Dial P for Popcorn: Especial Animação: Pessoas da Década - Hayao Miyazaki

terça-feira, 26 de julho de 2011

Especial Animação: Pessoas da Década - Hayao Miyazaki

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Aproveitando a coincidência de hoje ser terça-feira, ressuscitamos uma rubrica adormecida do blogue - que vai voltar a total funcionamento nas próximas semanas: a das Pessoas da Década. Nesta rubrica, como se lembram, discutimos as grande personalidades cinematográficas que se fizeram, que se valorizaram ou que se excederam nesta década passada, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Era fácil imaginar qual a Pessoa da Década em foco, ainda por cima se tivermos a pista de estar relacionado com os estúdios Ghibli. Um homem que é parte indelével dos estúdios que ajudou a fundar, um homem com uma carreira de trinta anos de actividade, um homem que revolucionou a animação japonesa e que inventou novas formas de contar histórias através da animação, um homem que merecidamente venceu o Óscar em 2003 pelo filme já hoje abordado, "Spirited Away". É óbvio que o homem de que falamos é...



Hayao Miyazaki


Hayao Miyazaki, por muitos considerado o "Walt Disney do Japão", teve a sua primeira grande oportunidade quando conseguiu arranjar trabalho nos estúdios de animação Toei, nos anos 60. Aí trabalhou durante quase vinte anos tendo subido na hierarquia dos estúdios, tendo finalmente realizado o seu primeiro filme em 1979, "Lupin III". Com o moderado sucesso deste filme, Miyazaki conseguiu financiar o seu segundo projecto, uma ambiciosa história que eventualmente seria produzida em 1984, nos primórdios daquilo que seria o Studio Ghibli, intitulada "Nausicaä of the Valley of the Wind".
 

A sua grande amizade com Isao Takahata fez então com que ambos se lançassem na criação do seu próprio estúdio de animação e assim nasceu, em 1985, o Studio Ghibli. O primeiro filme produzido pelo Studio Ghibli foi de Miyazaki - "Castle in the Sky". Este filme, que é ainda hoje um dos filmes mais apreciados de sempre dos estúdios japoneses, marcou uma nova era na forma como se fazia animação na altura. "Grave of the Fireflies", de Takahata, lançado dois anos depois, veio só confirmar o que se previa: que estes dois senhores estavam cá para ficar.


A admiração internacional, contudo, só viria a chegar depois de 1997, quando os irmãos Weinstein adquiriram, através da sua subsidiária na Disney, os direitos de distribuição de "Princess Mononoke", o quinto filme de Miyazaki nos estúdios nipónicos (depois de "Castle in the Sky" viria "My Neighbour Totoro", "Kiki's Delivery Service" - o primeiro filme do Studio Ghibli lançado nos Estados Unidos, debaixo do acordo com a Disney - e "Porco Rosso") e que tinha sido um sucesso estrondoso, a ponto de se tornar, na altura, no filme mais rentável de sempre no Japão.


E assim entramos na década passada. Depois de um curto período de reforma, no qual Miyazaki decidiu ingressar para se focar mais na família, ele retorna ao Studio Ghibli com uma ideia tão original quanto bizarra - a de uma menina que vive num mundo espiritual e mágico no qual tem de aprender a sobreviver sozinha. Dessa ideia inicial brotou "Spirited Away", aquele que é, indiscutivelmente, o filme mais admirado de Miyazaki e da história dos estúdios. O filme, que venceu o Urso de Ouro em Berlim, viria a conseguir a qualificação para o Óscar de Melhor Filme Animado (por não ter cumprido o período de elegibilidade em 2001), que viria merecidamente a vencer. Retém, ainda hoje, uma impressionante nota de 94 no Metacritic e um resultado fabuloso de 97% no Rotten Tomatoes. Um filme propositadamente mais escuro e tenebroso, menos alegre e esperançoso e muito mais introspectivo e reflexivo, que representa a passagem da infância para a adolescência e que contém um comentário social muito vincado, "Spirited Away" é imperdível para qualquer pessoa (faz inclusive parte da lista do BFI dos "filmes que uma criança deve ver até perfazer 14 anos").


Apesar do facto de só o ter realizado "Spirited Away" esta década ser suficientemente merecedor para receber uma menção nesta lista, Miyazaki não parou por aqui e ainda nos presenteou mais duas vezes esta década com dois grandes filmes: em 2004 trouxe-nos o mágico e emocionante "Howl's Moving Castle", sobre uma rapariga transformada em bruxa, também nomeado para Óscar em 2005 e em 2008 o alegre e aventureiro "Ponyo", uma história baseada no conto original de Hans Christian Andersen da Pequena Sereia. Estes três títulos de enorme valor, a juntar a uma carreira brilhante, faz, portanto, com que Miyazaki seja de facto uma presença obrigatória na nossa lista de pessoas da década. 


Um génio, um visionário, uma lenda, Miyazaki será sempre alguém que não pára de inovar e surpreender naquilo que faz. Quase sozinho tornou a casa de animação japonesa numa força poderosa, capaz de lutar taco-a-taco com os dois grandes estúdios americanos e até de lhes vencer ocasionalmente. Mas mais do que isso, a animação de Miyazaki pauta-se pelos temas que aborda, pela forma como constrói a narrativa, pela forma rica e detalhada como caracteriza as suas personagens. As suas histórias não são só para crianças - e é isso, acima de tudo, que o faz estar anos-luz à frente das suas congéneres norte-americanas (que só recentemente se começaram a aperceber disso; por alguma razão Lasseter, Stanton e Docter são fãs de Miyazaki e do seu trabalho - também por aqui se explica parte do sucesso da Pixar).


[Disclaimer: Não detemos os direitos de nenhuma das fotos].


2 comentários:

annastesia disse...

Imenso Hayao! Grande mestre!

Anónimo disse...

ele é simplesmente genial eu adoro todas as suas animações