Dial P for Popcorn: SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD (2010)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD (2010)




O ano de 2010 tem sido bondoso comigo. Não me tem trazido uma grande quantidade de maus filmes, tem-me proporcionado algumas surpresas agradáveis (“I Am Love”, “Dogtooth”, “Fish Tank”, “Kick-Ass”, “Animal Kingdom”, “Winter’s Bone”, “The Kids Are All Right”) e os grandes filmes têm correspondido às expectativas (“Inception”, “The Social Network”, “Toy Story 3”, “The Ghost Writer”, “The Town”). “Scott Pilgrim vs. The World” vinha, por isso, com a enorme responsabilidade de continuar esta senda positiva. Felizmente para mim, o filme surpreendeu-me e deu-me muito mais do que o que lhe poderia pedir.


Se querem imaginação à solta, se querem poderio visual, se querem estética apurada, se querem diversão aliada a inteligência, se querem qualidade acima de quantidade, chamem Edgar Wright. Não percebo como é que mesmo depois de “Hot Fuzz”, “Shaun of the Dead” e de “Scott Pilgrim vs. The World”, o homem não tem livre arbítrio e um orçamento avantajado para fazer o que bem lhe apetece.


“Scott Pilgrim vs. The World” é baseado na série de seis volumes de arte gráfica (BD, se preferirem) de Bryan Lee O’Malley, que conta a história de um rapaz, Scott Pilgrim, de 23 anos e da sua luta para conquistar o amor de Ramona Flowers, “a” rapariga da sua vida, tendo para isso que derrotar os seus sete ex-namorados. Sim, leram bem, derrotar, em batalha, os seus sete ex-namorados. Uma batalha ao bom jeito de videojogo, com pontuação, com vidas extra, com efeitos visuais espectaculares e com sons e ruídos alucinantes. Uma coolness irresistível. 


Todavia, não é só à conta disto que o filme é excelente. Também para as contas entra um elenco sem pontos fracos. Tudo bem que a grande maioria das personagens é claramente unidimensional, mas todos os actores conseguem aproveitar o que têm e acrescentar-lhes um colorido que, no meio de um ambiente tão interessante de explorar, de observar, de presenciar, as torna fascinantes de seguir. Michael Cera era, sem qualquer sombra de dúvida, a melhor escolha para o papel de Scott. Ele encarna a personagem na perfeição, até na maioria dos seus tiques e dos seus quirks, vivendo e respirando o Scott Pilgrim. Mary Elizabeth Winstead (Ramona), Allison Pill (Kim) e Kieran Culkin (Wallace) também merecem a ressalva, por tornarem as suas personagens tão infinitamente impressionantes e interessantes quanto a sua caracterização no romance gráfico prometia. A presença dos “grandes nomes” Anna Kendrick, Brie Larson, Brandon Routh, Jason Schwartzmann e Chris Evans pouco acrescentam, em papéis algo pequenos. Finalmente, chegamos à minha personagem favorita: Knives Chau (Ellen Wong). Wong é notável num papel imensamente suculento, de facto e transforma o triângulo amoroso que envolve Scott Pilgrim em algo de muito especial e cómico de acompanhar.


Falta aqui uma palavra sobre a extraordinária banda sonora, que também acrescenta pontos extra de coolness a tudo o resto, com Beck a fornecer um pano de fundo apropriado para as entusiasmantes cenas de acção e em particular para as cenas que envolvem a banda de Pilgrim, Sex Bom-Omb.


Esta união de qualidade na história, na forma de contar a história, nas interpretações, na inventiva fotografia e edição e na banda sonora transforma uma adaptação de BD com muito potencial mas sem se levar muito a sério num dos melhores filmes do ano. Este filme pode ser cool, pode ser sofisticado, pode ser jovem, mas consegue ter o que poucos filmes que virão de Hollywood este ano terão: alma e alegria.



Nota Final:
B+

Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Edgar Wright
Argumento: Edgar Wright, Michael Bacall
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Brandon Routh, Chris Evans, Jason Schwartzmann, Brie Larson, Ellen Wong, Kieran Culkin, Anna Kendrick, Mark Webber, Johnny Simmons, Aubrey Plaza
Fotografia: Bill Pope
Banda Sonora: Nigel Godrich

10 comentários:

Slinkman disse...

Fiquei curioso. O Michael Cera é um actor a seguir, definitivamente. A interpretação dele em Juno é pura e simplesmente perfeita. Por mim dar-lhe-ia o Oscar de melhor actor secundário só por aquilo!

Sam disse...

Adorei como conseguiram manter o espírito da graphic novel.

E, desta forma, é impossível não cumprir o que promete!

Jorge Rodrigues disse...

Rui,

O Michael Cera não me ganha favores e portanto se digo que me impressionou é porque de facto o fez (eu sou daqueles que não suporta a sua carreira, excepção feita a JUNO, claro, onde ele é também excelente).


Sam,

Pois, achei que de facto eles mantinham o espírito da BD intacta. Engraçado é que já li 2-3 críticas americanas que disseram mal do filme por isso, que parecia mais um videojogo que um filme. Enfim. Opiniões e mentalidades.


Obrigado pelos comentários,

Jorge Rodrigues

Pedro Ponte disse...

Jorge,

Dizer que gostei da crítica, acho que resume bem (mesmo que de forma ligeira) o que o filme é e as razões que o tornam algo especial e único. No último parágrafo, em particular, dizes tudo. Mas não poderia deixar de expressar a minha veemente discordância com a frase "diversão com o mínimo de inteligência". Não é, DE TODO, verdade. Os filmes de Wright são leves, divertidos e não se levam muito a sério, sim, mas são supremamente inteligentes. Aliás, acho que são das coisas mais inteligentes que já vi. Humor e inteligência não são mutuamente exclusivos, muito pelo contrário.

Abraço.

Andreia Mandim disse...

Jorge, Concordo completamente com o facto de só gostar de Michael Cera em Juno...e mesmo assim é porque cumpre o intuito da personagem do filme...nos outros é basicamente a mesma personagem que interpreta mas ainda mais totó...enfim..a versatilidade digamos que não é o seu forte.

Tenho o Scott já para ver...mas falta-me tempo, infelizmente...

cumps.
http://cinemaschallenge.blogspot.com/

DiogoF. disse...

Esta não li, que não quero mesmo spoilers :p

Jorge Rodrigues disse...

Ponte,

A minha frase era no sentido de dizer que gosto particularmente de Wright por aliar o humor à inteligência, coisa que pouquíssimos (nenhum?) realizador em Hollywood tenta fazer hoje em dia.

Cumprimentos e obrigado pelo comentário,

Jorge Rodrigues

Jorge Rodrigues disse...

Andreia,

Recomendo que o vejas, porque foi de facto o que mais me impressionou, fora os efeitos especiais: um elenco forte, com um protagonista exemplar (coisa que nunca pensei que Cera fosse).


Diogo,

É quase impossível dar-te spoilers do filme porque isso exigiria relatar o filme todo. Vê o filme mas é!


Obrigado pelos comentários,

Jorge Rodrigues

Loot disse...

Jorge então e o Cera no arrested development como o grande George Michael? :P

Quanto a este filme, gostei muito é bombástico e com grandes diálogos.

Jorge Rodrigues disse...

Loot,

Bem lembrado! Eu sou fã incondicional de ARRESTED DEVELOPMENT onde de facto Michael Cera era brilhante (aliás, naquele elenco, quem não era?).

É a mania de só pensar a filmografia em termos de cinema. Então vá, já são três coisas em que gosto do Michael Cera.


Cumprimentos e obrigado pelo comentário,

Jorge Rodrigues