sempre atento e em sintonía com o filme. Com Takeshi Kitano percebi que, uma banda sonora de uma única melodia, resulta, na grande maioria das vezes, muito melhor do que um conjunto de músicas quase sem relação com a história do filme. Quanto à banda-sonora, volto a atribuir A.
Nota Final: B+
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1999
Duração: 121 minutos
sábado, 11 de setembro de 2010
Takeshi Kitano - FIREWORKS (1997)
Publicada por
João Fonseca Neves
E em Fireworks, Takeshi Kitano "mostrou as suas garras"! Que filmaço! Desde a intensidade de todas as cenas até pose do próprio Takeshi Kitano (que escreve, realiza e actua como principal personagem) que se caracteriza por se expressar, quase sempre, por pequenos monossílabos imperceptíveis, escondendo um misterioso olhar por detrás dos seus óculos escuros.
Fireworks é um filme que ocorre, durante todo o tempo, em dois espaços temporais distintos que se misturam e envolvem, exigindo a atenção do espectador. No mais antigo, Yoshitaka Nishi (Takeshi Kitano) é parceiro de Horibe (Ren Ohsugi) e ambos são polícias distintos e admirados. Até que Horibe se envolve numa cena de tiroteio e fica paraplégico. Aí, somos transportados para o outro espaço temporal. Neste, ao qual podemos chamar de presente, Nishi já não é polícia e vive para a sua mulher tentando dar alguma luz à vida da mesma, a qual está em grande risco devido a uma doença terminal. Horibe, antes homem de família, é agora um homem abandonado e Nishi, com sentimentos de culpa vai dando-lhe uma mão e tentanto que a sua vida melhore.

Takeshi Kitano percebe os dramas sociais de uma forma tocante e expressa as suas ideias sem rodeios, com uma frieza e uma clarividência que deixam o espectador completamente sentido com os problemas das suas personagens e solidário com as suas dificuldades. Gostei imenso de Fireworks, um drama policial que tantas vezes se repete por esse mundo fora, onde os intervenientes são anónimos que sofrem e lutam em silêncio.
Nota Final: A-
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1997
Duração: 103 minutos.
Fireworks é um filme que ocorre, durante todo o tempo, em dois espaços temporais distintos que se misturam e envolvem, exigindo a atenção do espectador. No mais antigo, Yoshitaka Nishi (Takeshi Kitano) é parceiro de Horibe (Ren Ohsugi) e ambos são polícias distintos e admirados. Até que Horibe se envolve numa cena de tiroteio e fica paraplégico. Aí, somos transportados para o outro espaço temporal. Neste, ao qual podemos chamar de presente, Nishi já não é polícia e vive para a sua mulher tentando dar alguma luz à vida da mesma, a qual está em grande risco devido a uma doença terminal. Horibe, antes homem de família, é agora um homem abandonado e Nishi, com sentimentos de culpa vai dando-lhe uma mão e tentanto que a sua vida melhore.

Takeshi Kitano percebe os dramas sociais de uma forma tocante e expressa as suas ideias sem rodeios, com uma frieza e uma clarividência que deixam o espectador completamente sentido com os problemas das suas personagens e solidário com as suas dificuldades. Gostei imenso de Fireworks, um drama policial que tantas vezes se repete por esse mundo fora, onde os intervenientes são anónimos que sofrem e lutam em silêncio.
Nota Final: A-
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1997
Duração: 103 minutos.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Personagens do Cinema - Daniel Plainview
Publicada por
João Fonseca Neves
A partir daquele que é para mim o melhor filme da década, apresento-vos aquela que é para mim a melhor interpretação da década.
No papel de Daniel Plainview, Daniel Day Lewis deixou uma marca na história do cinema e garantiu um lugar ao lado dos grandes nomes da sétima arte. Poucos o conseguiram e Daniel Day Lewis até pode nunca mais voltar a fazer nada igual (eu sinceramente acredito que vai conseguir!), mas a lenda que criou não mais será esquecida.

Num filme sobre a exploração de petróleo nos Estados Unidos da América no início do século XX e a ganância cega de um chefe de família que luta pelo poder, todos se renderam a este intrigante personagem, um fervoroso cristão que foi magistralmente trabalhado por Day Lewis (criado e pensado por um realizador que muito admiro, Paul Thomas Anderson) e que culmina num final soberbo. É um final que não me canso de ver!!! Emocionante, intenso, trágico, cruel!!! Daniel Plainview é, sem qualquer dúvida, uma das mais carismáticas Personagens do Cinema
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Grandes Divas do Ecrã
Publicada por
Jorge Rodrigues
Não posso só seleccionar uma frase-chave, pois esta interpretação merece mais que uma menção.
Scarlett O'Hara é...
Opinionada ("I've never heard of such bad taste."),
Forte ("Don't bother me anymore, and don't call me sugar."),
Rude ( "You're coarse, and you're conceited. And I think this conversation has gone far enough."),
Lutadora ("God is my witness, I'll never be hungry again!"),
Teimosa ("You can take it all back to the kitchen; I won't eat a bite. No... I'm... NOT. "),
Tão inconvencional ("Why does a girl have to be so silly to catch a husband? "),
Poderosa num mundo de homens ("If either of you boys says "war" just once again, I'll go in the house and slam the door. ")
...E poderia passar horas aqui a descrevê-la mas a melhor frase, a que melhor a define, é esta: antipática e rude, algumas vezes com razão, outras não, mas sempre, sempre com muita classe e sofisticação:
"Ooh, if I just wasn't a lady, WHAT wouldn't I tell that varmint."
Provavelmente a melhor interpretação feminina da história. E uma das maiores divas do cinema também.
Scarlett O'Hara (Vivien Leigh), "Gone With The Wind" (1939)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Quentin Tarantino: Inglourious Basterds
Publicada por
João Fonseca Neves
O mais recente dos filmes de Tarantino (e embora eu ainda não fosse gente em 1994 ou não fizesse a mais pequena ideia do que era Cinema e Tarantino aquando da saída de Kill Bill), penso que Inglourious Basterds terá sido o filme com maior divulgação, box office e aceitação pelo público em geral. Na análise a este filme, penso que obtemos duas opiniões um pouco distintas: Para os mais fervorosos fans de Tarantino, Inglourious Basterds é visto como um belo filme, mas a satisfação que se retira não será a mesma de um Pulp Fiction ou de um Reservoir Dogs (nem penso que poderia ser). Para os fans dos filmes mais mainstream, principalmente aqueles para quem Inglourious Basterds é o primeiro contacto que têm com Tarantino, este é tido como um grande filme, dos melhores de 2009. São duas opiniões que respeito e compreendo.

No meu entender, Inglourious Basterds é um filme com grandes interpretações (como é o caso de Christoph Waltz, um desconhecido que limpou tudo o que era troféu desde Cannes até aos Óscars com uma das grandes interpretações da última década) e com pequenos momentos de uma genialidade enorme, ao melhor nivel de Tarantino, como a cena inicial em que Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) captura, com uma enorme classe, uma família de Judeus (ou não fosse a sua alcunha, que ostenta com orgulho, "Jew Hunter").

Inglourious Basterds é um filme dividido em 5 capítulos e que conta a história de um grupo (posso dizer, "heterogéneo") de Judeus, liderado por Aldo Raine (Brad Pitt) e que se orgulha de fazer frente ao regime Nazi, de uma forma tão eficaz, cuja fama se espalha pela Europa e leva a que, o próprio exército Nazi sinta receio destes guerrilheiros. A acção começa quando este grupo decide eliminar o Coronel Hans Land e este prova ser um osso muito duro de roer!
É um filme que mistura o melhor humor negro de Tarantino, com empolgantes cenas de acção e suspense. Toda a excitação (acho que foi o maior empurrão para tal) à sua volta levou-o a conseguir 8 nomeações na ultima edição dos Oscars, tendo garantido a inevitável estatueta para o papel de Melhor Actor Secundário que, no meu entender, seria criminoso caso não acontecesse.
Nota Final: B+
Trailer:
Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2009
Duração: 153 minutos
No meu entender, Inglourious Basterds é um filme com grandes interpretações (como é o caso de Christoph Waltz, um desconhecido que limpou tudo o que era troféu desde Cannes até aos Óscars com uma das grandes interpretações da última década) e com pequenos momentos de uma genialidade enorme, ao melhor nivel de Tarantino, como a cena inicial em que Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) captura, com uma enorme classe, uma família de Judeus (ou não fosse a sua alcunha, que ostenta com orgulho, "Jew Hunter").
Inglourious Basterds é um filme dividido em 5 capítulos e que conta a história de um grupo (posso dizer, "heterogéneo") de Judeus, liderado por Aldo Raine (Brad Pitt) e que se orgulha de fazer frente ao regime Nazi, de uma forma tão eficaz, cuja fama se espalha pela Europa e leva a que, o próprio exército Nazi sinta receio destes guerrilheiros. A acção começa quando este grupo decide eliminar o Coronel Hans Land e este prova ser um osso muito duro de roer!
Nota Final: B+
Trailer:
Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2009
Duração: 153 minutos
Quentin Tarantino: Death Proof
Publicada por
João Fonseca Neves
O mais fraco dos dois filmes de Grindhouse. O humor negro de Robert Rodriguez deixou-me completamente pasmado em Planet Terror e a pensar como é que alguem vai de Spy Kids até Planet Terror (ou até mesmo a participação em Sin City e a realização do mais recente Machete que embora ainda em fase inicial recebe em imdb.com uma boa pontuação).
Mas estamos aqui para falar de Quentin Tarantino e de Death Proof. Penso que em poucas palavras se explica a essência do filme. Stuntman Mike (Kurt Russell) e o seu carro "à prova de morte", um belo dodge challenger de 1970 é conhecido por ser um mortífero assassíno que percebe jovens mulher até as assassinar em brutais acidentes de carro.
Tudo lhe corre bem, e o filme começa com uma prova clara das potencialidades de Mike. Estamos num bar, e vemos aparecer Shanna (Jordan Ladd), Arlene (Vanessa Ferlito) e Jungle Julia (Sydney Poitier). Mike está sentado nesse mesmo bar. É então que Julia revela que fez, nessa mesma manhã um estranho anúncio na rádio: avisou que iria sair com as suas amigas nessa mesma noite e que, caso alguem visse Arlene, deveria pagar-lhe uma bebida, olha-la nos olhos enquanto recitava o poema "Stopping by Woods on a Snowy Evening" de Robert Frost e, no final chama-la de borboleta. Se tal acontecesse, Arlene teria que fazer a essa mesma pessoa, uma lap dance (a imaginação de Tarantino é uma fora de série...)
Mike convence Arlene a fazer-lhe a Lap Dance e depois disso, dá boleia a Pam (Rose McGowan) a empregada do bar. É aí que temos uma das frases mais marcantes do filme. Durante a viagem, Pam pergunta a Mike se o carro é seguro ao que este responde: “100% death proof, but to get the benefit of it, honey, you really need to be sittin’ in my seat!” e sem piedade e num brutal acidente, mata Pam, seguindo-se mais tarde Shanna, Arlene e Jungle Julia.
14 meses depois, somos confrontados com uma história em (quase tudo semelhante) a esta. Abernathy (Rosario Dawson), Kim (Tracie Thoms), e Lee (Mary Elizabeth Winstead) são três raparigas com aspirações a Hollywood que se encontram estacionadas num Dodge Charger de 1969 em pleno Tennessee. Mike observa-as. A adrenalina, a vontade de matar começam aos poucos a tomar conta de si mas desta vez, há algo de diferente. Aos poucos o espectador começa a notar em pequenos pormenores, pequenas diferenças que culminam com um final surpreendente, talvez a melhor parte do filme. Ficará para sempre na minha memória a cena final e onde Tarantino dá mais uma prova da sua potencialidade e capacidade criativa.
Embora seja um filme uns furos abaixo daquilo a que Tarantino nos foi habituando, considero-o sem dúvida um bom filme e um bom registo de Tarantino. Melhor que Jackie Brown, é um filme que combina bem com a sua outra metade "Planet Terror" e tornou o projecto Grindhouse num dos grandes sucessos de 2007!
Nota final: B
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2007
Duração: 114 minutos
Mas estamos aqui para falar de Quentin Tarantino e de Death Proof. Penso que em poucas palavras se explica a essência do filme. Stuntman Mike (Kurt Russell) e o seu carro "à prova de morte", um belo dodge challenger de 1970 é conhecido por ser um mortífero assassíno que percebe jovens mulher até as assassinar em brutais acidentes de carro.
Mike convence Arlene a fazer-lhe a Lap Dance e depois disso, dá boleia a Pam (Rose McGowan) a empregada do bar. É aí que temos uma das frases mais marcantes do filme. Durante a viagem, Pam pergunta a Mike se o carro é seguro ao que este responde: “100% death proof, but to get the benefit of it, honey, you really need to be sittin’ in my seat!” e sem piedade e num brutal acidente, mata Pam, seguindo-se mais tarde Shanna, Arlene e Jungle Julia.
Nota final: B
Trailer:
Informação Adicional:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2007
Duração: 114 minutos
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Quentin Tarantino: KILL BILL (2003-2004), Vol. 1 e Vol. 2
Publicada por
João Fonseca Neves
Até há pouco tempo recusei-me a ver Kill Bill. O cartaz não me convencia, a prespectiva de Tarantino num filme de acção também não. Assim que tive a ideia de vos fazer esta retrospectiva sobre o Quentin Tarantino, tive obrigatoriamente que o colocar no leitor de DVD.
E que grande surpresa eu tive! Atrás de Reservoir Dogs e Pulp Fiction, a grande distância dos restantes filmes de Tarantino, Kill Bill é uma obra de arte. É um filme de acção e uma história aparentemente simples sobre vingança. No entanto é uma história criada por Tarantino, o que é o mesmo que dizer, uma história carregada de humor negro, com uma fantástica banda-sonora (considero seriamente falar-vos sobre ela em breve nas crónicas sobre as soundtracks) e particularidades deliciosas como o mítico jipe Pussy Wagon.

E que grande surpresa eu tive! Atrás de Reservoir Dogs e Pulp Fiction, a grande distância dos restantes filmes de Tarantino, Kill Bill é uma obra de arte. É um filme de acção e uma história aparentemente simples sobre vingança. No entanto é uma história criada por Tarantino, o que é o mesmo que dizer, uma história carregada de humor negro, com uma fantástica banda-sonora (considero seriamente falar-vos sobre ela em breve nas crónicas sobre as soundtracks) e particularidades deliciosas como o mítico jipe Pussy Wagon.
Kill Bill conta-nos a história de uma noiva (Uma Thurman) cujo casamento é estragado por Bill (David Carradine) e pelo seu gang. Após 4 anos em coma e de um despertar inesperado, a noiva decide vingar-se daqueles que a tentaram tramar. Um a um, todos serão eliminados. São 4 os alvos a abater antes de chegar até Bill: O-Ren Ishi, Vernita Green, Elle Drive e Budd que, a mando de Bill, constituiam o Deadly Viper Assassination Squad.
Um filme cheio de acção, que no meu entender é o que menos me importa, embala-nos numa aventura intensa, numa saga dividida em 2 filmes (que aconselho sejam vistos de uma assentada), pensado ao cuidado por Quentin Tarantino e que mostra um lado que, embora já conhecido de Tarantino (o seu humor e os seus diálogos, embora menos em foco, continuam brilhantes) exposto de uma nova forma. É acção à moda de Tarantino!
Nota Final: A-
Trailer:
Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Duração: 111/136 minutos
Ano: 2003/2004
Personagens do Cinema - Jack Torrance
Publicada por
João Fonseca Neves
Jack, o Nicholson, tranformou Jack, o Torrance, numa personagem cujo sorriso maquiavélico ficou para a história do cinema.
Vou ter que vos dizer que The Shining não é o meu filme favorito do Stanley Kubrick (é dificil encontrar na sua filmografia um filme favorito!), mas o papel que este criou para Jack Nicholson, um homem consumido pela loucura, paranóico e irracional tornou-o, para mim, num filme inesquecível.

The Shining é uma história que se cria à volta de Jack Torrance, um chefe de família que decide aceitar o emprego (aparentemente assombrado) de guardar um hotel durante os meses em que este estiver fechado. Leva consigo a sua mulher e o seu filho, que serão (aparentemente) a sua única companhia neste local.
Embora inicialmente tudo corra pelo melhor, aos poucos vamo-nos apercebendo das alterações que acontecem em Jack Torrance, que vai crescendo com o filme, atingindo o seu ponto alto perto do final, altura em que nos rendemos por completo. Jack é um maníaco. É uma personagem doentia. É uma interpretação soberba de Jack Nicholson (para mim, o melhor actor de sempre), fascinante também pelo facto de a distância entre o fracasso e o sucesso de uma personagem deste nível ser, no meu entender, bastante ténue. Muitos actores teriam falhado neste papel. Jack Nicholson brilhou.
Vou ter que vos dizer que The Shining não é o meu filme favorito do Stanley Kubrick (é dificil encontrar na sua filmografia um filme favorito!), mas o papel que este criou para Jack Nicholson, um homem consumido pela loucura, paranóico e irracional tornou-o, para mim, num filme inesquecível.
The Shining é uma história que se cria à volta de Jack Torrance, um chefe de família que decide aceitar o emprego (aparentemente assombrado) de guardar um hotel durante os meses em que este estiver fechado. Leva consigo a sua mulher e o seu filho, que serão (aparentemente) a sua única companhia neste local.
Embora inicialmente tudo corra pelo melhor, aos poucos vamo-nos apercebendo das alterações que acontecem em Jack Torrance, que vai crescendo com o filme, atingindo o seu ponto alto perto do final, altura em que nos rendemos por completo. Jack é um maníaco. É uma personagem doentia. É uma interpretação soberba de Jack Nicholson (para mim, o melhor actor de sempre), fascinante também pelo facto de a distância entre o fracasso e o sucesso de uma personagem deste nível ser, no meu entender, bastante ténue. Muitos actores teriam falhado neste papel. Jack Nicholson brilhou.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Pessoas da Década: Charlie Kaufman
Publicada por
Jorge Rodrigues
Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar no início da semana (normalmente segunda ou terça-feira). Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.
E esta semana vamos virar a nossa atenção para uma classe que muitas vezes não tem o respeito que merece. É que se é verdade que um realizador pode conseguir fazer maravilhas com um argumento mau, imagino que também seja verdade que um realizador pode conseguir uma obra-prima assinalável só porque quem escreveu as palavras que os actores pronunciam redigiu um texto de qualidade impressionante. Os argumentistas são, muitas vezes, os parentes pobres dos realizadores no sentido em que recebem muito menos respeito que o que merecem, uma vez que não há filmes sem gente que os escreva. E se adoram culpar os argumentos quando os filmes são maus (com razão, na maioria dos casos), porque não fazer o mesmo quando o argumento é brilhante mas a realização é um horror? Aí está o problema, é que normalmente é o realizador e não o argumentista que recebe o crédito quando as coisas correm bem.
Este senhor de que vou falar a seguir é, curiosamente, um dos poucos exemplos do contrário. E como foi ele que escreveu o argumento de um dos meus filmes favoritos da década passada - e recebeu mais crédito que o próprio realizador - não podia deixar de estreá-lo nesta rubrica logo que pegasse nos argumentistas. O filme em questão é "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" e eu vou falar então de...
Charlie Kaufman
Uma carreira relativamente curta a nível cinematográfico mas com bastante riqueza e qualidade no trabalho até já efectuado. O primeiro filme de Kaufman como argumentista foi o extraordinário case-study de Spike Jonze, "Being John Malkovich", em 1999. Um filme bizarro e maluco a vários níveis mas mesmo assim espectacular. Dois anos mais tarde, em 2001, ele assinou o argumento de "Human Nature" para o realizador Michel Gondry, um filme que falhou em repetir o sucesso do seu primeiro escrito mas que foi, mesmo assim, elogiado pelo estilo evoluído, original e poderoso de escrita. Em 2002 escreveu o argumento de "Confessions of a Dangerous Mind", mais um falhanço menor, que foi no entanto bem recebido pela crítica, também tendo sido ajudado pelo facto de ser o filme de estreia de Clooney a realizador.
Contudo, foi com os dois filmes seguintes e o sucesso que estes trouxeram que este argumentista se tornou dos mais populares em Hollywood. Em 2002 volta a colaborar com Spike Jonze naquele que é o filme mais popular do realizador, o excelente "Adaptation", com Cage, Streep e Cooper (que venceu um Óscar pelo filme) e que funciona como uma espécie de auto-biografia do próprio Kaufman, que se imagina a ele a redigir um argumento baseado na obra de Susan Orlean. Ambos os filmes de Jonze valeram a Kaufman a nomeação para Melhor Argumento Original nos Óscares, tendo perdido as duas vezes. Seria à terceira que ele celebraria, com o que é considerado o melhor argumento original da década, o de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", em 2004, realizado por Michel Gondry e protagonizado por Carrey e Winslet (com Ruffalo, Dunst, Wilkinson e Wood no elenco de suporte).
O filme foi um sucesso estrondoso com a crítica, valeu nomeação a Kate Winslet para Melhor Actriz (que devia ter ganho nesse ano, na minha opinião) e o público também adorou. Esta bela história de um amor desencontrado na vida real que contudo se mantém na mente é sinceramente uma história bastante incrível e original (claro que haverá sempre quem discorde deste meu comentário, é normal devido às gigantes expectativas que se criaram em relação a este filme) e foi bem honrado com a estatueta de Melhor Argumento Original, sendo que é hoje em dia um dos principais termos de comparação para os escritos que o sucederam. E o engraçado mesmo é que Gondry nunca mais na vida fará outro filme tão bom como aquele e provavelmente a sua realização contribuiu largamente para o sucesso do filme, mas é sempre Kaufman que é relembrado quando o filme vem à baila. O argumentista só tem mais um filme na filmografia, que ele escreveu e realizou, o muito incompreendido (e brilhante, há que acrescentar) "Synecdoche, New York" de 2008 onde Seymour Hoffman dá uma extraordinária performance (além do excelente elenco secundário).
Do futuro nada se sabe, pois não existem mais projectos na sua agenda para breve, mas uma coisa é certa: o seu nome já é um marco na história do cinema e basta ele aparecer associado a qualquer filme que é razão suficiente para ficarmos logo excitados. E esse tipo de reacção não é para qualquer um. É só mesmo para quem é formidável no que faz.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Pessoas da Década: Nicole Kidman
Publicada por
Jorge Rodrigues
Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.
Esta semana tinha focado na minha mente que ia falar de um actor. Pedi sugestões nos comentários mas pelos vistos vocês não estavam muito receptivos a dar a vossa opinião. Não faz mal. Muito provavelmente, eu não iria escolher outra pessoa que não esta. Conseguem pensar noutra actriz que tenha deixado uma marca tão impressionante na década de 2000 como esta? Não me parece.
É, por isso, com muito orgulho, que a minha rubrica "Pessoas da Década" vai abordar esta semana...
Nicole Kidman
A actriz autraliana nascida no Hawai, que perfez 43 anos no passado dia 20 de Junho foi desde sempre a minha primeira escolha para o meu primeiro texto sobre um actor para esta rubrica. É que, se a segunda metade da década deixa a desejar quanto à filmografia de Nicole Kidman diz respeito, entre 2000 e 2005 não houve actor ou actriz que tão alto subisse na memória das pessoas e no estrelato de Hollywood. A nível pessoal, a actriz divorciou-se de Tom Cruise em 2001, mais ou menos na mesma altura em que o seu primeiro grande êxito chegava aos cinemas e encantava meio mundo e casou-se posteriormente com o cantor country Keith Urban, também australiano, em 2006, com quem tem hoje uma filha, Sunday Rose.
A nível profissional, pois se a sua carreira já mostrava sinais de vôos mais altos (como comprovam "To Die For" em 1995, "The Portrait of a Lady" em 1996 e "Eyes Wide Shut" em 1999), entre 2000 e 2009, explodiu consideravelmente.
O início da década foi absolutamente avassalador para Nicole Kidman. Em 2001 começou a consolidar-se como uma das melhores actrizes de Hollywood, mostrando a sua versatilidade, talento e fabulosa expressividade em "Moulin Rouge!" de Baz Luhrmann (onde ainda por cima canta e dança fantasticamente) e em "The Others" de Alejandro Aménabar. Era óbvio que a Academia já estava de olho nela quando nesse mesmo ano lhe deu as boas-vindas ao círculo elitista de nomeados para Óscar pela sua interpretação fenomenal em "Moulin Rouge!", pela qual conquistou imensos prémios, entre eles o Globo de Ouro - Musical/Comédia. Não seria ainda a sua hora de vencer um Óscar (apesar de certamente o merecer mais que a vencedora), pois perdeu para Halle Berry ("Monster's Ball").
Seria no ano seguinte, em 2002, que Kidman iria atingir tal glória, pelo multi-nomeado para os Óscares "The Hours", que contava com Julianne Moore, Meryl Streep e a própria Kidman como protagonistas. Só estrelas, portanto. O seu nariz prostético fez história, até porque na altura de anunciá-la como vencedora da estatueta, Denzel Washington diz "and the winner is, by a nose, Nicole Kidman!", como que a fazer menção ao objecto. A verdade é que foi das interpretações mais curtas para uma Melhor Actriz vencedora de Óscar (28 minutos), tão brilhante foi Kidman no filme, ao dar vida à escritora insatisfeita com a vida Virginia Woolf. E a sua história com os Óscares ficou, para já, por aqui.
A "sequência de ouro" de Nicole Kidman, com "Moulin Rouge!" e "The Others" (2001), "The Hours" (2002), "Dogville" (2003) e "Birth" (2004)
Consagração obtida deveria simbolizar altura de descansar, mas não para Kidman. No dia a seguir à cerimónia ela estava de partida para a Dinamarca para colaborar com Lars von Trier no seu próximo filme, "Dogville", um filme bastante bizarro e repleto de mistério no qual Kidman mais uma vez espantou todos. De notar que a viagem para a Dinamarca em 2003 marcava a primeira vez em 15 anos que voava de avião. Nesse mesmo ano, Kidman também protagonizou, ao lado de Jude Law e Renée Zellweger, "Cold Mountain", mais um titã candidato a vários Óscares, o que acabou por acontecer. Um filme interessante, mas no qual Kidman não conseguiu ser tão extraordinária como noutras ocasiões, tendo-lhe custado provavelmente a nomeação, pois ambos os seus co-protagonistas foram nomeados (e Zellweger ganhou). Em 2003 Kidman foi ainda protagonista de "The Human Stain", baseado no romance homónimo de Philip Roth, para o qual o seu casting foi completamente um erro, como se viria a comprovar com o insucesso do filme.
O ano de 2004 viria a marcar o fim da magia de Nicole Kidman no ecrã, pelo menos por algum tempo. "Birth", de Jonathan Glazer, não parecia, à partida, prometer nada de especial, apesar de toda a gente contar com uma boa prestação da actriz. A verdade é que o filme revelou-se apaixonante de seguir do primeiro ao último minuto, com uma banda sonora sem precendentes de Alexandre Desplat e uma interpretação inconfundível da actriz, talvez a sua melhor de sempre, que é estonteante na película e uma maravilha de apreciar. Infelizmente, a Academia não foi da mesma opinião e tratou bastante mal esta pequena pérola que é "Birth". "The Stepford Wives", também de 2004, começou a anunciar um pequeno declínio na produtividade de Kidman, tendo o filme sido imensamente criticado.
As escolhas de Kidman continuaram algo estranhas e em 2005 ela apareceu em dois filmes que falharam redondamente, a nível do público e da crítica: "Bewitched" foi pálido em comparação com a adorada série de televisão do passado e "The Interpreter" foi uma escolha incomum na restante filmografia da actriz e, se bem que ela dá uma prestação razoável, tal como Sean Penn, o filme não caiu bem à crítica. Desafiando todas as convenções - dado o número de projectos aliciantes que se dizia que a actriz tinha em mão - Kidman opta por surpreender mais uma vez ao escolher "Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus" para o seu próximo projecto, em 2006. O filme não foi bem recebido mas a sua interpretação encheu o olho de muita gente, incluindo eu próprio, que começava a duvidar da sua qualidade e do seu bom olho para projectos. Nesse mesmo ano, Kidman aceitou emprestar a voz ao filme animado musical "Happy Feet", que venceria o Óscar de Melhor Filme Animado desse ano.
2007 voltou a marcar um retrocesso na sua carreira, com os falhanços sucessivos de "The Golden Compass", a adaptação cinematográfica da excelente saga de Philip Pullman e de "The Invasion", um thriller de ficção científica em que contracenou com Daniel Craig. Em "Margot at the Wedding", todavia, ela concede-nos mais uma performance inesquecível, como a intolerante, sem tacto, opinionada e rude Margot. O filme com que Noah Baumbach seguiu "The Squid and The Whale" não foi tão bem aceite como o antecessor, mas mesmo assim Kidman conseguiu boas críticas.
Em 2008 e 2009 a actriz preferiu dedicar-se mais à maternidade e por isso abrandou o ritmo de trabalho, tendo feito apenas um filme em cada ano. "Australia" era um dos projectos mais ambiciosos de 2008 e voltava a reunir Kidman e Luhrmann, a quem se juntava Hugh Jackman, tendo como pano de fundo o belíssimo outback australiano. Apesar da técnica e da estética do filme serem imaculados, a história não era nada por aí além e nem os dois protagonistas se safaram no meio do marasmo de 2 horas e meia e o filme, que ameaçava fazer estrondo, passou de mansinho. "Nine" perdeu Zeta-Jones e ganhou Kidman assim de rompante, que assinou para um pequeno papel como a musa Claudia. Um musical com grande elenco e grandes expectativas que foi um desastre - bem, nem tanto, mas os críticos e o público norte-americano arrasaram com o filme, de onde só Cotillard e Cruz saíram ilesas (Kidman não tinha muito que fazer, portanto foi quase ignorada).
Contas feitas, Kidman foi a actriz mais arrojada, mais marcante, mais cintilante esta década. Trabalhou com os melhores desde sempre (Van Sant, Campion, Kubrick, Pollack, von Trier, Marshall, Daldry, Luhrmann, Aménabar e Howard) e tem sempre procurado quem tem algo de inovador para oferecer ao cinema. Posso sugerir... Almodovar e Tarantino next?
O futuro?
Bem, em 2010 a actriz tem a sua derradeira chance de redenção a esta série menos positiva com o seu papel principal em "Rabbit Hole" de John Cameron Mitchell, a adaptação de uma peça vencedora de vários Tony, inclusivé o de Melhor Actriz (Cynthia Nixon ganhou na Broadway). Aaron Eckhart e Dianne Wiest juntam-se a ela neste filme que conta a história do luto de dois pais pela morte do seu filho. Deverá ser um dos candidatos a tomar cuidado para os Óscares, sobretudo no que a ela diz respeito. E em 2012 a actriz prepara-se para um dos seus maiores papéis, em "The Danish Girl" de Lasse Hallstrom, que relata a vida do primeiro transsexual do país, Einar Wegener.
Deixo-vos para terminar com um tributo (via YouTube) a esta grande actriz, que reúne cenas de vários filmes da actriz, criado pelo seu grupo de fãs no Fórum Free:
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