Dial P for Popcorn: Críticas Rápidas

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Críticas Rápidas


Bom, há que explicar primeiro a ideia deste post: uma vez que não tenho tempo para criticar todos os filmes numa razoável extensão, eis que optei por escolher os melhores ou os mais proeminentes e escrever sobre eles e deixar para segundo plano os restantes, pegando neles desta forma. Seguindo o conceito de "crítica rápida", não escreverei mais de duas-três frases por filme, realçando apenas os principais aspectos positivos e negativos de cada um.



ALL GOOD THINGS (B-): Ryan Gosling e Frank Langella um pouco abaixo do que podem fazer, mas Kristen Dunst brilhante. A história não faz muito sentido por vezes, contudo o filme é fascinante. Andrew Jarecki a provar o que os seus dois filmes anteriores adivinhavam: está ali um senhor realizador. 



 
BURIED (B-): Talvez o pior dos nossos pesadelos. Boas decisões do realizador Rodrigo Cortés. Uma interpretação surpreendente de Ryan Reynolds, a demonstrar instinto dramático, se bem que numa personagem francamente limitada.


BURLESQUE (B-): Um filme cheio de disparates e clichés mas, mesmo assim, não tão mau como o pintam (ou estavam à espera que fosse). Gigandet e Aguilera não são bons actores, isso é certo. Bell, Tucci e Cher compensam largamente. E o momento da balada de Cher faz o filme.


EMBARGO (B): Estive imenso tempo para fazer uma crónica completa a este filme e acabei por ficar-me só por isto. "Embargo" é curioso. É o melhor elogio que posso fazer ao filme. O filme de António Ferreira representa um passo em frente no cinema português, fabricando um filme inteligente, divertido e de boa qualidade. 



GET LOW (B): "Get Low" é, acima de tudo, o show de Robert Duvall. Uma interpretação monstruosa. E a cena do discurso... das melhores que vi este ano. Não é um filme genuinamente triste nem inspiracional (como o tentam vender), mas é um filme que vale a pena ver.



GOING TO DISTANCE (B-): Incrível química (óbvio que são namorados na vida real) de Drew Barrymore e Justin Long. Uma comédia que me impressionou devido à inúmera quantidade de clichés e 'plot holes' em que podia ter caído facilmente e aos quais conseguiu fugir. Bravo.


HOWL (B): Alan Ginsberg parece ter sido uma personagem feita à medida de James Franco. Uma brilhante interpretação, num filme recheado de pequenos grandes papéis (Jon Hamm, David Strathairn, Jeff Daniels, Alessandro Nivola, Mary-Louise Parker e Aaron Tveit). Mesmo quando a história foge ao objectivo e perde um pouco a qualidade, Franco é carismático o suficiente para nos agarrar a atenção sempre.



I LOVE YOU PHILIP MORRIS (B): No que poderia parecer à primeira vista uma comédia inapropriada sobre gays, acaba por ser do mais engraçado e agradável que vi nos cinemas este ano. Ewan McGregor e em particular Jim Carrey a trabalhar milhas acima do argumento.



LOLA (B+): Depois de "Kinatay", eis que Brillante Mendoza nos traz mais um grande filme. Esta história de duas avós a lutar pelo que é melhor para os netos apanhou-me de surpresa, porque nunca pensei que um filme com uma história tão simples pudesse ser tão poderoso, tão envolvente, tão especial. Provou-me o contrário.





OF GODS AND MEN (B): Não vou mentir se disser que tinha grandes esperanças neste filme. Afinal, estamos a falar do escolhido francês para seguir os passos de "Entre Les Murs" e "Un Prophète" na corrida aos Óscares. Infelizmente, o filme desiludiu-me. É um grande filme à mesma, mas não é de todo tão interessante ou avassalador como os dois títulos que o precederam. Uma história bem explorada, um elenco de qualidade, contudo parece falhar o objectivo.



RED (B-): Comédia engraçada mas (quase) sem sentido nenhum. Helen Mirren, John Malkovich, Bruce Willis e Morgan Freeman a divertir-se com o peso da idade é sem dúvida interessante, mas de resto... Mais nada salva o filme.


SALT (B-): Importa dizer, desde logo, que este filme tem de ser avaliado como o filme de acção que é. O argumento é curioso (nada de especial, mas para um filme de acção, bem acima da média). Angelina Jolie sente-se como peixe na água (alguém notou a falta do Tom Cruise? Eu não.), dando energia, poder e convicção ao papel e Philip Noyce realiza um filme de acção que de facto se pode orgulhar.





SECRETARIAT (C+): Que dizer mais desta cópia aborrecida do "Seabiscuit" que é tão pretensiosa que nem se apercebe das grandes incongruências da sua história? Querem-me explicar qual o ângulo da "impossible true story" que o poster promete? Será o da doméstica rica que com pouco mais para fazer decide comprar um cavalo, investir num dos maiores treinadores no ramo e fazer uma fortuna quando ele ganha as três provas de maior renome? Deve ser. Uma história impossível E verídica. Enfim. É preciso ter pachorra. Ao menos Diane Lane está razoável. Pena que só lhe dêem papéis destes e um "Unfaithful" surge a cada dez anos.





WHITE MATERIAL (B+): Fiquei enfeitiçado pela filmografia de Claire Denis em 2008 com o formidável "35 Shots of Rum". Surpreendeu-me ainda mais quando vi o "Beau Travail" que é de 1999. Portanto, é óbvio que já estava à espera de boas coisas quando vi "White Material". E não me desapontou. Uma intepretação soberba de Isabelle Huppert transcende o filme, que já por si é brilhante. Claire Denis é, simplesmente, um dos melhores realizadores que por aí anda.



YOU AGAIN! (C+): Novamente Kristen Bell com outras duas veteranas (Weaver e Lee Curtis) a compensar uma parte fraca (continuo a não perceber como Odette Yustman continua a ter trabalho em Hollywood). Uma comédia como muitas outras. A diferença desta está no magnífico elenco que arranjou (a juntar-se às quatro mencionadas temos Garber, White, Chenoweth e o novo achado, James Wolk). Vale a pena, mais não seja para ver Betty White.


E vocês? Viram alguns destes filmes? Que pensam?

9 comentários:

DiogoF. disse...

Estou a escrever algumas pequenas críticas destas, mas tenho de esperar até ter mais algumas. Mas deixa-me dizer que, e se assim não fosse não fazia eu o mesmo, gosto muito deste formato, que evita que se deixem passar despercebidos alguns filmes que merecem um mínimo de consideração, por uma razão ou outra.

Mas, garanto-te, não vi tantos como tu e não terei tanta legitimidade para um 2010 como tu.

Desta lista, já vi:

- BURIED: achei-o um grande filme, especialmente tendo em conta a produção e a sua articulação com a escrita de um argumento praticamente impossível. Concordo quanto à personagem e é o que não deixa o filme ser melhor.

- EMBARGO: Penso que sentimos o mesmo. Na altura, gostei imenso, mas fui reflectindo e desceu para "curioso". Na verdade, é uma pequena lufada de ar, que deixa os primeiros e ainda muito efémeros pozinhos de esperança.


Anseio muito por:

- LOLA

- DES HOMMES ET DES DIEUX

- WHITE MATERIAL

Catarina Norte disse...

Só vi SALT e EMBARGO.

Quanto a SALT,é isso mesmo...tem que ser encarado como o filme de acção que é e dentro do género é bastante bom. E a Angelina Jolie arrasa o Tom Cruise a qualquer hora! ;)

Quanto a EMBARGO, gostei mesmo muito. Sendo uma grande fã de Saramago, acho que conseguiu captar todo aquele espírito crítico e reflectivo das suas obras, sempre muito mordaz e atento! E Filipe Costa tem uma grande interpretação.

Depois, tenho curiosidade em ver Buried e All Good Things e chamaste-me à atenção para Lola e White Material! ;)

Filipe disse...

Adoro este tipo de críticas: simples e sucintas... Avaliando filme a filme...

- All good things - não tinha qualquer intenção de ver mas até fiquei com alguma curiosidade depois de elogiares o trabalho da Dunst.

- Buried - nem sequer li! Quero muito muito ver mas gostava mesmo de ver numa sala de cinema portanto estou tentar aguentar a minha vontade até ao dia da estreia nos cinemas portugueses (isto se estrear...). Muito curioso!!

- Burlesque - este já vi e é puro entretenimento e, para um apreciador de musicais e de vozes como a da Aguilera e da Cher, pode até ser um pequeno guilty-pleasure. Isto porque ele não pretende ser algo mais do que aquilo que é: entretenimento visual e auditivo. O argumento é, de facto, paupérrimo (tresanda a cliches o tempo TODO)!! O Tucci (excelente actor que não tem o reconhecimento devido) tem um papel IGUALZINHO ao que teve no Diabo veste prada mas não deixa de ser um ponto bem positivo para o filme; Bell é claramente subaproveitada neste filme (e para quem a viu em Veronica Mars pode dizer que também o é pela industria cinematográfica em geral), tem uma importância quase nula na história (basicamente serve apenas para mostrar o significado que o Burlesque tem na vida das dançarinas porque quase não rivaliza nada com a personagem da Aguilera) mas ainda assim consegue roubar algumas cenas; o melhor momento está, sem duvida, na balada de Cher, que me fez arrepiar todo, coisa que a Aguilera, com a sua excelente voz, nunca conseguiu ao longo do filme.

- Embargo - perdi-o quando esteve no cinema... Agora terei que esperar pelo DVD. Mas tenho alguma curiosidade!

- Get Low - desconhecia este filme mas parece-me interessante.

- Going the distance - também já vi; não sabia que eles eram namorados na vida real. Depois de ver Barrymore na melhor interpretação na carreira em "Grey Gardens" foi algo estranho voltar a encontrá-la em papeis tão cómodos. A mim não me impressionou, é uma comédia que se vê bem e no final parte-se para outra. Mas as cenas com a mesa de jantar estão hilariantes.

- Howl - definitivamente a ver! Aliás já o tinha referenciado...

- I love you Philip Morris - um filme que sobrevive da atmosfera cómica que os 2 actores principais criam. O argumento é banal mas é um filme que se vê bem... Mas passados 3 meses que o vi pouco me ficou na memória...

- Lola - tenho o DVD na prateleira à espera do momento ideal. Expectativas muito altas!!

- Les hommes et des dieux - neste caso podia copiar o teu texto. As minhas expectativas não estariam assim tão altas como as tuas mas o filme também não me tocou particularmente. No entanto, as suas qualidades são inegáveis (especialmente o elenco fabuloso) mas a mensagem que pretende transmitir não traz a força necessária. Mais perto do Óscar talvez o reveja.

- Red - ainda não o vi e se o vir é só e apenas caso me apetece ver um filme mais light com acção.

- Salt - também já vi, é um filme que joga pelo seguro em que se nota que o objectivo claro era garantir uma boa bilheteira. Portanto, um argumento com umas reviravoltas, uma actriz com enorme experiência em filmes do género, um realizador competente e bastante cenas de acção, junta-se tudo na misturadora e dá um filme agradável de se ver uma (e apenas uma) vez.

Secretariat - curiosidade nula.

White material - mais um filme em que o dilema está entre ver agora tirando da net ou esperar para vê-lo num cinema... Uma coisa é certa: obrigatório!

You Again - ainda não vi mas como fã da Kristen Bell vou ver seguramente. Não espero nada de extraordinário, interessa-me mais ver a interpretação da Bell. Ah e ver também a Betty White!

Queria também avisar que deixei resposta ao comentário que fizeram no último post do ano passado. Não sei se leram ou não mas como não responderam fiquei na dúvida... :P

Nuno disse...

Não vi metade da lista, mas os que vi escrevi. Com base nas críticas já publicadas

Embargo C
http://antestreia.blogspot.com/2010/10/embargo-por-nuno-reis.html

Going the Distance D+
http://antestreia.blogspot.com/2010/12/going-distance-por-nuno-reis.html

Salt C
http://antestreia.blogspot.com/2010/08/salt-por-nuno-reis.html

You Again C
http://antestreia.blogspot.com/2010/11/you-again-por-nuno-reis.html

E os que não vi, mas alguém escreveu
Philip Morris C+
http://antestreia.blogspot.com/2010/04/i-love-you-philip-morris-por-cesar.html

Red D+
http://antestreia.blogspot.com/2010/10/red-por-ricardo-clara.html

susana disse...

Dos filmes aqui apresentados só vi um , o Red e sinceramente não mexeu nada comigo que até já me esqueci quase da totalidade do filme!
Bom filme vi no outro dia, " o americano", a primeira parte é um bocado parada, depois dos filmes que vamos sendo habituados, tipo "action non stop" quem for ver "O americano", não conte com isso. Boa fotografia, boa realização e interpretações bastante razoáveis!
Hoje fui ver o Tron, efeitos visuais bastante agradaveis, mas sinceramente acho que o primeiro dos anos 80 era mais credível. Este não parece passado dentro de um computador e sim um filme passado no futuro. O argumento estava pobresinho e a realização também não me convenceu.

Ana Rita Inácio disse...

OMG... A balada da Cher simplesmente... :O
Momento alto do filme, sem dúvida! :)

Jorge Rodrigues disse...

DIOGO:

Exacto, é basicamente por isso que eu o faço. Não são os filmes que me apetece escrever mais e portanto não querendo deixá-los passar sem menção faço uma espécie de resumo.

Os três filmes que ressalvaste são todos boas escolhas. Espero que os aprecies pelo menos tanto quanto eu.


CATARINA:

Ainda bem que concordamos no SALT. A Angelina continua a impressionar-me com a fisicalidade dela. Gostei que não tivesse fugido a fazer um filme de acção mais puxado ao que ela está habituada.

Quanto ao EMBARGO... Eu estou como o Diogo. É um bom indício para a trajectória actual do nosso cinema. Mas ainda bem que gostaste tanto. É sinal que o cinema português ainda tem coisas boas.

Recomendo todos os títulos que te chamaram a atenção, se bem que com algumas reticências nos primeiros dois.


FILIPE:

É um trabalho exemplar da Kirsten Dunst. Ainda estou em dúvida se não merece ser nomeada para Actriz Secundária nos meus prémios, para tu veres.

O BURLESQUE é isso mesmo que disseste - é divertidíssimo. Não é um grande filme mas acho que tem perfeita consciência dos clichés que comporta e do estilo de musical que é e também me parece que não se quer habilitar a mais do que um serão bem passado. E nisso tem sucesso.

Concordo com o que disseste da Drew Barrymore - GREY GARDENS é lindíssimo.

E concordo com tudo o que foste dizendo dos outros filmes: PHILIP MORRIS ganha muito da intepretação da dupla McGregor/Carrey (o melhor papel da carreira do segundo não é, mas é um dos melhores sem dúvida), DES HOMMES ET DES DIEUX é um bom filme mas nada de surpreendente (sólido), YOU AGAIN! vale a pena pela Kristen Bell e pouco mais (mesmo) e o SALT, como já discuti acima, surpreendeu-me pela Angelina. E por ser um bom filme de acção, algo raro hoje em dia (e 2010 trouxe-nos dois "puros" e bons, este e o UNSTOPPABLE).


NUNO:

Tens aí piores notas que as minhas, mas concordo com muito do que foi dito nas tuas críticas (algumas já tinha lido, outras li agora na diagonal).


SUSANA:

RED é uma boa oportunidade perdida, parece-me. Depois da surpresa dos actores que são a fazer "aquilo" no filme... o filme torna-se quase banal. Mas é giro de se ver.

O THE AMERICAN é muito bom. Há-de cá surgir a crónica, prometo.

ANA RITA:

Amén. Cher é Cher. Mais nada.



Pessoal, cumprimentos e muito obrigado pelos comentários,

Jorge Rodrigues

Joana Vaz disse...

Desta lista só vi:

Burlesque: que vale pelo momento de "You Haven´t Senn The Last Of Me". A música é linda. O filme bem mais pobre.

Embargo: uma inovação no cinema português. Engraçado. Gostei.

You again: que me surpreendeu muito tendo em conta o género. Com óptimas interpretações e uma péssima (até eu faria melhor do que Yustman:P), mas que nos deixa muito bem-dispostos. Não se ganha nada com ele, mas também não se perde.

Jorge Rodrigues disse...

JOANA:

Primeiro que tudo, agradecer teres ido comigo ver esses dois filmes ao cinema. Não é fácil aturar-me quando tenho que ver filmes de menor qualidade.

Segundo, como sabes não partilho bem da tua opinião do BURLESQUE. Já do YOU AGAIN sim. A Odette Yustman é péssima.


Obrigado pelo comentário,

Jorge Rodrigues