Dial P for Popcorn: MOULIN ROUGE! (2001)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MOULIN ROUGE! (2001)


"Spectacular! Spectacular!"




Dez anos depois, é inacreditável o quanto ainda me diz "Moulin Rouge!". O festival de luz, cor e espectáculo de Baz Luhrmann continua a ser, mesmo volvida uma década, um dos filmes mais satisfatórios e impressionantes de sempre. Desde o momento em que a música começa e a visão de Luhrmann de Paris entra no ecrã, um feitiço parece que me trespassa e me encanta e fico como que vidrado, a apreciar o dom visual do talentoso realizador. Não dá para desviar o olhar por um segundo - sob pena de perder vários momentos de magia.


O filme narra o romance épico de Satine (Nicole Kidman) e Christian (Ewan McGregor), com traços típicos de uma tragicomédia que vai da tristeza ao êxtase num segundo - tudo isto acompanhado, claro, pelas estilizadas adaptações das maiores baladas do século passado. Christian é um jovem e sonhador escritor que chega à bela Paris em busca de inspiração para o seu próximo romance e que trava uma curiosa amizade com o anão Toulouse-Lautrec (John Leguizamo) que o convence a alinhar no seu esquema de montar um espectáculo "cheio de luz, música e brilho" para Satine, a bela dançarina que é o atrativo principal do clube burlesco Moulin Rouge, propriedade do excêntrico e entusiasmante Harold Zidler (Jim Broadbent). Combinam então que Christian se deve encontrar com Satine e fazer-se passar pelo rico Duque de Worchester que, como previsto, iria financiar o espectáculo que faria dela uma estrela. Desfeita a confusão, o grupo tem que convencer o verdadeiro Duque de Worchester - que quer "pagar" pelos afectos de Satine - a alinhar na sua ideia. O que ninguém sabe, na verdade, é que Satine carrega um pesado segredo que poderá mudar o rumo de toda esta história.


Uma electrificante e inspirada banda sonora, que conta com adaptações de êxitos musicais como "Diamonds Are a Girl's Best Friend" numa estonteante sequência de dança, ou como a mistura efusiva e polvorosa de Paul McCartney, Eagles e Beatles em "Elephant Love Medley" na mais apaixonante cena de toda a película, ou sobretudo, com o arrebatador dueto final "Come What May", numa espécie de rendição final de Satine e Christian, cujo amor irá para sempre perdurar, não importa o que aconteça, em conjunto com a brilhante fotografia de Donald McAlpine - que merece todos os prémios que (não) ganhou - e a frenética edição de Jill Bilcock, que complementa na perfeição o tom histriónico e exagerado e risqué do filme, a mil à hora. Todas as interpretações merecem clara nota de destaque, mas sem dúvida que Nicole Kidman está muito acima das restantes. Ela desaparece completamente dentro de Satine, numa das interpretações mais surpreendentes dos últimos tempos, digna do Óscar que também (não) ganhou. Frágil, delicada e sensível, mas ao mesmo tempo tão forte e decidida, Satine é uma criação inolvidável de uma das maiores actrizes de sempre.

Retratando de forma gloriosa e até poética o que Paris tem de mais romântico e idílico, combinado com números musicais e de dança dignos de uma poderosa alucinação, repleta de eroticismo, cor e comédia, "Moulin Rouge!" é um filme que é impossível esquecer, quer se esteja a ver pela primeira vez ou pela centésima, é tocante, é emocionante, é um turbilhão de emoções fantástico de se vivenciar e experimentar. Nunca mais somos os mesmos - tal como aconteceu a Christian quando foi apresentado ao Moulin Rouge. 


Nota:
A

Ficha Técnica:
Realização. Baz Luhrmann
Argumento: Craig Pearce, Baz Luhrmann
Banda Sonora: Craig Armstrong
Fotografia: Donald McAlpine
Ano: 2001
 




6 comentários:

Roberto Simões disse...

Partilho da mesma paixão e admiração pelo filme. Genial, genial. O meu musical preferido.

Roberto Simões
» CINEROAD «

Mariana disse...

Adoro, adoro, adoro! Assim que vi o filme pela primeira vez fiquei fã:) e ainda por cima com a Nicole Kidman, que é das minhas actrizes favoritas! Um filme espectacular e mágico!:)

Jaime Lourenço disse...

Moulin Rouge é, de facto, um filme impressionante! Um dos melhores musicais de sempre. O que fascina mais é a capacidade de construir uma "história" tendo por base músicas conhecidíssimas, a única música composta e escrita para o filme foi "Come What May". E é um excelente trabalho quer da Nicole Kidman, quer do Ewan McGregor. Atrevo-me mesmo a dizer que este é, provavelmente, o melhor filme de Baz Luhrman.

Joana Vaz disse...

Adoro o filme!;) Era o meu favorito do ano e continua a ser o meu musical preferido!:D
Cheio de glamour, encanto, divertimento e ousadia, é para mim um filme completo!

Boa crítica!;)

Jorge Rodrigues disse...

ROBERTO:

Obrigado pelo comentário. Pois, bem sei que é dos teus filmes favoritos da última década. Sem dúvida, apaixonante.

MARIANA:

É difícil é não gostar do filme, não é? Percebo alguns dos detractores, mas quando dizem que o filme não tem química nem magia... Não consigo compreender. É um filme especial. E sim Nicole Kidman sublime.

JAIME:

Sim, não é um argumento portentoso ou sofisticado, mas é dos melhores argumentos que um musical já teve, muito bem construído em torno de uma fantástica banda sonora. 'Come What May'... tão roubada de uma nomeação para Canção Original (como já discutimos cá no blogue). E sim Ewan McGregor, por exemplo, nunca esteve melhor.

JOANA:

É o prato completo sim senhor. Mágico e encantador.

Cumprimentos e obrigado pelos comentários,

Jorge Rodrigues

annastesia disse...

A prova de que é possível fazer um lindo musical nesse novos tempos.